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T HE POTENTIAL OF THE AU M EDIATION S UPPORT U NIT : B ALANCE OF GENDER

5. AU’S MECHANISMS TO MEDIATE DRC’S CRISES SINCE 2015: A GENDER-SENSITIVE ANALYSIS

5.3 T HE POTENTIAL OF THE AU M EDIATION S UPPORT U NIT : B ALANCE OF GENDER

Atualmente existem inúmeros programas que possibilitam às instituições a criação e disponibilização em linha dos conteúdos produzidos pelas suas comunidades. A grande vantagem destes programas é por um lado a variada oferta existente e, por outro, os programas mais sofisticados técnica e funcionalmente, são livres e de código aberto (Sayão et al., 2009). Para Sayão et al. (2009), estes dois fatores colocam um desafio importante para as instituições que pretendem implementar um repositório: selecionar o

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programa mais adequado tendo por base uma série de pré-requisitos inerentes ao perfil institucional. Estes pré-requisitos serão determinantes para que o programa selecionado corresponda de forma real e objetiva às intenções da instituição.

Os pré-requisitos a ter em conta podem ser divididos em internos - inerentes à própria instituição que vai criar o serviço – e externos, nomeadamente às características dos programas existentes. Sayão et al. (2009) referem como fatores internos os seguintes:

1) Gestão biblioteconómica institucional: neste terá de se ter em conta o sistema de informação existente na instituição, nomeadamente o tipo de utilizadores, os serviços disponibilizados, as formas em uso para armazenar e pesquisar informação;

2) Fator tecnológico, especialmente no que concerne à conceção da plataforma como um sítio na web e à análise de equipamentos, programas e infraestruturas de rede disponíveis para a implementação do novo serviço;

3) Interação utilizador-sistema, isto é, a conceção dos interfaces, das funcionalidades do sistema e das demais facilidades, através das quais os utilizadores vão interagir com os conteúdos digitais produzidos;

4) Por fim, a vertente de gestão do repositório, ou seja, como é que a entidade gestora do serviço pretende gerir os direitos dos autores e o seu acesso, como proceder sobre a preservação digital das coleções, como estabelecer regras para a segurança da informação e, por fim, como determinar os instrumentos de gestão direcionados para o utilizador final.

Após a definição destes fatores, segue-se a seleção do programa que melhor se adapta à instituição. Para esta seleção, os mesmos autores consideram que há uma série de fatores externos a ter em conta. O Quadro 6 apresenta dez desses possíveis fatores.

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Quadro 6 - Fatores de análise externos para seleção do programa para criação de repositório (adaptado de Sayão et al., 2009)

Fator Critério de análise

Avaliação das Comunidades utilizadores

Averiguar o grau de conhecimento das comunidades no uso do programa Avaliar a qualidade e extensão das informações sobre o programa disponibilizado no sítio em linha do produtor do programa

Escalabilidade

Avaliar a capacidade de crescimento do sistema por meio do aumento de mais recursos (CPU, RAM, entre outros) com intuito de suportarem o crescimento das coleções disponibilizadas

Estabilidade e disponibilidade da empresa

produtora do programa

Analisar o grau de confiança na organização responsável pelo programa: histórico, tradição, tempo de existência, sustentabilidade económica, inserção e relacionamentos com outras organizações

Verificar a documentação e cursos disponíveis sobre o programa elaborado pela instituição produtora

Evolução e limites do programa

Avaliar a capacidade de evolução e de incorporação de inovações

Analisar os possíveis limites do programa: volume de dados, número de coleções, de registos, de bases de dados que o programa consegue gerir

Extensibilidade

Analisar a capacidade do programa de integrar ferramentas externas no sentido de alargar as suas funcionalidades

Verificar se o programa tem capacidade de importar dados de outras fontes ou sistemas (por exemplo de outras bases de dados, OPACs ou de outros repositórios digitais)

Verificar o tipo de formatos que o programa aceita: pdf, html, MP3, gif e outros existentes ou que entretanto sejam criados

Implantação

Calcular o grau de simplicidade no processo de instalação e de configuração do programa

Avaliar a facilidade de integração com outros programas necessários ao funcionamento do repositório

Informações externas disponíveis

Verificar as informações disponíveis sobre o programa provenientes de outras fontes como livros, artigos, tutorias ou cursos

Instituições que o usam com sucesso

Verificar o número de instituições que usam o programa e com que grau de sucesso (por exemplo, ao nível da vitalidade e sustentabilidade do pacote)

Plataforma computacional

Identificar os componentes necessários ao sistema: tipo de sistema operacional (Windows, Unix/Linux, outros); servidores Web (Apache, outros); programa gerenciador de banco de dados (MySQL, SQL Server, Oracle entre outros) Suporte do sistema

Avaliar a capacidade de resposta dos serviços técnicos da entidade detentora do programa a problemas técnicos ou de outra natureza colocados pelos gestores do repositório ou pelos utilizadores

Em termos cronológicos, o primeiro programa que surgiu para criar repositórios foi o EPrints. Atualmente existem distintos programas para esse fim. Alguns são gratuitos e

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em acesso livre como o EPrints, o DSpace ou o Fedora. Temos em alternativa outros que, sendo gratuitos, não são em AL como o caso do Zentity32 desenvolvido pela Microsoft.

Outros há direcionados para uma vertente mais comercial como Digital Commons33, da

Universidade do Nebrasca, e o DigiTool34, desenvolvido pelo grupo Ex Libris35.

Na impossibilidade de se analisar em pormenor todos os programas, para o presente trabalho iremos descrever de forma resumida os que mais se identificam com o AL ao conhecimento, neste caso, os programas gratuitos.

i. EPrints

A origem do EPrints Repository Software36 remonta a 1999, fruto do engenho

criativo de Rob Tansley e Christopher Guterridge, membros da equipa de Stevan Harnard da Escola de Eletrónica e Ciência da Computação da Universidade de Southampton, Reino Unido. A primeira versão do sistema foi publicamente lançada em finais de 2000 (Sayão et al., 2009). A plataforma é distribuída com base numa licença de código aberto. Para além de oferecer as funcionalidades comuns nos repositórios institucionais (disponibilização de vários formatos digitais desde texto, vídeo, entre outras) tem associado o Prints Services composto por uma equipa de consultoria que colabora na criação de um projeto de instalação de um repositório desde a análise e desenvolvimento personalizado até ao fornecimento do serviço de gestão (GTUM/UP, 2010). Têm uma comunidade de utilizadores a rondar as duas centenas, do qual se destaca a Universidade

32 Para mais informações consultar: <URL: http://research.microsoft.com/en-us/projects/zentity/>. 33 Para mais informações consultar: <URL: http://digitalcommons.bepress.com/>.

34 Para mais informações consultar: <URL: http://exlibrisgroup.com/category/DigiToolOverview>. 35Grupo sedeado em Jerusalém, Israel, que comercializa produtos informáticos para bibliotecas. De destacar

o Aleph, bastante usado para catalogação em bibliotecas. Por exemplo, em Portugal, as bibliotecas das universidades do Porto e do Minho são utilizadoras deste programa.

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de Oxford, no Reino Unido. Aquando da redação deste texto37 estava disponível a versão

3.3.12.

ii. DSpace

Este programa foi lançado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e pela empresa Hewlett-Packard (HP), em novembro de 2002 (GTUM/UP, 2010). O DSpace38

tendo sido definido como um sistema inovador para criação de plataformas digitais com intuito de recolher, armazenar, indexar, preservar e redistribuir, em formato digital, a produção intelectual de comunidades das universidades (Rodrigues et al., 2004). É um programa que não visa o lucro comercial, sendo gratuito e de fácil instalação (DuraSpace, 2013).

As principais características desta plataforma passam por um sistema em código aberto, com uma arquitetura de programa simples e eficaz. Utiliza tecnologia recente e está sobretudo direcionado para o acesso aberto à publicação académica (Rodrigues et

al., 2004). Consegue disponibilizar vários formatos de documentos digitais desde texto,

imagem, vídeo ou dataset (conjunto de dados) (DuraSpace, 2013).

A partir de 2007, o MIT e a HP criaram a Fundação DSpace, uma organização sem fins lucrativos para promover a plataforma e suportar os seus utilizadores. Dois anos depois, este suporte dava lugar à Fundação DuraSpace, também uma organização sem fins lucrativos dedicada a tecnologias de código aberto e da nuvem para bibliotecas, universidades, centros de investigação e organizações do património (GTUM/UP, 2010). A lista de instituições que usam atualmente39 este programa chega às 1.506, encontrando-

37 Data de redação do texto: 21 de setembro de 2013.

38 Para mais informações consultar : <URL:http://www.dspace.org/>.

39 Data de redação: 12 de setembro de 2013. Para mais informações consultar:

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se instituições universitárias e não só. Hospitais, museus, bibliotecas, arquivos ou entidades governamentais fazem parte dessas comunidades.

iii. Fedora

O Fedora40, acrónimo de Flexible Extensible Digital Object Repository Architecture, embora não seja um programa dedicado para a construção de repositórios

é, no entanto, flexível para ser usado para esse fim. O programa foi originalmente desenvolvido pelos investigadores Sandy Payette e Carl Lagoze da Universidade de Cornell, EUA, por volta de 1997 (DuraSpace, 2013), estando desde 2009 ligado à Fundação DuraSpace, que detém o já referido DSpace. Encontra-se disponível em licença de código aberto e tem sido usado em diversas aplicações para bibliotecas digitais, arquivos, repositórios institucionais e sistemas de objetos de aprendizagem (GTUM/UP, 2010) devido à sua enorme flexibilidade e usabilidade no tratamento de qualquer suporte digital (DuraSpace, 2013). As plataformas da Biblioteca do Congresso dos EUA, das bibliotecas nacionais de França, Austrália e a Biblioteca Pública de Nova Iorque são exemplos de repositórios baseados neste programa. O Fedora atualmente tem cerca de uma centena de instituições utilizadoras. Em Portugal, a Biblioteca Nacional e o Instituto dos Arquivos Nacionais Torre do Tombo usam este sistema (Batista et al., 2007).

iv. eSciDoc

De raiz europeia, o eSciDoc41 é uma plataforma inicialmente criada pela MPS-Max

Planck Society (Munique, Alemanha) e pelo FK-FIZ Karlsruhe (Karlsruhe, Alemanha) e financiada pelo Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha. Está desenvolvida especificamente para uso pelas comunidades científicas e universitárias, com o fim de colaboração interdisciplinar e globalizada (MPS/FK, 2013). Na função repositório,

40 Para mais informações consultar: <URL: http://www.fedora-commons.org/>. 41 Para mais informações consultar: <URL: https://www.escidoc.org/>.

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pretende incluir tanto as publicações como a documentação intermédia, os dados e os materiais de aprendizagem (GTUM/UP, 2010).

v. Greenstone42

É um programa concebido para criar e distribuir coleções digitais, proporcionando uma nova forma de organizar e publicar informações na internet ou em CD-ROM na forma de biblioteca digital. O Greenstone é produzido pela New Zealand Digital Library Project (NZDLP), sediada na Universidade de Waikato, Nova Zelândia, e desenvolvido e distribuído em colaboração com a UNESCO e a Human Info NGO43 (NZDLP, 2013).

Apresenta-se como um programa multilinguístico, desenvolvido nos termos do protocolo GNU - General Public License (NZDLP, 2013).

vi. Nou-rau44

Desenvolvido no Brasil, no Centro de Computação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), o Nou-rau tem como objetivos implementar um sistema em linha para arquivamento, indexação, acesso controlado e mecanismos para pesquisa de documentos digitais. Para isso, o sistema recebe documentos digitais em diversos formatos e, em seguida, converte-os para texto puro, indexando-os através do uso do programa Dig45(Sayão et al., 2009), desenvolvido pela Universidade Estadual de San

Diego.

Com intuito de se comparar os programas descritos acima, apresentamos o quadro seguinte onde descrevemos as suas principais características.

42 Para mais informações consultar: <URL: http://www.greenstone.org./>.

43 Organização não-governamental, sediada na Antuérpia (Bélgica), cujo objetivo é colaborar com

governos, agências e instituições na disseminação de programas e conhecimento de forma livre (HUMAN INFO NGO, 2013). Para mais informações consultar: <URL: http://humaninfo.org./home_flash.html>.

44 Para mais informações consultar: <URL: www.softwarelivre.unicamp.br/>. 45 Para mais informações consultar: <URL: www.htdig.org>.

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Quadro 7 - Caraterísticas dos programas para criação de repositórios (Sayão et al., 2009; MPS/FK, 2013)

Programa

Distribuição Características Técnicas Padrões

Acesso Livre?

Ambiente nativo Tecnologia Base de Dados Motor Pesquisa Formatos aceites Interoperabilidade Metadados Impor/Expor dados

Unix Linux Mac Sun Windows Java Tomcat Perl PostgreSQL MySQL Oracle Lucene Google MG Com/sem restrições OAI-PMH Z39.50 SRU Dublin Core XML METS Outros

EPrints Sim X X X X X Sem X X X X X

DSpace Sim X X X X X X X X X X Sem X X X X X X

Fedora Sim X X X X X X X X X Sem X X X X

eSciDoc Sim X X X X X X X X Sem X

Greenstone Sim X X X X X X X X X Sem X X X X X

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Desenvolvidos na sua maioria em países anglo-saxónicos (à exceção do Nou-rau), os programas descritos possuem entre si características semelhantes. São programas em código aberto, com a intenção de se aceder livremente à informação, desenvolvidos por entidades de renome e com baixos custos de implementação.

Se a seleção do programa fosse com base num pretenso ranking de utilizações, possivelmente o DSpace seria uma das primeiras escolhas, pois é o programa mais usado atualmente para criar repositórios com 41,3% do mercado (cerca de 1.034 repositórios) (OpenDoar, 2013).

Contudo, todos eles possuem as características necessárias para a implementação de repositórios e, por conseguinte, os fatores internos institucionais poderão ser a chave da escolha do programa, visto que existem diversas similitudes entre eles.

Segundo dados da OpenDoar de setembro de 2013 (Quadro 8 e 9) existiam em Portugal cerca de quatro dezenas de repositórios registados nesta entidade, sendo que na sua larga maioria utilizam o DSpace.

Quadro 8 - Repositórios portugueses no OpenDoar (adaptado de OpenDoar, 2013)

Designação do repositório Instituição Programa

ARCA - IGC Instituto Gulbenkian de Ciência DSpace

B-Digital Universidade Fernando Pessoa DSpace

Biblioteca Digital FLUP Universidade do Porto - Faculdade de Letras Sem referência

Biblioteca Digital IPB Instituto Politécnico de Bragança DSpace

DigitUMa Universidade da Madeira DigiTool

DiTeD Biblioteca Nacional Sem referência

e-Learning Repository TecMinho DSpace

Estudo Geral Universidade de Coimbra DSpace

IC-Online Instituto Politécnico de Leiria DSpace

Life+MarPro Projeto Life+MarPro EPrints

PAM Universidade de Aveiro – Departamento de Matemática DSpace

ReCil Universidade Lusófona DSpace

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Quadro 9 - Repositórios portugueses no OpenDoar (continuação) (adaptado de OpenDoar, 2013)

Designação do repositório Instituição Programa

Repositório Aberto – U.Porto Universidade do Porto DSpace

Repositório CHLC Centro Hospitalar Lisboa Central DSpace

Repositório Científico - CHP Centro Hospitalar do Porto DSpace

Repositório Científico - INS Instituto Nacional de Saúde DSpace

Repositório Científico - IPL Instituto Politécnico de Lisboa DSpace

Repositório Científico - IPP Instituto Politécnico do Porto DSpace

Repositório Científico - IPS Instituto Politécnico de Santarém DSpace

Repositório Científico - IPV Instituto Politécnico de Viseu DSpace

Repositório Científico - UE Universidade de Évora DSpace

Repositório Comum RCAAP DSpace

Repositório ESEPF Escola Superior de Educação Paula Frassinetti DSpace

Repositório HFF Hospital Fernando Fonseca DSpace

Repositório IPCB Instituto Politécnico de Castelo Branco DSpace

Repositório ISCET ISCET DSpace

Repositório ISPA Instituto Superior de Psicologia Aplicada DSpace

Repositório ISPGaya Instituto Superior Politécnico Gaya DSpace

Repositório LNEG LNEG DSpace

Repositório REPAP Administração Pública DSpace

Repositório UAC Universidade dos Açores DSpace

Repositório UL Universidade de Lisboa DSpace

Repositório UTAD Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro DSpace

RepositóriUM Universidade do Minho DSpace

RIA Universidade de Aveiro DSpace

RiFEUP Faculdade de Engenharia da U.Porto DigiTool

RIHUC Hospitais da Universidade de Coimbra DSpace

RUN Universidade Nova de Lisboa DSpace

Sapientia Universidade do Algarve DSpace

SciELO SciELO Portugal SciELO

UBI Thesis Universidade da Beira Interior DSpace

Veritati Universidade Católica Portuguesa DSpace

O DSpace parece ser a plataforma que "domina" o mercado nacional de repositórios. O facto da versão para a língua portuguesa ser da responsabilidade da Universidade do Minho poderá ser um dos motivos para esta supremacia em relação aos restantes programas.

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