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5. AU’S MECHANISMS TO MEDIATE DRC’S CRISES SINCE 2015: A GENDER-SENSITIVE ANALYSIS

5.2.1 Normative framework of the PoW

Os repositórios institucionais constituem, presentemente, uma das principais iniciativas para a implantação do AL nos dias atuais (Kuramoto, 2009).

Para Jean et al. (2011), ao longo dos tempos têm surgido diversas definições para RI, sendo que estas têm colocado o cerne nos seus conteúdos, serviços ou nas possibilidades dos RI transformarem o modelo tradicional de divulgação de conhecimento.

No entanto, tendo em atenção que o principal foco do desenvolvimento científico se encontra nas instituições de ensino superior, não é de estranhar que a maioria dos repositórios estejam alojados nestas instituições e que as diversas definições recorram ao termo “Universidade” para ajudar a definir estas plataformas. Apresentamos agora algumas definições.

Lynch (2003) define repositório como um conjunto de serviços que uma universidade oferece aos seus membros, para a gestão e disseminação de materiais digitais criados pela instituição e pelos membros das comunidades.

Com uma visão dualista, Coelho (2005) considera que um repositório é constituído por documentos primários, digitalizados ou eletrónicos, quer sob a forma material (disquetes, CR-ROM, DVD), quer em linha, através da internet, permitindo o acesso à

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distância. Este conceito inclui também a ideia de organização composta por serviços e recursos, cujos objetivos é selecionar, organizar e distribuir a informação, conservando a integridade dos documentos digitais.

Por sua vez, Ferreira (2007) interpreta estas plataformas numa perspetiva mais tradicionalista como sendo uma readaptação das antigas bibliografias especializadas, para aumentar a visibilidade, o estatuto, a imagem e o valor público das universidades. Podem servir ainda como um indicador tangível da sua qualidade e relevância científica das atividades de investigação realizadas.

Chamamos a atenção para a definição dada por Marques e Maio (2007) que utilizam a palavra "elitista" quando interpretam a relação deste conceito com a comunicação de conhecimento. Para estes autores, os repositórios podem ser entendidos como uma alternativa ou complemento ao sistema tradicional de comunicação científica que se afigurava de alguma maneira restrito e elitista, muito devido aos seus altos custos de publicação e também de aquisição. A autonomia dos investigadores na criação, publicação e uso do conhecimento sem intermediários é, por isso, outra importante característica dos repositórios já que facilita a comunicação científica, tornando-a assim irrestrita e mais plural (Marques e Maio, 2007).

Para Batista et al. (2007), um repositório institucional não pode ser assemelhado a um armazém, onde tudo o que é gerado dentro de uma instituição é colocado. Ele deve ser uma das faces visíveis dessa instituição e, por isso, apenas o material previamente sujeito a controle de qualidade (artigos já publicados, teses e dissertações já defendidas) deve ser depositado.

Vera Dodebei discorda da definição dada por Batista et al. (2007), tendo uma posição mais tradicionalista do que deve ser um repositório. Para a autora, os repositórios são espécies combinadas de arquivo e de biblioteca digitais. Sustenta esta opinião considerando que a separação feita no passado dessas duas instituições era marcada pela natureza de seu acervo em que de um lado os arquivos representavam a memória das

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ações administrativas da instituição, onde a recolha da documentação era obrigatória gerando desta forma quilómetros de papel, enquanto as bibliotecas tinham como objetivos guardar a memória da produção técnico-científica-cultural da sociedade em equilíbrio entre a oferta e a procura de informações do grupo para o qual prestava serviços, independentemente do local, dos assuntos tratados e dos meios em que foram produzidos os documentos. Dodebei argumenta assim que um repositório deve ser encarado como uma espécie de biblioteca-arquivo digital (Dodebei, 2009).

Se as definições de Lynch (2003), Coelho (2005), Ferreira (2007), Marques e Maio (2007) e Dobedei (2009) estão ainda enraizadas num conceito de repositório com fins de armazenamento de informação, posição contrária tem o investigador brasileiro Hélio Kuramoto que, em 2009, defendeu uma posição semelhante à de Batista et al. (2007) ao argumentar que a conceção dos repositórios, como um armazenador estático de informação digital com capacidade de recuperação, está ultrapassada. Por isso, entende os repositórios como um sistema de informação que incorpora a facilidade da comunicação, da colaboração e de outras formas de interação dinâmica entre produtores de informação e os utilizadores (Kuramoto, 2009).

Indo ao encontro desta definição dada por Kuramoto, Sayão et al. (2009) discorrem que pode-se pensar um RI como uma base de dados na web, na qual uma instituição de pesquisa deposita sistematicamente a produção académica e a disponibiliza de forma ampla para as comunidades interessadas.

Na mesma linha de pensamento, temos Camargo e Vidotti (2009) ao considerarem estas plataformas como locais de armazenamento e preservação a longo prazo de coleções digitais de uma determinada instituição ou comunidade e que utilizam sistemas de informação que possibilitam a interoperabilidade de dados, a criação de comunidades e de coleções, o registo de utilizadores, a gestão de políticas de conteúdos e o autoarquivamento de documentos. Simultaneamente, estas plataformas servem para dar maior visibilidade às instituições (Camargo e Vidotti, 2009).

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Colocando de certa forma em confronto as diferentes conceções descritas pelos autores citados, Guimarães, Silva e Noronha (2009) entendem que o conceito em análise ainda se presta ao "escorregadio", ou seja, tende para a indefinição. Argumentam a posição com diversas definições para a mesma ferramenta. Para alguns autores, um repositório é um conjunto de serviços que uma universidade ou instituição oferece aos seus membros com intenção de gerirem e disseminarem os conteúdos intelectuais digitais, enquanto para outros autores é uma base de dados web de material académico institucionalmente definido. Sendo assim, Guimarães, Silva e Noronha (2009) apresentam o que consideram ser a melhor definição para repositório, colocando a tónica na constituição de uma coleção de itens recolhidos para preservar o capital intelectual de uma ou várias instituições.

De referir que as diferentes formas de se entender os RI também é comum aos utilizadores destas plataformas.

Em 2011, Jean et al. (2011) apresentaram um estudo baseado em inquéritos realizados a vinte (20) utilizadores de cinco (5) repositórios, no qual pretendiam saber como os utilizadores caracterizavam esta plataforma. O primeiro dado que destacaram foi que apenas um dos inquiridos utilizou a expressão "Repositório institucional", enquanto seis deles nunca ouviram este termo (Jean et al., 2011). Relativamente às funções para as quais foram criados, os autores notaram que ainda existem muitas dúvidas sobre para que servem. Expõem que houve um inquirido a caracterizar repositório como “kind of like a static Wikipedia" ou seja, uma espécie de Wikipédia estática ou algo equivalente da Wikipédia - “equivalent of Wikipedia” (Jean et al., 2011:27) - em que vários contribuidores depositam informação. Muito embora não consigam ou não conheçam plenamente o seu significado, os autores concluem, porém, que os vinte (20) inquiridos reconhecem valor e "qualidade natural" (Jean et al., 2011:21) aos repositórios.

Ainda que notemos que o conceito evoluiu ao longo dos últimos anos, verificamos contudo que o princípio norteador para a criação deste tipo de plataformas permanece presente em todas as definições: disponibilizar a baixo custo um meio para difundir

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informação científica e de acesso livre para que todos possam aceder. Mas existe ainda muito trabalho a realizar, nomeadamente na definição do conceito junto dos utilizadores. O último estudo apresentado é sintomático das confusões existentes em redor dos RI. Porventura, esta questão encontra-se relacionada com o próprio conceito de repositório institucional: em contínua evolução.

A história dos RI, como aliás acontece com a parte importante das inovações na área de informação, teve início no hemisfério norte. Expandiu-se, posteriormente e de forma rápida, para o hemisfério sul. Os EUA lideraram esta iniciativa (Costa e Leite, 2009), sendo neste país que, em 1991, surgiu o primeiro repositório - o ArXiv - lançado pelo Laboratório Nacional de Los Alamos, como escrito em secção anterior desta tese.

Embora as suas origens radiquem na América do Norte, o Velho Continente soube aproveitar estas plataformas e, segundo dados extraídos do OpenDOAR27, a Europa

ocupa atualmente o primeiro lugar por continentes no número total de repositórios (1.173 repositórios, correspondendo a uma taxa percentual global de 46,3%). Em segundo lugar aparece a América do Norte com 518 plataformas (20% do total) e em terceiro, a Ásia com 444, isto é 18% dos repositórios a nível mundial. No total existem 2.531 repositórios28 por todo o mundo.

27 Diretório de repositórios em AL. É um serviço prestado pela Universidade de Nottingham (Inglaterra).

Para mais informações consultar: <URL:http://www.opendoar.org/>.

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Gráfico 3 - Números e percentagens de repositórios por continentes (adaptado de OpenDOAR, 2013)