3. SUBTITLING OF NORWEGIAN FILMS
3.2 T HE OFFICIAL 2003 REPORT ON SUBTITLING OF N ORWEGIAN FILMS
A centralidade espacial da cidade do Natal na história do Estado do Rio Grande do Norte deve-se, sobretudo, a fatores naturais (cidade litorânea), fatores demográficos (por concentrar a nascente população da capitania) e por questões táticas (sua posição estratégica na consolidação territorial da capitania).
Desde o processo de ocupação da capitania iniciado no século XVI, quando em seu término (final do século) Portugal define uma política de povoamento da costa atlântica (CLEMENTINO,1995, p.48-49), Natal já desfrutava de uma certa centralidade política, a se iniciar pela ocupação do território, dada pela construção da Fortaleza dos Reis Magos20.
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“Mascarenhas Homem, conduzindo 400 homens em seus navios, entrou na barra do Potengi a 25 de dezembro de 1597. Um rei fanaticamente católico mandara criar uma cidade, e por coincidência a frota chega no dia de Natal. O arquiteto engenheiro é o padre Gaspar de Samperes. Sobre os arrecifes de arenitos, traça a fortaleza que fica protegida pelo rio e pelo mar circundantes. Planta-se uma bela estrela sobre os arrecifes. Um polígono estrelado, clássico. A construção se inicia a 6 de janeiro, dia dos Reis Magos, no ano de 1598. A primeira construção da fortaleza, que já seguiu o desenho original, é concluída no dia de São João, 24 de junho do mesmo ano. (...). Nesse mesmo dia Mascarenhas Homem passou o comando a Jerônimo de Albuquerque, mameluco descendente de tupi, com guarnição artilharia e munições” (LIMA, 1999, p. 38).
Denise Monteiro (2002, p. 36) afirma que após a conquista de um ponto da capitania do Rio Grande,
“Deu-se, a partir dele, a ocupação do território pelos colonizadores. A fundação de uma pequena povoação, em 25 de dezembro de 1599, situada numa área elevada, três quilômetros acima do forte e à margem direita do rio [...] reforçava a presença física e cultural do homem branco. A Povoação dos Reis (grifo do autor), cuja denominação se referia a valores culturais da Europa e do Cristianismo, daria origem a Natal”.
A “captura” do Rio Grande pelos portugueses, no dizer de Clementino, justificou-se pelos seus fins militares. Ao desembarcarem e construírem a fortaleza, “a meia légua acima do forte”, fundaram o povoado que se chamaria Natal (CLEMENTINO, 1995, p. 49), que mais tarde viria a se tornar a área de maior adensamento populacional e cumprir o papel político-burocrático de capital do Estado.
A concentração populacional e econômica inicial localizou-se basicamente no litoral, “com a cultura da cana-de-açúcar no litoral úmido nordestino e nos vales úmidos dos rios Potengi, Ceará-Mirim, Trairí e Curimataú no Rio Grande do Norte” (CLEMENTINO, 1995, p. 49). Mais tarde ocorreria a ocupação, mesmo dispersa, do interior, através da pecuária extensiva.
A história econômica local alternava-se, genericamente, entre as culturas da cana-de- açúcar e do algodão, paralelo a atividade criatória do gado. Permutavam-se, por conseguinte, uma relação natural entre litoral e interior, basicamente através da polarização existente entre Natal e sua hinterlândia produtora de cana-de-açúcar, e a região oeste, representada pela cidade de Mossoró, com a cultura do algodão e a criação do gado.
Lopes Júnior (2000, p. 25) menciona que “Mossoró, então um centro polarizador da comercialização e industrialização do algodão do interior do Rio Grande do Norte e dos sertões cearense e paraibano, era a cidade economicamente mais ativa do Estado”. Monteiro (2002, p. 175) diz que Mossoró, “povoação que surgira às margens do rio de mesmo nome”, provavelmente em função de antigos caminhos de gado, tinha, até meados do século XIX, toda a produção oeste da província, produção esta escoada para Aracati/CE. Com a decadência deste
porto cearense, e a abertura do porto de Areia Branca/RN em 1867 (com o grande surto exportador de algodão desses anos), Mossoró se tornava um importante centro comercial. Neste espaço passavam mercadorias não só do oeste potiguar, mas também de partes do Ceará, sertão paraibano e região do Seridó (MONTEIRO, 2002, p. 175).
Mesmo como essa destacada importância econômica da cidade de Mossoró e a limitada capacidade produtiva natalense, o século 20 começa tendo no RN duas cidades com funções comerciais específicas. Mossoró centraliza a exportação do sal, algodão, cera de carnaúba e couros e peles; e Natal, a de açúcar e algodão, principalmente, além de fazer a importação por cabotagem (era quase nenhuma a importação direta do exterior) (CLEMENTINO,1995, p. 103).
A pouca importância comercial de Natal, entretanto, não advinha apenas das dificuldades técnicas de seu porto. Cercada de dunas, com acesso precário, a capital padecia, também, de um relativo isolamento físico. Em alguns momentos, teve a sua condição de entreposto comercial eclipsada pela vizinha cidade de Macaíba (CLEMENTINO, 1995, p. 109). Lopes Júnior (2000, p. 25) reforça esta idéia dizendo que: “Natal, rodeada por dunas e tabuleiros, relacionava-se com o mundo através do mar. Por seu precário porto chegavam, até as primeiras décadas do século vinte, produtos, pessoas e informações”.
Mossoró, como empório comercial que importava e exportava com desenvoltura, começou a dar sinais de exaustão na terceira década do século XX. Entre 1924 e 1926 a historiografia local situa a derrocada da economia mossoroense (êxodo em outras praças), conforme aponta Clementino (1995, p. 112).
De um lado, então, Mossoró se mantém como importante núcleo urbano regional e como segunda cidade do Rio Grande do Norte, devido em parte às condições favoráveis de expansão de atividades vinculadas ao mercado interno. Por outro lado, a economia local potiguar a partir de 1940 consegue iniciar um movimento de diversificação produtiva, fruto de imposições externas que se dão no mercado brasileiro pela emergência da 2ª Guerra Mundial. Abre-se a possibilidade de novos produtos na pauta de exportações estadual com a extração da sheelita- mineral e com a produção de sisal devido a ampliação da demanda por matérias-primas por parte da indústria têxtil de cordoaria (CLEMENTINO, 1995, p. 137). A 2° Grande Guerra Mundial vai
ter um significado especial para a dinâmica econômica do RN e sua relação com a urbanização; e chega a interferir, diretamente, no processo de constituição do urbano em Natal. O Governo Brasileiro cede aos EUA seu litoral para instalação de bases militares e Natal sedia uma delas.
Natal neste momento assume mais claramente sua função burocrático-administrativa e inicia seu processo de desenvolvimento urbano. Este processo de urbanização na cidade possui genericamente dois grandes momentos: antes e após a 2ª Guerra Mundial. De acordo com Clementino (1995, p. 184-186), antes da 2ª Guerra observa-se em Natal um quadro econômico pouco significativo e um lento processo de concentração de atividades e de população. Durante o episódio da Guerra, Natal se torna um ponto estratégico militar, já que sedia tropas americanas e brasileiras, e com isso, desencadeia fluxos migratórios (passando a concentrar população civil e militar), além de conseqüentemente crescer o número de atividades comerciais e de serviços. Paralelo a disso, ainda há o início do processo de especulação imobiliária urbana na cidade.
No período pré e pós-SUDENE - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (1950-60), Clementino (1995) expõe cronologicamente alguns episódios que configuraram a constituição urbana de Natal, acontecimentos basilares para a centralidade da cidade na estruturação da vida social do Estado. Destacam-se, portanto:
9 O aumento populacional nos anos 60;
9 A fixação de contingentes militares brasileiros;
9 O desencadeamento na cidade de um processo de especulação imobiliária através de loteamentos (décadas de 50 e 60);
9 O surgimento dos primeiros programas habitacionais (década de 60); 9 A criação de infra-estrutura com recursos governamentais (anos 60);
9 O aumento, a partir dos anos 1970, do ritmo de concentração de atividades econômicas e de população;
9 O início da política de desenvolvimento do parque industrial têxtil; 9 O processo de modernização industrial;
9 A consolidação de uma parcela da população com salários médios altos, basicamente do serviço público e de técnicos da Petrobrás;
9 A construção dos grandes conjuntos habitacionais na periferia da cidade; 9 A abertura dos primeiros shoppings centers (anos 90);
9 A dinamização da construção civil, aumentando, com isso, o processo de especulação imobiliária da terra urbana;
9 E o início do processo de verticalização da cidade.
O que Clementino (1995) traz de importante (para os objetivos aqui presentes) neste breve resgate histórico da economia do RN é justamente o contexto de surgimento do turismo no Estado, mais especificamente em Natal. Coloca a autora que após as mudanças acima enumeradas tem-se o início da atividade turística (a partir de 1983 com a conclusão de investimentos em infra-estrutura hoteleira – Via Costeira), onde ocorreu a transferência e/ou integração de capitais da construção civil e setor imobiliário para a atividade (hotelaria) e, com isso, iniciou-se o crescimento dos serviços em função do turismo.
Neste cenário de princípio da “turistificação” de Natal, através de ações implementadas fundamentalmente pelo poder público pós anos 80, emergem processos espaciais que dotam o Estado de uma nova racionalidade, isto é, o princípio do mercado de serviços turísticos. Como marco histórico deste, a Via Costeira se configura como o embrião racional do processo. No entanto, anterior a sua edificação, algumas ações pontuais foram implementadas pelo Governo do Estado visando à captação de demanda, resultado, aliás, nada satisfatório.