CHAPTER 7 CONTRIBUTIONS AND CONCLUSIONS
7.1 T HEORETICAL CONTRIBUTIONS
B
OLONHA;
A ADMISSÃO ÀA
CCADEMIA DIS
ANL
UCCA,R
OMA.
Na sua trajetória pela Academia, de modo ritualístico, cumpre a presença nos prémios anuais e nas Atas desta instituição bolonhesa, encontra-se bem documentada a sua participação.
Em 1771 para o Concurso Marsigli – Aldovrandi, da 2.ª Classe de Arquitetura, cujas provas foram apresentadas em 1 de fevereiro, e que impunha o tema o seguinte: “Uma capela, ou seja um pequeno templo, rodeado de um portico”, o júri foi constituído pelos professores Civoli, Alberoni, Bettini, Pesci, Tadolini; como resultado, conhecido a 2 de abril, os examinadores consideraram que foram dignos de “prémio os Senhores Biagi, Paglialunga, Terzi, Benturoli, Silva e Muzzarelli”1.
Aos 31 de maio deste mesmo ano um novo concurso Marsigli-Aldovrandi foi aberto e veio distinguir a obra de Angelo Venturoli, a única apresentada ao prémio de Primeira Classe. Deixando-se mencionado nas Atas que “Na segunda Classe e dos dois concorrentes, isto é, José da Costa e Silva, português, e Carlo Barnia, bolonhês, não obstante pendessem a favor de Barnia não quiseram, porém, decidir das provas2.
Com surpresa, logo a 1 de junho aparece como que uma ratificação, em que o projeto de Venturoli é confirmado na Primeira Classe, e na Segunda Classe, considerando que “[…] as provas dos dois concorrentes […] eram iguais em valor, todavia, visto que a obra do Sr. Barnia tinha algum grau de superioridade, julgaram que a este se devia dar o prémio”.
Costa e Silva reagiu ao que considerava uma discriminação e protesta administrativamente, lamentando a conduta do júri, com o fundamento que se facilitou ao outro concorrente a apreciação das provas, uma vez que este “tinha feito com o lápis o esquisso e assim ficou explicado o problema, o que parecia muito irregular”3.
Costa e Silva apresentou uma segunda reclamação face aos argumentos desse júri e pede que “sejam de novo examinados os desenhos de ambos (Costa e Silva e Barnia), mas, agora com outros jurados e professores de Arquitetura Civil4. Foi recompensado pela insistência, pois encontra-se averbado que poucos dias depois, a 8 de junho de 1771, assinado
pelo príncipe Giuseppe Carlo Pedressi e pelo Secretário Domenico Pò, o certificado do Prémio Marsiglio Aldovrandi, de “Secunda Classe di Architettura”.
A sucessão letiva na Accademia continua bem documentada e, no ano seguinte, 1772, encontra-se registado um desenho seu, que desenvolveu o tema proposto: Fachada, Corte, Planta Quadrada de um Palácio, pormenores de capitéis toscanos: “Disegno firmato Giseppe da Costa Silva, Prima Classe, 1772”5.
Neste mesmo ano, a 20 de fevereiro, conheceu-se a posição do júri, que o distingiu, como que a emendar a mão da injusta avaliação anterior: “Na primeira classe de Arquitetura o único desenho marcado com a Letra A apesar de não ter competição foi por nós julgado digno de prémio pela pontualidade da execução tanto da planta como do Alçado e conforme ao assunto proposto vê-se a Prova corresponder muito bem à execução”6. Sem dúvida que os professores terão decidido também recompensar o esforço de Costa e Silva, na execução de uma obra tão complexa, num momento bom da sua prestação académica. Outro reflexo desta aplicação pode comprovar-se no desenho que hoje se guarda no MNAA [1774], revelando uma complexidade extraordinária de métier: quatro fachadas monumentais, todas ornadas com estátuas sobre o entablamento, com remates de frontões triangulares, e nos corpos laterais, duas estruturas porticadas, de claro empréstimo palladiano7. Outro desenho de uma coleção particular representa o alçado de grande palácio em que se identifica um brasão das armas reais portuguesas, a atestar a insistência de projeto na arquitetura cortesã.
Com grande orgulho, a meses de deixar Bolonha, em carta ao seu protetor Cruz Sobral, num contexto de insegurança política pela morte de D. José I, estando incerta a sua posição de Bolseiro da corte, inflama o lado patriótico, que alias é tópico, que nas suas cartas retoma, amiúde: “Ultimamente na nossa Accademia Clementina se fez a distribuição dos premios aos estudantes de arquitectura civil, que os mereçião, e eu formalmente chamado assisti à função na qualidade de Accademico, e estimei muito ter esta occazião de fazer honra a nossa Nação”8 – escrevia de Bolonha, aos 23 de junho de 1777 (v. doc. n.º 13).
Pergaminhos que reconhecem uma capacidade e uma afirmação, que preserverantemente veio a conquistar, não hesitando em invocá-los, quando se tratou de pretender aos cargos que o arquiteto Manuel de Caetano de Sousa, chamado com precisão
meticulosa de Coronel Engenheiro, deixara vagos pela sua morte em 1802: “e como tambem he o Arquitecto mais antigo, que chegou a esta Corte com plena approvação das Academias, que frequentou em Italia, tendo sido aggregado sem o pedir à Academia Clementina de Bolonha, aonde principalmente fez os seus estudos; e do mais tendo a distinta honra de ser Academico de merito na de S. Lucas de Roma, honra summamente difficil de conseguir-se”9. ( V. doc. n.º 10.)
NOTAS:
1
Accademia Clementina, Bologna, Atti, 1762-1782, n.º 2; já no anterior concurso se menciona um desenho assinado por Costa e Silva, mas sem qualquer outra referência, sabe-se apenas que a solicitação era a seguinte: “Prospetto, spaccato, pianta quadrata di palazzo, particolari di capitelli toscani”, loc. cit. V. CARVALHO, Ayres de (1979), op. cit. pp. 79-83.
2
Idem, Atti 1762-1782, “nella seconda classe, di due concorre. Cioè Guiseppe de’ Costa Silva Portoghese e Calo Barnia Bol. Pendendo bensì a favore del Barnia, non vollero peró decidere delle Prove”.
3
Idem, Atti, 1762-1782, 3 de junho.
4
Idem, Atti, 1762-1782, 6 de junho.
5
Idem, Atti, 1762-1782, n.º 2.
6
Idem, Atti, 1762-1782, n.º 2.
7
MNAA, Gabinete de Estampas, inv. n.º 2782 e 2783, (o desenho incorretamente foi dividido em dois) Assinado e datado “Jose da Costa e Silva o fes em Bolonha no anno de 1774”. No verso apresenta uma declaração autógrafa do seu mestre Carlo Bianconi “Io Carlo Bianconi Accademico Clementino Affermo”. CARVALHO; v. Aires de (1979), op. cit., pp. 80-85.
8
ANRJ, Negócios de Portugal, carta dirigida a Joaquim Inácio da Cruz Sobral, datada de 23 de junho de 1777.
9