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Na abordagem comunicativa, o professor assume o papel de facilitador da aprendizagem dos alunos, podendo ser um negociador das atividades em sala de aula. Ao exercer essa função, ele tem a responsabilidade de estabelecer situações prováveis de comunicação e também pode assumir os papéis de conselheiro ou orientador, respondendo às perguntas dos alunos e monitorando o desempenho deles. Além disso, ele pode ser um co- comunicador, participando ativamente de atividades em sala de aula, juntamente com os alunos.

Leffa (1988, p.133) enfatiza que “o aspecto afetivo é visto como uma variável importante” no ensino comunicativo e “o professor deve mostrar

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sensibilidade aos interesses dos alunos, encorajando a participação” deles e negociando as suas sugestões.

Com o intuito de apresentar atitudes que o professor comunicativo precisa ter, Almeida Filho (2005) lista algumas delas, as quais estão no quadro a seguir.

Quadro 2: Atitudes do professor comunicativo segundo Almeida Filho (2005)

Professor Comunicativo

1. Propiciar experiência de aprendizagem na língua-alvo com conteúdos significativos e relevantes para que o aluno a reconheça como importante para sua formação e crescimento intelectual.

2. Utilizar tópicos, cenários, funções comunicativas, tarefas comunicativas, papéis sociais para tratar da aprendizagem da comunicação na língua-alvo.

3. Compreender o uso da língua materna como apoio.

4. Tolerar os erros reconhecendo-os como sinais de crescimento na comunicação em outra língua.

5. Representar por meio de problematização temas e conflitos do universo do aluno.

6. Oferecer condições para que o aluno aprenda subconscientemente os conteúdos relevantes que o envolva.

7. Respeitar as motivações, ansiedades, inibições, autoconfiança dos

aprendizes.

8. Avaliar o desempenho do aluno ao realizar atividades e tarefas

comunicativas mais do que afere o seu conhecimento das regras gramaticais da língua-alvo.

Fonte: Elaboração Própria

Além de possuir essas atitudes, Almeida Filho (2002) salienta que ser um professor comunicativo é preocupar-se e considerar o aluno como sujeito atuante no processo, é preocupar-se mais com o que faz sentido para o aprendiz em sua aprendizagem de LE e para o seu futuro como cidadão do mundo.

Ser comunicativo significa preocupar-se mais com o próprio aluno enquanto sujeito e agente no processo de formação através da LE. Isso significa menos ênfase no ensinar e mais força para aquilo que

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abre ao aluno a possibilidade de se reconhecer nas práticas do que faz sentido para a sua vida do que faz diferença para o seu futuro como pessoa (ALMEIDA FILHO, 2002, p.42).

Para Breen e Candlin (1980), na abordagem comunicativa, o professor assume alguns papéis principais: o primeiro é o de ser facilitador da comunicação entre os alunos e o texto e o segundo é o de agir como participante no processo de ensino e aprendizagem. Além desses dois papéis essenciais, segundo os autores, o professor deve ser um organizador de recursos, um guia dos procedimentos e das atividades dentro de sala de aula e um pesquisador e aprendiz. Para eles, o professor tem muito a contribuir em termos de apropriação dos conhecimentos e habilidades, baseando-se na experiência real e observada da natureza da língua e das capacidades organizacionais.

O professor comunicativo, portanto, assume um papel de participante no processo de ensino e aprendizagem, ele ensina, mas ele também aprende. Essa participação pode fazer com que muitos professores não se sintam seguros em lidar com esse novo papel por não possuírem proficiência4 suficiente na língua-alvo.

Para Krashen (1982), o professor apresenta três papéis centrais. Primeiro, ele é a principal fonte de insumo da língua-alvo, produzindo um fluxo constante de linguagem e fornecendo pistas para auxiliar os alunos na interpretação do insumo. Segundo, o professor deve criar uma atmosfera favorável, oferecendo um assunto que seja de interesse dos alunos. Os erros devem ser tratados como parte do processo, não devendo, portanto, serem corrigidos automaticamente. Terceiro, o papel do professor deve envolver a escolha e o trabalho com uma grande variedade de atividades em sala de aula, abrangendo diferentes grupos, conteúdo e contextos. A escolha de materiais feita pelo professor deve levar em consideração o interesse e as necessidades dos alunos.

Acredita-se que é preciso estar consciente de que no processo de ensino e aprendizagem de LE, o professor deve agir como parceiro dos alunos, assumindo junto com eles a responsabilidade por esse processo. Dessa forma, tanto o professor como os alunos devem estar motivados a aprenderem juntos.

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Rodrigues (2006, p.45) define proficiência como o “uso adequado da língua para desempenhar ações no mundo”.

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Essa participação atuante do professor comunicativo também é defendida por Hall (2001), ao dizer que ele deve ser um facilitador do processo comunicativo entre os participantes e deve atuar como um participante independente, junto ao grupo.

Na abordagem comunicativa, os professores priorizam o desenvolvimento de atividades que tenham o intuito de promover o uso comunicativo da língua-alvo pelos alunos, contribuindo para a aquisição de uma nova língua. Segundo Larsen-Freeman (1986) se o professor propuser um exercício controlado, no qual o aluno deve dizer algo de uma única forma, o aprendiz não poderá fazer escolhas linguísticas, não acontecendo, assim, a troca comunicativa. Ainda de acordo com a autora, ao ter a oportunidade de se comunicar na língua-alvo como em uma situação semelhante a que acontece em seu cotidiano, por exemplo, o aprendiz sente que a comunicação que está realizando tem um propósito e que não está apenas repetindo uma estrutura pronta.

Para Almeida Filho (2004), o professor que formula atividades sem respostas prontas pode permitir ao aluno que contribua com o que ele possui, desenvolva uma troca intercultural de experiências, veja o aluno como um todo e leve em consideração os insumos que ele pode oferecer. Além disso, o oferecimento do insumo5 para o aprendiz por parte do professor passa a ser de melhor qualidade, ou seja, mais significativo e relevante, propiciando, assim, “experiências mais diretas com e na língua-alvo” (ALMEIDA FILHO e BARBIRATO, 2000, p.24).

No ensino comunicativo, portanto, o falante é capaz de avaliar se seu propósito comunicacional foi alcançado, dependendo das informações que recebe do ouvinte. Dessa forma, segundo Barbirato (1999, p.54), “fazer perguntas por meio de um exercício mecânico de substituição pode ser uma atividade útil, mas não é comunicativa, desde que o falante não receba resposta de um ouvinte”, sendo “incapaz de avaliar se a pergunta foi ou não compreendida” (BARBIRATO, 1999, p. 54).

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Allwright e Bailey (1991, p. 120) definem insumo como “a língua que os aprendizes ouvem (ou leem), ou seja, as amostras de língua às quais eles [os aprendizes] são expostos”.

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Segundo Brown (1994), o aprendiz é um participante ativo no processo de comunicação, sendo inserido em situações que não são ensaidas e que têm a orientação do professor.

Para Cardoso (1996), as atividades comunicativas devem propiciar o uso da linguagem, por meio de um processo de levantamento de hipóteses, de uma sucessão de ideias e da interação significativa. Dessa forma, a autora menciona que essas atividades devem ser as tarefas que exigem solução de problemas; simulações; jogos; compreensão de leitura e linguagem oral e a elaboração de projetos.

Assim como o professor, o aluno assume novos papéis na abordagem comunicativa. São esses papéis que serão apresentados na seção seguinte.