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Autores como Rampazzo (2011), Gerhardt e Silveira (2009), Cunha (2007), Larsen-Freeman e Long (1991), dentre outros, afirmam que a pesquisa pode ser qualitativa ou quantitativa quanto à sua abordagem. Dessa forma, tecer-se-ão algumas comparações e reflexões que demonstram que esta pesquisa é de natureza qualitativa.

Para Gouveia (1984), não é uma questão de opção – ou opta-se pela pesquisa qualitativa, ou pela pesquisa quantitativa, mas sim, uma questão de

11 De acordo com Gerhardt e Silveira (2009, p. 12), a palavra metodologia “etimologicamente,

significa o estudo dos caminhos e dos instrumentos utilizados para se fazer uma pesquisa científica.” As autoras ainda enfatizam a necessidade de se diferenciar metodologia de métodos. Para elas, “a metodologia se interessa pela validade do caminho escolhido para se chegar ao fim proposto pela pesquisa; portanto, não deve ser confundida com o conteúdo, teoria, nem com os procedimentos, métodos e técnicas. Dessa forma, a metodologia vai além da descrição dos procedimentos, métodos e técnicas a serem utilizados na pesquisa, indicando a escolha teórica realizada pelo pesquisador para abordar o objeto de estudo” (GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p.13).

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abordagem, a qual será capaz de analisar, de forma mais efetiva, as informações obtidas em uma investigação.

Desse modo, o autor pontua que

há problemas de investigação que exigem informações referentes a um grande número de sujeitos e que, consequentemente, não comportam outro recurso senão o da abordagem quantitativa. Em outros, como, por exemplo, quando se quer aprender a dinâmica de um processo, a abordagem qualitativa é a indicada (GOUVEIA, 1984, p.67).

O autor amplia suas considerações afirmando que, em muitos casos, “a combinação das duas abordagens não é só cabível como, sobretudo, desejável” (GOUVEIA, 1984, p.67).

Dessa forma, o que vai determinar a adoção de uma abordagem ou outra, ou ainda, a junção de elementos das duas, é o foco que o pesquisador quer dar à análise de seus dados. Para ilustrar de forma mais clara essa afirmação, serão expostas aqui algumas considerações sobre o positivismo e o interpretacionismo. O primeiro, “aceita o comportamento humano como sendo resultado de forças, fatores, estruturas internas e externas que atuam sobre as pessoas, gerando determinados resultados” (OLIVEIRA, 2008), como acontece na pesquisa quantitativa. O segundo, “defende o estudo do homem, levando em conta que o ser humano não é passivo, mas sim que interpreta o mundo em que vive continuamente” (OLIVEIRA, 2008). Segundo esse segundo posicionamento teórico, “a vida humana é vista como uma atividade interativa e interpretrativa, realizada pelo contato das pessoas” (OLIVEIRA, 2008), como na pesquisa qualitativa.

Para Gerhardt e Silveira (2009, p.31), “a pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc.” Segundo as autoras, o pesquisador qualitativo quer explicar “o porquê” dos fatos e não “quantificar os valores”. Dessa forma, que:

os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito, mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não- métricos, suscitados e de interação, e se valem de diferentes abordagens (GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p.32).

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Segundo Moresi (2003), a pesquisa qualitativa proporciona um relacionamento mais longo e flexível entre o pesquisador e os participantes da pesquisa. Além disso, de acordo com o autor, o investigador lida com informações mais subjetivas, amplas e com maior riqueza de detalhes, diferentemente do que em uma pesquisa quantitativa.

Bazarim (2008, p.99) também traça uma comparação entre a pesquisa quantitativa e a qualitativa, afirmando que, na primeira, “a realidade é tida como independente do pesquisador, trabalha-se com o método dedutivo12”, ou seja, da teoria para os dados, enquanto, na segunda, “trilha-se o caminho inverso”, partindo-se dos dados para a teoria, trabalhando-se com o método indutivo13.

Portanto, esta pesquisa, do ponto de vista da forma de se abordar o problema, é classificada como “pesquisa qualitativa”, pois, de acordo com Minayo (2001, p.14), essa abordagem de pesquisa

trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 2001, p.14).

Silva (2005) também defende que a pesquisa qualitativa tem como fonte direta para coleta de dados, o ambiente natural, sendo o pesquisador, o instrumento-chave. Mesmo tendo o ambiente natural como fonte, segundo Moresi (2003, p.69), “é importante trabalhar com uma amostra heterogênea de pessoas enquanto se conduz uma pesquisa qualitativa.” Para o mesmo autor, a “matéria-prima”, ou seja, os dados produzidos para uma análise qualitativa consistem nas descrições de situações e de pessoas, obtendo-se, dessa forma, informações sobre suas atitudes e pensamentos.

Os dados qualitativos [...] consistem de descrições detalhadas de situações, eventos, pessoas, interações e comportamento observados; citações diretas das pessoas acerca de suas experiências, atitudes, crenças e pensamentos; e extratos ou passagens inteiras de documentos, registros de correspondência e históricos de casos (MORESI, 2003, p.70).

12 Segundo Gil, (2008, p.9), o método dedutivo “parte de princípios reconhecidos como

verdadeiros e indiscutíveis e possibilita chegar a conclusões de maneira puramente formal, isto é, em virtude unicamente de sua lógica”.

13 Para Lakatos e Marconi (2003, p. 86), a “indução é um processo mental por intermédio do

qual, partindo-se de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões, cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam”.

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Bazarim (2008) ressalva que, mesmo sendo considerada por alguns pesquisadores como um “elemento dificultador”, a diversidade de registros de uma pesquisa qualitativa dá credibilidade à pesquisa, uma vez que permite a triangulação14 dos dados (CANÇADO, 1994), possibilitando “a análise de registros de diferentes naturezas, a fim de identificar elementos que confirmem ou refutem determinadas hipóteses” (BAZARIM, 2008, p.96).

Gerhardt e Silveira (2009) também tecem algumas ressalvas para um pesquisador que realiza uma pesquisa qualitativa, afirmando que o investigador “deve estar atento para alguns limites e riscos desse tipo de pesquisa” (GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p.32). Segundo as autoras, os riscos podem ser a “excessiva confiança no investigador como instrumento de coleta de dados”; “a reflexão exaustiva acerca das notas de campo”, o que pode “representar uma tentativa de dar conta da totalidade do objeto estudado, além de controlar a influência do observador sobre o objeto de estudo”; “certeza do próprio pesquisador com relação a seus dados”; “sensação de dominar profundamente seu objeto de estudo” e “envolvimento do pesquisador na situação pesquisada, ou com os sujeitos pesquisados.” Já os fatores limitantes de uma pesquisa qualitativa podem se apresentar na “falta de detalhes sobre os processos por meio dos quais as conclusões foram alcançadas” e na “falta de observância de aspectos diferentes sob enfoques diferentes” (GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p.32).

É importante enfatizar que todas as considerações apresentadas não querem justificar que uma abordagem é melhor ou pior que a outra, mas, reafirmar que uma pode ser mais adequada que a outra para atender aos objetivos propostos por determinada pesquisa. Além disso, não excluiu-se a possível junção de métodos das duas abordagens, dependendo da abrangência da pesquisa, com o intuito de se realizar uma análise mais confiável. No entanto, esta pesquisadora sustenta que, mesmo que sejam utilizados gráficos, tabelas ou outras representações costumeiramente presentes em uma pesquisa quantitativa, ou ainda dados estatísticos para quantificar algo; esta caracteriza-se como qualitativa.

14 Segundo Cançado (1994, p.57), entende-se por triangulação “o uso de diferentes tipos de

corpus, a partir da mesma situação-alvo da pesquisa, com diferentes métodos, e uma

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Após se tratar da abordagem desta pesquisa, assim como de suas principais características, será apresentada agora a sua natureza.