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A ocupação do bairro Pantanal aconteceu no dia 1º de novembro de 1991. No ano em questão cerca de 300 famílias ocuparam um terreno ocioso, com apoio de partidos políticos da esquerda (os mesmos citados anteriormente na ocupação do bairro Seminário) e da ala progressista da Igreja, através da ação da PJMP, fruto do momento político da ascensão da esquerda no país e do processo de redemocratização do Brasil. Com o fim da ditadura, houve a ascensão de mais um movimento reivindicatório por moradia na cidade do Crato.

Dessa forma, percebe-se que, no caso da cidade do Crato, as ocupações iam acontecendo e, cada processo de ocupação dos movimentos sociais, acabavam por influenciar os outros movimentos de outros bairros. No caso do Seminário e Pantanal, esses movimentos como afirmado anteriormente repercutiu em todo o perímetro urbano da cidade, fato indissociável do que aconteceu no Brasil como um todo.

Em entrevista realizada com um vereador da cidade do Crato, militante do PT, organizador de muitas ocupações que foram registradas na cidade, destaca a importância de uma primeira ocupação para que desencadeasse uma série de outras ocupações, conforme o depoente, essas ocupações:

Tanto estimulou como desencadeou nos anos 80 uma série de ocupações que foram frutos do que são hoje conjuntos habitacionais gerados a partir dessa luta das pessoas por habitação e moradia. Então, eu diria que a organização de pessoas para ocupar os espaços de construção de suas habitações por moradia, ela tem um papel importante na forma como a cidade hoje está ocupada. Isso porque, muitas vezes, foram ocupados espaços que tinham um planejamento para a organização da cidade e isso foi ignorado; locais que eram destinados a praças, por exemplo, de um processo de planejamento da cidade acabou que foi sendo ocupado e Administração Municipal não teve a atitude ou a capacidade de definir outros espaços ou adquirir esses locais (Entrevista – representante do legislativo, 2012).

A construção da memória de luta e de vitória era repassada através da oralidade pelos citadinos, dentre eles; lideranças políticas, presidentes de associações, militantes de

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movimentos de ocupação e representantes da Igreja que se encontravam na situação de luta pelos direitos humanos, que gerou um processo de construção de uma memória baseada em lutas sociais e de busca do direito à moradia.

No Pantanal, segundo os relatos que se tem, houve uma ocupação no bairro no ano de 1991. Uma moradora e militante do movimento de ocupação relata:

Eu morava no centro da cidade e pagava aluguel e uma prima minha que já morava aqui e já fazia parte do movimento de ocupação em que aqui foi ocupado. Ela me convidou a vim morar aqui. Eu chegando aqui, verifiquei as condições do bairro e de antemão disse logo que não queria morar, por conta da falta de estrutura, porque não tinha nenhuma, não tinha rua aberta, não tinha saneamento, eram brejos, ruas abertas, como eu tinha dois filhos pequenos eu tive medo, mas, por falta de opção e também condição de morar em outro local, além do meu marido que não tinha emprego fixo eu fiquei aqui com uma determinação, de lutar, correr atrás, então me juntei aos demais que já estavam aqui e fui me envolvendo, lutando, fazendo passeatas, fazendo manifestação na câmara, quando o Governador do Estado vinha, deputado que vinha, a gente fazia uma manifestação e eu fui liderando a comunidade e adquirir minha credibilidade junto ao povo dessa comunidade (Entrevista – militante do movimento de ocupação, 2011).

Segundo a fala da referida informante, destaca-se que houve uma ocupação no bairro do Pantanal e que, através da oralidade e dos laços familiares, essas ocupações conseguiam aglutinar pessoas, muitas vezes, vizinhas ou com laços de parentesco, tendo, na maioria dos casos, mulheres na liderança do movimento.

Ainda de acordo com a informante, a ocupação se deu da seguinte forma:

Então a ocupação do Pantanal se deu no dia 1º de Novembro de 1991 (...) Seu Nenem de Braz, João e Mariquinha, Julinha, Galego, Cilas, e outros mais e dai começou a organização, mas a associação mesmo só foi criada... essas pessoas montaram um grupo organizado (Entrevista – militante do movimento de ocupação, 2011).

De acordo com uma ocupante, um grupo de pessoas, não se sabe ao certo quantas, ocuparam o local, um terreno, segundo relatos, de propriedade do Governo do Estado. Realizaram a ocupação, dividiram os terrenos e posteriormente construíram barracos de lona e casas de taipa, só depois conseguiram as casas de alvenaria.

Houve, também, alguns anos depois da ocupação a construção de casas pelo Governo do Estado pelo projeto PROURB, um projeto de habitação do Governo do Estado do Ceará. O PROURB iniciou-se no ano de 1995 e terminou em 2003, tendo, no Crato, realizado a construção de casas, da praça, e da creche, como aponta a referida informante.

Então chegou o projeto PROURB que veio pra sanear, construir casas e transformar casas de taipa em casas de alvenaria para as famílias de baixa renda, construção da creche e da praça da comunidade. Tudo isso foi através da organização da equipe organizadora da direção da associação. (Entrevista – moradora do bairro, 2011). O PROURB, segundo o mapa abaixo teve como área de abrangência não somente a cidade do Crato, mas todo o Estado do Ceará, fruto da iniciativa do Governo Estadual com fins a decentralizar as atividades ligadas ao desenvolvimento urbano e desconcentração das regiões mais urbanizadas do Estado.

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Figura 35: Casas e praça construída pelo projeto PROURB no Pantanal. Fonte: César Abreu. Data: 09/04/2010.

A imagem acima mostra a construção da praça e das casas pelo projeto PROURB, a partir da reivindicação e das pressões da associação de moradores do bairro Pantanal. Essa imagem evidencia que, a partir das ações da associação, foi possível tornar e qualificar uma área de ocupação em um bairro que detém as mínimas condições de infraestrutura, como praça, creche, dentre outros equipamentos urbanos.

De acordo com o mapa da página anterior, constatou-se que a cidade do Crato teve uma importante participação nas áreas de atuação do PROURB, sendo significativa, com base no número de projetos do programa na cidade, tendo como exemplo o bairro do Pantanal e Vitória Nossa. Dessa forma, a atuação do movimento de moradia no Crato não só consolidou a ocupação de terrenos públicos e privados, como também evidenciou a construção de conjuntos habitacionais e a substituição de casas de taipa por alvenaria. O bairro Pantanal, por exemplo, vivenciou essas ações por parte das organizações sociais, tendo também, na figura da associação de moradores, uma contribuição significativa na luta pela moradia.