5. Resultater – skogbruk
5.1 Kartlegging
5.1.2 Tømmerproduksjon
“(…) as roupas eram reguladas por códigos fortes, muito minuciosos, que não deixavam qualquer espaço para ambiguidades.” Baldini, 2006, p. 110
“Os códigos do vestuário existem. Embora muitas vezes sejam fracos.” Eco, 1989, p.18
Jervis (1998) explica que os objectos de moda contêm em si significados perceptíveis em cada cultura e época, sendo que através destes, os indivíduos se cobrem e adornam, fabricando a sua identidade. Estes significados derivam de códigos de moda cuja variabilidade muda em
diferentes circunstâncias, explica Eco (1989). Embora o conceito de código tenha que ver com regras sistematizadas, estas podem ser alvo de mutações ou reajustamentos, como no caso do vestuário civil. Este está aberto a um número vasto de variações individuais, afastando-se das fortes convenções do passado.
Baldini (2006) refere que os estudos da moda por parte da Semiótica foram posteriores aos da Psicologia e Sociologia. Dentro da Psicologia considera-se que as vestes contém uma relação duradoura entre pudor e decoração: pudor na ocultação do corpo e a decoração para atrair a atenção de outros indivíduos. Enquanto o pudor se relaciona com o conformismo, a decoração fá-lo com a busca de originalidade. Outra das motivações fundamentais que o homem tem no vestir-se, para além da decoração e do pudor, é a protecção. Desde os primórdios que a humanidade utiliza o vestuário, tal como as tatuagens, os rituais e danças, como meios de defesa perante as doenças e os azares, para darem sorte nas caçadas e nas guerras. Posteriormente a roupa passou a ter elementos puramente decorativos. O vestuário é portanto, desde os primórdios parte integrante na personalidade que cada indivíduo quer passar sobre si mesmo, desempenhando várias funções comunicativas. Ou seja, a funcionalidade do objecto não é a sua característica principal, mas sim o sue valor comunicativo, refere Eco (1989).
Barnard (2002) exemplifica uma situação, da época do Feudalismo, como clara habituação de códigos de moda, em que as ligações entre serviçais e túnicas curtas e entre aristocratas e vestes longas eram tão naturais pois as vestes estarem assim distribuídas era algo definido há tanto tempo que automaticamente se identificava a pertença a determinada ordem. Os códigos eram respeitados de tal maneira que impossibilitavam a existência de ambiguidades acerca da classe, da profissão, da idade ou do estado civil, pois estes factos eram incorporados no vestuário, como que de um uniforme se tratasse, refere Baldini (2006). De facto, os códigos de moda enfatizavam as diferenças de classes sociais, diz Jervis (1998), mais do que as diferenças entre sexos. A partir do século XX apercebe-se de que começa a ocorrer exactamente o inverso.
Baldini (2006) concorda, referindo que nestas últimas décadas estes códigos alteraram-se, tornando-se cada vez mais fracos e difíceis de identificar, tendo-se sempre em conta o contexto em que esse significado está a ser transmitido. Dentro do contexto estão factores como a personalidade de quem está a vestir, a ocasião, o lugar, a companhia, o estado de humor de quem veste e de quem observa. O significado de uma peça de roupa varia de ano para ano, de sociedade para sociedade e até mesmo entre indivíduos da mesma sociedade. Os códigos de moda são flutuantes o que significa a necessidade de uma rápida resposta de análise, pois estes manifestam-se e desmoronam-se rapidamente, esclarece Eco (1989).
A dificuldade em compreender a moda através da sua aparência é não conhecer um conjunto de símbolos inconscientes que estão ligados às formas, cores, tecidos, expressividades de determinada cultura diz Baldini (2006). Esses elementos expressivos mudam de região para região, o que dificulta a sua compreensão. A reduzida semântica do código de vestuário actual, que utiliza símbolos de uma determinada cultura mas de um modo ambíguo, faz com que os significados, evocados através das combinações de elementos, estejam em permanente mutação e movimento. Desde os anos 70 que a criação e uso de peças, principalmente t-shirts, com estampados de ilustrações, frases e palavras aumentaram; as linguagens verbais e icónicas foram exacerbadas e potencializaram a expressão da linguagem do vestuário. A globalização do mundo em muito ajudou a esta potencialização, refere Padilha (2011), assumindo que as marcas passaram a ocupar um lugar acima da própria mercadoria, ou seja, os símbolos acima dos objectos. Para Bourdieu (2003, p. 213), na moda “a assinatura é uma marca que muda não a natureza material mas a natureza social do objecto”, revelando assim, a importância simbólica que um nome pode ter.
Bauman (2007) reflecte a questão do “estar na moda” como algo que tem de ser alcançado a título de se assegurar o sentimento de pertença. No processo de auto-afirmação, as marcas associadas a determinados valores são adquiridas para esses valores serem trespassados ao indivíduo. Nas tribos modernas os códigos de vestuário e/ou de conduta de personagens emblemáticas substituem os tótemes das tribos ancestrais, para o individuo que busca a auto- afirmação. Posicionar-se na frente da moda é feito com base nos símbolos dessas figuras emblemáticas, promovendo assim o reconhecimento e aceitação. Neste sistema, é importante ter em consideração que os símbolos usados rapidamente saem de circulação, dando lugar a outros. Os detentores dos símbolos que caem em desuso correm o risco de ficar no caminho, o que se traduz em rejeição, abandono, solidão, inadequação social. Bourdieu (2003) também foca esta questão, garantindo que um símbolo de classe social morre quando é divulgado, ou seja, quando este símbolo é mostrado ao domínio público, acaba por chegar às massas, perdendo o seu poder distintivo, a sua elegância e o carácter de novidade.