9. Resultater –bygdenæringer og naturbasert reiseliv
9.1 Kartlegging
9.1.4 Sommer- og vinteraktiviteter
Numa época de instabilidade económica devido à I Grande Guerra, Mendes e Haye (1999) defendem que as classes mais abastadas da Europa foram destabilizadas com a ruptura na produção de haute couture luxuosa. Devido à escassez de materiais, a silhueta feminina passou a ser mais recta e menos volumosa e adornada. As referências militares não tardaram a chegar à roupa civil, sendo que a cor caqui, apanágio das vestes bélicas, tornou-se tendência. Ao guarda-roupa feminino passaram a pertencer peças estruturadas e algo masculinas. As adaptações deviam-se às consequências da Guerra, como a criação de peças de fácil manutenção e modo de vestir devido à escassez de mão-de-obra doméstica, permitindo que até as mulheres mais ricas pudessem cuidar e vestirem sozinhas as suas roupas. Para Ewen (1990) é nos anos 20 que este funcionalismo ganha definição, embora não fosse o mesmo que usabilidade e tivesse um carácter muito mais ideológico de simplificação do excesso e de declínio da ostentação material.
Mendes e Haye (1999) afirmam que os códigos de vestuário da elite alteraram-se com a abolição da mudança de vestes ao longo de um dia, as cores eram agora sóbrias, baças e escuras e a componente prática das peças começou a aumentar. O que antes era apanágio masculino, a malha jersey, Coco Chanel popularizou para o guarda-fato feminino de um modo elegante, sendo agora a malharia manual um ofício doméstico de mulheres de diferentes classes. Esta adaptação por parte de Chanel iniciou a transformação das vestes de senhora para uma estética mais desportiva. Esta transformação só poderia ser evidente, com vista na nova tipologia de lifestyle da mulher da época, que agora trabalhava em fábricas de armamento, na indústria química, nos transportes, em hospitais. Foram as mulheres mais jovens, que trabalhavam na agricultura ou nas minas, as primeiras a adoptar os calções pois era uma peça evidentemente mais funcional para tais práticas laborais.
Lipovetzky (2007) também aborda esta questão, considerando que após a I Guerra a acentuação do uso de sportswear por parte do público feminino, não só em actividades desportivas, mas também para passear ou comer fora, tanto de dia como de noite representaram em muito o início da revolução democrática da moda pois “Os desportos dignificaram o corpo natural, permitiram mostrá-lo tal como é, desembaraçado das armaduras e falsificações excessivas do vestuário” (p. 104). Baldini (2006) também foca este aspecto, concluindo que só nesta época, as mulheres detiveram liberdade no seu parecer e motivaram o ethos da mudança, devido às actividades laborais que eram agora responsáveis e lhes permitiam ter uma autonomia financeira nunca antes experienciada. Este factor acabou por definir um papel de destaque na evolução da Moda no século XX, que incidia no culto da
novidade e nos princípios da obsolescência programada. Tal, segundo Koga (2012) deveu-se à demolição do velho sistema social, que mudou a sociedade e, claramente, a sua forma de parecer. As mulheres durante a I Grande Guerra trabalhavam fora de casa, descartando o ornamento e acessório em prol de maior mobilidade e funcionalidade. Saias mais curtas e utilização de fatos saia-casaco passaram a fazer parte do universo feminino, enquanto o masculino permaneceu intacto, sofrendo alterações imperceptíveis. A roupa desportiva emergiu após o aparecimento do fato-de-banho que mostrava mais pele até a data, em 1910, e devido a Suzanne Lenglen, campeã francesa de ténis e apologista de vestes práticas. Esta funcionalidade das vestes femininas era algo nunca antes observado, explica Simmel (2008), visto anteriormente ser através das vestes que as mulheres colmatavam lacunas pessoais como o facto de não terem uma voz activa na sociedade, não trabalharem nem terem acesso à educação da mesma forma que os homens. A moda funcionava como ferramenta para as mulheres se distinguirem e alcançarem a sua individualidade, visto essa satisfação não ocorrer noutros campos da sua vida. O homem acabava por utilizar a sua profissão e estatuto como adorno e construtor de uma imagem.
Após a Guerra, segundo, Mendes e Haye (1999), em 1921 o sucesso da Vogue francesa devia- se ao aumento da produção de vestuário, sendo uma ferramenta de publicidade nacional e internacional. Com o aumento da produção das grandes marcas, foi necessário alargar as linhas de produção para outras tipologias de vestuário e de produtos, neste caso, alta- costura, ready-to-wear de qualidade, sportswear e perfumes. A necessidade de abrir departamentos para trabalharem vestes desportivas evidenciou-se pois a iconografia desportiva era sinónima de modernidade. Nesta época também se popularizou a pele bronzeada, antes algo mal visto por ter conotações ligadas ao proletariado e às sociedades rurais, era agora sinónimo de lazer, férias, afluência a locais cosmopolitas à beira-mar, desportos aquáticos. Para os homens o exemplo de elegância a seguir era o Príncipe de Gales, conhecido pelo gosto de actividades desportivas e ao ar livre. Assim, a casualidade das vestes masculinas tornou-se cada vez mais vincada, sendo que as demarcações entre roupa de campo e cidade, de dia e de noite começaram a diluir-se. Koga (2012) refere que nesta época o jazz se popularizou, tal como o tango e o charlestone, reflectindo uma sociedade mais dinâmica e livre que apreciava desportos automobilísticos, natação e vivência costeira, que lhes permitia manter um bronzeado “na moda”. A burguesia ascendia e tornava-se mais poderosa economicamente.
Contudo, observam Mendes e Haye (1999) nos primeiros anos da década de 20, o rumo mais tradicional da moda continuava em vigor, a par das tendências mais modernas, que eram completamente a antítese do look romântico. Estas tendências eram o espelho do look
Garçonne que simbolizava a mulher livre, mesmo que tal não acontecesse na realidade pois
após a Guerra as mulheres foram coagidas a voltar às vivências domésticas. Cabelos curtos e adaptação de peças masculinas eram característicos do estilo Garçonne, como o caso das
calças que numa primeira instância começaram por ser utilizadas num ambiente de praia e depois em casa. Koga (2012) também refere este novo estilo Garçonne como a resposta feminina ao abandono dos postos de trabalho que ocupavam aquando da Guerra e do seu retorno ao lar. As bainhas subiam até aos joelhos, os cabelos cortaram-se curtos, a maquilhagem carregou-se, as formas simplificaram-se e os materiais eram trabalhados, ou seja, o estilo jovem e simples ganhava ao maduro e volumoso. Estas mulheres conduziam, jogavam golfe e ténis e até fumavam em público. Coco Chanel poderia ser tida como a líder deste movimento feminino, pois foi ela quem modificou muitos dos códigos de vestuário da mulher, misturando no léxico feminino peças masculinas reinterpretadas, aliando conforto, simplicidade e elegância. Enquanto Chanel era uma criadora de média experiência, Madeleine Vionnet foi caracterizada pelo autor como uma arquitecta da moda devido à sua técnica de
drapping e corte em viés e em círculo, construindo peças quase artísticas. A relação entre
Moda e Arte ganhou intimidade nos anos 20 deste século, pois designers criavam parcerias com artistas que os inspiravam. Movimentos como o Surrealismo, Art Nouveau ou Futurismo propunham um lifestyle completo que incluía o vestuário.