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2. TEORETISK BAKGRUNN OG RAMMEVERK

2.6 T RIVSEL

2.6.3 Systemteori og delene

A autobiografia é um gênero que goza de grande popularidade atualmente e tem, a cada dia mais, contado com novas publicações que alcançam um público cada vez maior. Por esse motivo essas obras tem sido objeto de recentes estudos acadêmicos que buscam delimitar as particularidades desse modo singular de construir a narrativa.

O estudo das autobiografias gera muitas controvérsias, e mesmo estudiosos que se dedicam há décadas ao tema, como Lejeune, escrevem teorias que apresentam certas incongruências, contradições internas e entram em choque com teorias posteriores desses mesmos estudiosos. Considerando que El año que viene estamos em Cuba se apresenta como uma autobiografia faremos uma breve apresentação teórica do tema, sem que necessariamente seja este um inventário geral da teoria literária sobre o tema da autobiografia.

Lejeune (2014) iniciou os estudos da autobiografia como novo gênero narrativo com uma tentativa de defini-lo pragmaticamente: “Narrativa retrospectiva em prosa que uma pessoa real faz de sua própria existência, quando focaliza sua história individual, em particular a história de sua personalidade.” (LEJEUNE, 2014, p.16). Lejeune afirma também, mais adiante em seu estudo, que a premissa principal para uma autobiografia é que narrador, personagem e autor compartilhem do mesmo nome e de história de vida semelhante, que deve ser o objeto principal da obra contada em texto narrativo. Outra denominação que tem ganhado espaço no meio acadêmico e literário é o de Autoficção. Na seção “apresentação” da obra O Pacto Autobiográfico de Rosseau à internet

(2014), Noronha, organizadora da obra, afirma que Autoficção é uma denominação que não possui a mesma carga negativa dada às obras que são classificadas como autobiografias. No ensaio O Pacto Autobiográfico (bis), Lejeune fala a respeito desse termo, cunhado por Serge Doubrovsky com o objetivo de preencher uma das lacunas de seu primeiro estudo a respeito do pacto autobiográfico. Autoficção seria uma combinação do pacto romanesco com o nome do próprio autor, um fazer ficção a partir do nome de uma pessoa real. (LEJEUNE, 2014, p. 69). Mais adiante, é possível perceber certo desprezo de Lejeune por esse termo que seria considerado amplo demais, o que poderia a meu ver incluir dentro de uma mesma denominação obras muito díspares:

Nos anos seguintes, tentei estudar analiticamente uma série de gêneros

‘fronteiriços’ ou de casos–limites: a autobiografia que finge ser uma biografia

(a narrativa em terceira pessoa), a biografia que finge ser uma autobiografia (as memórias imaginárias), todos os mistos de romance e autobiografia (zona ampla e confusa que a palavra–valise ‘autoficção’, inventada por Doubrovsky para preencher uma casa vazia de um de meus quadros, acabou por preencher) (LEJEUNE, 2014, p.94)

Para Pozuelo Yvancos ‘autoficção’ é a definição que Lejeune falhou em encontrar em sua obra O Pacto autobiográfico. O estudioso espanhol nos apresenta a definição: “ la autoficción es en primer lugar, un dispositivo muy simple; se trata de un relato cuyo autor, narrador y protagonista comparten la misma identidad nominal y cuyo intitulado genérico indica que se trata de una novela.” 11

(POZUELO YVANCOS, 2010, p. 17).

Autoficção, como explicitado por Lejeune, nos parece um termo ainda muito amplo que necessitaria de um posterior estudo para definir melhor as características do tipo de obra que pode ser incluído nessa classificação. Para o presente estudo nos focaremos nas definições e nos estudos que se referem especificamente à autobiografia, dado a maior abrangência de estudos sobre esta denominação, que acreditamos compartilhar mais características com as obras estudadas e se adequar melhor à nossa proposta de pesquisa.

O pacto biográfico, como definido por esse Lejeune, é um contrato de leitura no qual ambos, autor e leitor, contribuem de alguma forma para que a obra seja compreendida como sendo baseada na vida de uma pessoa real. O pacto tem o objetivo de afirmar a veracidade do que é narrado, legitimando a identidade do autor como personagem e como narrador. O leitor também é considerado parte fundamental do pacto autobiográfico posto que ao ler a obra terá que decidir – mesmo que essa decisão seja inconsciente – acreditar que se trata de uma autobiografia ou refutar essa afirmativa e ler a obra como uma escrita de ficção. O leitor precisa questionar e entender quem é esse ‘eu’ que fala no texto; é necessário refletir se quem fala é o eu real ou um eu inventado, uma nova personalidade que compartilha do mesmo nome do autor e apenas alguns traços de sua história. Aquele que fala não é necessariamente aquele que escreve:

11

A autoficção é, em primeiro lugar, um dispositivo muito simples; se trata de um relato cujo autor, narrador e protagonista compartilham a mesma identidade nominal e cujo intitulado genérico indica que se trata de um romance.

é no nome próprio que pessoa e discurso se articulam [...] todos utilizam ‘eu’

pra falar de si, mas esse ‘eu’, para cada um, remeterá a um nome único que

poderá, a qualquer momento, ser enunciado. Todas as identificações (fáceis, difíceis ou indeterminadas) acabam fatalmente convertendo a primeira pessoa em um nome próprio. (LEJEUNE, 2014, p. 26)

A autobiografia é entendida como um caso particular de construção da narrativa, o ato de escrever sobre si mesmo é uma tentativa de criar sua própria identidade narrativa e individualizar–se. No entanto, isso nos leva a um questionamento básico sobre o gênero: é possível ser completamente verdadeiro sobre sua própria história, quando a visão dos atos é permeada pelo modo que nos sentimos no momento dos acontecimentos e sendo a nossa visão limitada, não abrangendo os sentimentos dos demais indivíduos envolvidos no desenrolar da ação?

Como a autobiografia pode assumir muitas formas – não podemos limitar o pertencimento ao gênero autobiografia somente a obras que se constituam através de narrador em 1ª pessoa, ou em que o narrador personagem seja homônimo do autor– é possível analisá–la através de diferentes enfoques, tornando seu campo de estudo muito amplo. Toda escrita, toda produção narrativa traz algum traço da personalidade e da visão de mundo de quem a escreveu. No caso de uma produção autobiográfica, a narrativa estará atravessada por características da sociedade cultural na qual o escritor está inserido, bem como também estará sujeita a influência dos demais sujeitos – família, colegas de estudo ou trabalho, vizinhos, pais, professores – que conviveram com esse autor ao longo de sua vida.

Sendo o gênero autobiográfico produtor de inúmeras obras literárias que se afirmam autobiografias com especificidades próprias, esse gênero possui definições muito amplas que o faz englobar textos com características distintas que parecem compartilhar do mesmo objetivo: contar a história de um ‘eu’ que, apesar de baseado numa pessoa real (presumivelmente o autor cujo nome aparece na capa da obra), vale-se de inúmeros recursos estilísticos que darão uma nova velocidade e um novo enfoque à narrativa para entreter o seu leitor. Estando sujeito à recepção do mercado editorial e do público, o caráter confessional das obras autobiográficas não as impede de tentar conquistar o maior número de leitores possível. O desejo intrínseco ao ser humano de obter aprovação aos seus atos também influenciará no desenrolar da narrativa: qual autor, ao escrever uma obra que afirma reproduzir sua vida, assumiria ser uma pessoa mesquinha, desonesta com as pessoas de seu convívio? É natural que esse autor, ao

retratar atitudes que poderiam ser qualificadas com intenção de prejudicar outras pessoas, busque justificar a si mesmo, modificando os fatos e os próprios sentimentos para ter o leitor como aliado do seu ponto de vista.

O fato de o escritor Gustavo Pérez Firmat ser um professor universitário e escritor com inúmeras obras publicadas e tendo recebido inúmeros prêmios possivelmente influencia seu posicionamento no momento da escritura, posto que existe nesse caso uma reputação a zelar pelo fato do narrador-personagem levar o mesmo nome do autor.

Retomando a discussão a respeito da correspondência entre o nome do personagem principal da obra e do autor, faço referência à questão apresentada pelo personagem, em El año que viene estamos en Cuba, de seu nome não ser adequadamente pronunciado ou traduzido à língua inglesa. O personagem narrador Gustavo da obra El año que viene estamos em Cuba afirma não se sentir completamente americano, frequentemente enfrentando situações curiosas porque seu nome de origem hispânica, muito longo para os padrões americanos, se torna uma mistura incompreensível de palavras em situações corriqueiras como solicitar um cartão de credito. Além da adaptação cultural na escola, outra dificuldade vivida pelo personagem foi a dificuldade dos americanos pronunciarem seu nome corretamente, posto que seu nome hispânico era de pronuncia muito distinta e pronunciá-lo corretamente era tarefa quase impossível para os anglo falantes, o que o levou a adotar o nome ‘Gus’ no desespero de conseguir adaptar-se. Retomando a teoria de Lejeune, que afirma que para haver autobiografia é necessário que autor, narrador e personagem compartilhem o mesmo nome, o episódio em que o personagem adota um novo nome – Gus– ou o episódio em que nos conta que seu nome foi convertido em um conjunto único – “Gustavoperezfirmat”, assim mesmo, sem espaços –, e sendo o nome próprio a maneira com a qual nos definimos e nos apresentamos ao mundo, nos fazem conjecturar sobre qual persona Gustavo assumia naqueles momentos – seria “Gus” um alguém completamente novo, afastado de suas raízes cubanas e mais próximo à cultura estadunidense, ou seria “Gustavoperezfirmat” mais próximo da cultura cubana e mais afastado da cultura que o rodeia e não é capaz de nomeá-lo? Como integrar-se e identificar-se totalmente em uma cultura que não compreende completamente a denominação que se carrega desde o dia do nascimento, o nome que o identifica como indivíduo? Quem seria eu se, após afastarem-me de minha casa e idioma natais, ainda

fosse afastada também de meu nome? Além disso, seria esse ‘Gus’ um alter-ego do narrador-personagem, um novo personagem que não está necessariamente ligado à figura do autor, já que ambos não compartilham o mesmo nome?

Numa obra que se afirma como autobiografia, a figura do autor passa a ter um papel mais central no desenvolvimento da narrativa, o espaço narrativo com o autor como objeto central se torna o foco da obra. Quem é esse autor que se apresenta como personagem de sua própria obra? Quais estratégias narrativas são utilizadas na construção dessa figura do autor que fala sobre si mesmo?

O texto é uma expressão narrativa feita através da linguagem que busca recontar e representar o mundo, mas não é o próprio mundo. Sendo assim, é necessária a construção de uma figura de autor como personagem, figura esta que não necessariamente corresponde à figura do escritor real da obra.

A obra El año que viene estamos en Cuba é narrada pelo personagem Gustavo Pérez Firmat, homônimo do autor do livro, que conta a história de sua família desde sua primeira infância em Cuba, passando pelo trauma do exílio e sua vida posterior nos Estados Unidos. Apesar de contar com inúmeras digressões do narrador–personagem e lembranças de outras pessoas da família do personagem que são inseridas no momento da narração com o objetivo de preencher os vazios de sua própria memória, a obra se mantém firme no objetivo de contar a saga do personagem que cresce em um ambiente bicultural e bilíngue. Fazendo uso de inúmeras digressões e rememorações e de tempo não cronológico na narrativa, o passado que é narrado se torna presente no momento da narração, o que gera um turbilhão temporal: o Gustavo adulto narra as memórias do Gustavo criança, mas acrescenta fatos que o Gustavo criança desconhecia quando os fatos se desenrolaram. Esse turbilhão temporal gerado pela desenrolar da narrativa, que é feito de forma muito semelhante a uma conversa oral. A discussão a respeito da questão do tempo da narrativa será retomada mais a frente.

A linguagem em ambas as obras é trabalhada pelo escritor para contar uma história supostamente real, ou de modo a fazer o leitor acreditar que aquilo que é contado pelo narrador se trata da narração de um fato real. Quando o escritor utiliza seu próprio nome para criar a figura do autor e essa figura do autor cria um personagem à sua semelhança, o efeito gerado no leitor é o de ultrapassar os limites da ficção, fazendo com que ficção e realidade se fundam no texto, não sendo possível separar dentro da

narrativa o que é fato verídico atribuído a um personagem literário e a um autor irreais e o que efetivamente ocorreu na vida do escritor.

Considerando a totalidade de ambas as obras, não é possível definir o quanto de cada uma é preenchido por fatos reais e o quanto é resultado de um fazer narrativo, do ato de escritura. Um questionamento que surge é: qual o objetivo do autor ao criar um personagem com seu nome e, teoricamente, mesma história de vida? Além de discutir a questão bicultural o escritor não pretenderia trazer o leitor para mais perto de seus sentimentos, legitimando certos comportamentos que foram tomados na vida real mas retratados de forma diferente? A resposta que suponho corresponder a essa pergunta é que a obra literária seria uma tentativa de justificar a pessoa que se tornou, dentro e fora do livro, sendo que somente o personagem dentro do livro é passível de ser justificável, posto que não é possível separar perfeitamente ficção de realidade, personagem de personagem-autor de escritor real que existe fora da obra.

A teoria do pacto autobiográfico de Lejeune, já discutida anteriormente, está muito centrada no leitor e na sua aceitação das proposições do autor. E se o leitor aceitar apenas parcialmente que o que o autor lhe diz como verdade, o é efetivamente? E se o autor, aproveitando–se da confiança irrestrita do leitor que crê estar lendo sobre fatos reais, decidir fazer diferente e escrever ficção, como que para testar até que ponto o leitor pode ser ludibriado? Seria o ato narrativo capaz de abarcar todos os matizes da realidade?

O narrador esbarra, naturalmente, naquilo que lhe foi omitido pelos seus parentes ao narrar a história da família, mesmo que a omissão seja feita de maneira inconsciente a partir dos vazios da memória aos quais estão sujeitos todos os indivíduos; e até mesmo no caso de não ocorrer uma omissão, não será possível, por sua vez, abarcar os sentimentos de todos os personagens envolvidos naquela ação. Apenas uma pequena parcela dos sentimentos e pensamentos de todos os personagens estará disponível nessa rememoração e no ato de recontar essa rememoração em forma de narrativa. Além disso, um mesmo fato pode ser narrado de maneiras completamente distintas dependendo de como o personagem se sentiu no momento da ação. Provavelmente a avó Constantina narrará a saída de Cuba de uma maneira mais positiva que o pai do personagem Gustavo, posto que a avó se adaptou bem à vida nos Estados Unidos e o pai passou anos ansiando pelo momento do regresso redentor a Cuba.

Quando o narrador que se intitula personagem e afirma ser a mesma pessoa que o autor, e a partir dessa afirmação descreve um fato do passado, acaba por dar voz a outros personagens, passando a constituir-se assim, mesmo que temporariamente, como um eu distinto daquele que estava sendo apresentado como personagem narrador. Trata- se de um novo personagem que adquire voz, um novo eu, mas que guarda suas origens no eu do personagem narrador. Recorrendo aos estudos de Arfuch: “[...] um problema de inscrição da temporalidade no espaço biográfico: quem fala na instância atual do relato? Que vozes de outros tempos – da mesma voz? – se inscrevem no decurso da memória? Quem é o sujeito da história?” (ARFUCH, 2002, p. 115). O personagem Gustavo ao dar voz à sua avó Constantina na verdade reconstrói a figura da personagem Constantina através da visão do personagem Gustavo. Sendo assim a personagem que nos é apresentada, apesar de guardar semelhança com algumas características com a personagem Constantina que existia no momento do desenrolar da ação no passado, não é a mesma personagem. Assim como uma pintura é a representação de uma paisagem e não a própria paisagem, a personagem Constantina que o personagem Gustavo nos apresenta é uma representação da personagem Constantina de sua adolescência.

Mesmo que o narrador se comprometa verdadeiramente a narrar a veracidade dos fatos, o eu que narra já não é mais o mesmo eu que vivenciou os fatos. Tendo conhecimento prévio do desfecho dos inúmeros eventos narrados e tendo a oportunidade de refletir sobre o que ocorreu, será possível que o narrador Gustavo narre exatamente como a adaptação nos Estados Unidos se deu para o Gustavo criança? Além disso, não é apenas o personagem homônimo ao autor, mas todos os personagens da obra que se propõe autobiográfica tem sua origem no autor, o que pode afetar a descrição dos mesmos, posto que a opinião do personagem narrador sobre os demais personagens influenciará a narrativa e a descrição destes, podendo não condizer necessariamente com as características e atitudes que os personagens apresentavam na época que as situações narradas aconteceram. Ao contar a história de si mesmo após anos dos fatos ocorridos o narrador precisa recriar a si mesmo através da escritura literária, o que limita essa reconstrução de si mesmo e dos demais posto que não é possível reproduzir todas as facetas da realidade.

Mesmo que em determinada obra se apresente um eu narrativo, isso não implica necessariamente que se trate de uma autobiografia, é necessário observar quem é esse que se diz eu ao longo do texto, se é um personagem totalmente fictício, existente

somente no momento da narrativa, ou se guarda alguma semelhança com o escritor, a pessoa real responsável pelo desenvolvimento da obra que se apresenta como autobiografia. A obra El año que viene estamos en Cuba se pretende autobiografia mas apresenta características de ensaio teórico e de confissões pessoais, o que a torna uma obra de caráter genérico híbrido. É necessário sempre desconfiar da veracidade do que é contado. A sinceridade do escritor presumida por Lejeune pode não ser inteiramente respeitada, posto que através de processos narrativos que gerem uma verossimilhança interna é possível que o escritor crie uma figura de autor a partir da qual o personagem autobiográfico ira ser desenvolvido, sendo que essa figura do autor pode ter pouco ou nada em comum com a figura real do escritor, não passando tudo de uma realização narrativa. Identidade real é diferente da identidade narrativa. Só porque o personagem compartilha algumas características com o escritor real não quer dizer que compartilhe todas as características de personalidade e história de vida. Afirmo isso por que:

Nos textos impressos a enunciação fica inteiramente a cargo de uma pessoa que costuma colocar seu nome na capa do livro e na folha de rosto, acima ou abaixo do titulo. É nesse nome que se resume toda a existência do que chamamos autor: única marca no texto de uma realidade extratextual indubitável, remetendo a uma pessoa real. [...] Mas o lugar concedido a esse nome é capital: ele está ligado, por uma convenção social, ao compromisso de responsabilidade de uma pessoa real, ou seja, de uma pessoa cuja existência é atestada pelo registro em cartório e verificável. [...] Um autor não é uma pessoa. É uma pessoa que escreve e publica. Inscrito, a um só tempo, no texto e no extratexto, ele é a linha de contato entre eles. O autor se define como sendo simultaneamente uma pessoa real socialmente responsável e o produtor de um discurso. Para o leitor, que não conhece a pessoa real, embora creia em sua existência, o autor se define como a pessoa capaz de produzir aquele discurso e vai imagina-lo, então, a partir do que ele produz.

(LEJEUNE, 2014, p.27)

Segundo Arfuch, partindo de Barthes:

a narração não ‘representa’ nem imita nada, mas que sua função é ‘construir um espetáculo’. [...] o ‘efeito de realidade’, que consiste justamente na

introdução de detalhes não relevantes para a trama nem significantes em si mesmos, mas que operam suplementariamente como marcadores de

‘realidade’(ARFUCH, 2002, p.116)

Como discutido anteriormente, o passado quando escrito na obra se torna ficção. As memórias são naturalmente fragmentárias, o que leva o indivíduo a utilizar-se da