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Systemrevisjon i et læringsteoretisk perspektiv

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2   Systemrevisjon som metode og teoretisk rammeverk

2.3   Systemrevisjon i et læringsteoretisk perspektiv

A RPC registou um crescimento real do PIB per capita de cerca de 9,3% em 2004. O consumo público e privado cresceu cerca de 6% e o investimento (mais concretamente a formação bruta de capital fixo) cresceu 20%. No comércio internacional, a China era em 2003 a sétima maior nação comercial do mundo em volume total de comércio (4ª considerando a UE como um bloco). Quase 20% das exportações chinesas provêm actualmente de produtos de alta tecnologia, proporção bastante acima da correspondente para a UE (Godinho, 2004).

Mesmo neste contexto favorável, a indústria de moldes não deixa de ser um caso assinalável de sucesso. Ela tem beneficiado do crescimento dos diferentes sectores a jusante (automóvel, electrónica, bens de consumo, etc.), que necessitam de moldes para o seu processo de fabrico. Este mercado de grande dimensão sustenta um grande potencial de procura e de produção, criando toda uma fonte de oportunidades para a expansão da IMC.

Nos sectores clientes da IMC predominam não só empresas nacionais mas também empresas estrangeiras, que deslocalizaram a sua produção para a China. Estas empresas trabalham com um nível de exigência superior, o que, conjuntamente com

relações mais estreitas de colaboração e transferências de tecnologia, acabam por criar dinâmicas de aprendizagem acelerada (Godinho et al., 2004).

Além disso, muitas multinacionais vêem hoje a China como uma peça fundamental na sua estratégia de “gestão de redes de abastecimento” (suply chain management49

). Essas empresas procuram integrar fornecedores de todo o mundo, privilegiando no entanto aqueles que lhes podem entregar maior capacidade e flexibilidade de produção, bem como preços e condições de pagamento mais favoráveis (o que acontece com muitos dos fornecedores presentes na RPC).

Este fenómeno, aliado à grande disponibilidade e capacidade de aprendizagem da mão-de-obra50, acaba por permitir à IMC colmatar um certo défice de qualidade e capacidade tecnológica51, que vimos ainda existir, quando comparada com a sua congénere portuguesa.

A IMC beneficia também de uma entrada tardia no mercado. Os conhecimentos necessários para operar na indústria são cada vez mais codificados e menos tácitos (isto está patente, por exemplo, na crescente utilização de tecnologias de informação – como o CAD\CAM, CNC, ensaio virtual, etc. – em todo o processo produtivo). Ou seja, se há 40 anos a produção do molde era quase uma “arte”52, impedindo a transferência rápida de conhecimentos, hoje essa tarefa tornou-se mais estandardizada, sendo o conhecimento mais facilmente transferível, dada a diminuição de importância da componente tácita (Godinho et. al, 2004), o que permite ciclos de aprendizagem mais rápidos.

Existe na IMC uma certa optimização da utilização de equipamentos, combinando maquinaria nacional e de outra de marcas reconhecidas, o que aliado a

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Uma “cadeia de fornecimento” é uma rede complexa de fluxos materiais (componentes, produtos, assistência…), informação e recursos financeiros (condições de pagamento) (Godinho, 2005). A gestão de redes de abastecimento consiste na integração diversos fornecedores à escala mundial, permitindo a minimização de custos e stocks e a flexibilização da produção. As empresas que gerem a rede subcontratam diversos fornecedores e concentram-se nas actividades com maior valor acrescentado (marketing, design, I&D, logística), mantendo a propriedade de marcas, desenhos e patentes (o que lhes confere o poder de gerir a cadeia de abastecimento) (Godinho, 2005).

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Na verdade, como vimos, essa aprendizagem resulta muitas vezes da aposta deliberada, por parte das autoridades, num determinado tipo de em formação necessária para um sector específico – neste caso temos o foco de formação nos diversos ramos de engenharia envolvidos na cadeia de valor do molde 51

O estudo de Godinho et al. (2004) também refere a capacidade de atracção de investimentos do sector. Segundo a sua análise, “os 10 anos de experiência de internacionalização da IMC exibem maior desempenho que os alcançados pela indústria em Portugal nos primeiros 20 anos de actividade internacionalizada”. Segundo este estudo este facto deve-se não só à capacidade de aprendizagem rápida, mas também à dinâmica de crescimento do mercado chinês.

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uma mão-de-obra de baixo custo, com elevada mobilidade, e um crescente grau de conhecimentos, permite a obtenção de baixos custos de produção (Godinho et al., 2004). Ora, se o preço é uma vantagem evidente, também a qualidade é hoje significativa. Assim, a um nível de preços extremamente baixos a IMC tem associado um avanço na qualidade e encurtamento de prazos.

No entanto, devemos ressalvar que a IMC é caracterizada por uma elevada heterogeneidade (não nos esqueçamos de que existem cerca de 18 mil empresas), e se existem muitas empresas com grande dimensão e uma crescente capacidade tecnológica, existem muitas mais com uma dimensão muito reduzida, utilizando processos rudimentares.

Para além disso, muitas dessas empresas são ainda propriedade do Estado, ou estão ligadas de alguma forma a este (dirigentes ligados ao partido, relações fornecimento, etc.) e podem sofrer não só com os problemas económicos mas também com os principais problemas políticos e sociais do país.

A eventual instabilidade política (contestação ligada aos direitos cívicos, possível tensão com as autoridades de Taiwan, tensões inerentes ao papel de super- potência militar), a incapacidade de gerar emprego suficiente para os milhões que estão a migrar do interior para a orla costeira mais urbanizada e industrial (com todos os problemas sociais e ambientais originados pelo crescimento e pelas migrações), a ameaça evidente de uma ruptura no sistema financeiro interno, dado o elevado volume de crédito “malparado”53 e os problemas energéticos (não nos esqueçamos que o crescimento da China tem arrastado em alta os preços do petróleo nos mercados internacionais, e preços de energia mais elevada querem dizer preços de produtos mais altos e custo de transporte mais elevados, eliminando alguma da competitividade das exportações chinesas) constituem alguns dos factores de ameaça à actual trajectória de crescimento da economia e da indústria

Nos últimos 40 anos, a indústria de moldes portuguesa foi palco de um dos melhores desempenhos económicos sectoriais do país, fruto da sua capacidade de aprendizagem rápida, da modernização tecnológica e de “agressivas políticas” comerciais.

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Este facto que traria problemas graves às empresas da indústria de moldes, já que hoje os clientes em vez de pagarem adiantado – o que permitiria o financiamento do ciclo financeiro – pagam a prazo (prática cada vez mais crescente).

Recordemos que as suas vantagens competitivas residiam em questões ligadas a Preços, Prazos e Qualidade, mas que estes factores só eram possíveis de atingir graças à combinação de diferentes aptidões e recursos. Essas aptidões e combinações de recursos não são mais do que as competências da indústria. Aqui sublinhámos as soft-skills ligadas ao marketing e à organização, a capacidade aprendizagem (através da formação ou através do simples fazer – learning by doing), a colaboração (com clientes ou com instituições do sector), a capacidade de compreender e utilizar de forma atempada novas tecnologias de fabrico de produto e processo (que vai muito do simples reinvestimento) e as capacidades de avanço da cadeia de valor54 (na análise empírica sintetizámos estas capacidades em duas: Capacidade de evolução tecnológica e Capacidade de ligação ao exterior).

Como vimos, muitas destas capacidades estão ligadas ao contacto com ao exterior, à existência daquilo que chamámos de sistema sectorial de inovação (SSI), que envolve fornecedores (de equipamento, de serviços especializados), empresas e clientes, de conhecimentos interligados (ligados ao trabalho do aço, à moldagem e maquinação, ao plástico e injecção, à organização industrial, ao desenho e teste, etc.) e de instituições de apoio (CEFAMOL, CENTIMFE, ICEP, universidades). Este sistema parece de facto funcionar já que o conhecimento criado é “trocado”, existem ligações do tipo fornecedor/cliente que levam à modernização e actualização tecnológica, existem instituições que apoiam alguns dos projectos das empresas (comerciais ou tecnológicos), existe I&D realizada em parceria com universidades, que é de facto válida para o futuro do sector, ou seja, existe uma coerência de rede, que permite e fomenta a inovação e o crescimento.

Contudo a indústria enfrenta um ponto de viragem no seu ciclo de crescimento. A forte concorrência internacional (agravada da pelo surgimento de colossos industriais como a China e a Índia) aliada à alteração dos processos de aprendizagem e acumulação tecnológica (mais rápidos e menos tácitos), criam a necessidade da reconfiguração da lógica competitiva no sector e a procura de novos mercados55, para fazer face à deslocalização de alguns dos clientes para o Oriente e leste da Europa.

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Note-se que estas competências se baseiam em recursos como estrutura organizativa adequada, parque de maquinaria, formação dos recursos humanos, conhecimentos de gestão e engenharia, conhecimentos e experiência de produção de moldes.

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Os desenvolvimentos tecnológicos centrados nas ligações a montante e a jusante da cadeia de valor, os complexos processos de aprendizagem, a cooperação (com instituições de ensino/centros tecnológicos), a formação, a I&D, e as tecnologias de informação transformam empresas que desbastavam aço em empresas de engenharia (com este desenvolvimento há uma tendência para a codificação do conhecimento no sector, por oposição à localização tácita do mesmo, que permitiu, em parte, “catching up” da China).

Estas “novas” empresas necessitam pois de desenvolver novas competências para fazer face a estas ameaças.

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