• No results found

6. Drøfting

6.1 Endringer i betalingsformidlingen og dets konsekvenser for samfunnssikkerheten

6.1.1 Systemets generelle utvikling

Outra relevante abordagem teórica para este trabalho é a moldagem social da tecnologia (SST - Social Shaping of Technology). Mais do que uma unidade teórica, a SST é um amplo domínio que engloba várias teorias, tradicionais e emergentes, que compartilham o entendimento da tecnologia como um artefato social, dentre as quais também a SCOT, anteriormente apresentada.

Influenciadas por muitas idéias, conceitos e proposições da SCOT, as abordagens relacionadas à SST compartilham o conceito central de que existem “escolhas sociais” (não necessariamente conscientes) tanto no desenvolvimento de artefatos e sistemas específicos, quanto na direção ou trajetória das inovações tecnológicas, sendo estas escolhas negociadas entre grupos sociais relevantes. Diferentes escolhas propiciariam diferentes rotas, levando a diferentes resultados tecnológicos potenciais (WILLIAMS; EDGE, 1996).

A perspectiva conceitual da SST emerge de críticas ao determinismo e ao imperativo tecnológico, englobando a falta de atenção dada à natureza das tecnologias e às

direções das mudanças tecnológicas; o pressuposto de que a tecnologia sozinha poderia determinar impactos no trabalho, na vida econômica e na sociedade como um todo; e a idéia de que alguns caminhos de mudanças tecnológicas seriam inevitáveis (WILLIAMS; EDGE, 1996).

Por outro lado, Williams e Edge (1996) ressaltam um importante ponto presente nas abordagens conceituais relacionadas à SST: a atenção dada à transformação das tecnologias entre a sua concepção inicial e a sua eventual aplicação prática, abrangendo a utilização de tecnologias em outros contextos e para finalidades diferentes das quais foram inicialmente projetadas. Este ponto foi especialmente considerado nas análises do fenômeno abordado no presente trabalho.

Outro ponto de expressiva relevância presente nas abordagens relacionadas à SST é o conceito de “frames tecnológicos”, anteriormente mencionado. Alguns autores contribuem para a definição deste conceito:

Orlikowski e Gash (1994) empregam o termo “technological frames to identify that subset of members’ organizational frames that concern the assumptions, expectations, and knowledge they use to understand technology in organizations.” (pág. 17), abrangendo não somente a natureza e o papel da tecnologia, mas também as condições, aplicações e conseqüências específicas de tal tecnologia em contextos e ocasiões particulares.

Pozzebon, Diniz e Jayo (2009a) apresentam uma ampla conceituação de frames tecnológicos ao consolidar as contribuições de importantes autores:

Technological frames refer to basic assumptions, beliefs, and expectations that people hold about a specific technological application (Davidson, 2002), including not only the nature and role of the technology itself, but the specific conditions, applications and consequences (intended and unintended) of that technology in particular contexts (Orlikowski and Gash, 1994). Technological frames might be shared within a relevant social group because members are likely to share common perceptions, expectations and interests regarding the implementation and use of a given ICT application. Similarly, technology frames might differ between different relevant social groups. (POZZEBON; DINIZ; JAYO, 2009a, pág. 07).

A idéia subjacente ao conceito de frames tecnológicos é que as pessoas percebem e se relacionam com a tecnologia em função dos seus próprios valores, cultura e

visão do mundo. Mesmo sendo concebidos no plano individual, frames tecnológicos tendem a ser compartilhados por pessoas de um mesmo grupo social relevante. Como exemplos, poder-se-iam mencionar em uma determinada organização os frames associados aos engenheiros de software e aos usuários dos sistemas implantados, ou, em uma visão mais ampla da sociedade, os frames tecnológicos dos usuários de telecomunicações móveis e, alternativamente, dos decisores das políticas públicas para o mesmo setor.

Para Orlikowski e Gash (1994), existem potenciais conflitos entre os frames tecnológicos de indivíduos de diferentes grupos sociais. De fato, diferentes frames propiciariam perspectivas e expectativas distintas em relação à tecnologia, acarretando muitas vezes uma sub-utilização da tecnologia, ou mesmo uma utilização diferente daquela para a qual foi originalmente projetada.

No caso de fenômenos tecnológicos oriundos de um processo de convergência de tecnologias ou mesmo de setores econômicos, como é o caso do objeto do presente estudo, eventuais conflitos entre frames tecnológicos de diferentes grupos sociais relevantes poderiam acarretar resultados diversos em relação às expectativas individuais. Considerando um conflito em menor grau, pelo menos o tempo para a consolidação do fenômeno (entendido como uma tecnologia-em-prática) seria influenciado pela necessidade de negociação entre os grupos e, em maior grau, o próprio interesse na efetiva consolidação do fenômeno poderia ser questionado. Davidson (2006) acrescenta que, quando da constatação de existência de incongruências entre frames tecnológicos de diferentes grupos sociais relevantes, “interventions aimed at overcoming incongruence ideally result in frame alignment and improve organization outcomes.” (pág. 25). Apesar de sugerir algumas abordagens em Davidson (2002 e 2006), a proposição teórica desta autora não explicita exatamente como as incongruências seriam minimizadas e os frames tecnológicos seriam aproximados.

First steps in a planned change program might include identifying technological frames of key stakeholders groups within the organization, assessing areas of incongruence between groups, and if necessary, undertaking interventions to align frames. Aligning frames ideally would involve surfacing tacit frames within groups and comparing frames across groups so that some common understanding, sufficient for joint action and interaction, emerges. (DAVIDSON, 2006, pág. 36).

Clausen e Koch (1999) sugerem que o desenvolvimento tecnológico seja um processo social envolvendo negociações entre redes heterogêneas de participantes (pág. 463), os quais podem possuir frames tecnológicos diferentes, conforme anteriormente mencionado. Em grande medida, o processo de negociação envolveria “escolhas sociais” e estaria relacionado tanto ao alinhamento dos frames tecnológicos dos participantes quanto à própria estabilização do artefato tecnológico. Os autores advertem, entretanto, que este entendimento não estaria completo sem explorar outras dimensões relacionadas às escolhas e decisões que moldam a tecnologia, como por exemplo as “ocasiões” e os “lugares” em que elas ocorrem:

A comprehension of technological choice as being social is not enough, we also need to understand how, where and when and under what circumstances the choice is taking place. (CLAUSEN; KOCH, 1999, pág. 463-464).

Para estes autores, as “ocasiões” estariam relacionadas a importantes momentos ao longo do processo de escolha, quando a tecnologia poderia ser interpretada e reinterpretada de diversas maneiras, enquanto que os “lugares” estariam relacionados aos contextos sociais e ambientes nos quais a interação entre os grupos ocorreria (pág. 463). O contexto associado às escolhas e decisões seria especificamente importante, uma vez que a negociação entre os grupos sociais relevantes seria um processo tanto político quanto sócio-técnico.