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4. Metodisk fremgangsmåte

4.3 Innsamling av data

As representações planas são aquelas geradas a partir da projeção de objetos tridimensionais em planos bidimensionais. A NBR 10.647:89 – Desenho Técnico: Terminologia – classifica estas representações quanto aos seus aspectos geométricos, como desenhos projetivos. O objeto tridimensional, entretanto, pode ser projetado de maneiras diferentes, a partir de sistemas de projeção distintos, como demonstra a Figura 19.

Figura 19 – Sistemas de projeção distintos incidindo sobre um mesmo objeto

Fonte: CHING e JUROSZEK, 2012, p. 118.

A partir de cada sistema de projeção, têm-se como resultado representações gráficas diferentes de um mesmo objeto; estas podem ocorrer em forma de vistas ortográficas, perspectivas paralelas ou cônicas, conforme apresentado na Figura 20.

Figura 20 – Esquema dos sistemas de projeções e suas representações.

Fonte: CHING e JUROSZEK, 2012, P.121.

Projeções ortogonais: plantas, cortes e fachadas

O sistema de projeção ortogonal tem como origem a geometria descritiva, desenvolvida pelo matemático Gaspard Monge, que tem por fim representar num plano as figuras do espaço. Este sistema consiste em projetar ortogonalmente os objetos

tridimensionais em planos de projeção paralelos às suas faces, produzindo as chamadas vistas ortográficas.

A vantagem deste tipo de representação é utilizar as dimensões do objeto em verdadeira grandeza, e a desvantagem, entretanto, é que, em cada vista ortográfica, representam-se apenas duas das dimensões do objeto. Por isso, é necessário possuir mais de uma vista para entendê-lo em sua totalidade.

As representações planas de um projeto arquitetônico, com exceção das perspectivas, são resultantes da projeção ortogonal da edificação e, portanto, são equivalentes às vistas ortográficas do desenho técnico, aplicadas ao desenho de uma edificação, como está demonstrado na Figura 21. Todas as plantas, cortes e fachadas (ou elevações) são resultantes deste sistema, sendo vistas externas da edificação, ou internas geradas após a sua secção horizontal ou vertical.

Figura 21 – Vistas ortográficas de uma edificação.

Fonte: MONTENEGRO, 2001, p.46-47.

Segundo Durand (2003), o uso das projeções ortogonais em arquitetura permite três níveis de leitura diferentes: das dimensões, da organização dos espaços e da aparência. A primeira é objetiva e utiliza-se do rigor do sistema de projeção ortogonal para obter com precisão a quantificação das dimensões da edificação. Quanto à leitura da organização dos espaços, a partir das representações em corte – seja ele horizontal: planta baixa; ou vertical: cortes transversais ou longitudinais –, é possível penetrar os espaços, permitindo, então, compreender o sistema formal da edificação quanto aos princípios de composição e geometria de sua organização espacial. E sobre a leitura da aparência, destaca-se o uso das

fachadas ou elevações para representar as dimensões e proporções dos elementos que promovem a aparência da edificação (DURAND, 2003).

As projeções ortogonais são instrumentos fundamentais de concepção arquitetônica e análise do projeto; porém, Durand (2003) destaca que, para que sejam utilizadas no processo de comunicação, requerem conhecimento técnico específico. Corroborando com esta ideia, Farrelly comenta que “a leitura correta de plantas, cortes e elevações é uma habilidade que se desenvolve com a prática, e a compreensão das convenções de desenho e dos símbolos utilizados também faz parte deste aprendizado” (FARRELLY, 2011, p.69). Pode-se concluir, portanto, que a necessidade de conhecimento técnico para ler e interpretar as representações arquitetônicas provenientes de projeções ortogonais, sobretudo quanto às representações em maior nível de elaboração, como em projetos executivos, distancia o entendimento de leigos e torna-as uma linguagem específica de profissionais.

Projeções axonométrica e oblíqua: perspectivas paralelas

No sistema de projeção axonométrica, o objeto não se encontra paralelo, mas sim, posiciona-se inclinado em relação ao plano de projeção. Esta inclinação é suficiente para que o objeto passe a ser representado tridimensionalmente, compondo então uma perspectiva axonométrica. Também é chamada de “vista de linhas paralelas”, como está demonstrado na Figura 22.

Figura 22 – Esquema do sistema de projeção axonométrico.

Em virtude da angulação do objeto, os eixos projetados da perspectiva axonométrica podem formar ângulos distintos. Tem-se, então, a classificação em perspectiva isométrica (possui todos os ângulos iguais), dimétrica (apresenta dois ângulos iguais) e trimétrica (tem três ângulos diferentes), como está apresentado na Figura 23.

Figura 23 – Perspectivas axonométricas: isométrica, dimétrica e trimétrica.

Fonte: CHING e JUROSZEK, 2012, p.196.

Na arquitetura, assim como nos diversos projetos de engenharia e construção, o uso da perspectiva justifica-se pela vantagem de se representar num único desenho as três dimensões do objeto. Porém, a desvantagem para sua construção é que as dimensões projetadas do objeto representam-se reduzidas em relação ao seu tamanho real. Na perspectiva isométrica, no entanto, é possível simplificar a execução do desenho adotando um fator de redução 1:1:1. Isto porque, como a angulação entre eixos é igual, logo, o fator de redução aplicado em todos os eixos também é igual. Por isso, a perspectiva isométrica torna-se mais usual dentre as axonométricas, sendo bastante utilizada principalmente em projetos de instalações hidrossanitárias.

Em projetos de arquitetura, são utilizadas as perspectivas axonométricas geralmente nas representações de esquemas e diagramas do projeto, vistas explodidas e detalhes construtivos, como se verifica nas imagens a seguir (Figura 24, Figura 25 e Figura 26).

Figura 24 – Diagramas do Projeto vencedor do concurso para o Edifício anexo da Fundação Casa de Rui Barbosa

Fonte: Vitruvius. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.156/4979?page=2>. Acesso em: 26 de janeiro de 2014.

Figura 25 – Detalhes construtivos em formato de perspectiva axonométrica no Projeto vencedor do concurso para o Edifício anexo da Fundação Casa de Rui Barbosa

Fonte: Vitruvius. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.156/4979?page=2>. Acesso em: 26 de janeiro de 2014.

Figura 26 – Esquema de distribuição funcional, em formato de perspectiva isométrica, do Projeto vencedor do Concurso público nacional de projetos para o Campus Cabral da UFPR

Fonte: Vitruvius. Disponível em: <http://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/12.140/3562?page=2>. Acesso em: 26 de janeiro de 2014.

Já na projeção oblíqua, a representação resultante é uma perspectiva oblíqua, cuja mais utilizada é a cavaleira. As perspectivas oblíquas apresentam uma face representada em verdadeira grandeza e outras duas faces com uma dimensão reduzida do seu tamanho real, consequência da projeção do objeto em ângulo (Figura 27). Assim como as perspectivas axonométricas, também são chamadas de vistas de linhas paralelas por possuírem linhas de um mesmo eixo desenhadas em paralelo. Também tem a vantagem de reproduzir numa única representação todas as dimensões do objeto. Este tipo de perspectiva é pouco utilizado no projeto arquitetônico.

Figura 27 – Sistema de Projeção Oblíqua

Fonte: CHING e JUROSZEK, 2012, p.203.

Segundo Durand (2003), as perspectivas paralelas têm a particularidade de reunir certas características dos outros modos de representação que aparentemente são

inconciliáveis: a definição de medidas das projeções ortogonais, e a visão global das perspectivas cônicas. As perspectivas paralelas facilitam a compreensão de arranjos espaciais complexos, pois tem a capacidade de sintetizar o objeto em apenas um desenho, assim tornando-se mais acessível ao entendimento de leigos (DURAND, 2003). Isto ocorre porque na perspectiva o objeto é representado em sua totalidade, ou seja, não é necessário interpretar diversos desenhos fragmentados para então desvendar o seu volume global, como ocorre nas projeções ortogonais.

Projeção cônica: perspectivas com pontos de fuga

No sistema de projeção cônica tem-se, diferente dos demais, projetantes que convergem para um centro de projeção fixo e preciso, demarcando então um sistema similar à forma de um cone (Figura 28). Como resultado, a representação produzida é uma perspectiva cônica, que tem como origem a perspectiva artificialis elaborada pelo arquiteto Brunelleschi.

Figura 28 – Esquema do sistema de projeção cônica

Fonte: CHING e JUROSZEK, 2012, p.120.

As perspectivas cônicas representam os objetos tridimensionais de maneira semelhante ao modo como o observador o visualiza a partir de um ponto de vista específico, fixo e preciso. É a representação gráfica que mais se aproxima à perspectiva produzida pela visão humana. Cada perspectiva cônica representa a visual que o observador produz a partir de uma posição imóvel e de um ponto de vista fixo, ou seja, ao se modificar o ponto de vista do observador, tem-se uma nova perspectiva. Na arquitetura, as perspectivas cônicas são amplamente utilizadas tanto na representação do exterior como do interior das edificações,

como se verifica nas perspectivas do Projeto vencedor do concurso para o Edifício anexo da Fundação Casa de Rui Barbosa, na Figura 29.

Figura 29 – Perspectivas cônicas do Projeto vencedor do concurso para o Edifício anexo da Fundação Casa de Rui Barbosa

Fonte: Vitruvius. Disponível em: <http://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/12.140/3562?page=2>. Acesso em: 26 de janeiro de 2014.

Diferentemente das perspectivas paralelas – axonométricas e oblíquas –, em que as linhas paralelas dos objetos representam-se também em paralelo, a perspectiva cônica apresenta eixos que convergem para pontos nomeados como ponto de fuga. Este remete ao encontro das linhas paralelas que convergem rumo ao infinito à medida se distanciam do plano em que se encontra o observador. Podem ocorrer perspectivas com um, dois ou três pontos de fuga, em que cada ponto de fuga é um ponto de convergência das linhas em perspectiva.

A desvantagem da perspectiva cônica está principalmente na dificuldade de produção de seu desenho, pois, envolve procedimentos gráficos complexos num processo que consiste em desenvolver uma perspectiva a partir de duas vistas ortográficas. Ressalta- se ainda que o desenho da perspectiva cônica não permite a leitura das medidas reais do objeto representado, o que é possível nas vistas ortográficas e em algumas perspectivas paralelas.

Uma possibilidade mais facilitada de execução, sugerida por Durand (2003), é o uso da perspectiva em forma de croqui, ressaltando apenas a necessidade de se respeitar as leis fundamentais de perspectiva, como ocorre nos desenhos da Figura 30 a seguir. O autor

justifica a importância da perspectiva para o processo de concepção devido à possibilidade de se visualizar, para si ou para os outros, os espaços arquitetônicos em “gestação”. A vantagem da perspectiva, portanto, está nesta antecipação da visualização de um objeto ou espaço arquitetônico num formato bastante próximo ao da visão humana.

Figura 30 – Perspectivas cônicas em formato de croqui no Projeto ganhador de Menção Honrosa para o concurso da Europan 10

Fonte: Concursosdeprojeto.org. Disponível em: < http://concursosdeprojeto.org/2010/01/29/europan-10-la- chaux-de-fonds-suica-mencao/>. Acesso em: 26 de janeiro de 2014.

Outro uso da perspectiva cônica ocorre nos cortes perspectivados, que consistem em representações compostas de um corte com uma perspectiva interna. Durand (2003) destaca o uso dos cortes perspectivados como um desenho híbrido que combina as propriedades do desenho ortogonal com as qualidades da perspectiva cônica. Já se observava o uso dos cortes perspectivados no período do Renascimento e das Belas Artes como a exemplo dos desenhos de Boulée (ver Figura 8, p. 36), conforme apresentado no item 3.1; e na atualidade, este tipo de representação é bastante utilizada para apresentação, destacando o uso recorrente em concursos de projetos, como se observa nos exemplos a seguir (Figura 31 e Figura 32).

Figura 31 – Corte perspectiva do projeto da Arena Pantanal

Fonte: Vitruvius. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/12.133/4203>. Acesso em: 26 de janeiro de 2014.

Figura 32 – Corte perspectivado do Projeto vencedor do Concurso público nacional de projetos para o Campus Cabral da UFPR

Fonte: Vitruvius. Disponível em: <http://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/12.140/3562?page=2>. Acesso em: 26 de janeiro de 2014.

Identifica-se, portanto, que existem diversas maneiras de representar objetos arquitetônicos tridimensionais no plano bidimensional do papel, sendo cada tipo de representação plana produzida por um sistema de projeção distinto. No entanto, as representações arquitetônicas não ocorrem apenas no formato de representações planas; há ainda as volumétricas e as escritas, que são descritas a seguir.