Results and Discussion
5.5 Syntheses of MIDA-Protected Boronates via Reactions of Organometallic Compounds with Boron Halides
Inicialmente, foi definida a amostra de textos que irão compor o corpus de análise, tendo como método a coleta de documentos. Foram considerados todos os textos, verbais e não verbais, da seção Ciência dos jornais Estado de Minas e Folha de S. Paulo, publicados na primeira semana do mês de fevereiro de 2010, com exceção das publicidades – pelo fato de não estabelecerem relação temática com a divulgação científica tratada.
A escolha por trabalhar com a seção de Ciência deveu-se, sobretudo, à necessidade de estudos complementares por parte da autora deste trabalho, que,
anteriormente, havia realizado pesquisas sobre a divulgação científica37, considerando- se, naquele momento, apenas os aspectos verbais dos textos analisados. A partir desses estudos anteriores, foi possível perceber que a seção Ciência dos jornais analisados (Folha de S. Paulo, O Globo e Zero Hora) estava, assim como quaisquer outras seções, revestida de crenças, valores e interesses diversos. Assim, um estudo sobre a divulgação científica na mídia impressa tornou-se peça-chave deste trabalho, que objetiva analisar os textos em sua completude, isto é, levando-se em conta os aspectos verbais e não verbais.
A opção por trabalhar com os jornais Estado de Minas e Folha de S. Paulo deriva do fato de estes serem caracterizados como jornais de referência, um regional e outro nacional, tendo importante impacto no Brasil. Além disso, há também o fato de apresentarem uma seção exclusiva destinada à ciência, com equipe designada para este fim.
Em relação ao Estado de Minas, a escolha deveu-se ao interesse em analisar algum jornal mineiro, já que, em geral, percebemos uma tendência dos pesquisadores em se trabalhar com jornais cariocas e paulistas. Dentre os periódicos mineiros mais influentes, acreditamos que o Estado de Minas, como um jornal de referência nesse estado, tem publicado informações relacionadas a medicina, saúde, pesquisas espaciais, curiosidades científicas e assuntos relacionados ao meio ambiente em uma seção específica. Além disso, considerando, como afirma Massote (2009)38, que, na nova linha editorial do Estado de Minas, “as fotos se agigantaram”, este é um jornal que atende os requisitos para que os objetivos desta pesquisa sejam alcançados, haja vista a riqueza de informações verbais e não verbais.
Quanto à Folha de S. Paulo, a seleção se deu principalmente por se tratar de um periódico de maior tiragem entre os veículos de influência nacional, além da riqueza quantitativa de informações dispostas em sua seção Ciência. Ademais, o histórico de divulgação científica na Folha de S. Paulo, segundo Oliveira (2007), data de 1947, quando o médico, pesquisador, educador e jornalista José Reis – considerado, conforme afirma a referida autora, como o “patrono do jornalismo científico no Brasil” – escrevia
37 A autora desenvolveu a pesquisa intitulada “O conhecimento sobre ‘planta transgênica’ na mídia impressa brasileira: análise discursiva das estratégias divulgativas”, sob orientação da professora Cristiane Cataldi (UFV), financiada pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC/CNPq - Edital 2007. Trabalhando com os jornais brasileiros de informação geral Folha de S. Paulo, O Globo e Zero Hora, este trabalho teve como objetivo identificar e analisar, sob a perspectiva linguístico-discursiva, as estratégias divulgativas utilizadas na representação e difusão do conhecimento sobre planta transgênica na mídia impressa brasileira.
semanalmente uma coluna científica nesse jornal, que durou até maio de 2002, quando José Reis faleceu.
Em relação ao período para seleção do corpus de análise, escolhemos a primeira semana de fevereiro por ser uma época em que, de modo geral, as atividades no país recomeçam. Acreditamos que, no mês de janeiro, os jornalistas que elaboram as matérias sobre ciência têm dificuldade de acesso aos pesquisadores, fato que poderia comprometer a publicação de algumas inovações científicas, já que os institutos de pesquisas e as universidades, as fontes mais procuradas para fornecer dados de pesquisa, em geral, estão no período de férias.
Quanto ao período de coleta de dados, uma semana39, consideramos que foi suficiente para que se possa conhecer como é estruturada a divulgação científica nos dois jornais que compõem a amostra desta pesquisa. Dessa maneira, será possível analisar as principais ocorrências e representações veiculadas nesse espaço.
Vale salientar que entendemos que os assuntos de caráter científico podem ser tratados em outros cadernos e seções – como Política, Economia, Esportes, entre outros – mas dada a dificuldade de se realizar uma pesquisa que analisasse várias seções de um jornal, optamos por priorizar a seção Ciência de cada jornal selecionado. Alguns jornais brasileiros não apresentam os assuntos sobre ciência em uma seção especial ou, se assim o fazem, costumam nomeá-la de Saúde ou Tecnologia. Na escolha dos jornais Estado de Minas e Folha de S. Paulo para compor nosso corpus, acreditávamos que questões relacionadas às áreas humanas e sociais, por exemplo, que, indiscutivelmente, são questões científicas e que merecem ser noticiadas à população, poderiam ser divulgadas na seção Ciência. Contudo, na execução desta pesquisa, observamos que várias áreas do conhecimento não foram abordadas, conforme será mostrado no capítulo de análise.
No próximo item, descreveremos brevemente o perfil dos jornais que compõem o corpus desta pesquisa.
39 Vale salientar que, no dia 6/2/2010, sábado, não houve a publicação da referida seção no Estado de Minas, embora esta seja de publicação diária nesse periódico. Contudo, acreditamos que esse fato não comprometerá a análise proposta neste trabalho.