DA FAMÍLIA
Uma das necessidades mais significativas para a família do paciente, consiste em receber informações satisfatórias em relação à doença, tratamento e cuidados de enfermagem. Essas informações auxiliam no conhecimento da doença da criança, o que pode facilitar a aceitação dos procedimentos. Segundo Walsh (2005) o bem-estar dos membros da família melhora quando eles compreendem de forma clara os acontecimentos. Perguntamos ao familiar-acompanhante como ele considerava a assistência oferecida pelo profissional à criança hospitalizada (Gráfico 4).
Como você considera a assistêcia oferecida pelo profissionalde enfermagem à criança hospitalizada? 27% 13% 27% 0% 33% Ótima Muito boa Boa Razoável Ruim
Gráfico 4 – Opinião dos acompanhantes quanto à assistência de enfermagem.
Observou-se nesta pesquisa uma diferença quanto aos conceitos dos familiares referentes à qualidade dos serviços prestados quando este era por sistema público ou privado. Os 27% que consideraram o serviço prestado ótimo eram familiares de crianças internadas em sistema particular/convênio.
Devido à falta de informação sobre os procedimentos e tratamentos a serem realizados durante o período de internação os pais apresentam sentimentos de ansiedade, culpa e negação; e em algumas situações acabam por responder com defesa e projeção de raiva os membros da equipe. Frente a essas situações perguntamos aos acompanhantes quais são suas atitudes diante dos procedimentos de enfermagem realizados ao seu filho.
“Eu fico em „cima‟, procuro saber que medicamento que é e se vai ou não doer.” (Familiar 2).
“Eu sou uma mãe muito chorona, fico nervosa, mas procuro me acalmar. Não agrido com palavras, sofro para mim mesmo. Tento manter a calma porque sei que é para o bem dele.” (Familiar 3).
“Fico tranqüila. Na realidade a gente não sabe de nada, eles são quem sabe então tenho que ficar calma.” (Familiar 8).
“Procuro cooperar. Porque se a gente interagir com elas, se sentem mais seguras na hora de puncionar uma veia e fazer medicação.” (Familiar 10).
A interação da família com a equipe de enfermagem e a troca de informações significa compartilhar as idéias e os cuidados à criança, encontrando soluções conjuntas e incluindo as observações dos familiares no plano de cuidado (SABATES & BORBA, 2005).
Baseando-se nesse estudo, perguntamos ao familiar, se o mesmo, procura interagir com a equipe de enfermagem para uma melhor assistência ao seu filho.
“Sim. Muitas das vezes eu saio aqui do quarto para ir lá medir a temperatura do meu filho. Mas eles acabam achando chato, porque acham que esta incomodando.” (Familiar 3).
“Sim ficando mais calma durante os procedimentos e auxiliando no que for necessário.” (Familiar 6).
“Sim. Ajudando e tentando tranqüilizar a criança, até porque o procedimento fica mais rápido.” (Familiar 7).
“Sim. Conversando. Que da mesma forma que a gente trata bem, elas também vão tratar. Porque tem mães que se alteram e acabam criando uma inimizade.” (Familiar 8).
Segundo Ângelo e Silveira (2006) apud Ferro (2007) a forma em que a equipe interage com a família pode influenciar nas reações dos mesmos. Diante de uma hospitalização, a família espera que os profissionais se aproximem, sejam comunicativos e compreendam a sua situação. Dessa forma a família que se sente acolhida pela equipe de enfermagem tem facilidade em interagir, esclarecer suas dúvidas e participar dos cuidados, sentindo-se segura para agir diante das situações. E quando suas expectativas não são atingidas, sentem-se desamparadas e entendem que não podem contar com o profissional para atender as suas necessidades, acarretando em insegurança, levando a submissão, ou seja, uma tentativa de preservar-se de conflitos e maiores desgastes, além da dificuldade que o familiar encontra em expressar suas percepções e interpretações da situação. Entretanto quando a família estabelece uma relação de envolvimento com a equipe, tem facilidade na participação dos cuidados, o que contribui para o restabelecimento da saúde da criança.
De acordo com Sabates e Borba (2005) as informações que os pais precisam saber, compreendem informações a respeito do estado de saúde do filho, o motivo da hospitalização, diagnóstico, prognóstico, tratamento, medicamentos e os procedimentos aos quais, a criança será submetida.
Sabendo que os pais têm a necessidade de compreender a situação e o tratamento do filho e que o olhar materno à assistência hospitalar de uma criança internada está presente na prática de enfermagem nas unidades pediátricas. Perguntamos aos acompanhantes quais seriam suas sugestões para melhorar o atendimento de enfermagem em pediatria?
“Falta um lugar para distrair, brincar com outras crianças. A equipe esta tudo bem, são atenciosos.” (Familiar 1).
“Deveria ter mais funcionários. Quem trabalha com criança deve gostar de criança. Tudo que você faz tem que ser bem feito, se não você nunca será reconhecido pelo que você faz. Toda regra tem sua exceção, tem gente que trabalha porque gosta do que faz.” (Familiar 3).
“Mais paciência dos profissionais de enfermagem.” (Familiar 5).
“Acho que aqui é excelente. O atendimento é bom, a estrutura do hospital também. Faz falta uma local de recreação.” (Familiar 9).
“Com criança tem que ter mais paciência. Tem umas que tem paciência e amor, mas tem umas que são estúpidas e grossas. E se escolheu essa profissão tem que gostar.” (Familiar 12).
“Deveria ter alguma coisa para entreter mais as crianças. Tipo fantoches, casinhas, DVD, livros; até mesmo as mães poderiam desenvolver um teatrinho para distrair. As mães também devem ter mais paciência.” (Familiar 14).
Ao analisarmos as falas notamos que os acompanhantes sentem a necessidade de um local de recreação, um ambiente estimulador, diferenciado e benéfico à criança. Que os profissionais de enfermagem devem ter mais paciência e gostar do que faz. Comparando as falas com as dos profissionais de enfermagem mencionadas anteriormente, observamos que essas necessidades também são mencionadas pelos profissionais, como estratégias que minimizam o estresse causado pela hospitalização. Pois quando o cuidado é voltado para a criança exige do enfermeiro atenção, cuidado ativo e dinâmico, envolvendo a família que diante de uma hospitalização passa por uma série de fatores estressantes.