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4   Plakatens kulturelle kontekst

4.5   De fire største Partiene

1.1.2   SVP, Schweizerische Volkspartei

Pd Marcos: Então a gente tem que fazer as coisas que a gente considera certo ou errado a gente mesmo pra mostrar pra ele o que é certo e errado, então ele vai aprender muito mais com o nosso exemplo do que a gente explicar, ou dar bronca, ou falar pra ele, quer dizer, se a gente fala um coisa pra ele fazer e a gente faz diferente, ele vai ficar confuso, ele vai aprender mais com o que a gente faz do que com o que a gente diz.

M Marcos: E a gente tem que dar o exemplo então pra educar.

M Maria: a gente acaba que no dia a dia a gente vai tentando passar, né, através de cada atitude nossa, mesmo, acho que principalmente através do exemplo, né?

A Maria: Isso que eu ia falar, a gente se preocupa muito com o exemplo que a gente tá dando pra ela, tem que se policiar pra não passar nada errado para ela.

M Isabel: É, no nosso cotidiano, nas nossas atitudes, acho que a gente educa mais por modelo do que por doutrina, por...

(B) Situações do cotidiano.

Professora: É porque é no dia a dia, no momento, mesmo, se você vê um conflito, você chega ali, conversa, tenta mostrar pra eles como resolver aquele conflito, que tem que ter ajuda do colega, dividir os brinquedos, acho que às vezes tem algum um pouquinho mais egoísta, quer o brinquedo só pra ele, a gente tem que ensinar que tem que dividir, tem que ajudar.

P Sheila: Ah, o brinquedinho dela, quando ela puxa, “Ah, minha filha, divide o brinquedo com ele também, deixa ele brincar um pouquinho”, essas coisas, a criança tem um egoísmo natural, que todos nós temos, às vezes briga, “ai, me bateu, pai”, vai pedir desculpa, quando ela também se irrita, bate às vezes, a gente fala, não, filha, pede desculpa, você machucou o coleguinha, por aí assim, ensinando esses valores.

P Mateus: E sempre tentando unir os acontecimentos com um ensinamento, a gente, todo acontecimento a gente tenta explicar alguma coisa, aproveitar para passar um valor moral, já que ele não entende se você falar, olha, o materialismo é uma coisa que não é legal, mas você explica no contexto dele.

P João: ver a conduta dele com a irmãzinha, com a irmã mais velha, se tá ruim, a gente vai explicar o porque não e como é o certo (...)

Pd Marcos: É, a gente entende que ele é criança, que ele tá aprendendo, mas quando a gente vê que ele faz uma coisa que a gente acha errado, a gente tem que explicar, né?

M Marta: À medida que as questões vão surgindo dela, ou as situações no dia a dia, a gente trata os valores assim. Então, eu sempre levei em consideração as atitudes dela, da Marta, do que ela faz, mesmo. Ãh, às vezes tá mais agressiva com o irmão, mente, tem preguiça de fazer o dever, aí a gente vai tratando dando exemplo, do que que pode acontecer na conduta, porque que não é legal (...)

(C) Castigo.

N: Aí vocês costumam colocar ele de castigo?

M Mateus: É, mas não é sempre também não, é só quando o negócio extrapola.

P Isabel: Eu sinto que ela responde muito bem a esse jeito de educar, porque nunca é castigar, quando ela vai de castigo, o castigo não é castigo, é um momento de reflexão, não é uma forma pra, ela nunca é restringida de uma coisa que ela não pode fazer porque fez uma coisa errada, não, ela vai lá pra pensar e ela só vai lá pra pensar quando ela não tá conseguindo pensar, quando ela tá tão brava, chorona e tudo que ela não tá ouvindo mais o que a gente tá falando e daí ela precisa às vezes de uns 4, 5 minutos num castigo entre aspas pra pensar, quando ela sai de lá, ela já entende, eu falo assim, porque você ficou aqui? Ela, porque eu fiz manha. E tá certo fazer manha? “Não”.

(D) Empatia.

P Isabel: Ela faz isso porque a gente ensina empatia, então a M Isabel, por exemplo, ela ensina muito a Isabel a gostar dos bichos, as plantas, a gente tem uma gata, que a M Isabel fica ensinando como que pega na gata, pra gata não sofrer, olhar pra cara da gata, pra ver o que ela tá sentindo(...)

Coordenadora: Quando surge um conflito, por exemplo, a gente usa muito a expressão “e se fosse com você?”, né, você tentar se colocar no lugar do outro, “cê ia gostar se o outro te beliscasse? Cê ia gostar se o outro rabiscasse a sua tarefa?”, “É, eu não ia gostar”, “então, ele também não gosta, então vamos pedir desculpas, vamos apagar, ajudar a arrumar, corrigir o erro que fez”.

As falas de P Isabel e Coordenadora estão relacionadas ao conceito de empatia proposto por Hoffman (2000), principalmente no sentido de se colocar no lugar no outro e imaginar como ele se sente, como afirma Coordenadora em sua fala. P Isabel amplia a concepção de empatia para além da relação com os seres humanos, mas para outros seres da natureza, como os animais e as plantas.

(E) Obediência.

P Lucas: É, pela idade dele a gente ensina muito a obedecer, né, respeitar os mais velhos e obedecer, os meninos são sempre muito sapeca, aí cê fala, daqui a pouco ele já esqueceu e tá teimando de novo, então tem que tá sempre falando com ele, não faz isso.

Portanto, segundo o relato da maioria dos entrevistados, percebemos que eles ensinam valores morais de forma unilateral, não considerando a voz das crianças, apenas dizendo para elas como devem agir, sem dialogar nem negociar ou construir junto com elas os valores morais. Alguns inclusive utilizam-se da punição (castigo) para mostrar à criança que não se deve agir de determinada maneira, ao invés de conversar com ela e procurar compreender os motivos que a levaram a agir dessa forma.

O brinquedo e a brincadeira não aparecem neste contexto de desenvolvimento dos valores morais entre os adultos e as crianças. Os pais não mencionam as histórias infantis ao relatarem a forma como abordam com os filhos esse tema. Apenas, em outro momento, falam das histórias bíblicas, mas aqui não mencionam. Essas histórias ou outros tipos de brincadeiras que as crianças gostam poderiam ser utilizadas como forma de construir com a criança esses valores, as regras, a moral, pois, como afirma Vigotski (2007), o brinquedo é composto por regras, que determinam o papel e a relação da criança com um objeto, permitindo, assim, à criança aprender a lidar com as regras de forma lúdica. O autor ressalta que o brinquedo também pode gerar uma ZDP, possibilitando que a criança se comporte além de sua idade e reproduza uma situação real, com atividades mais avançadas que os comportamentos que ela é capaz de desempenhar usualmente. Assim, em situação de brincadeira, a criança poderia construir e aprender com os adultos valores que não aprenderia sozinha, além de poder se expressar mais e ser mais ativa nesse processo por meio dessa situação.