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3.2 The Tarim Basin – “The walled cities”

3.2.4 Sustenance and basic products

Usaremos os mecanismos de reescrituração e articulação para mostrar que uma palavra pode funcionar de várias formas e com vários sentidos outros, ou seja, que uma palavra pode ser usada múltiplas vezes e agregar sentidos diferentes. Assim, usar tais mecanismos em nossa pesquisa será uma forma de também mostrar o funcionamento do sentido das palavras, projetar o não dito, ou o dito várias vezes, porém com um novo sentido, e como veremos ao longo de nosso estudo, ambos os mecanismos proporcionarão que o sentido de escravo seja apresentado e observado.

Para estudar a palavra, tem-se que levar em consideração que esta faz parte de um enunciado que integra um texto, e para estudar essa relação de integração Guimarães (2007a) apresenta dois procedimentos, a reescrituração e a articulação.

A reescrituração é um mecanismo de redizer o que já foi dito produzindo uma interpretação nova e diferente, nas palavras de Guimarães reescrituração “é o procedimento pelo qual a enunciação de um texto rediz insistentemente o que já foi dito fazendo interpretar uma forma como diferente de si” (GUIMARÃES, 2007a, p.84,), ou seja, reescrituração é um procedimento pelo qual se aborda uma relação entre as palavras e o texto, já que uma palavra pode ser reescrita ao longo de um texto e ganhar assim, sentidos diversos. A reescrituração pode acontecer por diversas formas, pode acontecer por repetição, substituição, elipse, expansão, condensação, definição, e em um segundo grupo que seria uma especificação desse primeiro, pode ser por sinonímia, especificação, desenvolvimento, generalização, totalização e enumeração.

A reescrituração por repetição ocorre quando uma expressão é retomada ao longo do enunciado. A substituição acontece quando uma expressão é reescriturada por outra, ou seja, “uma expressão é retomada em outro ponto por outra expressão” (GUIMARÃES, 2007a, p.85), temos assim, a anáfora como um modo de substituição particular. A elipse acontece quando uma expressão é omitida nos enunciados que a precede, a elipse pode ser marcada ou não. A expansão ocorre quando uma expressão é reescriturada por uma explicação, funciona parecido com um aposto. A condensação acontece quando uma expressão é reescriturada por meio de um resumo, ou seja, um termo substitui um enunciado inteiro. Já a definição ocorre quando uma expressão é reescriturada por uma definição, ou seja, é um modo de definir um termo.

Já o segundo grupo são modos de reescrituração que podem se encaixar com variados procedimentos de reescritura apontados acima, sendo assim, estes modos específicos não são privativos de nenhum tipo geral de reescrituração.

Há que se notar que estes modos de significar a reescrituração podem se dar com variados procedimentos de reescritura. Por outro lado, estes modos específicos não são privativos de nenhum tipo geral de reescrituração. Pode- se ter especificação numa substituição ou numa condensação, por exemplo, assim como a substituição pode ser por “sinonímia”, ou por especificação e a expansão pode ser por enumeração e desenvolvimento. (GUIMARÃES, 2007a, p.87)

Temos diante disso que a sinonímia acontece quando “a reescrituração apresenta uma palavra ou expressão como tendo o mesmo sentido que a outra à qual se liga” (GUIMARÃES, 2009, p.55). Já a especificação quando “a reescrituração claramente determina o reescriturado pela expressão que o reescritura. A reescrituração atribui elementos de sentido ao nome próprio” (GUIMARÃES, 2009, p.55). A reescritura por desenvolvimento ocorre quando a “sequência que desenvolve determina o expandido” (GUIMARÃES, 2009, p.55), ou seja, quando um termo ou sequência é reescriturado por uma explicação. Outro tipo de reescrituração é a generalização, ocorre como uma espécie de visão global quando “o generalizador determina os generalizados” (GUIMARÃES, 2009, p.55). Temos ainda a totalização que acontece quando todo enunciado anterior é condensado por meio de partículas totalizadoras, como por exemplo a palavra tudo, e por fim a enumeração, que é um acúmulo de coordenantes em contato, ou seja, é uma acumulação, pois os elementos vêm coordenados e em contato, e, portanto pode acontecer por paralelismo, superposição, cruzamento entre articulações e reescriturações.

Percebemos então, que a função da reescrituração é permitir a união de diversos pontos de um texto com outros pontos de um mesmo texto ou de um texto diferente (GUIMARÃES, 2007a), e esse procedimento produz sentido, pois ao retomar uma expressão, faz com que ela signifique de um modo diferente.

Temos em seguida as operações de articulação, que diferente da reescrituração, se dá em forma linear ao longo do texto, pois na reescrituração a relação de elementos de um enunciado com elementos de outros enunciados ocorre sem necessidade de uma continuidade, o que no caso da articulação é necessário, “na reescrituração há relação de elementos de um enunciado com elementos de outros enunciados, sem nenhuma necessidade de continuidade.” (GUIMARÃES, 2013, p.29).

Assim, a relação de articulação refere-se às relações que ocorrem nas contiguidades locais do texto, ou seja, são próprias do interior dos enunciados ou na relação entre eles, temos, por exemplo, as relações de predicação, referência, pressuposição, relações de argumentação, determinação, narratividade, dentre tantas outras. Portanto, as relações de articulações são:

Estes procedimentos enunciativos são próprios de relações no interior dos enunciados ou na relação entre eles. Por exemplo, a relações de predicação e referência (no enunciado), a pressuposição, as relações argumentativas. Ou seja, aqui aparece boa parte do que as semânticas da frase têm procurado fazer. A diferença para mim é que as articulações têm que ser reportadas às reescriturações, assim como não se reduzem ao limite dos enunciados, mas também às suas articulações. (GUIMARÃES, 2007a, p.88)

Então, Guimarães mostra que há a reescrituração e a articulação, ambas operações de atribuição de sentido, a primeira é um processo enunciativo “que percorre transversalmente o texto, independentemente de qualquer segmentalidade direta” (GUIMARÃES, 2013, p.32), e a segunda pode acontecer de diversos modos, e esses diversos modos podem se dá por meio de articulação no interior do enunciado e da unidade enquanto outros podem se dá na relação desta unidade com outras. Ele mostra então, que o sentido é construído através de uma relação histórica entre o enunciado e o que está fora. E analisar isso é mostrar como o sentido está sendo formado, criado. Então, como já revelado, diferentemente de uma posição referencialista em que as coisas existem, são o que são e as palavras classificam e se referem ao que existe, a posição de Guimarães (2007a) aborda que as coisas acontecem, assim, o dizer é um acontecimento, é por meio da enunciação que o sentido se constitui, e sendo assim, a própria ideia de referência se faz por meio do processo enunciativo.