3.2 The Tarim Basin – “The walled cities”
3.2.3 Kings and governments
É pelo Domínio Semântico de Determinação, o DSD, que nossas análises serão apreendias graficamente, ou seja, o DSD é uma forma de apresentar os resultados, já que mostra como se dá as relações de sentidos. Assim, o intuito de usá-lo é apreender os resultados de nossas análises de forma clara, objetiva e resumida.
Guimarães inicia seu estudo afirmando que um semanticista deve ser capaz de falar sobre a significação linguística e também ser capaz de mostrar como ela se reporta, relaciona, diz de alguma coisa (GUIMARÃES, 2007a). Assim, do seu ponto de vista, a significação e essas relações acontecem linguisticamente, portanto, tudo funciona na dimensão da língua e para evidenciar isso ele propõe o conceito de DSD, Domínio Semântico de Determinação, (Guimarães, 2004, 2004a, 2005, 2007).
O estudioso se afasta dos estudos que tomam as relações de sentido referencialmente, para ele uma semântica realmente não pode deixar de considerar a referência, que diz respeito à relação das palavras com algo que está fora delas, mas para Guimarães essa relação com o que está fora da língua se faz por meio da construção da linguagem. Portanto, “só é possível pensar na relação entre uma palavra e o que ocorre em virtude da relação de uma palavra a outra palavra” (GUIMARÃES, 2007a, p.77), assim sendo, a relação entre as palavras e as coisas não é uma forma de categorizar e classificar coisas, mas sim uma relação de sentido entre palavras em funcionamento.
Então, Guimarães (2007a) assume uma postura diferente da referencialista que considera a relação palavra-mundo, ele afirma que deve-se pensar na relação entre uma palavra e o que acontece em virtude da relação de uma palavra e outra, ou seja, uma relação
de palavra-palavra. Os referencialistas defendem que o sentido se dá por meio da palavra- mundo e Guimarães (2007a) que o sentido se dá por meio da relação de uma palavra com outra palavra.
O autor apresenta então o conceito de DSD. Segundo ele a relação de determinação acontece por meio de X determina Y, assim, Y é determinado por X, e essa relação é construída enunciativamente. O sentido se constitui por meio da relação de determinação no acontecimento e estas relações constroem-se pela maneira como as palavras se relacionam. “A relação de determinação é tal que se x determina (é determinante de) y é porque y é determinado por x. Ou seja, não há nada numa expressão x que seja necessariamente um determinante para y. Esta relação é construída enunciativamente”. (GUIMARÃES, 2007a, p. 78).
Guimarães mostra que dizer qual é o sentido de uma palavra é apresentar seu DSD, e isso se faz por meio do funcionamento das palavras nos textos em que aparecem, e também que um DSD é estabelecido por meio das análises das relações de uma palavra com outras que a determina nos textos em que está funcionando. Assim sendo, podemos afirmar e mostrar qual o significado de uma palavra em um determinado texto, ou num conjunto de textos reunidos pelo semanticista mediante as regras e critérios que este estabelece.
Levando em conta este aspecto da noção de determinação, consideramos que as palavras significam segundo as relações de determinação semântica que se constituem no acontecimento enunciativo. Ou seja, são relações que se constituem pelo modo como se relacionam com outras num texto, no sentido que dou para o texto (...) (GUIMARÃES, 2007a, p. 80)
Para estabelecer as relações que constituem o sentido de uma palavra, o autor apresenta alguns sinais que auxiliam nessa interpretação,
Y Ⱶ X (X determina Y) X ˧ Y (X determina Y) Y --- X (Y sinônimo de X) Y --- (Y antônimo de X) X
Vemos então que um DSD é a representação do processo de análise e, portanto, precisa ser claro e capaz de explicar o funcionamento de uma palavra, mostrando sua significação.
(...) dizer qual é o sentido de uma palavra é poder estabelecer seu DSD. E isto só pode ser feito a partir do funcionamento da palavra nos textos em que aparece. Outra coisa importante, um DSD é construído pela análise das relações de uma palavra com as outras que a determinam em textos em que funciona. Deste modo podemos dizer o que significa uma palavra num certo texto, num conjunto de textos relacionados por algum critério que os reúna: do mesmo autor, sobre um certo assunto, de um certo momento, etc. (GUIMARÃES, 2007a, p.80)
Desse modo o DSD pode ser visto como um tipo de enxugamento da análise, pois ele é uma forma de representar a análise de forma objetiva e gráfica.
É importante frisar que por sua vertente o sentido das palavras é criado numa relação entre palavras, e sendo assim, o pesquisador apresenta quatro pontos para mostrar que um DSD, portanto, não se trata de um campo conceptual, como aborda a semântica referencial.
O primeiro ponto é que para a construção de um DSD, deve-se partir de uma palavra específica e procurar relacioná-la a outras do corpus, buscando uma relação de determinação. O segundo diz respeito a tomar a palavra numa relação com outra palavra e não numa relação com o mundo, que acaba por significar coisas. “A designação de uma palavra é uma relação de palavra a palavra, que não é uma classificação das coisas existentes, é uma significação que acaba por identificar coisas, não enquanto existentes, mas enquanto significadas.” (GUIMARÃES, 2007a, p.95)
O terceiro fato mostra que por uma visada da designação não se deve considerar a hiperonímia e a hiponímia porque tais relações são construídas como significação do mundo, uma descrição do mundo. E no quarto, o autor diz que o DSD não deve ser visto como um modo da língua organizar o mundo, a função de um DSD é mostrar o funcionamento das palavras na enunciação e como o sentido é constituído. Ou seja, é uma forma de mostrar como a língua funciona.
Um DSD mostra que o funcionamento das palavras na enunciação constituem sentido (designação e referência entre outras coisas). Ou seja, não se pensa uma língua como organização por campos específicos que no conjunto nos daria a própria organização do pensamento daqueles que falam uma língua. O DSD é, ao contrário, a caracterização de como, no acontecimento da enunciação, uma língua se movimenta ao funcionar. (...) a relação da linguagem com as coisas é construída por uma determinação enunciativa, que os Domínios Semânticos de Determinação descrevem e interpretam. (GUIMARÃES, 2007a, p.96)