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Sustainable Development ____________________________________________________26

O que analisamos até agora foi que, em um cenário em transformação, há uma preocupação da indústria com relação à preservação e o acesso ao conteúdo fílmi- co, seja por questões culturais, seja por questões comerciais. O uso desenfreado da tecnologia “mais barata” aumentou a produção de imagens, sendo que o conteúdo digital precisa de um software e um hardware para ser acessado e supervisionado. Estas diferenças entre a guarda analógica e a digital tornam a questão ainda mais complexa. Assim, o relatório produzido pelo Conselho de Ciência e Tecnologia tor- na-se uma ferramenta importante, já que, através de seu estudo, identificaram-se as principais características e formatos de preservação digital que vêm sendo utilizados dentro da indústria. Com base nestas informações, podemos verificar quais são as suas principais características e como se pretendem arquivar e proteger estes novos conteúdos.

A preservação de bens digitais, no mundo real, é realizada em mídias físicas com estimativa de vida de 30 anos ou menos, sendo vulneráveis ao calor, à umida- de, à eletricidade estática e aos campos eletromagnéticos. Assim, uma questão im- portante é que “um arquivo digital construído por tecnologias de hoje apenas poderá assegurar a ‘permanência’ digital por meio de um processo de preservação sistemá- tico” (MALTZ e SHEFTER, 2010, p.36).

Existem dois processos para combater a obsolescência técnica que são analisa- dos no relatório do conselho. Chamados de estratégias de preservação, elas são a migração e a emulação. De forma a disponibilizar os bens digitais no formato que mais for aceito, a migração envolve a transferência de dados de um suporte antigo

para um novo, incluindo atualizações de formatos, para que os mesmos possam ser compatíveis com o sistema operacional em vigor. A migração de dados é a estraté- gia de preservação digital mais amplamente praticada no final desta primeira década do século XXI. “Na prática, a tendência emergente é ‘migrar todo o tempo’ como a- ção preventiva” (MALTZ e SHEFTER, 2010, p. 38).

Porém, especialistas argumentam que a emulação – e sua prima distante, a en- capsulação127, que são apenas variações mais complicadas da migração – possui melhor eficiência. Estes processos têm o objetivo de escrever um software antigo que rode em um hardware novo. Permitindo que dados antigos sejam falseados co- mo novos, a emulação possibilita ao usuário ter acesso ao arquivo original, mesmo que este já não esteja mais acessível. “Ao levar em conta a emulação versus a mi- gração, especialistas concordam que nenhuma estratégia é ‘melhor’ para a preser- vação de longo prazo de dados digitais” (MALTZ e SHEFTER, 2010, p. 39).

Surgindo como outra opção está o UVC, ou Computador Universal virtual, que consiste em definir um computador virtual universal muito simples, o qual simularia um novo formato de armazenamento que fosse capaz de decodificar os dados escri- tos no formato. Daqui a 100 anos, tudo o que seria preciso para ler tais dados seria ter um emulador do UVC.

Ao estudar a mídia física para armazenamento, o relatório coloca que existem quatro mídias primordiais para armazenamento digital atualmente em uso profissio- nal. São elas:

Discos rígidos magnéticos – Também chamados de hard drives (HD), ou ape- nas drives, são os mais usados, pois mostraram um aumento significativo na capacidade de armazenamento de informações. Os primeiros discos desen- volvidos podiam armazenar 5 MB; já os mais recentes podem chegar a pro- porções de 1 TB a 2 TB por disco, lembrando que estes já estão acessíveis à população em geral.

• Fita digital de dados – Existem três fitas principais: as Fitas Inteligentes Avan- çadas (Advanced Inteligent Tape – AIT), as Fitas Digitais Lineares (Digital Li-

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A encapsulação é outra estratégia de preservação digital que propõe “empacotar” um bem digital com instru- ções sobre como decodificá-lo.

near Tape – DLT) e as Fitas Abertas Lineares (Linear Tape-Open – LTO).

Destas três, a LTO, desenvolvida conjuntamente pela HP, IBM e SEAGATE, domina o mercado cinematográfico para armazenamento de dados. O termo “formato aberto” significa que os usuários têm acesso a múltiplas fontes de produtos de mídia de armazenamento que serão compatíveis. O problema de atualização do hardware ataca este sistema, pois os drives de LTO4 não leem mais as fitas LTO1.

• Fitas de vídeo digital – O HDCAM SR, da SONY, e o D5, da PANASONIC, são os únicos formatos de alta qualidade em uso na masterização cinemato- gráfica, embora o uso de fitas HDCAM SR para gravação seja altamente em- pregado. Porém, “é possível que não haja um novo formato de fita de vídeo para o qual migrar quando a mídia estiver próxima do fim de sua vida na es- tante” (MALTZ e SHEFTER, 2010, p. 33).

• Mídia óptica – O disco óptico é uma tecnologia para consumidores, por ter seu custo por unidade muito baixo. Na indústria cinematográfica, os DVDs (Digital Vídeo Disc) são preferidos, em detrimento aos discos magnéticos MO (Magneto-Optical). Porém, segundo estudo do NIST (National Institute of

Standart a Technology), o CD (Compact Disc) possui uma vida útil superior à

do DVD. Enquanto 100% dos CDs testados pela pesquisa têm expectativa de vida de mais de 15 anos, apenas 66% dos DVDs apresentaram tal eficiência. Apesar de o National Media Lab estimar a expectativa de vida das fitas magnéti- cas em 30 anos, “os líderes de vendas de fita [...] recomendam a migração de dados de bens digitais em fitas magnéticas com frequência de 5 a 10 anos” (MALTZ e SHEFTER, 2010, p. 34). Já os discos rígidos são projetados para permanecerem ligados e rodando, e não podem apenas ficar guardados em uma estante por longos períodos de tempo. Por estas razões, as mídias de armazenamento digital devem sofrer atualizações constantes.

O custo em tempo, equipamento e pessoal exigido para a preservação de conte- údo digital é cerca de 11 vezes maior que do analógico. Sem a migração constante e evolutiva, não se pode garantir mais do que 5 anos para o armazenamento de um arquivo digital. O material analógico é imediatamente visualizável, enquanto o digital

vai para um enorme “buraco negro” que, sem a constante e ininterrupta injeção de dinheiro, rapidamente pode se tornar inacessível. Os arquivos digitais são preserva- dos a partir de três cópias de cada imagem digital, em lugares físicos diferentes. A primeira fica disponível a qualquer momento em um arquivo online; a segunda é de- positada em um servidor remoto ou em fitas LTO4; e a terceira é a realização de

backup em um HD externo. As cópias são depositadas em prédios separados, so-

frendo processos de migração a cada 3 anos.

Porém, ainda existem riscos e ameaças a informações digitais:

1. o aumento contínuo da demanda por armazenamento, que provoca um custo de mídia reduzido; quanto mais fácil for a produção destes dados, mais se precisará de mídias para fins de back-up. Porém, as taxas de transferências de dados não aumentam no mesmo ritmo que a geração de conteúdos digi- tais, obrigando a serem acoplados drives externos aos computadores. E ain- da existem ameaças econômicas, pois os sistemas de preservação digital ne- cessitam de financiamento contínuo;

2. ameaças técnicas que tem a corrupção dos dados por erros de acesso e pas- sagem, ou sua destruição total por vírus, além da perda de chaves dos arqui- vos criptografados, ou a questão de guardá-los através de compressão ou não, estão entre as principais questões. Por fim as ameaças humanas, pois o sistema depende, em muitos aspectos, das operações humanas, e erros po- dem e serão cometidos.

Como podemos observar, apesar da redução de custos com a eliminação das cópias físicas, os sistemas digitais trazem consigo novos e pesados investimentos que devem ser feitos para arquivamento de seus dados e seu acesso futuro. Já a questão que não possui resposta está ligada ao desaparecimento da película sem que padrões digitais de formato, catalogação, preservação, interoperabilidade e ar- mazenamento tenham sido definidos. A pena é que encontramos, em toda a nossa pesquisa, apenas poucos estudos sobre esta visão da transição digital, sendo este o mais significativo. Isso significa que o assunto geralmente está fora de toda discus- são sobre convergência e o futuro do cinema, que se preocupa – pelo menos por enquanto – com a digitalização das atividades da tríade principal.