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2.5 Epistemological Approach ____________________________________________________32

2.5.2 Stakeholder Analysis

Uma nova ordem digital está sendo empregada no cinema. Meios como a Inter- net e as mídias digitais têm transformado a maneira como os filmes são produzidos, distribuídos e exibidos. A valorização da tecnologia da sala de cinema e a oferta se- quencial dos filmes nas demais janelas de exibição são potencializadas pelas tecno-

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Com o objetivo de aproximar arte e vida, buscando fazer com que o cinema transborde da tela para o mundo, passa-se a uma noção de cinema expandido, que usa os diferentes recursos do audiovisual e de diferentes mí- dias para ampliar a abrangência do conteúdo para além da sala. Para Gene Youngblood, autor do livro Expan-

logias digitais. Os grandes estúdios norte-americanos não produzem mais apenas cinema, pois, na verdade, eles fazem parte de megaconglomerados industriais. A convergência forçou a produção de aparelhos que combinem funções antes separa- das em produtos distintos. A partir disso, estes grandes grupos viram-se inclinados a obter empresas fabricantes não só de seus produtos, mas também de conteúdo au- diovisual.

Este exemplo foi o que aconteceu com os grandes estúdios norte-americanos, como é mostrado por De Luca (2009), a relatar que a UNIVERSAL pertence à GE (GENERAL ELECTRIC), a FOX FILMS pertence ao catálogo de empresas do bilio- nário Rupert Murdoch, sob o comando da NEWSCORP, a PARAMONT pertence à SUMNER REDSTONE, a DREAMWORKS pertence à rede de locadoras BLOCK- BUSTER, esta pertencente à SUMNER REDSTONE, e a COLUMBIA é propriedade da SONY, enquanto a MGM, em 2010, vendeu seus catálogos de filmes e projetos como forma de pagar as dívidas acumuladas pela empresa, tentando evitar a ida a leilão. “Enquanto o foco da velha Hollywood era o cinema, os novos conglomerados têm interesse em controlar toda a indústria do entretenimento”. (JENKINS, 2008, p. 42).

De Luca ainda reforça a questão, ao colocar que:

[...] a indústria cinematográfica não se limita mais à exibição de fil- mes em cinemas, tampouco no ambiente doméstico ou nas televi- sões por assinatura ou nas emissoras abertas. Sob o comando de conglomerados que possuem uma diversidade de interesses, os con- teúdos são produzidos para serem exibidos nos veículos e meios e- xistentes e em todos os que surgirem. (DE LUCA, p. 293, 2009)

O processo de convergência desmistifica o discurso que vinha atrelado à revolu- ção digital, porque não há uma substituição dos meios passivos pelos interativos, e sim uma convivência de ambos, em que o espectador passa a ter o poder de produ- zir e modificar o conteúdo. “Na cultura da convergência, todos são participantes – embora os participantes possam ter diferentes graus de status e influência” (JEN- KINS, 2008, p. 182). Ela não é apenas um processo tecnológico, e sim um fenôme- no cultural que envolve novas relações entre produtores e usuários, lembra Jenkins.

Entusiasta da “cultura participatória”, Henry Jenkis é um dos pesquisadores da mídia mais influentes da atualidade. Para ele, “convergência é uma palavra que con-

segue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, de- pendendo de quem está falando e do que imaginam estar falando” (JENKINS, 2008, p. 27). Por se tratar de um processo amplo, onde a criatividade entra em choque com as leis dos direitos autorais, programas de televisão mais inimagináveis podem chegar a nossos lares através do Youtube e as narrativas transmidiáticas transfor- mam a maneira de pensar cinema, vamos nos ater aos resultados do impacto da convergência para o cinema129.

Para o cinema, esta cultura da convergência está ligada à transição digital, pois as substituições dos projetores analógicos pelos digitais abrem a possibilidade de exibições de novos conteúdos, que poderão e estão a circular pelas telas. Shows de ópera, como o projeto que exibiu em 2009, obras do Metropolitan Opera House de

Nova York, puderam ser vistos na programação das salas em todo o país, assim co-

mo o festival de música The big four, a reunião das bandas de heavy metal Anthrax, Megadeth, Slayer e Metallica, que foi exibida no Brasil em 6 cinemas espalhados por São Paulo, Brasília, Salvador e Rio de Janeiro, são apenas alguns exemplos do que o avanço da tecnologia pode proporcionar. Em 2010, jogos da última copa do mundo foram oferecidos para serem assistidos em formato 3D em salas da rede CINE- MARK. “Mais importante que essas questões é a integração do cinema aos outros sistemas de comunicações” (DE LUCA, p. 51, 2009).

São diversas mudanças ocorrendo, e “[...] tudo parece estar mudando ao mesmo tempo” (JENKINS, 2008, p. 37). O cinema, que é o último veículo de comunicação analógico, está dando um passo que modificará o seu futuro, lembra De Luca (2009), ao analisar as possibilidades de exibição de novos conteúdos nas salas. A- través da convergência, estamos vislumbrando, pela primeira vez na história, a unifi- cação definitiva de todas essas mídias, independentemente de sua função ou seu objetivo geral.

“Cada antigo meio foi forçado a conviver com os meios emergentes. É por isso que a convergência parece mais plausível como uma for- ma de entender os últimos dez anos de transformações dos meios de comunicação do que o velho paradigma da revolução digital. Velhos meios de comunicação não estão sendo substituídos. Mais propria-

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Para obter maior acesso ao amplo campo de assuntos que a convergências das mídias pode oferecer ver

Cultura da convergência (2008), de Henry Jenkis. O autor explora e analisa programas de televisão como Survi- vor e American idol, a franquia do filme Matrix, os fãs de Harry Potter e Guerra nas estrelas, além da campanha

mente, suas funções e status estão sendo transformados pela intro- dução de novas tecnologias.” (JENKINS, 2008, p. 39)

Ao analisar a franquia do filme Matrix, Jenkins chama a atenção para o desen- volvimento de uma nova forma de abordagem narrativa. Esta nova possibilidade es- tá cada vez mais presente nos filmes contemporâneos, que utilizam vídeos, ambien- tes virtuais, sites, games, telefonia móvel, animações, para contar histórias audiovi- suais não-lineares e interativas. Surgem as narrativas transmidiáticas, que são a in- tegração de múltiplos textos para criar uma narrativa tão ampla que não pode ser contida em uma única mídia. “Na forma ideal de narrativa transmidiática, cada meio faz o que faz de melhor” (JENKINS, 2008, p. 135).

Diversos pontos de vista podem ser apresentados, assim como histórias parale- las, com possibilidades de interferência por parte do leitor/espectador ou não. Em entrevista para a revista Contracampo, em Agosto de 2010, Jenkins comenta a pos- sibilidade de mapear alguns pontos fundamentais da estética transmidiática. O pri- meiro ponto seria uma mudança de foco, na qual as histórias estariam centradas em uma grande narrativa, e não mais nas narrativas individuais de suas personagens; o segundo ponto seria a expansão formatos seriados para distribuição destas novas formas, fazendo com que a história contada tenha continuações (ou maiores infor- mações) em outra mídia; e, terceiro, existe uma identificação variada, pois suas múl- tiplas histórias refletem valores e situações sociais diferentes.

Mas a grande questão é: em que isso muda o cinema? Esta nova possibilidade potencializa o acesso ao filme nas diversas mídias? “A convergência das mídias tor- na inevitável o fluxo de conteúdos pelos múltiplos suportes midiáticos”, lembra Jen- kins (JENKINS, 2008, p.145). Nesse sentido, o cinema “vive um momento de ruptura com as formas e práticas fossilizadas pelo abuso da repetição, e busca soluções inovadoras para reafirmar sua modernidade” (MACHADO, 2007, p. 67). Ao analisar a relação da mídia e da arte, Machado entende que o cinema está sofrendo um cor- te em sua história, para se tornar “cinema expandido, ou seja, audiovisual” (MA- CHADO, 2007, p. 67).

“A convergência digital permite o uso amplo de recursos de arquivos de qualquer formato: áudio, vídeo, foto, desenhos, textos, extensíveis ao uso particular ou coletivo. O que difere é o grau de autorização de acesso que serve para diferentes contextos. Pode se ter uma senha para entrar num sito eletrônico de relacionamentos como para autori-

zar a exibição de um filme numa sala de exibição digital ou para au- torizar a compra de ações que totalizam bilhões de dólares.” (DE LUCA, p. 297, 2009)

Produtores e consumidores de informações constroem conteúdos a partir de pe- daços e fragmentos de informação, já que a introdução das tecnologias digitais re- novou os processos do cinema industrial, ao mesmo tempo, que possibilitou o sur- gimento e o fortalecimento dos cineastas independentes. “Esse paradoxo, que, em muitos sentidos, aproxima hoje categorias antes tradicionalmente distintas como ‘massivo’ e ‘experimental’, constitui apenas uma das muitas contradições” (FELIN- TO, 2006, p. 414) do cinema contemporâneo. Um reflexo do poder da convergência em expandir as possibilidades está na oitava edição do Congresso Brasileiro de Ci- nema, realizada em 2010, que expandiu o seu conceito de cinema e passou a inte- grar o audiovisual ao nome do evento. O ponto de partida de todos os debates foi o impacto da revolução tecnológica, que suscita transformações no modo de viver o cinema.