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Sustainability disclosures: 'silent' offshore supply industry?

Chapter 5. Diseussion

5.1 Sustainability disclosures: 'silent' offshore supply industry?

Neste capítulo pretendo tanto apresentar o surgimento e os motivos que levaram ao fechamento de Comício quanto me deter sobre o semanário em si, discorrendo sobre seus fundadores e colaboradores, sua estrutura básica (número de páginas, seções, propaganda e formas de sustento do periódico), seu funcionamento (vendas, assinaturas), seus intuitos, linha editorial, diretrizes, etc. Também apresentarei o formato da revista, o conteúdo de suas seções, diagramação, tipos de anúncios e recepção.

O início e o fim de um semanário independente

Com a qualificação de “semanário independente” em sua capa e a direção de Joel Silveira22, Rafael Corrêa de Oliveira23 e Rubem Braga24, Comício aparece em 15 de

22 Nasceu em 1918 em Aracaju (SE) e em 1937 se mudou para o Rio de Janeiro. Tornou-se amigo de

intelectuais como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga, tendo conhecido o último quando ambos trabalhavam como correspondentes na Segunda Guerra Mundial. Além da guerra, cobriu inúmeros fatos relevantes da história nacional e mundial, ganhando notoriedade como escritor e jornalista. Sua carreira passou a ser conhecida a partir de seu trabalho na revista Diretrizes, de Samuel Wainer. Posteriormente, passou por várias redações de jornal, incluindo as dos Diários Associados. Faleceu no Rio de Janeiro em 2007.

23 Nasceu em 1896 em Goiana (PE). Foi jornalista, professor e advogado. Durante o Estado Novo,

trabalhou na Seção de Estudos Econômicos, vinculada ao gabinete do ministro da Fazenda, Artur de Sousa Costa (1934-1945). No ano de 1940, passa a trabalhar na Delegacia do Tesouro Nacional em Nova Iorque, demitindo-se em 1944. Volta ao Brasil e, embora amigo de Vargas, passa a articular oposição a seu regime, sendo preso em dezembro de 1944. No ano seguinte, apóia a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à Presidência da República. No período, além do Jornal de Debates, trabalhou no Diário

de Notícias e em O Estado de S. Paulo. No ano de 1948 começa a participar da comissão diretora do

Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN). Elege-se, em outubro de 1954, deputado federal pela Paraíba pela União Democrática Nacional (UDN). Faleceu em 1958, no Rio de Janeiro (cf. “Rafael Corrêa de Oliveira”, DHBB/CPDOC).

24 Nasce em Cachoeiro de Itapemirim (ES) em 1913 e falece no Rio de Janeiro (RJ) em 1990. Publica

seus primeiros escritos na adolescência, no jornal cachoeirense Correio do Sul, fundado por um de seus irmãos. Começa o curso de Direito no Rio de Janeiro e o conclui em Belo Horizonte em 1932, onde passa a colaborar para o Diário da Tarde. Inicia-se então uma profícua carreira como cronista, que se estende até a sua morte, quando trabalhava para O Estado de São Paulo. O autor trabalha em inúmeras cidades, tais como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. Atua como enviado especial em Paris no ano de 1947 pelo jornal O Globo, e em 1950 pelo Correio da Manhã. Como correspondente do Correio da Manhã e d’ O Estado de São Paulo, cobre em 1946, a primeira eleição de Perón na Argentina. Também acompanha, em 1956, a eleição Eisenhower para presidente dos Estados Unidos, dessa vez como enviado do jornal Diário de Notícias e da revista Manchete. Faz a cobertura da Revolução de 1932 pelos Diários Associados e da Segunda Guerra Mundial como correspondente do

Diário Carioca. Em 1955, é nomeado, por Café Filho, chefe do Escritório de Propaganda e Expansão

Comercial do Brasil no Chile e, em 1961, é designado como embaixador do Brasil no Marrocos por Jânio Quadros. Braga também realiza incursões no mundo editorial: em 1960, funda, juntamente com Fernando Sabino e Walter Acosta, a Editora do Autor e, sete anos depois, cria, novamente com Sabino, a editora

maio de 1952 e circula até 17 de outubro do mesmo ano, computando um total 23 edições com 32 páginas cada. Quando foi lançado, seus idealizadores já possuíam notoriedade: Braga e Silveira já eram escritores e jornalistas bastante conhecidos, principalmente após a participação deles como correspondentes de guerra na Segunda Guerra Mundial, sendo que ambos já haviam passado por inúmeras redações de jornal. Já Oliveira, além de intensa atividade jornalística (ocupou inclusive o cargo de diretor do O Estado de São Paulo no Rio de Janeiro), envolveu-se política e publicamente com o cenário nacional, sendo “um dos signatários do Manifesto dos jornalistas exigindo a redemocratização do país e apoiando a candidatura do brigadeiro [Eduardo Gomes]” (“Rafael Corrêa de Oliveira”, DHBB/CPDOC). Como dito anteriormente, participou ativamente do Jornal de Debates e em 1948 passou a integrar a comissão diretora do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), e, no ano seguinte, passa a ocupar o cargo de vice-presidente do CEDPEN. Oliveira não apenas apoiou a candidatura de Eduardo Gomes como foi eleito deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN), assumindo o mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1955.

Já no Editorial do primeiro número, seus diretores esclarecem as diretrizes que norteariam o semanário:

“O DICIONÁRIO define: COMICIO, s.m. Reunião de cidadãos com o fim de tratar de assuntos de interêsse público.

Os cidadãos que se reuniram para fazer êste semanário acreditam que os interêsses públicos no Brasil, não estão defendidos de maneira tão rigorosa e completa que seja dispensável o concurso de mais alguns homens de boa- vontade e razoável traquejo” (Comício, n.1, p.3)25.

Em 1944 é lançado O morro do isolamento e, no ano seguinte, Com a FEB na Itália. Em 1948 aparece

Um pé de milho e, em 1949, O homem rouco. O 50 crônicas escolhidas sai em 1951 e A borboleta amarela em 1955. A cidade e a roça aparece em 1957 e, no ano seguinte, 100 crônicas escolhidas. Em

1960, é publicado Ai de ti, Copacabana! e, sete anos depois, A traição das elegantes. Na década seguinte, Braga passa a dedicar-se mais à produção jornalística, escrevendo reportagens acerca de assuntos políticos, econômicos e culturais, viajando para inúmeros países, como Argentina, Paraguai, Portugal, França, Inglaterra e Índia (cf. Patrini, 1991). Essa diminuição da publicação de suas crônicas nos jornais até levou Arrigucci Jr. (1979) a indagar “onde andará o velho Braga”. Em 1977 passa a trabalhar para a emissora Rede Globo, rareando ainda mais a produção de crônicas. 200 crônicas escolhidas sai em 1977. Em 1980, Braga lança seu único livro de poesia, chamado Livro de versos. O Recado de Primavera e o

Crônicas do Espírito Santo aparecem ambos em 1984. No ano seguinte, Arrigucci Jr. seleciona crônicas

de Braga cuja estrutura formal assemelha-se a contos e organiza a publicação de Os melhores contos de

Rubem Braga. As boas coisas da vida (lançado em 1988) e Um cartão de Paris (obra póstuma, de 1992,

cuja seleção é efetuada por Domício Proença Filho) reúnem seus últimos escritos. Em 1994 aparece outro livro póstumo – Uma fada no front – Rubem Braga em 39 - no qual Carlos Reverbel organiza as crônicas que Braga escreveu em 1939, quando trabalhou em Porto Alegre.

Uma vez que os interesses públicos não estão tão bem defendidos ao ponto de se excluir a consecução de tal publicação, os diretores assinalam os objetivos que se dispuseram a realizar com o intuito de alterar tal quadro: “Não pretendemos salvar o país uma vez por semana; mas nos juntamos aqui para discutir à vontade entre nós mesmos e com o público, a marcha dramática e pitoresca das coisas desta nação e, um pouco, também das outras” (Comício, n.1, p.3). No editorial os diretores fazem questão de frisar o caráter apartidário do semanário – algo que também será lembrado várias vezes nos outros números – e de como os partidos estariam “enfarinhados” em uma “febre de personalismos”. O objetivo explícito é o de apreender “o que”, “quem”, “quando” e “como” representaria “os interêsses mais legítimos da massa de nosso povo”26:

“Não temos, como logo se verá, compromisso com nenhum partido do govêrno ou da oposição. Êles andam, de resto, enfarinhados por uma febre de personalismos que, apresentando graves inconvenientes e algumas vantagens para a nossa democracia, parece ser de tudo, a fatalidade dêste momento histórico. Através da confusão dêsse jôgo de interêsses e vaidades – e procurando, na medida das possibilidades humanas, ficar fora dêle, sem, para isso, ir residir na Lua – tentaremos discernir o que, e quem e quando e como representa os interêsses mais legítimos da massa de nosso povo” (Comício, n.1, p.3).

Por fim, os diretores também registram o intuito de desenvolver um “interêsse jornalístico de ordem geral” que fosse capaz de manter um público “de gôsto variado”, o que evidencia uma diferenciação em relação aos outros periódicos de cunho nacionalista, cuja temática, como vimos, é mais restrita:

“Além disso, o que nos cabe dizer é que procuramos dar o COMÍCIO u minterêsse [sic] jornalístico de ordem geral capaz de atrair leitores de gôsto variado.

Estas são as nossas intenções: o COMÍCIO que delas vai resultar é, até certo ponto, um mistério tão grande para nós mesmos como para o leitor.

Até a semana que vem.

A DIREÇÃO” (Comício, n.1, p.3).

Segundo o biógrafo de Rubem Braga, Marco Antonio de Carvalho,

26 Retratar o cotidiano e a situação na qual viveria o povo parece ter sido uma das grandes preocupações

do semanário, tendo em vista o grande número de reportagens sobre o assunto. Essa questão será objeto de análise no capítulo IV.

“Pobre, feio, descontraído e desabusado, Comício reuniria quase todos os homens de imprensa antigetulista do início dos anos 1950. Antônio Maria27 e Sérgio Porto28 tornaram-se conhecidos através de suas páginas, naquela que foi a redação mais alegre do jornalismo carioca, onde só um momento era sagrado: a hora de fechar o expediente e abrir a garrafa de Haig’s, prática que tinha sido iniciada no lançamento da revista, quando o empresário Juca Chaves enviou uma caixa de garrafas de uísque.

O time era uma poderosa seleção carioca: além de Braga, Joel, Maria e Pôrto, a equipe reunia Newton Carlos29, Otto Lara Resende30, Fernando Sabino31, Eneida32, Cláudio Abramo33, Lúcio Rangel34, Sábato Magaldi35,

27 Nasceu em Recife em 1921 e faleceu no Rio de Janeiro em 1964. Aos 17 anos, começou a trabalhar

como apresentador de programas musicais na Rádio Clube Pernambuco. Em 1940, vem para o Rio de Janeiro para trabalhar como locutor na Rádio Ipanema. Dez meses depois, ter passado dificuldades financeiras e ter sido preso, retorna ao Recife e, em 1944, se casa. Muda-se para Fortaleza e trabalha na Rádio Clube do Ceará. Um ano depois, muda-se para a Bahia, com o cargo de diretor das Emissoras Associadas, e conhece Di Cavalcanti, Dorival Caymmi e Jorge Amado. Volta ao Rio de Janeiro em 1947, trabalhando como diretor artístico da Rádio Tupi. É chamado por Assis Chateaubriand para ser o primeiro diretor de produção da TV Tupi, que havia sido inaugurada em 20 de janeiro de 1951. No final do ano de 1952, é contratado pela rádio Mayrink Veiga por 50 mil cruzeiros, o que significava o mais alto salário do rádio no país. Escreveu crônicas diárias durante 15 anos. Em 1957, junto com Ary Barroso, manteve na TV Rio o programa “Rio, Eu Gosto de Você”, que fez muito sucesso. Até 1955, assinava em O Jornal as colunas “A noite é grande” e “O Jornal de Antônio Maria”. Em 1959, assinava em O Globo a coluna “Mesa de Pista”. Passa a trabalhar para o jornal Última Hora, assinando as colunas “O Jornal de Antônio Maria” e “Romance Policial de Copacabana”. Maria também compôs jingles e músicas que fizeram grande sucesso nas rádios brasileiras, como Menino Grande e Ninguém me ama.

28 Muito conhecido por seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, nasceu em 1923 no Rio de Janeiro. Já na

década de 1940, começou a trabalhar na imprensa, tendo passado pelas redações das revistas Sombra e

Manchete e dos jornais Tribuna da Imprensa, Última Hora e Diário Carioca. Além de escritor e

jornalista, também foi radialista e compositor. Faleceu em 1968. No ano seguinte, foi homenageado pelos

fundadores da revista Pasquim, que buscavam inspiração em seu humor e irreverência.

29 Nasceu em 1927 em Macaé, estado do Rio de Janeiro. Veio para a capital estudar contabilidade, mas

desistiu do curso e se tornou autodidata. Começou a escrever no Correio da Manhã em 1940. Em seguida, conhece Carlos Lacerda e passa a trabalhar para o Tribuna da Imprensa, iniciando sua carreira de repórter. Aceitou o convite do governo espanhol para trabalhar em Bruxelas na Organização Internacional dos Sindicatos Livres, ficando na Europa por dois anos, iniciando sua carreira de repórter internacional. Volta ao Brasil e trabalha como chefe de reportagem de Manchete. Em 1960 passa a trabalhar como editor internacional do Jornal do Brasil, criando a editoria política do veículo. Trabalha por 25 para a Folha de São Paulo, escrevendo crônicas políticas. Trabalhou para emissoras de TV, como a Globo e a Bandeirantes.

30 Nasceu em 1922 em São João Del Rey (MG). Jovem, se torna amigo inseparável de Fernando Sabino,

Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino. Em 1945, já formado em Direito, muda-se para o Rio de Janeiro. Não seguiu a carreira jurídica, tendo exercido, além da profissão de jornalista e de escritor, a de professor de ginásio e de adido cultural em Lisboa (1967-1969) e Bruxelas (1959-1960). Otto Lara Resende passou por várias redações de jornais durante sua carreira, tais como: O Diário e Folha de

Minas, em Minas, Diário de Notícias, O Globo, Correio da Manhã, Última Hora, dentre outros, no Rio

de Janeiro, e, ao final de sua vida, na década de 1990, na Folha de São Paulo. Além disso, foi diretor do Jornal do Brasil (1969-1974), da revista Manchete (1957-1960) e da Rede Globo (1974-1984). Faleceu em 1992, no Rio de Janeiro.

31 Nasceu em 1923 em Belo Horizonte (MG). Desde jovem, torna-se amigo de Otto Lara Resende, Paulo

Mendes Campos e Hélio Pellegrino. Inicia a Faculdade de Direito em 1941, mesmo ano em que publica seu primeiro livro, Os grilos não cantam mais. Mário de Andrade lhe envia uma carta elogiosa e, a partir de então, trocam cartas até a morte deste. Em 1944 muda-se para o Rio de Janeiro. Em 1946, muda-se para Nova Iorque e manda sua colaboração ao jornal Diário Carioca, além de trabalhar como assistente no Consulado Geral do Brasil. Trabalha em inúmeros jornais e revistas, tais como Jornal do Brasil e

Manchete. Nos anos 1960, funda, com Rubem Braga, duas editoras: A Editora do Autor e a Sabiá. Funda,

ainda, a Bem-te-vi Filmes. Publicou, durante sua vida, vários livros de crônicas. Faleceu em 2004 no Rio de Janeiro.

Hélio Fernandes36, Edmar Morel37, Paulo Mendes Campos38, Carlos Castello Branco39 e uma certa Teresa Quadros, encarregada da seção ‘Entre

32 Nasceu em Belém em 1903 e faleceu no Rio de Janeiro em 1971. Ingressa na Faculdade de

Odontologia de Belém e frequenta os círculos literários da cidade, já publicando suas primeiras crônicas e poesias. Colabora na revista Para Todos, de Álvaro Moreira, que conheceu quando viajou ao Rio de Janeiro. Separa-se do marido e transfere-se em 1930 para a capital do país, aproximando-se do grupo de escritores e intelectuais formados por Murilo Mendes, Cícero Dias, Sérgio Buarque de Holanda, Raquel de Queiroz, Aníbal Machado e Manuel Bandeira. Em 1932 muda-se para São Paulo e desenvolve intensa atividade política junto ao Partido Comunista Brasileiro. No mesmo ano, é presa e passa quatro meses na prisão. Já de volta ao Rio de Janeiro, em 1935 participa da União Feminina do Brasil (UFB), pertencente à Aliança Nacional Libertadora (ANL). Foi presa inúmeras vezes pelo Estado Novo (1937-1945), tendo trabalhado como operária, tradutora e redatora de artigos políticos. Em 1949 viaja para Paris, estuda literatura e trabalha para o Diário Carioca. Trava relações com Jean Cocteau, Paul Eluard, Louis Aragon e Pablo Picasso. Volta ao Brasil e passa a trabalhar, em 1951, para o Diário de Notícias. A partir de 1953, passa a se dedicar com mais intensidade à sua carreira literária. Em 1959 viaja à União Soviética a convite do Sindicato de Escritores da URSS. Também conhece a China e outros países socialistas.

33 Nasceu em São Paulo em 1923. Sua família foi reprimida durante o Estado Novo, por manter posições

políticas anarquistas e trotskistas. Por conta disso, sua formação escolar foi precária, não conseguindo frequentar a escola com regularidade. O jornalista então assegura que sua formação foi decorrente ao pertencimento de uma família culta, aos livros que leu e à amizades travadas com artistas e intelectuais como Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Oswald de Andrade, Lívio Xavier e Mário Pedrosa, entre outros. Trabalhou na agência de publicidade Arco, em São Paulo, e posteriormente na agência de notícias Interamericana, coordenada por Arnaldo Pedroso D’Horta. Em 1945, com 22 anos, foi contratado como datilógrafo no Jornal de São Paulo. Posteriormente, torna-se redator da seção internacional do jornal. Torna-se repórter quando obteve do advogado de Luís Carlos Prestes uma entrevista na qual dizia que este, quando saísse da prisão, apoiaria Getúlio Vargas. O Jornal de São Paulo entra em falência em 1948 e Abramo é então convidado por Sérgio Milliet, então secretário de O Estado de São Paulo, para trabalhar neste jornal. Nesse período, também dirigiu a sucursal da Tribuna da Imprensa em São Paulo. Nos anos 1950 e 1951, recebeu uma bolsa de estudos do governo brasileiro e cursou jornalismo na Escola de Estudos Superiores de Paris. Retorna ao Brasil e é convidado por Júlio de Mesquita Filho a assumir a secretaria de O Estado de São Paulo. Sai do jornal em 1963 e, em 1967, assume a secretaria geral do jornal Folha de São Paulo, tornando-se em 1972 diretor de redação, sendo afastado ainda neste ano. Em 1975 é preso junto com sua segunda mulher, Radha Abramo, acusados de subversão pela ditadura. Volta a trabalhar na Folha até 1978. Neste ano, lança o tablóide Leia Livros com o apoio de Caio Graco Prado, da Editora Brasiliense. Em 1980, retorna à Folha de São Paulo. Falece em 1987 em São Paulo.

34 Nasceu em 1914 no Rio de Janeiro e faleceu em 1979, na mesma cidade. Musicólogo e grande defensor

da música popular brasileira, editou, entre 1954 e 1956, a Revista da Música Popular, que marcou época e congregou um grande número de intelectuais e estudiosos de música, dentre eles Manuel Bandeira, Sérgio Pôrto, Ary Barroso, Marisa Lira, Almirante, Guerra Peixe, Nestor de Holanda, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Haroldo Barbosa, Jota Efegê. Entre os jornais nos quais colaborou, estão: A

Manhã, Jornal do Brasil, Diário de São Paulo e Estado de Minas. Também manteve seções sobre música

em inúmeras publicações, tais como nas revistas Manchete, A Cigarra, Senhor e Lady. Em 1965, a pedido do então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, vendeu sua discoteca para o Museu de Imagem e Som que seria criado naquele ano. No ano seguinte, foi convidado pelo primeiro presidente do MIS, Ricardo Cravo Albin, a integrar o Conselho Superior de MPB do MIS. Na década de 1980 a FUNARTE cria o Projeto Lúcio Rangel, que premia monografias sobre MPB.

35 Nasceu em Belo Horizonte em 1927. Bacharelou-se em Direito em 1949 pela Universidade de Minas

Gerais. Em 1953, com bolsa do governo francês, obteve certificado no curso de Estética na Universidade de Sorbonne. Entre 1950 e 1953, trabalhou como crítico de teatro no jornal Dário Carioca. Em 1953 muda-se para São Paulo e é convidado por Alfredo Mesquita para ser professor de História do Teatro na Escola de Arte Dramática. Nessa Escola, formula, em 1962, a matéria de História do Teatro Brasileiro. Ainda em 1953, passa a trabalhar como redator do jornal O Estado de São Paulo, tornando-se três anos depois o titular da coluna Teatro do Suplemento Literário desse jornal. Desliga-se do periódico em 1972. Foi redator-chefe e crítico teatral da revista Teatro Brasileiro nos anos 1955 e 1956 e ocupou o cargo de crítico teatral do Jornal da Tarde de 1966 a 1988. Desde 1970, ocupa o cargo de professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

36 Irmão de Millôr Fernandes, nasceu em 1924 no Rio de Janeiro. Órfão de pai e de mãe, começou a

trabalhar desde cedo, primeiro em uma carpintaria e depois em uma fábrica de móveis. Entrou no Colégio Pedro II e o abandonou antes de concluir os estudos para trabalhar como auxiliar de despachante. Depois,

Mulheres’, pseudônimo sob o qual se escondia Clarice Lispector40. Hilda Weber41 é a ilustradora. Luís Martins42 o representante da revista na sucursal paulistana” (Carvalho, 2007:363).

trabalhou em um navio cargueiro. Em 1945, por meio de Millôr Fernandes, começou a trabalhar na