2. WiMP
3.3 Survey Findings
Tratou-se neste capítulo da organização do processo de ensino e aprendizagem de artes, principalmente do planejamento e da avaliação por instrumentos essenciais na construção do conhecimento, bem como os demais componentes que entrelaçam este processo.
Ressaltou-se que o planejamento do ensino faz-se de fundamental importância ao ser analisado neste estudo, por constituir-se na interpretação instrumento que possibilite transformar pensamento, idéias (subjetivo) em ação correta (objetivos), portanto é pelo planejamento, que as ações docentes, estabelecem a consecução dos nossos objetivos desejados no ensino de artes.
De igual modo, analisa-se a avaliação que é a forma de regulação das aprendizagens, dos alunos e do trabalho do professor.
Entrelaçou-se a organização do processo de ensino aos documentos oficiais,
no caso a lei de diretrizes da educação L.D.B. No 9.394/96, aos parâmetros
curriculares (PCN), as resoluções pareceres e a matriz curricular emanadas pelas secretarias, no caso da rede estadual (SEDUC), representada pelos CREDES (Centros Regionais de Desenvolvimento da Educação...) e da SEDAS (Distritos de Educação), e dos professores da rede municipal, da qual fazem parte os professores participantes desta pesquisa e da articulação dos professores de artes. As instituições oficiais pertencem aos professores da rede estadual, os CREDES, órgãos representativos da Secretaria de Educação do Estado (SEDUC), dos distritos de educação, que elaboram, implementam e acompanham o desenvolvimento administrativo e pedagógico do processo de Ensino.
Quanto aos municipais (SEDAS), uma vez que, neste estudo há professores da rede de outros municípios, portanto os sujeitos pertencem à rede municipal de ensino Fortaleza, considerando que quatro professores do município, daqui representados pelo símbolo (M), no caso dos que fazem parte da rede estadual de ensino, o símbolo (E).
As considerações tecidas aqui, baseiam-se no pensamento dos autores estudiosos deste tema: Vasconcellos (1995), Anastasiou (2005), Vieira (2001), Gandim (1994), Ferraz e Fusari (1993), dentre outros autores que deram contribuições relevantes, através de estudos desenvolvidos sobre a temática de
avaliação: Lima (1994), Saul (1995), Hoffmann (1993), Luckesi (1997), Libâneo (1999), Perrenoud (1999).
Acreditamos que o trabalho de organização de aulas, e da totalidade do trabalho artístico como processo de construção histórico e cultural, requer, por parte dos educadores de artes, reconhecê-la como veículo de humanização, de interação como o mundo da sensibilidade, das emoções, dos sentimentos através da imaginação e da criatividade, portanto componentes inerentes a serem desenvolvidos no trabalho pedagógico com o ensino de arte.
A organização do trabalho educativo em artes, extrapola a todas as molduras tecnicistas de rituais burocráticos que venham ser impostas por quaisquer diretrizes. Por este motivo as orientações metodológicas dos PCNs em artes aconselham sobre as vantagens do trabalho com projetos, dessa forma percebemos que somente os professores do ensino médio trabalham sob esta orientação, constatação confirmada no trabalho de campo no decorrer das observações
No período das observações de aulas nas escolas uma das experiências de trabalho com projeto foi sobre o tema africanidades no Brasil. Os temas tratados foram relacionados aos 140 anos de Iracema deste tema trabalhou-se as noções básicas de teatro, envolvendo a literatura, a música, a dança e as artes visuais, assim solicitamos que relatassem as experiências mais marcantes. O trabalho com projetos diz respeito a interdisciplinaridade entre outros conhecimentos.Assim foi narrado:
É[...] o trabalho dos 140 anos de Iracema, eu tive que trabalhar, pesquisar muito em livros de literatura sobre Iracema, os alunos diziam... esse tema é muito besta todos nós tivemos que ler Iracema, tinha gente com a maior preguiça de ler, eu já tinha até lido Iracema na minha juventude,e na minha adolescência e não tinha dado valor, eu li novamente, fiquei apaixonado por José de Alencar, fiquei assim... amante dele, na música eles tinham uma aversão tão grande a Chico Buarque, Pixinguinha e foi a coisa mais maravilhosa que eu trabalhava a literatura de cada época com a música de cada época que eles tinham que saber, foi assim, um trabalho maravilhoso ... ímpar... unânime... sei lá... e eles aprenderam, conheceram os interpretes, compositores, como Caetano Veloso, Pixinguinha, Chico Buarque, foi uma infinidade muito grande.
P9L2E: Uma linguagem do planejamento puxa a outra, principalmente no teatro, né? Eu acho o teatro uma das artes mais completas, você trabalha a música, a questão da dramatização, do texto, da poesia, tudo da dança, montei um sarau da poesia brasileira, começamos com a literatura desde o barroco, pegamos a literatura de Pero Vaz, quer dizer a 1ª Carta, que não era a literatura, é um texto informativo, viemos pelo barroco até Patativa do Assaré, foi maravilhoso, nós temos em vídeo, foi tudo gravado, tenho fotos,
convidamos um escritor na Arte da literatura, um escritor de literatura do pessoal do teatro.
P10L2E: Eu tive meninos que são apaixonados por Castro Alves, Vinícius de Morais, é impressionante! No dia da nossa pré-estréia, e uma menina fez o papel do convidado especial no Caso do Vinicius de Morais, ela se saiu muito bem, entrou a poesia, a música, a expressão corporal, a expressão facial, marcação de falas, tudo, tudo que você consegui imaginar neste sarau houve! De uma interdisciplinaridade, eu posso te dizer que foi uma transdisciplinaridade eu acho que não existe isso na Arte não! (risos). De acordo com o exposto podemos afirmar que a natureza do trabalho educativo em artes, que é de garantir aprendizagens de conhecimentos sensíveis e cognitivos, oriundos das manifestações socioculturais produzidas historicamente nas relações do cotidiano social, requer por parte dos educadores em arte, compromisso com os conhecimentos artísticos, éticos e estéticos, que envolve fatores do contexto social, da interação professores-alunos, das habilidades no universo dinâmico da sala de aula e da escola.
A organização do trabalho metodológico do ensino de artes requer dos professores uma postura crítico diante do currículo, aqui compreendido como um conjunto que envolve as experiências do cotidiano, os conhecimentos científicos permeados pelos procedimentos didáticos, as atitudes e os valores.
Pensar na organização do trabalho docente em Artes implica numa concepção de escolha de currículo cujas formas dos conhecimentos são antes de
tudo epistemologias sociais, segundo Silva (p.135) “o conhecimento não é uma
revelação, nem reflexo da natureza, mas o resultado de um processo de criação e
interpretação social,” onde a objetividade das ciências naturais ou a
intersubjetividade das ciências sociais ou das artes, manifestas pelos discursos, práticas, instituições, paradigmas, ou seja, um currículo, que comporte o ensino de artes tem sempre um caráter construído e interpretativo do conhecimento.
No entanto os professores deste ensino, não participam da elaboração dos planos de ensino, que ao receber matrizes curriculares prontas, nelas não podendo opinar, nem na escolha dos conteúdos, nem tampouco nos objetivos que são os propósitos e as finalidades da Educação, formando um arcabouço de idéias, valores, ideais, tradições sociais e culturais, que à principio visam a formação do homem para viver e conviver na sociedade.
A tarefa do planejamento das aulas de artes, ao nosso ver, resume-se no acompanhar de forma relativa o plano já elabora pelas instituições as quais os
professores estão vinculados, no caso (SEDUC-CREDES), (SEDAS-Regionais), ao nos referirmos a forma relativa, nos remetemos aos conceitos de autonomia, desenvolvidos por Tarfid e Lessard:
[...] a margem de manobra dos professores é maior, pois eles gozam de uma certa autonomia para realizar seu trabalho. Neste sentido, sua posição de executantes não se confunde com a dos trabalhadores industriais, “atomizados” sobre a esteira de produção. Apesar disso, essa dupla posição – ao mesmo tempo de executantes e autônomos – se traduz também em tensões e dilemas, podendo, conforme os professores invistam em um ou outro pólo (execução ou autonomia), desbocar em diferentes maneiras de assumir e viver sua identidade profissional. (2005, p. 79),
Conforme os autores, os professores são executores e portadores de autonomia, os depoimentos dos professores colaboram com este pensamento:
P5L2M: Planejar, elaborar... Mas eles mandam uma matriz, matriz curricular, acompanhamento mesmo, tem não, somente o pedagógico, do coordenador, né? Somente em nível de Escola! Eu vou só adaptando, não fico bitolada não, por sinal, não tem orientação nenhuma... É somente os objetivos e os conteúdos mas assim, não é conteúdo, são as linguagens...a gente é que cria os conteúdos , eu tive o Magister ,mas quem não tem! P8L2M: Eu não obedeço a matriz curricular, só que não é daquela forma que eles mandam que é trabalhar nos bimestres! Eu mexo... O que eu obedeço é só as linguagens, eu tenho um pouquinho de conhecimento em música, adoro dança, amo teatro... Aliás, nem dá tempo no ano eu fazer tudo que gostaria de fazer, mas eu procuro fazer tudo que eu planejei no ano, eu obedeço porque gosto de fazer, às vezes, eu diminuo de outras atividades, às vezes eu faço assim, eu começo com história e aí vamos pra prática, aliás, quase tudo eu faço, assim do teórico e vamos pra prática, é só o objetivo e os conteúdos.
Meirieu (2005, p.132), ao referir-se sobre o planejamento das aulas, diz que o professor deve dispor de modelos profissionais que lhe permitam pensar e organizar sua ação e a organização do trabalho docente deve seguir a combinação de três séries de dados, finalidades e objetivos da escola: o sistema de imposições, o de recursos que se dispõem, os apoios científicos que podem embasar o procedimento da ação. O professor assume um modelo profissional de um legitimo ritual de trabalho em sala de aula.
5 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO PROFESSOR DE ARTES NAS