Fast Continuous Collision Detection for Articulated Models
B- rep SE: Simplicially Enhanced Boundary Representation
3. Application of B-rep SE
3.3. Surface Integration
O município de Belém, capital do Estado do Pará foi fundado em 12 de janeiro de 1616, está localizado no leito de deságue do estuário do rio amazonas; possui 1.495.922 habitantes, segundo estimativa do IBGE/2013 (1.393.399 – Censo IBGE 2010) e, se organiza político-administrativamente em 8 distritos instituídos pela Lei nº 7.682 de janeiro de 1994: Distrito Administrativo de Belém (DABEL), Distrito Administrativo do Bengui (DABEN), Distrito Administrativo do Entroncamento (DAENT), Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA), Distrito Administrativo de Icoaraci (DAICO), Distrito Administrativo de Mosqueiro (DAMOS), Distrito Administrativo do Outeiro (DAOUT) e Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC).
O distrito administrativo do Guamá (DAGUA) reúne 12 bairros, dentre os quais o Guamá e a Terra Firme que juntos possuem uma população estimada em 165.315 habitantes e, isolados são bairros dos mais populosos de Belém, com 102. 124 e 63.191 habitantes, respectivamente.
IMAGEM 1 – Distrito Administrativo DAGUA
Fonte: http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2013_05_01_archive.html.
O bairro da Terra Firme ou Montese12, segundo pesquisa realizada por PINA (2013), começou a ser ocupado por imigrantes do interior do Pará, na década de 1950, como desdobramento do movimento de fluxo migratório, provocado pelo projeto desenvolvimentista nacional. O espaço ocupado era predominantemente de áreas alagadas e de fácil inundação e por isso enquadrava-se como área de baixada, pois, estava abaixo do nível do mar, era geralmente habitado por famílias pobres que construíam barracos de madeira e palafitas para morar. Para essa autora:
A migração para essa área, ainda se constitui em realidade, haja vista que o bairro da Terra Firme, pela sua localização geográfica e por apresentar-se relativamente próximo ao centro da cidade (onde estão presentes os equipamentos sociais, serviços e emprego) se torna uma forte atração da população de baixa renda, o que vem agravar ainda mais a problemática
12 A denominação de Montese para o bairro Terra Firme foi sancionada por lei municipal conforme segue, em 1975, porém a denominação anterior permaneceu até hoje e muitos moradores nem mesmo sabem a razão da substituição de um nome que foi dado pelos primeiros moradores do bairro: A CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM estatui e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica denominado de Montese, como homenagem à Força Expedicionária Brasileira, o atual Bairro da Terra Firme. Parágrafo Único. Deverá o Executivo Municipal dar às Travessas do mesmo bairro os nomes das diferentes batalhas e heróis brasileiros da segunda Guerra Mundial. Art. 2º A cada denominação será juntada a sigla "FEB" a expressar o preito de gratidão eterna do belenense aos pracinhas brasileiros. Art. 3º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE BELÉM, 16 de dezembro de 1975. Ajax Carvalho D`Oliveira Prefeito Municipal de Belém (RAMOS, 2013).
habitacional, intensificando a segregação sócio espacial urbana, a pobreza e a favelização do bairro (PINA, 2013, p. 43).
O bairro do Guamá possui origem bem anterior ao da Terra Firme, sua ocupação, segundo Nobre (2013) se deu primeiro no início dos anos 1900 com o boom da borracha que expandiu a área do bairro de São Braz trazendo imigrantes nordestinos para o que viria a ser o bairro do Guamá. Outra frente de ocupação do bairro se deu pelos ribeirinhos do Rio Guamá, que habitavam municípios às margens desse rio e, se deslocaram para a capital paraense, nas ultimas décadas do século XX, buscando melhores condições de vida.
Guamá é vocábulo indígena que significa rio que chove. O bairro é o mais populoso da cidade de Belém e nele estão localizados a Universidade Federal do Pará, a Universidade Federal Rural da Amazônia, a Empresa Brasileira de Agropecuária – EMBRAPA, o Museu Paraense Emílio Goeldi, um dos mais importantes centros de pesquisa do Brasil, condomínios e sedes das Forças Armadas. Terra Firme ganhou esse nome por ser formado por terras firmes e altas próximas a áreas alagadas pelo rio Tucunduba no limite dos bairros de Canudos e Guamá. (EVELIN; STOCKINGER; DUARTE; PANTOJA; MODESTO; SENA, 2013, p. 12). A questão da violência presente na realidade de toda a capital paraense assume contornos absurdos, nos noticiários sobre os bairros do Guamá e da Terra Firme; a mídia local parece considerar apenas os aspectos negativos desses bairros como os altos índices de criminalidade e a precariedade dos serviços prestados pelo poder público, esquecendo-se de divulgar as diversas manifestações de resistência da população residente que se configuram em práticas artísticas, culturais, políticas, religiosas e outras expressões populares, facilmente identificadas no cenário cotidiano de quem vive a realidade da deles.
Não queremos dizer que a violência e outros problemas enfrentados pelos moradores desses bairros não sejam um fator preocupante para a sua população, porém, ressaltamos que a vida vivida neles não se resume a desgraças como fica explicitado pelos veículos de comunicação em massa (a maioria das rádios, Tv’s e jornais), há outras coisas nesses bairros que precisam e podem ser usados como referências de resistência social e cultural da população residente.
No que pese a semelhança com outros bairros da periferia de Belém, principalmente, com relação à precariedade dos serviços públicos e a escassez dos investimentos privados, os Bairros do Guamá e da Terra Firme, são destaques na
cena cultural da cidade, pois, congregam uma rica diversidade de manifestações artísticas e culturais, vivas graças à resistência de seus moradores, tais como: cordões de pássaros, bois bumbais, escolas de samba e agremiações carnavalescas, quadrilhas juninas, grupos de hip hop, grupos de capoeira, escritores, poetas, contadores de história, instituições religiosas (igrejas, terreiros de candomblé e de umbanda, centros espíritas, etc.), filantrópicas, clubes recreativos e casas de show.
O que precisa ser destacado, em relação à violência e outros problemas dos dois bairros é, sem dúvidas o descaso do poder público e sua incompetência para gerir os recursos vultosos gerados pelos impostos pagos pela população, pois esses tributos deveriam ser usados para responder as demandas da sociedade como um todo, mas, ao contrário disso, o que se ver é a perpetuação de problemas antigos que se enraízam no dia a dia e afetam muito mais agressivamente a vida nas periferias.