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Exact Contact Computation

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5. Exact Contact Computation

Os antecedentes históricos direcionam as análises em torno da formação da sociedade amazônica para um contexto de exploração. Sem negar as resistências

de seu povo será essa, no entanto, a tônica dessa narrativa – a da violência e degradação, a da exploração de todas as suas potencialidades, desde a força de trabalho de seus nativos habitantes à multiplicidade de suas riquezas naturais e culturais - que marcará o “desenvolvimento” dessa região. Será sob esse prisma, também, que se elaborará e se concretizará a política pública durante longos períodos.

A realidade da Amazônia, ainda é de grandes desigualdades. Para Fialho (2010) isso se deve, sobretudo:

[...] a precariedade e/ou inexistência de políticas públicas, tanto na área urbana, como na área rural contribuindo dessa forma para um processo de empobrecimento generalizado da população brasileira como um todo e, da população amazônica, em particular (FIALHO NASCIMENTO, 2010, p. 204).

Essa realidade se reflete, também, nas políticas públicas de educação e cultura que, embora apresentem um crescimento considerável na ultima década, particularmente, com relação aos investimentos e recursos financeiros federais, em outras esferas permanecem atrasadas e excludentes. Isso é facilmente compreendido se olharmos para a constituição histórica dessas políticas:

As escolas no interior de Soure, ilha de Marajó, constituíram-se a partir da instituição fazenda – a fazenda de criação -, ocorrida no século XVI, quando o Brasil era colônia de Portugal e sujeita economicamente ao sistema mercantilista. Na foz do rio-mar, onde está situada a grande ilha, o adventício (portugueses, holandeses, ingleses e franceses) explorou, inicialmente, as drogas do sertão. Depois, com a conquista do território pelos portugueses e a fixação dos missionários entre os índios Aruã, a criação extensiva consolidou-se nos anos 30 de 1900, portanto, quatro séculos depois, essa atividade continuou a prevalecer nas terras de Marajó, sob o domínio de uma elite fazendeira que se perpetua pelo privilegio de herança, e a escola a assumir uma função necessária para o fazendeiro: garantir a permanência do vaqueiro em suas terras, sob seu jugo (ARAÚJO, 2008, p. 50).

No caso da Amazônia paraense a evidente valorização da cultura europeia logrou anos de preconceito e abandono à cultura popular. O conhecido período da Belle-Époque é um importante exemplo de o quanto se investiu na cultura de fora, particularmente da França, tida como cultura de elite:

Um dos exemplos marcantes foi a construção do Teatro da Paz. Construído em 1878, com os recursos do boom da borracha amazônica, foi concebido visando a um plano artístico-cultural para a elite da época. Nesta época

exibiam-se peças teatrais, óperas, músicas e danças, importadas da Europa, especialmente da França. Na verdade, o Teatro da Paz era considerado a melhor casa de espetáculos do país, mas a cultura popular era excluída. Foi justamente nesta época que surgiram manifestações culturais que vinham da cultura popular como os cordões de pássaros, que eram encenados nas praças de Belém para o povo que não frequentava o teatro (ALVES, 2008, p. 32-33).

Rizzini (2006) ao falar da educação, no contexto amazônico expõe de forma breve os interesses que estiveram (e estão) em jogo nesse cenário:

[...]A história da educação na Amazônia nos revela as aspirações das elites e de grupos que buscavam a distinção com relação ao pesado estigma da selva e do selvagem, em acompanhar o processo civilizador que o Império brasileiro tanto almejou ver implantado no país. (RIZZINI, 2006, p. 03)

É nesse cenário que a política da cultura, âmbito nacional avança rumo ao alargamento de conquistas almejadas há décadas pelos grupos que conformam o movimento cultural brasileiro e, em nível local, mesmo que timidamente, não tem sido diferente, pois os reflexos das medidas adotadas pelo Estado brasileiro nos últimos períodos tem alavancado o setor cultural paraense e propiciado investimentos nos diversos ramos da política da cultura. Em Belém, a Lei Walmir Bispo, aprovada pela Câmara Municipal, em 2012 – cria o Plano Municipal de Cultura e estabelece metas para os próximos 20 anos que deverão ser cumpridas pela gestão municipal.

Se na política cultural amazônica, começa-se a experimentar avanços positivos, na política educacional, parece estarmos indo na contramão das conquistas de nível nacional. Enquanto o governo federal se propõe a destinar 75% dos recursos dos royalties do petróleo e 50% do fundo social gerado pelo excedente de óleo do Pré-sal para a educação, o que significará vultoso salto nos investimentos que já vem crescendo desde a última década para esta área – vide os 5,5 milhões de brasileiros beneficiados com o PRONATEC; os 1,27 milhão de estudantes que acessaram o nível superior por meio do PROUNI; as 32,5% e 45,4% das vagas destinadas aos estudantes de escolas públicas, pobres, afrodescendentes e indígenas, nas IFES; a ascensão da classe média que passa a corresponder a 53% da população dentre outros (BRASIL, Presidente, 2014, p. 10), o Pará experimenta a pior crise de violência já registrada na história, em suas instituições escolares. Somente entre os anos de 1995 e 2000 é que as sedes de

todos os municípios puderam contar com o ensino fundamental de 5ª a 8ª séries; ainda somos, na Amazônia Legal, o segundo Estado com o pior índice de população fora da linha da pobreza; e também possuímos um dos piores IDHs do Brasil. (ARAÚJO, 2013)

Essa realidade da educação, na Amazônia, fica muito mais explicita no ambiente cotidiano da escola. A erupção das crises, no contexto educacional, quase sempre encontram respostas que se fundamentam na gestão e execução dessa política na ponta e, isso porque é no dia a dia das relações sociais, seja na escola, nas secretarias e/ou demais órgãos de gestão da educação, seja nas ruas ou nos lares que se revelam as essências dos problemas.

É nesse ambiente que se dão as trocas simbólicas, que se manifestam as características de cada personalidade dos sujeitos partícipes da educação, que se conhecem as vontades, desejos, medos, resistências, dificuldades de todos e de cada um desses sujeitos; seus valores, crenças enfim, o comportamento social, a existência social que, corrobora para o sucesso ou o fracasso não só dessas políticas, mas, da vida em sociedade.