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Surface elevation at point of maximum crest

4.2 DUD - Surface measurements

4.2.2 Surface elevation at point of maximum crest

Dispomos, hoje, de uma série de teorias sobre a natureza da rede e o tipo de conexões que possibilitam. É certo que essas teorias tendem a privilegiar os chamados prosumers, usuários ao mesmo tempo produtores e consumidores, ou o surgimento de uma série de atos em rede, tendendo a memorizar o estudo sobre a natureza técnica das redes, os seus protocolos, servidores, bases de dados e algoritmos – os quais, em certa medida, escapam ou controlam sutilmente os denominados utilizadores251. Mas,

para o nosso propósito, cabe-nos aqui focalizar as formas de intervenção em rede, ou seja, a maneira como ação colaborativa encontra uma maximização das suas potencialidades252.

Teorias sobre o surgimento de uma nova tecnologia, capaz de superar as barreiras de espaço e de tempo ao engendrar pessoas de diversas partes do planeta em uma grande rede surgiram antes mesmo da popularização da internet que marcou a década de 1990. Quando a rede mundial de computadores não passava da Arpanet, criada para fins militares durante a Guerra Fria estendida entre os anos 1970 e 1980, o filósofo canadense Marshall McLuhan já alardeava a emergência de uma Aldeia Global conectada.

Ao ampliar a ideia de globalização norte-americana retratada inicialmente na obra de Wyndham Lewis (1949)253, autor inglês que destacava as linhas telefónicas e as

rotas aéreas dos Estados Unidos como sinais do surgimento de uma “União Americana” em torno de seus próprios Estados e cidadãos, McLuhan (2007) escreveu sobre o aparecimento de uma rede de dimensões planetárias, que caracterizaria a

251

Cf. Seyfert, R. (Ed.). (2015). Algorithmic Cultures: Essays on Meaning, Performance and New

Technologies. New York: Routledge.

252 Tanto mais, que numa certa visão o ativismo em rede passa também pela tática de média, hackering,

software livre, etc., como veremos no próximo tópico, dedicado aos principais marcos históricos do fenómeno.

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última fase das extensões humanas, na medida em que desenvolveria a simulação tecnológica da consciência.

Se trouxermos tal ideia para a realidade contemporânea, sob o signo da inteligência coletiva254, identificamos uma legião de exemplos, como as bibliotecas

digitais à la Wikipedia ou mesmo o próprio Google, entre inúmeros sítios populares de buscas. Nestes casos, enquanto mal completamos a solicitação de procura já nos deparamos com páginas a perder de vista sobre informações relacionadas ao tema, em línguas, formatos e nichos distintos – filtragem por Notícias, Web, Imagens, Académico etc. Se ampliarmos, então, a visão das novas tecnologias comunicativas não apenas como mediadoras, mas como colaboradores dessa inteligência coletiva conectada255,

chegaremos ao Big Data e às infinitas possibilidades de combinações desenvolvidas pelas máquinas a partir dos rastos informativos deixados pelos humanos e por outras máquinas.

Entretanto, a escolha do filósofo Marshall McLuhan como ponto de partida para esta revisão de literatura deve-se ao seu pioneirismo, junto a outros estudiosos da Escola de Toronto, na interpretação da relação dos media sob o ponto de vista da transformação social na era das redes. Para os autores desta escola, os meios de comunicação agem diretamente na esfera dos sentidos, entendimento que originou uma outra corrente teórica alternativa à Teoria Crítica da Escola de Frankfurt no tocante às análises de conteúdo mediático – antes centrada na esfera da audiência, dos resultados das campanhas de marketing e das campanhas políticas.

Amplamente reconhecida após o surgimento das redes telemáticas, a teoria da Aldeia Global foi revista, questionada e analisada por uma série de autores contemporâneos estudados nesta pesquisa. Nesse sentido, as obras de teóricos e

254

Pierre Lévy, um dos pioneirtos da cibercultura europeia, considerou o surgimento da inteligência coletiva como a característica essencial das redes. Cf. Lévy, P. (2003). A inteligência coletiva: por uma

antropologia do ciberespaço. 4.ed. São Paulo: Loyola.

255 Cláudio Cardoso de Paiva também contribui para o inventário do que integra esta inteligência coletiva

conectada na paisagem cotidiana, perpassando o conjunto das atividades económicas, socioculturais e ético-políticas: “O correio eletrónico, o web-jornalismo, o sistema bancário-informatizado, o comércio on

line, a medicina computadorizada, o voto digital, as bibliotecas virtuais, teleconferências e ensinos mediados pela tecnologia, para o pior e para o melhor, quase todos os espaços e tempos do cotidiano são varridos pelas redes sociais” (p. 20). Cf. Paiva, C. (2013). Hermes no Ciberespaço: uma interpretação da comunicação e cultura na era digital. João Pessoa: Editora da UFPB.

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pesquisadores como Manuel Castells (2000), André Lemos (2002, 2004, 2013), Pierre Lévy (2003, 2007), Derrick de Kerckhove (2009), Massimo Di Felice (2008, 2009, 2012, 2013a, 2013b, 2017a), Raquel Recuero (2009) e Cláudio Paiva (2013, 2015) fundamentam esta parte do estudo acerca das redes sociais digitais, ambiente onde nascem e se disseminam ações coletivas conhecidas como novas formas de ativismo, denominadas por alguns autores como ciber-ativismo, ativismo online, advocacia eletrónica ou net-ativismo – este último adotado como conceito ao longo da nossa pesquisa, por razões explicadas adiante.

O surgimento dessas redes sociais digitais, sobretudo em seu modo mais atual – a exemplo do Facebook, Twitter e YouTube, capazes de permitir a construção e veiculação em alta velocidade de áudios, vídeos e imagens em plataformas colaborativas –, foi interpretado pelos autores citados como um marco revolucionário na natureza da produção e do repasse das informações. Pierre Lévy (2007) foi um dos estudiosos pioneiros a afirmar que a tendência à interconexão provocava mudanças no processo comunicacional, por meio das quais passamos das noções de canal e de rede para uma sensação de espaço envolvente.

Para o filósofo francês, os veículos de informação não estariam mais num espaço específico, e sim, por meio de uma espécie de reviravolta topológica, todo o espaço se tornaria um potencial canal interativo. “A cibercultura aponta para uma civilização da telepresença generalizada. Para além de uma física da comunicação, a interconexão constitui a uma humanidade em um contínuo sem fronteiras” (Lévy, 2007, p.127). Ou, como define Derrick de Kerkchove (2009), a partir das redes digitais teríamos entrado num processo de reconfiguração tecnológica responsável por forjar uma espécie de pele digital256.

No contexto do avanço acelerado das tecnologias digitais, que atingiu um ponto crucial de expansão com o advento da banda larga, possibilitando o compartilhamento de informações de forma instantânea e em alcance global, não emergiu somente um

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O sociólogo belga propõe uma renovação do pensamento mcluhiano, apontando a realidade virtual como a verdadeira extensão dos nossos corpos, imersos nas redes: a pele cultural dos tempos recentes. Cf. Kerckhove, D. (2009). A pele da cultura: investigando a nova realidade electrónica. São Paulo: Annablume.