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Neste projeto predomina o uso da laje nervurada (Figura 38, em vermelho, e Figura 39), moldada no local com concreto usinado. O tipo de laje pode ser identificado no projeto das fôrmas definitivas, parte integrante do projeto estrutural que foi fornecido ao arquiteto. A laje maciça foi utilizada apenas na circulação comum dos pavimentos e nas escadas (Figura 38, em azul).

Nos desenhos produzidos no escritório de arquitetura não aparece nenhuma especificação relativa ao tipo de laje utilizado, embora, em relação aos projetos anteriores, se perceba o aumento dos vãos entre pilares (vão de até 8 m), com consequente diminuição da quantidade de pilares e vigas indicados em planta baixa, além da espessura da laje (com 29 cm depois de acabada), características comuns à laje do tipo nervurada.

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: um olhar a partir da «prancheta»

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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB

Figura 38: Configuração das lajes do Bloco A no Projeto nº 207 (09/2007)

Fonte: ARQ (arquivo digital do escritório de arquitetura), modificado pela autora (2011).

Figura 39: Tipos de laje adotados no Projeto nº 207 (09/2007)

a. Laje nervurada. b. Laje nervurada e Laje Maciça.

Fonte: arquivo pessoal, 2011.

Assim como no projeto nº 136 (09/1999), foram produzidas para este projeto as Plantas Auxiliares de Estrutura Bruta. Nestas plantas o arquiteto sugere, após o pré- dimensionamento do cálculo estrutural, a altura do pé-esquerdo bruto (2,88 m), as dimensões brutas das vigas de bordo (15x64 cm) e dos pilares (predominam pilares com 25x150 cm, com exceção dos pilares da caixa de circulação vertical). Comparando estas dimensões com o desenho das fôrmas definitivas, percebe-se que houve pequenas divergências em todos os elementos estruturais. Após o cálculo estrutural definitivo obteve- se um pé-esquerdo de 3,06 m, vigas de bordo com 13x70 cm e predominância de pilares com 25x145 cm (Bloco A) e com 25x110 cm e 25x135 cm (Bloco B).

laje nervurada laje maciça

8m 8m 8m 8m

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B. Alvenaria e sua interface com as instalações

Embora no projeto arquitetônico sejam especificados dois tipos de alvenaria para o pavimento tipo, a alvenaria com tijolo cerâmico comum (furos na horizontal) e paredes de gesso (Figura 40), constatou-se que a construtora optou, nos dois blocos de apartamentos, pela adoção do sistema de alvenaria racionalizada com blocos cerâmicos (Figura 41).

Figura 40: Indicação dos tipos de alvenaria na planta baixa do Bloco A - Projeto nº 207 (09/2007)

*desenho sem escala.

**cotas e outras informações presentes no desenho original foram suprimidas para facilitar a visualização.

*** o trecho do desenho original está representado com linhas pretas. As informações em vermelho foram adicionadas neste trabalho.

Fonte: ARQ (arquivo digital do escritório de arquitetura), modificado pela autora (2011).

Figura 41: Primeira fiada de alvenaria com blocos cerâmicos racionalizados.

Fonte: Arquivo pessoal (2011).

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Os blocos apresentam dimensões variadas e se adequam aos diversos tipos de disposição de parede, sem a necessidade de quebra. Já nos equipamentos de lazer, utilizou- se o tijolo cerâmico comum (furos na horizontal). Segundo o(a) engenheiro(a) assistente da obra, EAA, este foi o primeiro projeto da construtora a adotar o sistema de alvenaria

racionalizada.

A adoção do sistema de alvenaria racionalizada exigiu a elaboração de um projeto complementar específico, o Projeto de Vedação Vertical, que foi terceirizado pela construtora. Esse projeto tem como objetivo principal promover a organização da execução pela prévia tomada de decisões. Para a sua elaboração é necessária a compatibilização com os demais projetos da edificação, ou seja, arquitetônico, estrutural e de instalações.

No projeto de alvenaria desenvolvido para o Projeto nº 207 (09/2007), estavam contidas as seguintes informações: numeração das paredes; especificação da família de blocos componentes da alvenaria (Figura 42); planta de primeira e segunda fiadas de todos os pavimentos; elevação de cada parede; quantitativo de blocos utilizados; interface da alvenaria com vergas e contravergas; detalhamento da interface alvenaria/pilares e alvenaria/alvenaria, através de telas metálicas; e detalhamento das ligações alvenaria/laje e alvenaria/vigas, através de uma argamassa de fechamento.

Figura 42: Família de blocos indicada no projeto de alvenaria do Projeto nº207 (09/2007).

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Além disso, as elevações de cada parede contemplavam as dimensões de aberturas; o posicionamento de vergas e contravergas (Figura 43, em cinza); a indicação de localização das telas metálicas de amarração (Figura 43, em verde); o posicionamento da tubulação (Figura 40, em azul), de eletrodutos (figura 43, em vermelho) e caixas de luz, telefone, antena, internet, etc. Resumindo, o projeto de alvenaria possuía todas as informações necessárias à execução das paredes com a incorporação de componentes como as instalações. Desta forma, não se fez necessária a consulta simultânea de vários documentos, o que poderia induzir a erros na execução.

Figura 43: Exemplo de elevação da alvenaria racionalizada do Projeto nº 207 (09/2007).

Fonte: Arquivo digital de AAA. (2011).

Uma vez que o projeto de vedações verticais substituiu o projeto de arquitetura na função de auxiliar a execução das alvenarias, este projeto não apresentou as plantas auxiliares de marcação de alvenaria, nem gabaritos padrão de espessura e altura de paredes.

No que diz respeito à interface da alvenaria com as instalações (elétricas e hidro sanitárias), o percurso vertical entre pavimentos é feito através de shafts (Figura 44), identificados em todas as plantas baixas do projeto. Na configuração de planta baixa, observa-se que tanto no Bloco A, quanto no Bloco B, as áreas molhadas foram agrupadas e apenas dois shafts, em cada apartamento, recebem as instalações de banheiros e cozinha

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(Figura 45). Segundo o arquiteto, alocalização das áreas molhadas visando a minimização da quantidade de shafts representa uma economia para a execução. Além dos shafts nos apartamentos, o projeto prevê outros quatro, agrupados na circulação comum do pavimento tipo, que abrigam tanto as descidas hidráulicas, como as demais instalações (elétricas, incêndio etc.).

Figura 44: Shafts na obra do Projeto nº 207 (09/2007).

Fonte: arquivo pessoal, (2011).

Figura 45: Localização dos shafts no pavimento tipo do Bloco A. Projeto nº 207 (09/2007)

Fonte: ARQ (arquivo digital do escritório de arquitetura), modificado pela autora (2011).

A distribuição das instalações no pavimento é feita horizontalmente, parte entre o forro e a laje (Figura 46) e parte sob o piso. Já a alimentação dos pontos é feita verticalmente, através dos blocos cerâmicos, cujos furos na vertical possibilitam a passagem da tubulação. Nas visitas à obra constatou-se que o encaminhamento dos dutos de

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instalações pôde ser executado concomitantemente à elevação da alvenaria (figura 44), reduzindo ao máximo a necessidade de cortes.

Figura 46: Distribuição horizontal das instalações na obra do Projeto nº 207 (09/2007).

Fonte: arquivo pessoal, (2011).

Figura 47: Instalação dos dutos de eletricidade sem corte na alvenaria.

Fonte: arquivo pessoal, (2011).

Segundo o(a) engenheiro(a) responsável técnico(a) pela obra (ERA), a ocorrência de

quebras na alvenaria não pode ser 100% eliminada. A ERA admite que muitas vezes a

execução da alvenaria não pode esperar as correções/alterações dos projetos, que ocorreram por dois motivos principais: 1) Dificuldades na compatibilização entre o projeto de alvenaria e os demais; 2)Mudanças durante a execução. O primeiro motivo será mais bem explicitado no item que trata da coordenação entre projetos. No que diz respeito às mudanças durante a execução, identificou-se que uma das principais mudanças que afetou a quebra da alvenaria e consequente geração de RCC foi solicitada pela construtora.

Os pontos de TV por assinatura não foram incluídos no projeto de instalações elétricas, na ocasião, por exigência da própria construtora, de acordo com os depoimentos da ERA e do(a) engenheiro(a) responsável pelos projetos de instalações (EIAB).

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voltou atrás na decisão. Na ocasião de uma das visitas à obra, verificou-se que todos os apartamentos (leia-se 250 unidades) estavam sendo preparados para a instalação destes pontos através de pequenos rasgos na alvenaria. Mesmo assim, percebeu-se que a quebra, provavelmente, foi menor do que se a obra utilizasse tijolo convencional, já que os blocos racionalizados, com furos na vertical, possibilitam a passagem das instalações com facilidade. Na Figura 48, é possível perceber, que nos pavimentos tipo, onde é utilizado o bloco racionalizado, a quebra é feita somente nas juntas horizontais entre os blocos (Figura 48a, 48b). Já no térreo, onde foi utilizado o tijolo comum, faz-se necessário um rasgo de maior extensão (figura 48c)

Figura 48: Quebras na alvenaria ocasionadas por mudanças no projeto de instalações.

Fonte: arquivo pessoal (2011).

C. Acabamentos

Para o piso dos apartamentos e revestimento de paredes de áreas molhadas optou- se pela utilização de lajotas cerâmicas (Figuras 49a, 49b), as paredes externas estavam sendo revestidas com pastilha cerâmica (Figura 49b). Já nas paredes internas a pintura seria executada sobre o reboco de gesso. De acordo EAA, a opção pelo gesso no acabamento das

paredes levou em consideração a rapidez de execução e o fluxo de argamassa na obra. “e o

revestimento todo fosse misturado em betoneira, o fluxo de argamassa na obra seria comprometido. No caso do revestimento com gesso, o próprio gesseiro faz, no local da apli aç o, a istu a pó de gesso diluído e gua (informação verbal46), sem ocupar a

betoneira, nem perder tanto tempo com o transporte da argamassa até o pavimento. Em contrapartida, verificou-se que a etapa de aplicação do gesso, tanto na parede, como no

46 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com a EA

A, em João Pessoa, em maio de 2011.

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forro, foi considerada por pela ERA e pela EAA como uma das maiores geradoras de RCC. Um

dos motivos é a dificuldade de manuseio do material, que exige grande habilidade do operário, já que uma vez endurecido, o gesso não é mais aproveitado na obra.

Figura 49: Revestimento interno/revestimento externo na obra do Projeto nº 207 (09/2007).

Fonte: Arquivo pessoal, 2011.

A paginação de piso foi desenvolvida como um projeto complementar, pela equipe da própria construtora, com base no projeto de arquitetura. O arquiteto desenvolveu o mapeamento do revestimento das fachadas do edifício, que já foi apresentado neste capítulo. Nestes desenhos é possível perceber, além dos itens já apresentados, a identificação das Juntas de Movimentação Horizontal das fachadas. Além do mapeamento, a construtora contratou um projeto complementar de Revestimento de Fachadas47, que tem

como principal foco a produção. Segundo a EAA, o projeto orienta a definição e seleção dos

materiais e/ou sistemas construtivos da fachada, para que esta apresente o desempenho esperado. O projeto tem foco nos pontos potenciais de patologias, além de dimensionamento e posicionamento das juntas de movimentação, traços da argamassa, forma e assentamento do revestimento, dentre outras questões. Neste sentido, o desenvolvimento deste tipo de projeto pode contribuir para diminuição de custos, desperdícios de materiais, retrabalhos, resíduos e patologias.

No entanto, mesmo com o projeto de revestimento, observou-se que a geração de RCC (classe A), resultante da execução do emboço da fachada, é preocupante, e exerce impacto não apenas na geração de RCC na obra, mas também na qualidade do ar no entorno. Mesmo com a colocação de telas de proteção ao redor das fachadas, a ação do vento, especialmente nos andares mais altos, faz com que o resíduo de argamassa se

47 Este tipo de projeto tem sido frequentemente requisitado em edifícios altos, nos quais os efeitos da

deformação da estrutura são mais intensos.

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espalhe pelo entorno, incomodando a vizinhança. Na ocasião de uma das visitas ao canteiro, verificou-se a presença de moradores das edificações adjacentes à obra que reclamavam da sujeira em suas residências, da ocorrência de arranhões nos veículos estacionados nas proximidades, além de problemas de alergia respiratória.

D. Utilização de Sistemas Pré-Fabricados

Neste projeto, não foi identificada, nem através dos desenhos, nem através do discurso do arquiteto, a utilização de sistemas construtivos pré-fabricados. No entanto, verificou-se que alguns elementos, a exemplo dos varões de ferro da estrutura armada, e dos montantes que compõem os contramarcos das esquadrias de alumínio, que antes eram cortados e/ou montados na obra, atualmente já vêm cortados e prontos para aplicação. O mesmo acontece com as forras de madeira das portas, que já chegam montadas.

Sendo assim, o resíduo de metal na obra praticamente não é gerado através de corte, a não ser dos restos de arame, utilizados para amarração dos varões de ferro. Segundo a EAA, não é frequente, mas no transporte pode ocorrer deformação do varão ou dos

contramarcos. Os elementos deformados são descartados. Um caso mais grave foi detectado em uma das visitas à obra. Por falta de atenção, foram instalados contramarcos deformados em dois vãos de esquadrias do Bloco B. A remoção destes, ocasionou quebra da alvenaria em pequena quantidade (Figura 50).

Figura 50: Quebra na alvenaria para substituição de contramarcos.

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E. Padronização dos componentes e dimensões

Apesar da adoção do sistema de referência X e Y, não há certezas de que o projeto tenha incorporado outros instrumentos de coordenação modular, a exemplo do módulo decimal. O(a) arquiteto(a) responsável pelo projeto das alvenarias (AAAà afi aà ueà se

todos os elementos do projeto fossem modulados em 10x10 cm seria o ideal, uma vez que a padronização dos blocos sempre é múltipla de dez menos um (9 cm, 19 cm, 29 cm, 39 cm).

E t eta to, os depa a os o ele e tos ue ados , cm, 13 cm etc. à e sage à

pessoal48).

No que diz respeito às esquadrias de cada pavimento, são identificadas em planta baixa e quantificadas em um quadro específico. Observando as dimensões especificadas no quadro de esquadrias apresentado nas pranchas do projeto, percebe-se a padronização dos vãos no pavimento tipo. Foram especificadas apenas três dimensões diferentes de esquadrias de alumínio nos apartamentos, tanto no Bloco A, quanto no Bloco B. Todos os vãos do pavimento tipo são submúltiplos de 6 m. No pavimento térreo, nem todos os vãos são submúltiplos de 6 m.

Figura 51: Esquadrias apartamento tipo Bloco A. Projeto nº 207 (09/2007).

Fonte: ARQ (arquivo digital do escritório de arquitetura), modificado pela autora (2011).

48 Mensagem pessoal através de correio eletrônico enviado por AA

A, em outubro de 2011. E 2 1 .0 0 x 1 .2 0 E 2 1 .0 0 x 1 .2 0 E1 2 .0 0 x 1 .2 0 E 3 .5 0 X 0 .5 0 E 3 .5 0 X 0 .5 0

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No que diz respeito à estrutura, no projeto das fôrmas definitivas percebeu-se a padronização de todas as vigas de bordo e pouca variação na dimensão dos pilares. No entanto, o(a) engenheiro(a) responsável pelo projeto estrutural da obra (EEA) reconhece que

apesar do foco na racionalização da estrutura na ocasião de seu dimensionamento, não há preocupação com a minimização da geração de RCC. Não é comum considerar, por exemplo, a dimensão das placas de madeirite para dimensionar as alturas de vigas, ou a dimensão dos varões de ferro, ao determinar o pé-esquerdo da edificação.

Eu não vejo muito isso na hora que estou projetando. Normalmente eu não penso, e acredito que a maioria das construtoras não pensa. O que poderia se pensar a esse respeito seria dimensionar peças múltiplas do madeirite. Mas muitas vezes você não consegue (informação verbal49).

Neste projeto, por exemplo, o pé-esquerdo é de 3.06 m. A EEA reconhece que o

aproveitamento do ferro seria maior caso tivessem adotado o pé esquerdo com 3m, porque

a barra de ferro tem 12 metros, então você cortaria em quatro pedaços para vencer aquele lance de pilar à informação verbal50).