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No caso dos acentos e da cedilha, definiu-se que seriam desenhadas as peças com cada um destes caracteres combinado com cada letra possível em português. No caso de ser necessário algum carácter que não tenha sido con- templado inicialmente, este deve ser desenhado pela designer para o devido propósito.
Simultaneamente ao estudo de caracteres que deveriam ser desenhados, definiu-se também o uso de abreviaturas na nova placa toponímica. Ideal- mente e sempre que for possível, estas não deverão ser usadas, mas se uma placa toponímica ocupar demasiado espaço para determinado suporte (em- bora dependa de cada situação, mais de 15 caracteres numa linha deverá ser evitado), então poderão ser usadas algumas abreviaturas, desde que estas não dificultem a compreensão da informação escrita.
As abreviaturas que poderão ser usadas nestes casos são então as mais co- nhecidas pela população portuguesa (Guia Urbano de Lisboa n.d.):
˼ Sr./Sr.ª para Senhor e Senhora respectivamente; ˼ Sto./Sta. para Santo e Santa respectivamente; ˼ S. para São;
˼ Nº/Nª para Nosso e Nossa respectivamente; ˼ Dr./Dr.ª para Doutor e Doutora respectivamente; ˼ D. para Dom e Dona;
˼ Prof. Para Professor e Professora; ˼ Eng. para Engenheiro e Engenheira; ˼ Av. para Avenida;
˼ Lg. para Largo; ˼ Pç. para Praça; ˼ Alam. para Alameda; ˼ R. para Rua;
˼ Tv. para Travessa.
Correndo, no entanto, algum risco na parte do reconhecimento de uma ou outra palavra por parte de observadores estrangeiros. No entanto, por uma palavra que não é reconhecida (tendo em conta que essa palavra consta da lista apresentada anteriormente), as restantes são e toda a informação fica patente na placa, sendo este assim, um risco calculado.
Tendo em conta esta nova característica técnica, continuou-se a explorar novas formas livremente e experimentando com materiais e técnicas que re- metessem para a pintura manual sobre azulejo e por consequência, para uma influência mais caligráfica. Assim, através do uso de um pincel sobre papel e posteriormente com um marcador com a ponta biselada (de forma a afinar a forma das letras e os seus contornos) as letras foram desenhadas com poucos
traços e trabalhadas a partir dos seus esqueletos antes de serem trabalhadas pelos seus contornos.
Ao trabalhar sobre o esqueleto da letra primeiramente, é possível experi- mentar rapidamente qual a forma de cada letra que a torna mais distinta das restantes, sem no entanto perder a sua coerência e a sua relação como parte de uma família de caracteres.
Esta fase de estudos baseou-se fortemente nos casos problemáticos ob- servados durante a análise do objeto de estudo, assim como no tipo de letra
Wayfinding Sans do designer Ralf Herrmann (n.d.a, n.d.b) mencionado ante-
riormente (capítulo 4.3.).
Os primeiros estudos manuais foram desenhados a uma escala idêntica à das letras apresentadas nas placas toponímicas analisadas (cerca de 5 cm de altura). Na etapa seguinte, no entanto, estes estudos passaram para uma escala maior – cada letra era desenhada nos formatos A3 e A4 – para que se pudessem estudar pormenores; nesta fase as letras eram desenhadas a lápis pelos seus contornos.
Inicialmente os detalhes desenhados nas letras possuíam uma dimensão relativa muito pequena. Ao fazer um cópia para uma escala mais aproximada das dimensões que as letras teriam quando fossem colocadas na parede, as primeiras tentativas desta etapa apresentavam pormenores que não seriam vistos à distância.
Assim, trabalhou-se o desenho no sentido de tornar os terminais das le- tras mais robustos e mais assumidos, de maneira a que o carácter das letras sobressaísse nas placas toponímicas, mesmo quando lidas à distância. As afi- nações das formas das letras e dos seus terminais foram feitas no sentido de enfatizar o carácter quadrilátero do azulejo, sem nunca comprometer os es- queletos dos caracteres e respectivo reconhecimento.
Este processo não foi totalmente linear e, à medida que estas letras eram desenhadas em grandes escalas, o seu desenho era copiado para o digital. Assim, usou-se o FontLab Studio para trabalhar o tipo de letra
digitalmente e posteriormente, quando estivesse completo, gravá-lo como um tipo de letra.
O desenho de cada letra foi afinado em software e impresso a grande e pequena escala, dando uma noção dos pormenores da letra como um todo.
A partir do desenho de algumas letras no Font
Lab Studio, tornou-se mais fácil desenhar outras (figura 140).
Após a afinação do desenho das letras, estas apresentam desenhos estruturais que enfatizam as diferenças entre as suas formas. Para além disso, a família inteira possui termi- nais robustos, ligeiramente rectangulares, que evoluíram do desenho de um terminal em hooked stroke.
Fig. 138 Escala A3 - pormenores muito pequenos (Félix 2013) Fig. 139 Escala A3 - pormenores mais assumidos (Félix 2013)
Fig. 140 Construção de letras a partir de outras (Félix 2013)
Apesar de existir uma clara preferência da parte dos designers para o uso de tipos de letra sans serif em projetos de sinalética – como foi explicado no capítulo 4.3. – esta não nos pareceu a melhor opção para este projeto. O ca- rácter neutro de uma typeface sans serif não é adequado para um sistema to- ponímico que pretende refletir a identidade de zonas urbanas, com alguma antiguidade e com uma tendência mais tradicional, pois ficaria descontex- tualizado. O intuito do tipo de letra desenvolvido é transportar o carácter vernacular das placas toponímicas em azulejo, para a contemporaneidade, sem perder a ligação com a tradição. Isto pode ser conseguido através da for- ma das letras, nomeadamente da forma dos seus terminais. No entanto, se o projeto fosse enquadrado num contexto ligeiramente diferente; sendo por exemplo, implementado numa zona urbana nova com elementos modernos e sem qualquer relação a uma vertente mais tradicional, a forma das letras e respectivos terminais seria desenvolvida de outra forma.
Para além disso, a maioria dos exemplos observados na análise apresen- tam letras com serifs. Faz assim sentido que haja uma continuidade no estilo dos caracteres, das placas toponímicas atuais para estas novas placas, pois estas poderão conviver em zonas geograficamente adjacentes.
Poderia ser argumentado que detalhes como se-
rifs e terminais não são notados quando as letras são
lidas a grandes distâncias ou que estes pormenores podem chocar com os limites das placas de sinali- zação (como explica o capítulo 4.3.). No entanto, no tipo de letra em questão, este pormenores morfoló- gicos possuem dimensões grandes relativamente ao corpo das letras e são suficientemente robustas para serem vistas à distância. Para além disso, em vez de chocar com os limites da placa toponímica, estes