Em relação ao uso de maiúsculas e/ou minúsculas nas placas toponímicas, observaram-se tanto soluções bem conseguidas como soluções que apresen- tavam obstáculos à fácil leitura destas.
Alguns exemplos analisados utilizam minús- culas e maiúsculas na mesma placa sem lógica aparente ou numa placa em maiúsculas, utiliza-se uma letra minúscula para casos específicos como títulos pessoais (figura 122). Os letterings em ambas as situações apresentam-se de forma incoerente e, em alternativa propõe-se o uso de apenas uma case em casos como este.
Outra solução para o uso de ambas as cases numa placa toponímica é usar cada uma com um peso diferente numa hierarquia de informação. Esta foi observada em alguns casos: uso de minús- culas para a tipologia de arruamento e conectores, uso de maiúsculas para o topónimo. Pelo contrário, inverter o uso das cases – maiúsculas para a tipolo- gia de arruamento e conectores e minúsculas para o topónimo – pode dar en- fâse à informação menos importante numa placa toponímica. Existem ainda outras formas mais eficazes de destacar informação; como a manipulação do tamanho das letras.
tamanho
Como explicitámos anteriormente, a manipulação do tamanho das letras pode ajudar a destacar determinada informação. Assim, observámos soluções bem conseguidas nas quais se usava um tamanho mais pequeno para a tipo- logia de arruamento, conectores, datas e explicações sobre o topónimo e um tamanho maior para o próprio topónimo.
Inverter os tamanhos das informações acaba por ter o efeito contrário, pois destacamos a informação menos importante. E manter sempre o mesmo tamanho de letra para informações com importâncias diferentes pode tornar a leitura da placa toponímica confusa, pois o topó- nimo pode não estar suficientemente destacado da restante informação.
Fig. 123 Uso das duas cases para marcar uma hierarquia [Alenquer 6] (Félix 2013)
Fig. 124 Marcação de hierarquia através da manipulação do tamanho [Torres Vedras 1] (Félix 2013)
espessuras
Através desta análise detalhada foi possível compreender que a espessura adequada no lettering da placa toponímica em azulejo é essencial para que esta seja lida facilmente pelos transeuntes a distâncias maiores.
Foram encontrados no entanto, diversos exemplos com problemas ligados à espessura das letras.
Entre eles, exemplos cujas letras possuem espessuras muito finas, ou por- que têm um peso light, ou porque possuem um alto contraste de espessuras. Estas espessuras finas, à distância têm tendência para desaparecer à vista do leitor, tornando o reconhecimento das letras mais difícil. O melhor é apostar em espessuras ligeiramente mais robustas –regular, semi-bold e bold – sem no entanto, escolher pesos que apresentem letras com counters muito reduzidos, por serem muito espessos (bold/black).
Constataram-se também inconsistências nas espessuras das letras: dife- renças entre larguras e contraste de espessuras de letras numa placa. Esta situação poderá ser derivada da técnica de decoração utilizada (pintura manual).
Para estas situações propomos então um maior cuidado na aplicação da técnica de decoração manual ou uso de técnicas com resultados mais perfei- tos (serigrafia), por exemplo.
Fig. 126 Imperfeições que resultam da pintura manual [Azambuja 4] (Félix 2013)
Fig. 127 Uso de espessuras não convencionais [Azambuja 9] (Félix 2013) Fig. 128 Manipulação das espessuras para a marcação errada da hierarquia [Sintra 8] (Félix 2013) Fig. 125 Uso de espessuras finas [Vila Franca de Xira 12] (Félix 2013)
Embora um trabalho manual com a decoração de uma placa toponímica não tenha que ficar perfeito – aliás as imperfeições de uma placa destas fazem parte do seu carácter vernacular – por vezes essas inconsistências são em de- masia e prejudicam o desenho das letras. Estas podem ser evitadas com um maior cuidado na sua execução.
Nalguns casos observou-se ainda que as espessuras características de al- gumas letras não estavam de acordo com o seu desenho tradicional: a largu- ra dos strokes não estava distribuída na sua forma normal, estando por vezes colocada de forma inversa (figura 127). Para os estilos gráficos utilizados, esta alteração morfológica não faz sentido, pois estes são, na sua grande maioria, baseados em tipos didones e transicionais e já possuem alguma antiguidade. Assim, é preferível manter o desenho e espessuras tradicionais neste tipo de
lettering.
Tal como o tamanho, também a manipulação das espessuras poderá re- sultar em hierarquia de informação. As soluções encontradas demonstram o uso do topónimo em bold e restante texto em regular. Todavia, foram encon- trados casos que resultam no efeito contrário: destacam a informação que, a nosso ver, é menos relevante; apresentando assim a tipologia de arruamento a
bold e o restante texto a regular (figura 128).
largura
A partir dos casos analisados, foi possível perceber de que forma é que a largura das letras está relacionada com o tamanho da placa toponímica que as suporta.
Foram analisados casos que apresentavam obstáculos à fácil leitura da placa toponímica. Casos em que as letras são comprimidas ao ponto de se tornarem demasiado similares entre si e difíceis de reconhecer ou casos em que, nem todas as palavras são comprimidas ou expandidas, apenas as mais extensas e as mais curtas respectivamente.
De forma a evitar estas situações, fará mais sentido o uso de placas maio- res para topónimos mais extensos ou o uso de um carácter por azulejo, como já foi mencionado anteriormente.
Foram também observados exemplos que apresentavam uma mistura de letras condensed, regular e expanded sem lógica aparente. Para evitar esta incon- sistência na largura das letras propõe-se um melhor planeamento da compo- sição do texto e dos restantes elementos na placa toponímica ou, mais uma vez, o uso de um carácter por azulejo.
Relativamente aos casos que apresentam um carácter por peça azulejar, verificou-se que uma grande maioria apresentava letras com espacejamento
monospace e, como tal, larguras de diferentes letras muito similares, de for-
ma a adaptarem-se ao rectângulo azulejar (figura 130). Verificaram-se ainda casos em que nem todas as letras eram monospace: a letra ‘I’ possuía metade da largura das restantes letras; compensando assim o facto de possuir uma forma mais estreita.
Uma alternativa ao espacejamento monospace será assumir diversas largu- ras de azulejo, apresentando cada letra com uma largura mais natural, que facilite a sua legibilidade.
Fig. 130 Espacejamento monospace [Cadaval 22] (Félix 2013) Fig. 131 Entrelinha desigual [Loures 1] (Félix 2013)
Fig. 132 Espacejamento entre letras desiquilibrado [Mafra 6] (Félix 2013)
espacejamento
Por último, foram estudados o espacejamento entre letras (tracking), entre palavras, entrelinhas e foi analisado o kerning de todos os letterings nas placas selecionadas para a análise do objeto de estudo.
Em todos estes critérios foram encontrados espacejamentos desiguais numa mesma placa ou espacejamentos apertados ou demasiado largos.
Como alternativa propõe-se que estes valores sejam pré-estabelecidos e fixos, de forma a que não se possa alterá-los para valores que possam afectar a leitura da placa toponímica.
Todas estas observações e soluções propostas foram seguidamente apli- cadas num projeto de reinterpretação da letra na placa toponímica azulejar e esta aplicação foi então testada por um painel de peritos.
O desenvolvimento e a validação do projeto são descritos em seguida no capítulo 6 da presente dissertação.
6.
Reinterpretação
do desenho da letra
na placa toponímica
azulejar
6.1. Estruturação do problema
6.2. Concretização do projeto
6.3. Validação do projeto
6.4. Prototipagem
6.5. Linhas de orientação para a produção
da letra em placas toponímicas azulejares
6.1. Estruturação do problema
De forma a organizar as ideias e os conceitos que serviram de base para a con- cretização do projeto e determinaram a metodologia deste, exploramos neste capítulo a estruturação do problema.
Este processo é composto por duas partes: a definição do problema e a definição de limites. Na primeira são definidos os objetivos do projeto e as necessidades a que este deverá responder. E na segunda são explicadas as li- mitações encontradas durante o processo projetual.