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Summary of Main Findings and Discussion Points Paper 1

Considerando as relações de trabalho presentes na sociedade atual, o docente do  setor   público,   por   ser   funcionário   estatutário   aprovado   em   concurso,   tinha   por   garantia   a   estabilidade   em   seu   emprego   e   melhores   condições   de   trabalho.   Todavia,   com   a   tendência   atual   de   flexibilização   das   leis   e   contratos   trabalhistas,   intensificam-se   as   contratações   temporárias,  inclusive  na  área  educacional,  como  é  o  caso  dos  professores  da  educação  básica   da   rede   pública   municipal   do   Natal-RN,   contratados   em   regime   temporário,   os   quais   não   possuem  vínculo  empregatício,  podendo  ser  desligados a qualquer momento, conforme cesse a necessidade do Município.

Nesse contexto, Benta   se   pronuncia:   “as questões contratuais do CMEI são muito complicadas, hoje temos uma rotatividade de professores, devido aos contratos temporários e um certo distanciamento nas ações da Secretaria Municipal de Educação (SME), não temos autonomia  para  contratar  pessoas”  (Emília,  coordenadora-pedagógica). Esse trecho da fala faz menção   ao   texto   “Ação,   identidade   e   entendimento   na   vida   cotidiana”,   de   Bauman;;   May   (2010). Os autores apresentam a forma de ajudar as pessoas a entender suas experiências pessoais que elas têm consigo mesmas e com os outros. Nesse sentido, a liberdade para agir é limitada por circunstâncias sobre as quais não se tem controle. Portanto, muitas das ações da equipe gestora em estudo tornam-se dependentes do comprometimento das ações da política educacional dos gestores das políticas públicas sociais, visto que essas pessoas estabelecem as regras do jogo, são posicionadas por suas instituições para exercer o papel limitador das ações das unidades menores, subordinadas, hierarquicamente, em nível formal.

Nesse contexto, com base nas falas das gestoras, evidencia-se que, quando elas tomam as decisões para assumir cargos de gestão, fazem escolhas limitadas; essas escolhas são processuais, entram no jogo das interações pessoais forjadas conforme os interesses, as oportunidades que surgem e desaparecem. Portanto, compreender os sentidos que as gestoras atribuem à gestão e a relação entre sua formação profissional e sua cultura profissional conduz à necessidade de estar atento aos dilemas e aos processos circulares que envolvem os participantes da pesquisa. Augé (1999, p.43) explica que os sentidos se constituem como relações simbólicas existentes entre as pessoas que pertencem a diversas coletividades.

Com relação ao estabelecimento dessas relações simbólicas instituídas com indivíduos que pertençam a coletividade ou não, nas práticas cotidianas de gestão escolar no CMEI, uma reflexão semelhante à de Bauman; May (2010) foi trazida, quando se reporta aos estudos da obra  Envolvimento  e  alienação,  de  Norbert  Elias,  “Questões  de  envolvimento  e  alienação  e   Os pescadores   e   o   turbilhão”.   Nesse   último,   Elias   (1998)   recorre   ao   conto   Maelstrom’,   de   Edgar Allan Poe, para tratar da concepção de distanciamento (o que denomina de alienação). O conto trata de dois irmãos náufragos que estão sendo arrastados para o abismo de redemoinho.

Cada um toma uma atitude diferente diante do fato. O primeiro, mais jovem, graças a seu distanciamento, consegue acalmar-se e perceber que os objetos cilíndricos descem mais lentamente; adota a atitude correta amarrando-se a um barril e, com isso, alcançando a salvação; o segundo, por estar totalmente envolvido na situação, capturado pelo medo, não consegue mover-se, sendo arrastado pelo turbilhão. Esse  conto  de  Maelstrom’de  Edgar  Allan   Poe, à forma e à condição de vida das gestoras da comunidade guarapes, porque, por muito tempo, elas estão sendo arrastadas pelo turbilhão dos dilemas e necessidades básicas para melhoria da gestão no CMEI, bem como suas expectativas em relação à qualidade do trabalho na Educação Infantil.

O contato direto com as profissionais no CMEI permite afirmar que elas desenvolvem um árduo trabalho, no sentido de cumprir normas, executar tarefas, prestar contas, solucionar questões emergenciais do cotidiano, inclusive fora da escola, dificultando, assim, uma tomada de decisão, quer individual ou coletivamente. É preciso sempre um certo distanciamento para enfrentar os desafios que a sociedade impõe .

Ao longo do depoimento da coordenadora Emília, ouve-se  o  seguinte  comentário:    “a   rotatividade de profissionais, principalmente de professores, prejudica muito o trabalho da equipe gestora, consequentemente o trabalho pedagógico da coordenação onde a gente

caminha  depois  tem  que  retroceder,  isso  são  limitações  não  é  ?  “Na  mesma  direção,  a  gestora Benta   ressalta   que:   “as   limitações   da equipe gestora são muito complexas, principalmente porque a gente não tem apoio do órgão central, agente tem vontade de fazer uma coisa, acontece algo com uma criança e necessita-se de uma acompanhamento mais de perto para se fazer por exemplo um diagnóstico, dar apoio aquele professor que precisa melhorar seu trabalho, não está só ao nosso alcance. Há limitações justamente porque o professor não pertence ao quadro e não pode ser  contratado”.

Para as gestoras, essas situações não são simples; elas percebem todo um dilema, há uma complexidade em tomar providências para resolver essas situações, quando sai um professor e entra outro. Há um sentimento de instabilidade e vários recomeços. Para Emília, há  o  sentido   comum  de   bloqueio,  ela  diz:  “isso   emperra  o  trabalho   da equipe porque você começa uma formação com os professores, para a Educação Infantil, que é muito difícil, isso atrapalha muito o trabalho pedagógico da escola e muitas vezes eu me vejo nesta situação, de chegar um professor que nunca chegou na sala de educação infantil, não sabe o que é educação infantil, então o que faço com ele? é preciso agir em equipe de forma muito pensada.”

Esse achado se coaduna com os achados na pesquisa de doutorado, intitulada: O pedagogo como agente de transformação social para além dos muros das escolas de Tavares (2010). Nela, encontra-se a afirmação:  “quando se tem, portanto, um grupo de pessoas que agem em equipe, certamente os caminhos serão mais complexamente refletidos, as soluções certamente acontecerão de forma mais tranquila e articulada, e talvez mais completa. Um problema complexo exige uma solução diametralmente complexa”  (TAVARES,  2010,  p.218). Benta também levantou um outro sentido muito representativo da gestão de pessoa: [...] “damos todo o material para ele estudar, orientamos, aí vai depender se ele for interessado e querer, se ele não tiver interesse é um prejuízo para a criança. Então, são essas as limitações que não estão ao nosso alcance mudar porque não sou eu que escolho os professores que vem, pois muitas vezes o professor já vem indicado, essas indicações sem qualificação, sem critérios e sendo pessoas temporárias que entram e saem da escola devido a esta ser de difícil acesso. Pois, quando elas encontram uma vaga mais próxima eles saem daqui.”

Dessa maneira, quando se agem em equipe, Elias (1998) contribui com a ideia de configuração de um dilema – um processo crítico e de tensão, a partir do qual as gestoras acumulam medos, inseguranças, hesitações e dúvidas. É quando a gestora, por exemplo, se vê

diante de uma situação conflituosa na gestão de pessoas e precisa tomar decisões que requer dela uma maior responsabilidade e autocontrole no que se refere ao seu tempo administrativo. E assim, ao entrar no trabalho da gestão escolar, a equipe gestora percebe-se num dilema, o que pode ser provido como um potencial de bloqueio e levá-los a desistência, ou de mudanças, superando ou não esse dilema (ELIAS,1998). Assim, ao perguntar sobre os sentidos dados por gestoras `a implicação da gestão escolar na EI na sua ação gestora, é preciso lembrar os processos dilemáticos que envolvem as interlocutoras sejam eles, configurados na relações estabelecidas consigo mesmo ou com os outros, com suas experiências formativas, seus, pares, instituições, dentre outros.

b) O dilema da redução de recursos financeiros versus atraso nos repasses das