• No results found

Após a aplicação dos instrumentos (entrevista semiestruturada, recorte e colagem e análise da foto), os relatos foram transcritos na íntegra e analisados em seu conteúdo, buscando-se categorizá-los conforme a semelhança entre eles e a relevância para compreensão do tema estudado.

Foram meses de muito trabalho, que começaram em novembro de 2012, que trouxe grande aprendizado em função das colocações feitas pelas idosas entrevistadas e suas cuidadoras. Cada visita foi vivida como um momento ímpar de descobertas frente a cada idosa.

O trabalho mostrava-se cada vez mais interessante com a discussão com as idosas e cuidadoras. Houve momentos confusos, outros, alegres e tristes, tranquilos enfim, houve até momentos hilários, os quais trarão muita riqueza na leitura das análises que será apresentada.

Para uma discussão textual, serão apresentadas em cada núcleo de sentido os indicadores. Esta apresentação facilitará o entendimento e a compreensão da abordagem feita junto às três idosas pesquisadas.

NÚCLEO DE SENTIDO I: SER VELHO

Quando se iniciou o estudo, coletou-se, primeiramente, a história pessoal das idosas. Cada uma delas trouxe a percepção sobre o processo do envelhecimento. Indicador I: conceito e autoconceito da velhice

Categoria: Autoconceito de velhice positivo

A compreensão do autoconceito de velhice apresentado pelas idosas é de grande importância para esta pesquisa, pois esclarece algumas posturas que surgiram ao longo da coleta sobre o envelhecimento.

Freire (2002 apud PEREIRA, 2012) afirma que o âmago do autoconceito é o

com o ambiente, ou do que vê como essencial sobre si mesmo”. O entender sobre si mesmo reflete na aceitação que o indivíduo tem da própria vida. Se há aceitação ou não, repercutirá certamente na relação com a velhice, que é uma etapa considerada com o final da vida.

Encontrou-se uma variação no autoconceito de velhice de uma idosa para outra, que já era esperado e tem respaldo na literatura gerontológica.

Para melhor entendimento dessa variação do autoconceito,o indicador foi reagrupada em dois indicadores: autoconceito negativo e autoconceito positivo, conforme a análise das falas apresentadas.

O autoconceito positivo referiu-se a falas como: momentos de colher bons frutos, aceitação da própria velhice, e ainda a conformação com a situação, como pode ser visualizado na fala a seguir.

“Ser velho é bom! Deus falou que a gente tinha que envelhecer.” (Sra. Amorosa) “Tudo na vida, tem seu lado bom e ruim. Gosto de estar velha, pois posso ver meus netos.” (Sra. Amorosa) “Se eu não fosse velha, teria morrido, e meus filhos e netos? Então é bom ser velha.” (Sra. Simplicidade)

Parece que para a Sra. Amorosa associar a velhice à religiosidade facilita a aceitação do processo em que ela vive. Assim, percebemos que a religião pode ter grande influência quanto à aceitação dessa nova fase da vida. Como ressaltam Dendena et al. (2011), o aumento da religiosidade na velhice acontece por um momento natural, já que a proximidade da morte faz com que as idosas se aproximem de temas existenciais ou da transcendência por meio de crenças no sagrado. As idosas têm demonstrado constante aproximação da religiosidade.

E neste mesmo contexto, Recker (1997 apud SOMMERHALDER, 2010) afirma que o sentido da vida está associado a ter um propósito, uma direção, uma razão para a existência, ter uma percepção de identidade pessoal e interesse social, além de sentir-se satisfeito com a vida, mesmo diante de situações difíceis, quando o “para que viver” é essencial.

É válido ressaltar que Botelho (2011) considera que espiritualidade envolve a capacidade de se maravilhar, de reverência e gratidão pela vida. Essa é a questão da vida, ao mesmo tempo em que deseja mantê-la sempre viva. Essa mesma autora completa que, sendo a espiritualidade inerente ao ser humano, ao envelhecermos ela emerge como figura, e como tal merece ser reconhecida e valorizada como parte integrante de um todo. Assim, a religiosidade passa a ser para essas idosas “algo” de grande importância em suas vidas, ou seja, o autoconceito positivo da velhice está influenciado pela religião.

No entanto, Botelho (2011) nos indaga que, em vez de perguntarmos o que podemos esperar da vida, devemos, sim, refletir sobre o que será a que a vida espera de nós. A reflexão acaba nos direcionando mais a Deus, até mesmo para compreender entre o que quero para mim e o que deve ser para mim. Uma autojustificativa diante de Deus e, ao mesmo tempo, próximo do homem nesse caso, das idosas que justificam que Deus disse “que teríamos que envelhecer”.

Para Dendena et al. (2011), a percepção sobre como uma pessoa envelhece bem e a percepção sobre a influência positiva da religiosidade no processo de envelhecimento baseia-se em informações que explicitaram a relação entre a religiosidade e o envelhecimento bem sucedido em idosas.

É notório que, independente da religião, o que estamos nos referindo é a religiosidade, que é a aproximação de algo, ou alguém supremo, e isto é muito comum para elas. Parece que estar mais perto de Deus garante uma morte melhor.

Elas comentam a relação que tem com Deus. A “conversa com Ele” reflete em uma aceitação e agradecimento a Deus por estar viva e entre os seus entes queridos.

“Ser velho é ter saúde.” (Sra. Simplicidade)

Outro aspecto positivo encontrado na fala acima relaciona velhice e saúde. Esse resultado foi surpreendente pois, geralmente, o senso comum associa velhice à doença e não à saúde. Nesse sentido, Couto e Meyer (2011) enfatizam que a sociedade valoriza a produtividade, a concorrência, a eficiência e os desempenhos dos jovens, enquanto o envelhecimento é considerado como perda da força de

produção, e é também inserido em um processo de marginalização e de desvalorização.

Esse resultado corrobora a visão de envelhecimento bem sucedido. Percebe- se uma estreita relação entre o envelhecimento bem-sucedido, o bem-estar psicológico e a significação atribuída à sua existência (DENDENA et al., 2011). A busca por uma velhice com saúde necessita de comportamentos que favoreçam a um bom estilo de vida, e que o tenha há muito tempo e não agora, já presente nesta etapa da vida.

Para Murphree e Neighbors (2009 apud VALENTE, 2011), ao longo do tempo foi possível identificar cinco padrões básicos, que são característicos do envelhecimento:

 aumento da mortalidade;

 alterações na composição do organismo, nomeadamente diminuição da massa corporal e aumento das gorduras;

 alterações progressivas, de caráter degenerativo;

 menor capacidade de adaptação a mudanças ambientais:  maior vulnerabilidade a múltiplas doenças.

Esses itens citados, obviamente, não são regras para todas as pessoas e, consequentemente, na mesma sequência. A fim de obtermos qualidade de vida, devemos o quanto antes almejar condições que nos facilitem este resultado, a fim de minimizá-los.

“Se eu não fosse velho, sei lá o que seria de mim.” (Sra. Trabalhadora)

A interação da idosa com o processo de vida torna-se importante para que o mesmo se prepare para as questões que estão por vir, e desde já passem a aceitá- las e a aprender a conviver com elas.

A gratificação por alcançar a velhice parece ser clara na fala da idosa. Parece uma fala de satisfação, por ter sobrevivido e poder chegar à velhice. Afinal, só fica velho quem não morreu!

A velhice pode ser rica em conhecimentos... e as idosos não estão todos decadentes e debilitados, pois suas emoções continuam as mesmas. (SANTOS et al., 2010).

Também, quanto ao autoconceito positivo, encontramos mais exemplos nos relatos de duas s, que se veem bem quanto ao próprio envelhecimento. A positividade é algo presente para elas.

“Sinto bem, só não gosto de não ter saúde.” (Sra. Simplicidade)

“Me sinto bem.” (Sra. Trabalhadora)

A aceitação de si mesma e da condição em que se encontra é fundamental para que a complexidade da velhice seja tranquila.

Essa percepção abre espaço para concordar com Lima; Silva; Galhardoni; Neri (2008 apud PEREIRA, 2012) que trazem a visão de que é possível manter a vida e o bem-estar na velhice, e ainda nos remete aos conceitos de envelhecimento ativo e bem sucedido que levantam discussões com fala que enfatizam que a velhice e o envelhecimento não são sinônimos de doença e inatividade.

Categoria: Autoconceito de velhice negativo:

Infelizmente, nem sempre a velhice é vista de uma forma positiva. Para alguns, há situações que os incomodam que tornam a velhice um fardo pesado demais para carregar. No tópico a seguir, será abordada a categoria de autoconceito negativo da velhice, relacionada à doença, às limitações, à solidão e à rejeição.

A rejeição da velhice foi pontuada várias vezes pela Sra. Amorosa, que é uma idosa viúva que, por várias vezes, demonstrou a sua inquietude sobre a morte do marido, estando ela viva e com saúde.

“O ruim de ser velho é quando a gente fica doente.”

(Sra. Amorosa) “Tem horas que não gosto se ser velha, acho ruim. Por isso que também é ruim ser velha.” (Sra. Trabalhadora)

A rejeição é clara para a Sra. Amorosa e para a Sra. Trabalhadora. Repetidas vezes esta destacou o que mais a incomoda, que é a infelicidade com a velhice. Ela

a relaciona com a morte, com a doença e com a solidão. Como diz Ribeiro (2010 apud PINTO, 2012), esse é o modo como a sociedade vê a velhice e os idosos de uma forma negativa, e é, em parte, essa atitude que a sociedade toma a responsável pela imagem que eles têm de si próprios.

Como vimos anteriormente, há exceções quanto à forma de enxergar a velhice. Por exemplo, Andrade (2011) solidifica que até a concepção da velhice por parte da sociedade é divergente. Seja qual for a forma de entender e compreender a velhice, há uma soma de informações e informações relativas a idosa, conjuntamente com o ambiente social, que torna necessário ponderar as percepções sem jamais desmistificá-las.

Outras falas também revelam o conceito negativo da velhice.

“É muito difícil...” “Só sei que se eu tivesse saúde tava mais fácil.” “...hoje eu fico me perguntando a Deus por que não consigo mais fazer as coisas.” (Sra. Amorosa)

Os relatos acima mostram como é difícil para Sra. Amorosa aceitar o envelhecimento e a sua doença.

Esse resultado tem respaldo, que nos explica que a velhice é particularmente difícil de assumir porque nós a consideramos espécie estrangeira...vai-se instalando por meio de uma lentidão corrosiva que marca o rosto. (BEAUVOIR, 2003 apud COUTO; MEYER, 2011, p. 27).

Nesse sentido, Foucault (2010 apud COUTO; MEYER, 2011) fortalece a afirmativa acima ao ressaltar que devemos estar alertas para não sermos surpreendido pela velhice. E, portanto, saibamos diariamente que a velhice é uma etapa da vida, que está sendo construída ao longo de todo ciclo vital, pois ela nada mais é do que uma consequência da vida.

Assim, se é saúde que gostaríamos de obter na velhice, precisamos aderir a um estilo de vida compatível com a qualidade de vida saudável, muito anos antes de chegar aos 60 anos. Visando ao entendimento e aceitação da velhice, torna-se necessária a compreensão do autocuidado:

O conceito do autocuidado reforça a participação ativa das pessoas no cuidado de sua saúde como responsáveis pelas decisões que condicionam sua situação, o que coincide com a finalidade de promoção a saúde. Aplicando este conceito ao idoso, é necessário que os cuiinformações sejam individualizados e que os idosos participem do seu planejamento, sendo protagonistas deste processo. (CALDAS, 2011, p. 1.271).

A compreensão do autocuidado pelas idosas com Alzheimer muitas vezes não é possível em função da própria DA. Mas, a colaboração dos próprios quanto aos seus cuiinformações pode ser positiva, para mantê-los estimulados e ativos, desde que não exista uma condição de risco.

Quanto à negação da própria velhice ou da DA, houve relatos relacionados a sentimentos de frustração, tristeza e inatividade, como:

“...ficar assim sem conseguir fazer as coisas. Antes eu fazia de tudo.” (Sra. Simplicidade) “Queria tanto ajudar a minha irmã, mas não consigo fazer muita coisa.” (Sra. Trabalhadora)

Os relatos mostram que as atividades domésticas, mesmo após a aposentadoria, são importantes para a idosa, que traz o trabalho doméstico como uma fonte prazerosa, mesmo quando ainda apresenta certa dificuldade para realizá- lo. As idosas acima referem-se ao incômodo por estar “sem fazer nada”. Porém, na sua percepção, é a idade a responsável por sua invalidez, e não a doença.

Dentre as teorias do envelhecimento, a teoria Estocástica defende que o envelhecimento resulta de lesões sucessivas que conduzem ao desgaste e, consequentemente, à disfunção celular e depois a morte (PINTO; BOTELHO, 2007). Portanto, o envelhecimento traz consigo um declínio funcional em todos os sistemas do corpo, provocando maior debilidade e alterações que, por vezes, favorecem o aparecimento de enfermidades, sejam físicas ou psicológicas (DENDENA et al., 2011). Entre as diversas alterações, segue as pontuações a seguir:

O enfraquecimento do tônus muscular e da constituição óssea leva a mudanças na postura do tronco e das pernas, acentuando ainda mais as curvaturas da coluna torácica e lombar. As articulações tornam-se mais endurecidas, reduzindo assim, a extensão dos movimentos e produzindo alterações no equilíbrio e na marcha. (MARCHI NETTO, 2004 apud DENDENA et al., 2011, p. 187).

Diante de uma realidade tão presente, que são as alterações recorrentes do envelhecer, que difere da aceitação e do cuidado de cada indivíduo, é que resulta das necessidades de estudos que possam conscientizar os adultos de hoje a se preparem para a velhice, a fim de usufruir o máximo que puderem. No tópico que se segue, serão analisados os resultados referentes a uma das funções que mais sofrem declínio tanto na velhice quanto na DA: a memória.

NÚCLEO DE SENTIDO II: A VIVÊNCIA DO ALZHEIMER Categoria I: Percepção dos primeiros sintomas da DA

“Eu sei quem eu sou, e gosto de mim, apesar de estar velha.” (Sra. Simplicidade) “Eu????Eu sei que eu sou assim, apesar de estar um pouco doente.”

(Sra. Amorosa) “Este é meu jeito e acabou! Tem gente que não gosta, não é? Mas não estou nem aí.” (Sra. Trabalhadora)

Para Machado (2011), deve-se ressaltar que a hierarquia da progressão dos sintomas na descrição do curso típico da DA pode sofrer grandes variações. A percepção de que algo está errado com a sua saúde, como vemos nos relatos acima, tem sido um adjetivo que o a idosa tem trabalhado consideravelmente. Fato é que, em determinadas circunstâncias, ele não conseguira atentar para a magnitude da situação. Por isso, o fato de conhecer e reconhecer a condição de saúde torna-se necessariamente importante.

A memória recente é a mais difícil de ser recordada e a mais fácil de perder; já a remota transparece para a idosa uma vida que já viveu, mas que ele revive hoje sem perceber as mudanças de tempo e a realidade diferenciada. O mais interessante da situação é a forma que eles vivem neste mundo todo seu, em uma realidade compartilhada com o mundo atual.

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Alzheimer:

O requisito primário para o diagnóstico de demência é a evidência de um declínio tanto na memória quanto no pensamento, o qual é suficiente para comprometer as atividades pessoais da vida diária. (BRASIL, 2010).

É frequente a pessoa com demência não se dar conta, ou não concordar, com o fato de ter um problema (LEITÃO, 2006). Algumas pessoas percebem bem o que é a doença, como é que ela vai progredir, bem como as consequências para a vida do dia a dia, enquanto outras podem só conseguir compreender que têm uma doença que implica perda de memória.

A falta das lembranças é o fator relevante para a idosa e, no fundo, ele tem receio de saber se sua memória está realmente falhando. A afirmação poderá ser a constatação de que está envelhecendo e adoecendo.

“Veio alguém aqui em casa, ontem?” (Sra. Amorosa) “Ontem eu dei minhas voltinhas?” (Sra. Trabalhadora) “Ontem fiquei sozinha. Ela não quis ficar comigo. (foi o dia de trabalhar como diarista).” (Sra. Simplicidade)

A dependência da cuidadora fica a cada instante mais forte. Em vários momentos, a idosa se referia à cuidadora para que ajudasse a responder o que estava acontecendo, pois ela própria não tinha ciência da situação.

Para Barreto (2005 apud ALMEIDA, 2011), nesta fase, o indivíduo revela dificuldades para se recordar de fatos recentes, descrever acontecimentos e reconhecer pessoas familiares. Deixa de ter noção do tempo, fazendo confusão com o ano, mês e dia da semana.

“Não gosto de fazer o que ela quer. Não me deixa quieta.” (Sra. Simplicidade) “...eu me sinto, me sinto...é ruim ficar assim sem conseguir fazer as coisas.”

(Sra. Amorosa) “Eu brigo mesmo. Não gosto que não deixa eu fazer tudo o que quero.” (Sra. Trabalhadora) “Só quero lavar as minhas roupas.”

(Sra. Trabalhadora)

As idosas, por não “perceberem” que precisam de ajuda, acabam relutando em pedir ajuda ou reconhecer suas limitações. Com a progressão da doença, o nível de dependência aumenta, chegando a ponto de, em geral, necessitarem do auxílio de outros para realizar tarefas antes facilmente executadas. (TAVARES: CARVALHO, 2012).

No estágio inicial da demência da doença de Alzheimer, verifica-se declínio das atividades da vida diária (AVDs) e a avaliação funcional com propósito diagnóstico deve focalizar esses aspectos por meio de entrevista com o informante ou pela avaliação direta do paciente (CHAVES et al., 2011).

A idosa acaba expondo o incômodo diante da situação de que não consegue um bom desempenho físico e mental como antes, ou até mesmo, quando sente que a cuidadora não permite que o faça só, temendo pela segurança da idosa.

Indicador II: Percepção do tratamento médico

“Toda vez que Lúcia fala que tem médico, eu vou. Eu gosto de sair.” (Sra. Amorosa) “Vou ao médico, mas parece que não ajuda em nada.” (Sra. Simplicidade) “Vou ao médico, mas ela não me ajuda.” (Sra. Trabalhadora)

A ida à consulta médica cria muita expectativa para as idosas. Além de sair de casa e “passear”, elas acreditam que estão buscando melhorias para sua “memória”. A busca exaustiva por melhoras é o que mais pontuaram, e na percepção delas, infelizmente, a doutora não consegue resolver muita coisa.

Entre as idosas entrevistadas, o desconhecimento e a desinformação ou até mesmo o esquecimento não as deixam conscientes da situação em que se encontram, e acaba resultando em uma busca de uma melhora que nunca é atingida; mesmo assim, elas criam esperanças e vão ao médico, mesmo sem saber ao certo o motivo.

A evolução clínica da DA está dividida em três estágios: inicial/leve, moderado e tardio/severo. Apesar da caracterização específica de cada estágio, a evolução clinica da doença, bem como as alterações e dificuldades decorrentes, são únicas para cada individuo. (MAC-KAY, 2004 apud TAVARES; CARVALHO, 2012, p.123).

O fato de não obterem resultado imediato diante do quadro em que se encontram acaba em alguns momentos, criando um estresse que traz conflitos, até mesmo para a cuidadora, que não tem respostas para tantos questionamentos.

Na percepção das idosas entrevistadas, independente da idade, “[...] a boa

médica é aquela que proporciona a solução de forma mais rápida. E, neste caso, com esta patologia a solução ainda não está disponível [...]”.

O monitoramento deve acontecer nas seguintes condições, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Alzheimer, através Portaria SAS, nº 843, de 31/10/2002:

Três a quatro meses após o tratamento, o idoso deve fazer uma reavaliação no Centro de Referência. Após este período, as reavaliações nos Centros de Referência devem ocorrer a cada 4 ou 6 meses, para avaliar o beneficio e a necessidade de continuidade do tratamento através da avaliação clínica e realização do MMSE e da escala de CDR. (BRASIL, 2002).

“Eu não vejo melhora, mas a médica diz que estou boa.” (Sra. Amorosa) “Pra mim só piora, ela não ajuda em nada.” (Sra. Trabalhadora)

As idosas veem na profissional alguém de referência quanto à sua saúde. Entretanto, elas não estão satisfeitas, pois não percebem melhoras. “A memória não

está boa, mesmo com muitos remédios”, diz uma das idosas.

A dificuldade da memória é o componente mais relevante na investigação cognitiva que deve fazer parte do diagnóstico da DA. É notório que esses indivíduos apresentem déficits na realização de novas aprendizagens. (CHAVES et al., 2011).

Percebe-se que a fragilidade da cognição está presente, mas, ainda assim, conseguem, em alguns momentos, diferenciar alguns quesitos, como a melhora do quadro delas que tanto desejam. Ressalta-se que, muitas vezes, elas não irão lembrar mesmo das melhoras obtidas.

A profissional nem sempre é clara com a idosa quanto ao seu provável diagnóstico de DA, sendo discutido muitas vezes com a cuidadora. Por mais que diga que a idade traz como consequência algumas alterações com a idade, como o caso do “esquecimento”, como elas mesmas comentam, naturalmente não se lembrarão do diagnóstico dado pela profissional médica.

Quem sabe melhor desta condição é a cuidadora que, preferencialmente, a acompanha em quase todas as consultas. Ela tem o domínio da situação da paciente, os remédios, condutas e retorno da idosa em questão.

MEMÓRIA E VELHICE

Indicador I: Percepção da idosa

Em vários momentos, as idosas entrevistadas pontuaram aspectos positivos da velhice, tendo a memória como um incômodo pela falha que elas percebem no dia a dia.