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6.1.3 «Cordon Sanitaire»

6.2 New Threats or «Risks»

NÚCLEO DE SENTIDO I: SER VELHO Indicador I: Conceito da velhice

As percepções das cuidadoras são de grande importância para o agrupamento das percepções diante das idosas com Doença de Alzheimer e sua sexualidade.

“Ela vê a velhice como uma forma de poder ter os netos. Quando permitem, sabe?” (Cuidadora da Sra. Amorosa)

Logo no início, percebe-se que a velhice está intimamente ligada ao fato de estar à disposição para ajudar ou, praticamente, assumir a criação dos netos. Para Pereira e Carvalho (2012, p. 370), “as famílias são reconhecidas como o principal contexto para a promoção e a manutenção da autonomia e saúde dos seus membros”. A convivência com os entes mais próximos ajuda na forma de compreender o processo da doença, facilitando, assim, os afazeres para os cuidadores.

“Não gosta de ser velha, ela acha que não vale mais nada.” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

A cuidadora acha que a idosa não sente prazer em estar velha. Diz que ela acredita que não vale mais nada, e fala isso a todo instante. Luta contra a realidade de que todos irão envelhecer um dia, e quem não cuidar da saúde o quanto antes não terá uma velhice com qualidade.

No caso da Sra. Trabalhadora, como não tem netos, a única condição que a faz sentir melhor é quando a sobrinha Cláudia comparece a sua casa diariamente para visitar ela e sua mãe. A presença diária da sobrinha parece não deixar a cuidadora enciumada, apesar do cuidado que a cuidadora desempenha junto à idosa.

Para Couto e Meyer (2011, p. 23), “[...] envelhecer pode significar como uma transgressão desses valores centrais das sociedades ocidentais contemporâneas nos quais se conectam juventude com capacidade de trabalho, vitalidade e sedução”. E, nesse contexto, nosso medo de envelhecer é, também, o medo de ser desqualificado pela idade. Esses autores complementam que a velhice vem sendo associada, crescentemente, à vida ativa, saúde, erotismo e felicidade.

“...foi ficando mais velha e não consegue fazer mais nada.” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

Em diversos momentos, a cuidadora fez questão de reforçar o quanto a idosa tem dado um “pouco” mais de trabalho, pela condição que se encontra. O constante cuidado com a idosa acarreta condições estressantes para ambas, no entanto, a condição não é proposital. A idosa na condição de possível portadora de Alzheimer não tem controle real da situação em que está, e isto provoca no ambiente uma tensão pelos desejos opostos entre a idosa e a cuidadora. Por mais que a cuidadora deseje ser atenciosa para com a idosa, a idosa nem sempre compreende, e esta é a questão fortemente complicada. O momento é estressante demais, chegando a levar a cuidadora a ficar doente.

Na contribuição de Bosi (1995 apud COUTO; MEYER, 2011), a significação da velhice é vista como peso familiar e social, uma vez que sujeitos velhos não seriam mais produtivos nem produtores.

No momento em que a família toda se ajuda, não sobrecarrega ninguém em específico, mas quando a colaboração não existe, há severas consequências tanto de doença quanto de desunião familiar, pois, para alguns, o peso torna-se muito grande.

NÚCLEO DE SENTIDO II: MEMÓRIA DA IDOSA Indicador I: Percepção da memória da idosa

Para Yassuda et al. (2011) a memória é formada por subsistemas diferentes, que têm em comum a capacidade de armazenar informações e retê-las por um determinado tempo. E completa que alguns demonstram poucas alterações cognitivas na velhice, enquanto outros podem apresentar declínio cognitivo significativo ou síndromes demências.

“Desde 2010, ela não tem memória boa. Foi perdendo e está deste jeito.” (Cuidadora da Sra.Trabalhadora)

A percepção da perda da memória é um dos primeiros sintomas percebidos pelos familiares, ocasionando uma preocupação quanto ao futuro da idosa.

O cuidado com a idosa exige muito da cuidadora que, muitas vezes, precisa agir sozinha, pois não tem apoio dos demais familiares. Com o progredir da doença, o cuidador vai se sentindo cada vez mais envolvido com o paciente, tanto que ele acaba por viver em função do idoso ao tentar suprir suas necessidades e prestar- lhes assistência necessária. (ROCHA; CARLOS; MAGALHÃES JUNIOR, 2011).

“Ela tem Alzheimer, aí já viu né? A memória está bem atingida.” (Cuidadora da Sra. Amorosa)

Esta cuidadora fala reconhecidamente da Doença de Alzheimer. Por necessidade de ajuda, já participou três vezes do curso de cuidadores ofertado pela USMT, e está tentando se matricular novamente, pois acredita que atualmente está sem condições de ajudar a idosa.

Na visão de Santos (2010), a educação transformadora é para que estes seres humanos possam perder seus medos e enfrentar seus envelhecimentos com muitas possibilidades diferentes das que foram programadas e estigmatizadas.

Os serviços comunitários devem também intervir precocemente junto aos cuidadores informais, reduzindo a tensão física e psicológica causada pela dependência, contribuindo, assim, para a redução dos níveis de sobrecarga do cuidador. (PEREIRA; CARVALHO, 2012).

Isso lhe afeta tanto física como psicologicamente, pois o cansaço excessivo e o grau de estresse prejudicam o bem-estar do cuidador, afetando diretamente a assistência prestada. (ROCHA; CARLOS; MAGALHÃES JUNIOR, 2011).

As outras duas cuidadoras falam da doença de uma forma restrita. Acreditam na esperança de um diagnóstico diferente.

“Ela fica irritada quando não lembra o quer lembrar. É difícil!”

(Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

A fala acima mostra o quanto é difícil lidar com estas idosas quanto a lembranças do que nem elas sabem. A irritabilidade é algo marcante no dia a dia da idosa com Alzheimer, sendo uma característica cada vez mais presente conforme o avanço da doença.

Freitas e Py (2011), citando Machado:

Os sintomas neuropsiquiátricos não cognitivos, como agitação, perambulação, agressividade, questionamentos repetidos, reações catastróficas, distúrbios do sono e a “síndrome do entardecer” estão presentes de forma variável, podendo o convívio social ainda estar relativamente preservado. (MACHADO, 2011, p.184).

Para a família, em cada momento deste, o estresse aumenta relativamente, tornando uma situação cotidiana em que os familiares precisarão adequar-se.

“Tem dia que varia muito, desconhece até os vizinhos.” (Cuidadora da Sra. Simplicidade)

A memória varia muito na fase inicial do Alzheimer, ocasionando condições de instabilidade em diversos momentos, justificando a pesquisa com estas idosas em questão.

Para Machado (2011, p. 183), “[...] os déficits da memória de evocação nas fases iniciais dizem respeito principalmente à dificuldade para recordar datas, compromissos, nomes familiares e fatos recentes [...]”. Existe, todavia, grande variabilidade na velocidade da progressão da doença. Os fatores que afetam a sobrevida são a idade, gênero e a gravidade da demência.

Segundo, ainda, Machado (2011), o comprometimento da memória é, em geral, o sintoma mais proeminente e precoce. Uma das primeiras percepções familiares é quanto à memória da idosa que falha em alguns momentos. Alguns relutam a buscar ajuda e justificam que o processo faz parte do envelhecimento. NÚCLEO DE SENTIDO III: VIVÊNCIAS DA VELHICE

Indicador I: Situações mais atraentes para a idosa

“Ela gosta é de lavar as roupas dela. Vejo que ela gosta quando consegue lavar as roupas.” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

A prática de uma atividade favorece que a idosa fique calma, resultando em períodos mais calmos. Acompanhá-la na execução da atividade favorece as lembranças que gostariam de ter. A forma repentina de solicitação da atividade interage a idosa com as atividades do dia a dia, possibilitando uma aproximação com o contexto familiar.

O fato de não obter uma resposta pertinente em relação ao resultado de execução da atividade, é uma situação que a cuidadora precisa ter conhecimento e paciência. Lembre-se, a memória não é a mesma, e a idosa não tem culpa e nem conhecimento da situação.

As metas primárias do tratamento da Doença de Alzheimer (DA) são: melhorar a qualidade de vida, maximizar o desempenho funcional das idosas e promover o mais alto grau de autonomia factível pelo maior tempo possível em cada um dos estágios da doença (MACHADO, 2011, p.193).

“Costurar.” (Cuidadora da Sra. Simplicidade)

A atividade corriqueira que a atrai é a costura. Realiza belos trabalhos como colchas, tapetes e almofadas com os retalhos que ganha das vizinhas. Estar ocupada a faz se sentir útil, favorecendo até mesmo a relação familiar.

“Ela gosta de conversar muito com os amigos.”

(Cuidadora da Sra. Amorosa)

Diariamente, ela pede para descer até os pilotis do prédio para conversar com os vizinhos e amigos. É um momento que a cuidadora percebe que ela gosta muito e que sente realizada.

A convivência com outras pessoas traz grande satisfação para as idosas. A troca de informações e comunicações ajuda a idosa a se manter sociável, lembrando que o avançar da doença tende a prejudicar este convívio, afirmam as cuidadoras entrevistadas.

NÚCLEO DE SENTIDO IV: RELAÇÃO AMOROSA/AFETIVA DA IDOSA NA

PERCEPÇÃO DA CUIDADORA

Indicador I: Relação da Idosa com o afeto

“Tem tanta necessidade que tem ciúmes até de mim.” (Cuidadora da Sra. Simplicidade)

Na visão da cuidadora, a Sra. Simplicidade demonstra uma necessidade grande de dar e receber carinho. O tempo todo fica abraçando, e segundo a cuidadora apresenta esse comportamento afetuoso para todos que chegam até a sua casa. Demonstra alegria ao receber visitas, mesmo que este alguém não seja do ambiente familiar. Acolhe muito bem as pessoas, e alega que o abraço é uma forma de lembrar-se de todos.

A cuidadora realiza trabalhos de diaristas para ajudar no orçamento da casa, e quando ela chega, no final do dia, a idosa “briga muito”, enciumada pela ausência da cuidadora.

Para Cruz; Handan (2008 apud ROCHA; CARLOS; MAGALHÃES JUNIOR, 2011) o cuidador é um sujeito essencial na vida das idosas com Alzheimer, envolvendo-se e assumindo responsabilidades em nível crescente como administração de finanças e medicamentos, além das AVDs.

“Ela é muito carente. A gente percebe que ela gosta de carinho.” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

A necessidade de carinho é grande. A idosa tem esta tendência, a doença favorece mais esta situação.

Para Bowlby (1989 apud ALMEIDA; LOURENÇO, 2008), o ser humano tem uma necessidade de se apegar de uma forma forte e especial a alguém, em razão - tudo leva a crer - da sensação de ser incompleto...

As carícias e o toque desempenham papel fundamental no exercício da sexualidade, por isso, descobrir o poder do carinho, do beijo, do agrado e da fala que eleva (COELHO, 2010). O carinho é prestigiado por todos os seres humanos, e não são as idosas que ficarão fora deste contexto carinhoso.

“O tempo todo ela fica abraçando as pessoas.” (Cuidadora da Sra. Simplicidade)

Há uma percepção considerada da necessidade de carinho. Oferta e deseja receber muito carinho. Para Coelho (2010) a sexualidade é uma dimensão inerente à pessoa, presente em todos os atos da vida e determinante de um modo particular e individual de ser, de se manifestar, se comunicar, sentir e expressar.

“Ela é muito carente.” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

O fato de não ter os pais, coloca a irmã como referência da família, fortalecendo, assim, a relação afetiva com a irmã. Acredita ela que se não fosse o carinho da irmã, sabe Deus o que seria dela. Reconhecer o carinho não significa concordar com tudo e todos. Ao contrário, se as pessoas que não estão doentes já não têm este comportamento, como esperar das idosas que têm a condição da memória fragilizada.

As idosas não escondem a preferência por um ente querido, e muito menos pelas pessoas que não simpatizam muito, o que é claramente percebido pelas cuidadoras.

“Sim, gosta dos filhos e netos.” (Cuidadora da Sra. Simplicidade) “Sente falta da Cláudia (a qual ela chama de princesa).”

(Cuidadora da Sra.Trabalhadora) “O que ela mais sente falta é do bisneto. Ele é tudo pra ela.” (Cuidadora da Sra. Amorosa)

As cuidadoras afirmam que as idosas sentem muito prazer quando essas pessoas estão por perto. A aproximação com um ente querido favorece a interação familiar e alivia momentos de estresse. Essa proximidade com alguém se torna um processo de defesa que se cria dentro do mundo de boas lembranças.

NÚCLEO DE SENTIDO V: SEXUALIDADE DA IDOSA NA VISÃO DA CUIDADORA Indicador I: Percepção da sexualidade da idosa

“Sim, de forma intensa (referindo-se a expressão da sexualidade da idosa).” (Cuidadora da Sra. Simplicidade)

A cuidadora caracterizou que a sexualidade da idosa é percebida de uma forma intensa, principalmente quando recorda os momentos vivenciados com o

marido enquanto estava com saúde. Confirma que a Sra. Simplicidade enfatiza muito a época em que o marido era pescador e, ao retornar para a casa, após o banho, namoravam muito.

Conta que a idosa não costuma falar espontaneamente sobre a sua sexualidade, mas quando esse assunto é colocado em pauta, ela fala tranquilamente sobre ele, sem qualquer constrangimento. Essas afirmativas da cuidadora reforçam a concepção mais moderna da gerontologia, na qual a sexualidade na velhice é tão presente quanto na vida adulta, o que difere em alguns casos, é a intensidade vivenciada pelo casal.

Na percepção do Couto e Meyer (2011, p. 24), a velhice vem sendo associada, crescentemente, com a vida ativa, saúde, erotismo e felicidade. Podemos assim dizer que viver a sexualidade independente da idade é uma questão saudável para todos os envolvidos.

“Sinto às vezes, que ela sente falta de alguém, de um marido.” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

A própria irmã que também é cuidadora acredita que a idosa culpa os pais por não ter permitido que ela se casasse. Segundo ela, a mãe considerava a idosa frágil e que correria o risco de sofrer.

Ao questionar a cuidadora, se já conversou com a idosa sobre este assunto, alega que a idosa não quis se referir a esta questão, é como se estivesse esquecido. Na verdade, refere-se aos pais com muito carinho, pontuando o respeito que até hoje tem por eles, comparando muitas vezes que é o que falta para os jovens de hoje.

“Não fala nada.” (Cuidadora da Sra. Amorosa)

Apesar do carinho que diz ter pelo falecido marido demonstrado pela idosa, a cuidadora afirma que ela não comenta com ela a falta que sente do carinho e até

mesmo da relação sexual que mantinha com ele. Quando o neto a aborda, ela responde, mas não fala do assunto de forma espontânea.

Segundo a cuidadora, acredita que a idosa deve estar vivendo uma fidelidade eterna com o marido, para demonstrar seu amor por ele.

“[...] Ela diz que estas coisas de beijo são do outro mundo. Na época dela não era assim[...].” (Cuidadora da Sra. Amorosa)

Ainda hoje, as mulheres são criadas desde sua infância baseadas na firmação do poder masculino, na submissão e no dever de ser boa mãe e esposa. Isso as coloca vulneráveis, quando se relaciona a aceitação de valores considerados normais para os homens. (SILVA, LOPES, VARGENS, 2010).

A naturalidade da relação sexual não tem a mesma percepção de ambos os sexos. O que para o homem trata-se de uma atividade rotineira, para a mulher é algo que precisa de um contexto preparado que favoreça a situação. A relação direta junto à consciência de si, da sua própria importância e valor, bem como depende do investimento que cada mulher está disposta a fazer em si mesma (SILVA, LOPES e VARGENS, 2010).

Apesar da vivência sexual na velhice ter aumentado, ainda temos idosas que, pela criação que tiveram, acabam se condenando com algumas atitudes, como é o caso da Sra. Trabalhadora, que permaneceu virgem toda a sua vida..

“Fala que é uma pena que o marido esteja acamado.” (Cuidadora da Sra. Simplicidade)

A cuidadora percebe que, para esta idosa, o prazer pela sexualidade não mudou. Ela sente pelo marido o fato de ele não poder corresponder aos desejos dela. Para Moraes (2011), há vivência da sexualidade relacionada à diminuição do desejo, embora também tenha se manifestado a permanência do amor e da união em uma relação duradoura mesmo com a ausência do ato sexual.

O casar para as mulheres representa amor, fidelidade, respeito, confiança e cumplicidade, gerando uma visão romântica e eternizada do amor entre o casal. (SILVA, LOPES; VARGENS, 2010).

“Comigo ela nunca falou nada disto, nem que sente ou já sentiu vontade nem nada...” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

A oportunidade de dialogar sobre o assunto precisa existir. O assunto não é pecado e nem absurdo que não se possa falar dele, o que falta é a oportunidade de conversar, discutir, ensinar e, quem sabe, aprender sobre sexualidade e sexo. São dois conceitos parecidos na escrita, complexos na compreensão e intensos ao sentir. Enquanto não houver essa possibilidade, o julgamento sobre o que ela sente ou deseja fica difícil de saber e até mesmo de ajudá-la.

Para Almeida e Lourenço (2008), o idoso deve encarar como sadias as práticas amorosas e eróticas na velhice, por ser essa atitude positiva associada a um sentimento de adesão à vida. Talvez, o que falta para esta idosa é a compreensão de que o processo natural da vida é que todos amam, todos fazem sexo e vivem a sexualidade, e de que forma alguma está contradizendo o que é chamado de natural.

E, ainda, Almeida e Lourenço (2008, p. 707) concluem:

O problema crítico dos idosos em matéria de sexualidade consiste, então em ganhar coragem e perder a vergonha acerca das crenças que adotam, por serem errôneas e paralisarem suas motivações para o exercício positivo de sua sexualidade.

“[...] Fala muito da saudade que tem quando podia namorar meu pai [...].” (Cuidadora da Sra. Simplicidade)

A cuidadora diz que a idosa insiste em dizer da saudade que tem do marido enquanto “tinha saúde”. Ainda, na visão da cuidadora, a aceitação dele enquanto acamado acaba limitando a forma de vê-lo, impedindo a troca de carinho com objetivo de findar-se ao coito, ou pelo menos, uma troca mais intensa de carinhos entre ambos.

De acordo com Almeida e Lourenço (2008), as idosas podem, e devem, manter acesa a chama da paixão por seus companheiros, sendo o carinho uma peça fundamental.

O amor “eterno” até pode existir, o que devemos tentar é não viver em prol dele, denegrindo nossa vida por alguém que já não vive entre nós.

Neves et al. (2010, p. 1.169) ressaltam:

[...] o cuidado domiciliar também será facilitado a partir do conhecimento da condição de fragilidade e avaliação dos recursos locais, incluindo o cuidado familiar como um parceiro da equipe de cuiinformações [...].

O que costumeiramente é relacionado da idosa com um cuidador precisa ser observado. A relação de um com o outro não deve ser meramente imposto, o que proporciona uma distância entre ambos e resulta em falta de diálogo.

“[...] Segundo ela, era feliz com meu pai [...].” (Cuidadora da Sra. Amorosa)

Para Machado (2011, p. 1.543), “a velhice inegavelmente faz o enfrentamento com algumas perdas de laços com o outro, o que caracteriza um luto de objetos perdidos”. Todavia, não determina uma impossibilidade de novos investimentos.

Pensar na possibilidade de um companheiro ao seu lado parece não ser desejável. No entanto, viver em prol de lembranças fará com que sua velhice não seja vivida como poderia e/ou deveria.

“Às vezes, penso que ela culpa um pouco a minha mãe.” (Cuidadora da Sra. Trabalhadora)

O fato de sua mãe ter ofertado tanta opressão, pode ter atrapalhado sua vida amorosa. No entanto, Mucida (2006 apud MACHADO, 2011), lembra que o desejo não tem a idade de nossos vasos sanguíneos ou nossos órgãos. Nessa direção, a velhice implica saber vestir esse desejo.

A referência que se faz da velhice é apenas como um ciclo vital, e não como uma morte “viva” em que precisamos deixar de viver as coisas boas que a vida nos oferece, ou mesmo nos dá oportunidade.

As falas das cuidadoras mostram que as relações interpessoais positivas auxiliam o familiar a lidar com o sofrimento e a prover suporte físico e emocional a idosa com DA. Portanto, manter esperança auxilia os cuidadores familiares a reduzirem seus sentimentos de angústia, podendo auxiliá-los a aceitar a perda. (FRATEZI; GUTIERREZ, 2011).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os objetivos deste estudo foram conhecer a sexualidade das idosas com a Doença de Alzheimer Leve, bem como descrever a manifestação e a vivência da sexualidade, na percepção das idosas e suas cuidadoras, apontando as facilidades e dificuldades relacionadas com as atitudes referentes á sexualidade.

Várias foram as conclusões, entre elas a doença e nem a velhice, as retirou da possibilidade de viver suas relações afetivas satisfatoriamente, na qual a sexualidade está incluída.

O vínculo é essencial para que tudo seja facilitado no aproveitamento da convivência. Este facilita a comunicação sobre vários assuntos resultando em esclarecimentos de todas as questões. A vivência de um companheirismo não necessariamente com alguém do sexo oposto, mas sim de alguém que possa estar ao lado literalmente presente na convivência diária.

Outra questão direcionada a um bom vínculo é a discussão de uma sexualidade juntamente com o desejo sexual, onde este é abordado de forma pouco constrangedora par ambas as partes envolvidas. .

A metodologia utilizada, do tipo exploratório de estudo de caso, foi importante para a familiaridade junto das idosas. A técnica de recorte e colagem e análise das fotos foram extremamente ricas, e surpreendeu a adesão das idosas a essas técnicas projetivas, pois houve uma participação afetiva das idosas, que gostaram da questão de recorte e colagem, do desenho e até mesmo no momento de rever as fotos da família (mesmo com dificuldade de recordar dos parentes). Essa metodologia demonstrou uma ferramenta riquíssima, que é a questão das fotos e recorte e colagem. Percebeu-se que elas se sentiram literalmente participantes do estudo, e isso as motivaram a tentar entender a técnica realizada.

Como dificuldade, tivemos a identificação de idosas com DA leve disponíveis para a pesquisa. Tentou-se junto ao Hospital Universitário de Brasília (HUB), ao Hospital da Universidade Católica de Brasília (HUCB) sem sucesso; somente a USMT se disponibilizou a ajudar.

Além dessa dificuldade, a distância das residências das idosas tornou a pesquisa muito mais trabalhosa. Foram trabalhadas as cidades de Luziânia/GO, e as Regionais administrativas de Ceilândia e Samambaia/DF. Foram vários encontros, sendo em média cinco encontros com cada idosa.

Como facilidade da pesquisa foi a adesão das idosas e suas cuidadoras. Ao entenderem a pesquisa, muito desejavam que nossos encontros fossem inúmeros.