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Summary

In document Evaluation STIM-EU and PES2020 (sider 44-56)

3.4 Conclusions

3.4.5 Summary

Os modelos mentais vêm sendo estudados e teorizados desde as segunda metade do século XX com os estudos de Kenneth Craik (1943) sobre “modelos em escala reduzida”, bem como estudos de Johnson-Laird (1983) ; van Dijk e Kinstch (1983); Gentner e Stevens (1983); Oakhill e Garnham (1996); Van Oostendorp e Goldman (1999) e outros. Tais postulados visaram criar teorias sobre os modelos de situação e modelos mentais, auxiliando na

126 resolução de diferentes problemas relativos à coerência, à correferência local e global e às relações de sentido e conhecimentos.

Dessa forma, pode-se afirmar que o modelo mental auxilia a representação do sentido e um texto; os usuários da língua constroem modelos mentais dos eventos vivenciados e experienciados por eles. Como esses modelos podem ser construídos por experiências individuais realizadas no social é possível que haja similitude entres os modelos mentais dos participantes discursivos. Para o autor os “modelos de contextos se tornam a interface crucial entre os modelos mentais e os dos discursos sobre esses eventos.” (van DJIK, 2012, p. 92)

Do ponto de vista sócio cognitivo,

... os discursos e modelos mentais são definidos por esquemas que se repetem frequentemente como tais, como parte de nossas experiências. As experiências acumuladas com as situações do dia a dia podem, portanto, levar a esquemas de modelos abstratos nos quais, por exemplo, os Ambientes (Tempo, Lugar), os Participantes (em vários papéis e relações), bem como as Ações são categorias mais ou menos estáveis. Portanto, embora cada modelo mental de um texto ou situação seja único, por causa de circunstâncias e contingências da situação presente, sua estrutura abstrata pode ser definida “objetivamente” pelas percepções acumuladas das pessoas. (van DIJK, 2012, PP. 93- 94)

Segundo van Dijk (2012), os modelos mentais presentes na Memória Episódica e o conhecimento geral, inserido na memória semântica estão inter- relacionados; assim sendo, os conhecimentos compartilhados socioculturalmente inseridos no Marco das Cognições Sociais não necessitam ser explicitados, uma vez que se pressupõe que já seja do conhecimento de todos; por isso os textos-produtos são incompletos ou contêm implícitos, pois os seus autores pressupõem uma enorme quantidade compartilhada de ‘conhecimento do mundo’ que será ativada na interação.

Para o autor,

... os contextos são um tipo especial de modelo mental da experiência cotidiana [...] Não há nada de estranho ou contra intuitivo em definir os contextos

127 como modelos mentais, porque os eventos comunicativos e as interações discursivas são formas da experiências cotidiana como quaisquer outras. Ou seja, a maneira como experienciamos, construímos, definimos ou interpretamos o que está acontecendo enquanto estamos participando de um evento comunicativo não é fundamentalmente diferente do modo como fazemos tudo isso para outros eventos. A única característica diferente dos modelos de contextos é que eles representam a comunicação ou interação verbal. E que, da mesma forma que os modelos mais gerais de experiência ou interação organizam o modo como adaptamos nossas ações à situação social ou ao entorno, os modelos de contexto organizam os modos como nosso discurso é estruturado e adaptado estrategicamente à situação comunicativa global. (van DIJK, 2012, p. 107)

A dialética entre o social e o individual, para definir a noção de contexto é visualizada, por van Dijk (2008, pp. 159), da seguinte forma:

Modelos Mentais Contextos Globias / MCS Contexto Local - individual (valores e crenças) práticas socias Tipos de atividades e gêneros discursivos definidos socialmente

128 O esquema apresenta a inter-relação dos níveis ou ‘hierarquias de situação’, envolvidas na produção e compreensão dos discursos. Deve-se ressaltar que os participantes representam as situações locais ou microsituações cotidianas como sendo parte de contextos institucionais, situados no MCS através das práticas sociais, isto é, como os participantes da interação representam e analisam os entornos, as situações sociais.

Van Dijk (2012, pp. 177) apresenta o seguinte esquema de modelo de contexto:

O Ambiente se refere ao tempo e ao espaço em que se realiza o evento comunicativo, pois ele auxilia na produção e criação das representações pré- estabelecidas.

Os Participantes são aqueles capazes de fazer inferências das situações subentendidas existentes nas situações institucionais que ocorrem socialmente

CONTEXTO AMBIENTE tempo/período, espaço/lugar/entorno PARTICIPANTES EU-MESMO papéis comunicativos, papeis sociais - pertencer a um grupo social, relação entre participantes. AÇÕES/ EVENTOS COMUNICATIVOS OU DA MESMA NATUREZA

129 no dia a dia, sendo eles representados como membros de grupos sociais que possuem conhecimentos e crenças específicas ao grupo.

O Eu-mesmo visa representar ou demonstrar como Eu represento o meu entorno, no momento em como Eu ‘vejo’ a situação, ou seja, a forma como penso, ajo, falo, escrevo, ouço ou leio neste momento – papel de falante/interlocutor. Assim, o Eu, enquanto participante do evento comunicativo, precisa processar as informações complexas e transformá-las em poucas categorias esquemáticas, a fim de construir uma ordenação contextual para o processamento do discurso na memória de trabalho, salientando a relevância.

Para a teoria do contexto, a categoria Eu-mesmo assume um lugar central uma vez: estrutura a participação ou os papéis comunicativos dos participantes; verifica a relevância criada pela seleção e conhecimentos ativados na memória episódica; possibilita identificar os objetivos, as intenções os propósitos dos participantes; administra o conhecimento global e local/pessoal.

A relevância, para van Dijk, focaliza as condições do ‘acontecimento’, ou seja, está focalizada nos fatos determinantes para tal, “... o conhecimento de um fato, é importante (ou relevante) relativamente a um contexto ou em geral para uma situação ser for condição imediata (ou impedimentos) para um provável evento ou ação, nesse contexto ou situação”. (van DIJK, 2012, p. 209). Para o autor, deve-se, também, distinguir a relevância semântica que agrega os conhecimentos (valores, crenças, etc.) necessários para que os discursos possuam sentido, de outro lado, a relevância pragmática – que nos fornece informações sobre as condições que influenciam as condições de felicidade dos atos de fala.

[...] A noção de relevância é definida pela noção mesma de contexto, a saber, em termos do processo cognitivo de construir um modelo de contexto com base nos dados procedentes de uma interpretação da situação guiada por um esquema adquirido e compartilhado socioculturalmente dos tipos de categorias que definem esses contextos e pelas experiências comunicativas passadas. (van DIJK, 2012, P. 118)

130 No que se refere aos objetivos e intenções, van Dijk alicerça-se nos postulados de Searle (APUD, van Dijk, 2012) no sentido de intenções-de- ações, ou seja, planejar uma ação requer a construção de um modelo mental de conduta, em curso ou futuro, e somente ganha um significado ou pode ser interpretada dentro do modelo mental engajado intencionalmente em um ato comunicativo.

O conhecimento global ou social está situado no conhecimento sociocultural que tem grande importância para a produção e compreensão do discurso.

Van Dijk apresenta um esquema da produção de discurso controlada pelo contexto:

DISCURSO/INTERAÇÃO

REPRESENTAÇÃO DO DISCURSO

MODELO DO CONTEXTO SITUAÇÃO COMUNICATIVA

MODELO DO EVENTO

Memória episódica

ATITUDES DO GRUPO IDEOLOGIAS DO GRUPO

CONHECIMENTO LOCAL – DE GRUPO

Memória semântica (social)

CONHECIMENTO SOCIOCULTURAL - GERAL SITUAÇÃO SOCIAL

ESTRUTURA SOCIAL

131 O contexto como um esquema mental é formado por outros contextos, relativos a conhecimentos armazenados na memória de longo prazo das pessoas. Os contextos são: contexto cognitivo, contexto discursivo e contexto de linguagem.

O contexto cognitivo é construído com os conhecimentos de mundo; o contexto discursivo, com os conhecimentos relativos aos participantes, suas funções e suas ações dependendo das práticas sociais discursivas; e o contexto de linguagem, é relativo aos conhecimentos das diferentes variedades/variações linguísticas, dos estilos e dos usos de linguagem.

A teoria dos contextos é relativa ao texto-processo construído na memória de trabalho, recorrendo a conhecimentos já armazenados na memória de longo prazo. O texto produto é a representação em língua que é explicitado por expressões que contêm implícitos culturais, históricos, sociais entre outros. O autor situa no texto-produto o dispositivo-K que é responsável para a ativação de conhecimentos já memorizados.

... o dispositivo-K terá fornecido as suposições relevantes sobre aquilo que os receptores já conhecidos sabem (ou acreditam, ou querem). O conhecimento relevante para este mecanismo está sendo derivado a partir da representação já estabelecida dos receptores enquanto participantes do modelo de experiência : mais ou menos, sabemos a quem estamos falando ou escrevendo mesmo quando se trata de um grupo, e portanto sabemos também em que consiste seu provável conhecimento social [...] a informação para o dispositivo-K será atualizada dinamicamente, antes de mais nada pelo feedback do próprio discurso: aquilo que acaba de ser dito torna-se parte do contexto, como conhecimento novo, e aquilo que foi ‘feito’ pelo discurso também se torna parte do contexto, nomeadamente, como ações que condicionam as próximas ações... (Van DIJK, 2012, p. 145)

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C A P Í T U L O IV

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