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Summary description of the major deposits

In document IN THE ARCTIC (sider 50-58)

Apesar de possuir boas qualidades, os piores defeitos de Nobunaga, a sua suprema arrogância, soberba e orgulho, prevaleciam dentro de si de tal maneira que o cegaram e o desviaram por completo do caminho da razão, conduzindo-o ao que o narrador denomina “demência”, a loucura de acreditar que não existia nenhuma Entidade superior a si próprio nem na Terra nem no Céu, que era “…Senhor do universo e Author da natureza…”, desejando ser adorado pelos seus como um Deus, pois “…tinha hum certo ser mais que de homem…”631, segundo diziam os seus

criados, insinuando o narrador que estes somente aceitavam venerá-lo como uma divindade por

627 HJ, vol. III, p. 331.

628 “…algumas vezes nos dizia que erão grandes as insidias de nossos emulos contra nós, e frequentes os falsos

testemunhos que lhe dizião…”, ibidem.

629 Ibidem. 630 Ibidem. 631 Ibidem.

benefício próprio632 e também, provavelmente, por terem medo de lhe desobedecer. Nobunaga enlouquecera ao negar a existência do Deus cristão, ao crer que um mortal podia atingir o patamar de divindade e ao pensar que todos os seus sucessos e vitórias foram alcançados humanamente, que estava prestes a tornar-se no Senhor Absoluto do Japão através do seu talento e esforço, em vez de “…se humilhar e reconhecer serem tudo beneficios e mercês grandes que recebia da poderoza mão do Author da natureza…”633, pelo que o narrador o considera “…infeliz e mizeravel…”634, pois

embora fosse o mais poderoso e temido Senhor do seu país, a sua insana ousadia em desejar ser adorado na terra fê-lo chegar “…ao ultimo donde sua demencia e arrogancia o podião precipitar.”635.

Assim sendo, Nobunaga incorreu na hybris, na mesma impertinência excessiva que “…leva o homem a querer ultrapassar a sua condição e a medir-se com os deuses.”636, provocando a ira destes,

o que levou à sua punição pelo Criador, do mesmo modo que os Deuses helénicos castigaram Agamémnon, Édipo ou Prometeu. Não se contentando em ser somente o sumo governante do seu país mas tendo ambições mais elevadas, Nobunaga cometeu a mesma “…temeridade e insolencia de Nabucodonosor…”637, o mais poderoso rei da Babilónia, a de desejar ser amado não como um

homem mortal, mas como um ser divino, imortal, omnipotente, pois agradava-lhe o conceito do Deus Cristão, um Ser que tudo no mundo ordenava e controlava, ansiando por um poder semelhante, com o qual podia alcançar a forma mais perfeita de governar, e por isto é comparado, também, ao Anjo Lúcifer638 que caíra na insolência de tentar competir com o Deus único e omnipotente, o que o levou a precipitar-se no abismo, assim como sucedeu a Nobunaga, também ele o “Anjo” que tentou ultrapassar Deus.

Para fomentar esta heresia, Nobunaga mandou, alegadamente, edificar um templo para seu próprio culto e veneração, de nome Soquenji, prometendo a quem o venerasse diversos privilégios, tais como “…os ricos vindo aqui adorar, mais e mais se hão-de acumular suas riquezas; e os pobres, (…) pelos merecimentos de vizitarem este templo serão também ricos; e os que não tiverem filhos (…) logo terão decendentes (…) a vida lhes será dilatada athé os oitenta annos, as enfermidades sararão logo…”639 e ordenando como dia santo e de romagem a este templo o dia de seu nascimento

de cada mês. A alegada construção deste templo com o objectivo de materializar a “…sua venenoza ambição…”640 de ser adorado pelos homens como uma divindade não deixa de ser um pouco

irónica, uma vez que, deste modo, agia como os bonzos que ele tanto odiou e perseguiu em vida ao

632 “…e isto por lhe fallarem à vontade e o terem mais propicio em seos negocios.”, HJ, vol. III, p. 331. 633 HJ, vol. III, pp. 331-32.

634 HJ, vol. III, p. 331. 635 HJ, vol. III, p. 332. 636 PEREIRA, 2006: p. 421. 637 HJ, vol. III, p. 332.

638“…determinou finalmente com esta luciferina soberba, em que todo andava acezo e inflamado…”, ibidem. 639 Ibidem.

prometer regalias e benefícios a quem o venerasse e fosse visitar o seu templo e ao ameaçar quem não o fizesse com um destino terrível, promessas e ameaças fictícias que Nobunaga criticava nos bonzos mas que imitava agora, apesar de não passar de um homem que queria ter estatuto divino, assim como os ídolos japoneses que os bonzos adoravam, deuses falsos. Para “…poder melhor pescar sua devoção.”, Nobunaga ordenou “…por persuação e instincto do demónio…”641, não

motivado pelo seu próprio juízo mas pela mesma cegueira de Lúcifer, que se trouxessem para o seu templo os pagodes japoneses mais venerados, apesar de durante a sua vida ter decretado a destruição de tantos, não para serem adorados mas para, assim, se colocar numa posição de pedestal, superior a todos os restantes, e, não havendo em Soquenji uma pedra que costuma haver nos templos das seitas budistas chamada xintai, “…que quer dizer coração e sustancia, id est daquelle orago…”, o próprio Nobunaga afirmava “«Eu sou o mesmo xintai!»”642, o centro, a matéria, a

essência daquela religião, do seu país e, pelo que parecia ambicionar, também do Céu e da Terra. Assim, no dia do seu aniversário, como estava estipulado, compareceram tantas pessoas de diversas partes do país “…que parecia couza incrivel.”643, demonstrando que tinha já muitos idólatras e que,

no futuro, esse número iria subir, heresia que Deus não podia permitir continuar.

Deste modo se vê a estranheza da afirmação de que Nobunaga concordava com o que os padres pregavam sobre a vida para além da morte, parecendo mais certo que, como é referido depois, este não acreditava em Deus nem em recompensas presentes ou futuras, não crendo que houvesse mais do que nascer e morrer, o que combina melhor com a “demência” que o narrador nos relata no final da obra, em que Nobunaga tanto não aceitava o conceito de vida eterna que desejou, alegadamente, ser divino em vida como um meio de eternizar a sua pessoa e o seu nome, apesar de o seu corpo deixar, eventualmente, a terra. Acreditaria num paraíso celeste quando tinha já criado o paraíso terrestre em Azuchi? De que lhe servia a imortalidade da alma no Céu se existia um Deus superior a todos? O que lhe seduzia era a ideia de ser divino na terra, adorado por todos os homens.

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