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SUMMARY OF CONCLUSIONS AND RECOMMENDATIONS The UK and Afghanistan from 2014

In document The UK and Afghanistan (sider 106-119)

10 de outubro de 1985. Foi nesta data que a Cultura FM entrou no ar, na capital paraense. Inaugurada sob o governo de Jader Barbalho, do PMDB, a emissora disputou o canal educativo com a Universidade Federal do Pará. A Funtelpa venceu a concorrência por ter o projeto mais completo e já possuir uma estrutura física para abrigar a emissora (NERY, 1999, p. 23).

O ano de 1985 havia sido intenso para o Brasil: marcado pelo nascimento da Nova República, baixos salários, greves, inflação descontrolada, instalação da comissão de estudos da Assembléia Nacional Constituinte, conflitos de terra, a maior dívida externa do mundo - US$ 115 bilhões à época, em resumo, um arsenal de problemas que os governantes pós- regime militar tinham pela frente. A Rádio Cultura foi inaugurada neste período de incertezas, no qual, ao mesmo tempo, o Brasil vive uma efervescência cultural em vários campos.

63 “Conheça a Empresa”. Disponível em http://www.ebc.com.br/empresa/, consultado em 05/10/2009. 64

“Após 11 anos, governo reativa a Rádio Cultura Ondas Tropicais”, disponível em

Por isso e por conta do caráter educativo, nos primeiros anos, a Cultura FM tinha como objetivo veicular uma programação diferente daquela existente nas emissoras comerciais de Belém. A nova rádio deveria ir da música popular à erudita, além de abrir espaço à música paraense, conforme relembra Francisco Cézar65.

Eu entendia que uma emissora do estado deveria contribuir para uma educação de um modo geral, não no sentido formal, porque acho que educação deve ser ministrada em sala de aula, em Secretaria de Educação, pelos colégios, universidades etc. Uma emissora do governo, principalmente uma emissora de FM tem uma missão de entretenimento e uma educação no sentido mais amplo, uma educação social que promova a informação para a conscientização do cidadão, para que o cidadão seja um cidadão mais pleno e consciente dos seus deveres e seus direitos. E que possa ter a possibilidade de optar, de escolher. Na ocasião, rádio FM no Brasil era dominado na parte musical por música estrangeira, de cada dez tocadas nas FMs, nove eram estrangeiras. Então decidimos que a Cultura teria um perfil absolutamente brasileiro, vamos tocar só música brasileira, e dentro da brasileira, vamos tocar muito também a música feita no Pará. O enfoque era valorizar o compositor, o músico e o cantor paraense, que não tinham espaço. E outra vertente, nós tínhamos preocupação com a música instrumental que é outra coisa que sempre foi deixada de lado nas emissoras comerciais. Numa emissora do governo que é sustentada pelo dinheiro público, ela deve dar ao público as opções que ele não tem na emissora comercial.

Para encontrar sua identidade, os funcionários da emissora passaram por treinamentos junto a profissionais da BBC londrina e da Deutsche Welle alemã, reconhecidas mundialmente pela comunicação pública. O produtor musical, Beto Fares66, acompanhou a fase de implantação da emissora. Ele começou a trabalhar na rádio em 1987 e, conforme diz, nesse início não se sabia ao certo quais caminhos seguir:

Havia um arquivo de áudio e o Francisco César, o diretor da rádio fez um convênio com a Deutsche Welle, rádio alemã, para ver padrão de produção. A rádio ainda estava em formatação, tudo aqui era uma experimentação. (...) No início tocou música estrangeira porque naquela época a música estrangeira era muito forte no Brasil, mas depois foi abolida. (...) A rádio era uma coisa meio estranha; era alternativa. Tudo tocava na programação da rádio. Ela foi se afinando, se afinando, até virar essa cara de MPB que tem hoje.

Beto Fares lembra que, por mais inovadora que a equipe fosse, havia limitação por conta do pequeno acervo de discos. Mesmo assim, devido à programação inusitada da rádio, a Cultura chegou a ser considerada uma rádio elitista. Entre 1985 e 1987, foram criados dois núcleos na emissora: o de Jornalismo e o de Produção. A partir de então, a emissora passa a

65 Depoimento dado à autora em 07/08/2009. 66 Depoimento dado à autora em agosto de 2008.

produzir seus próprios programas. “A rádio tinha uma grade de programas produzidos muito grande. Chegou a ter mais de cem programas produzidos. Cheguei a fazer sozinho três programas”, afirma o produtor.

A única vez que a linha de conteúdo da Rádio Cultura FM foi quebrada ocorreu durante o governo do cantor e apresentador de TV, Carlos Santos (PL – 1994 a 1995). Ele assumiu o governo por curto período, pois era o vice-governador de Jader Barbalho, que saiu para candidatar-se ao Senado. Sob a administração de Raimundo Sepeda, ex-gerente de uma das lojas de Carlos Santos, a Rádio Cultura mudou completamente seu conteúdo. Por oito meses, tempo que durou o governo de Carlos Santos, o ouvinte da rádio passou a ter estilos como o brega e o sertanejo em seu cardápio musical.

Insatisfeitos com as mudanças na programação, vários músicos se reuniram com representantes da Funtelpa para reivindicar que a rádio mantivesse a sua identidade e continuasse sendo de fato uma alternativa às emissoras comerciais (...) As mudanças na programação da Cultura FM criaram uma situação tensa. De um lado, a direção da emissora queria “uma rádio sem preconceito” (slogan da época), que agradasse a todos. De outro, os ouvintes queriam o retorno da programação normal (NERY, 1999, p.25)

A situação volta a se normalizar apenas quando Carlos Santos deixa o governo em 1995. No novo mandato, assume o médico Almir Gabriel do PSDB. Ele é reeleito em 1998; permanece até 2003, quando Simão Jatene do PSDB passa a governar o Pará até 2007. Após doze anos no poder, o PSDB sai em 2007, dando lugar a Ana Júlia Carepa, do PT.

O comando do PSDB para a Funtelpa significou um revezamento na direção da rádio, assumida por funcionários antigos da casa. Em 1995, a direção da emissora estava sob o comando do radialista Ronald Pastor, que permaneceu no cargo até 2004. A partir daí, passa a dirigir a emissora o produtor musical Beto Fares. O primeiro falava para um público mais velho, percebia a rádio voltada a quem tem mais de 30 anos; o outro entendia que a rádio deveria atingir um público mais jovem, conforme conta:

Quando eu fui diretor mudou esse perfil (público-alvo com mais de 30 anos). A gente baixou esse perfil para 25 anos. A rádio ficou mais jovem, mas agora voltou a ter o perfil de 30 anos (...); o público continua o mesmo. Ele só faz sair do pai pro filho ou do filho volta pro pai e assim por diante67.

Em seus primeiros anos, a Cultura FM estava de posse dos melhores equipamentos de rádio e possuía boas instalações físicas. Aos poucos, no entanto, a situação foi mudando.

Os equipamentos começaram a se deteriorar; os investimentos na Funtelpa, como um todo, não ocorreram, passando a haver redução no quadro de pessoal (NERY, 1999, passim). Grande parte dos funcionários é de servidores temporários, um dos motivos que levou à criação da nova Funtelpa, conforme veremos adiante. O governo do Estado está, com atraso, se adequando à lei constitucional (capítulo VII, art. 37), segundo a qual todo servidor da administração direta ou indireta precisa ser concursado. Já houve um concurso na Funtelpa em 2006 e deve haver outro, ainda sem data definida.

O ex-presidente do órgão, Francisco Cézar denuncia a falta de cuidado com a Funtelpa dependendo de quem esteja no poder.

Nesse tempo todo eu lamento realmente essa destruição que acontece de período a período. É triste. Isso aqui que nós fizemos (mostra relatório do acervo da emissora em 1990) era pra estar hoje digital. Sempre tive essa preocupação. Eu soube que no segundo governo do Jader, 1991, a pessoa que ficou lá na Funtelpa, usou fitas dos programas que estavam todas no arquivo, porque não tinha dinheiro pra comprar fitas. Pegou fitas do Cultura Documento, do Debate Cultura e gravou por cima68.

A jornalista Lena Nery (1999, p. 24) aponta a falta de continuidade na programação como um entrave ao desenvolvimento da emissora: “O problema que impede a continuidade de programas produzidos é a mudança de direção da Funtelpa, pois cada presidente que ingressa na fundação muda ou acaba com algumas programações e muitas vezes não as substituem”.

In document The UK and Afghanistan (sider 106-119)