As linguagens de programação vêm se destacando nos cursos de Matemática, sobretudo em áreas da matemática aplicada em que a computação científica é muito útil. Citaremos brevemente algumas das linguagens de programação mais utilizadas.
a) A linguagem Fortran - é a antepassada das linguagens cientificas computacionais. O nome Fortran deriva de FORmula TRANslation, no começo esta linguagem tinha a intenção de traduzir equações científicas para linguagem computacional. A primeira versão foi
desenvolvida pela International Business Machines Corporation (IBM) entre 1954 e 1957. O Fortran foi um programa verdadeiramente revolucionário, antes dele todos os programas de computadores eram lentos e originavam muitos erros.
A linguagem Fortran original era muito pequena em comparação com as versões atuais, só podia trabalhar com variáveis do tipo inteiro e real, e também não havia sub-rotinas. Quando começou a ser usada regularmente verificou-se a existência de diversos erros. A IBM diante destes problemas lançou em 1958 o Fortran II. Depois vieram várias versões, uma mais sofisticada que a outra até que em 1997, lançaram o Fortran 95. As novas implementações contidas nas versões mais atuais têm feito com que esta linguagem ainda seja usada nas áreas de aplicações científicas (CARREIRA, CARVALHO; COSTA, 2005).
b) A linguagem Pascal - foi criada no início da década de 70 pelo Prof. Niklaus Wirth do Technical University, em Zurique, para ser uma ferramenta educacional. Foi batizada pelo seu idealizador de Pascal, em homenagem ao matemático Blaise Pascal, inventor de uma das primeiras máquinas lógicas. O Pascal começou a ganhar popularidade quando foi adotado pela Universidade da Califórnia, San Diego, em 1973. Contudo, somente ao final de 1983, quando a soft-house americana Borland Internacional lançou o Turbo Pascal para microcomputadores é que adquiriu notoriedade (POMBO, 2005).
c) A linguagem C – foi criada por Dennis Ritchie, em 1972, no centro de Pesquisas da Bell Laboratories. Sua primeira utilização importante foi a reescrita do Sistema Operacional UNIX, que era escrito em Assembly. Na década de 1970, o UNIX saiu do laboratório para as universidades. Cerca de uma década depois já existiam versões de compiladores C oferecidas por várias empresas, não sendo mais restritas apenas ao ambiente UNIX, porém compatíveis com vários outros sistemas operacionais. O C é uma linguagem de uso geral, sendo adequada à programação estruturada, porém, é mais utilizada para escrever compiladores, analisadores léxicos, bancos de dados, editores de texto, etc. O C possui características como portabilidade, modularidade, compilação separada, recursos de baixo nível, geração de código eficiente, confiabilidade, regularidade, simplicidade e facilidade de uso (CENTRO DE COMPUTAÇÃO - UNICAMP, 2005).
d) A linguagem C++ - foi desenvolvida por Bjarne Stroustrup, pesquisador da AT&T para acrescentar construções orientadas a objetos na linguagem C. No início, a linguagem foi chamada de C com Classes, mas em 1983, depois de vários melhoramentos a linguagem foi renomeada para C++. A primeira versão comercial de C++ chegou ao mercado em 1985. O C++ é uma linguagem de propósito geral, suporta integração com várias outras tecnologias,
podendo ser utilizada para praticamente qualquer finalidade, como Web, micro-controladores, descrição de hardware, comunicação, etc. (STROUSTRUP, 2005)
Na Internet, encontramos facilmente softwares para uso em Matemática, muitos deles gratuitos. Indicamos no final do trabalho (apêndice F), os endereços eletrônicos em que podemos adquiri-los, bem como grupos de pesquisas, sites onde podemos encontrar apoio didático para o planejamento de aulas de Matemática com o uso de computadores e alguns sites ligados a conceituadas universidades e destacados pesquisadores em informática educativa e Matemática, como:
• Laboratório de Ensino de Matemática da Universidade de São Paulo; • Associação de Professores de Matemática de Portugal;
• Universidade Federal do Rio Grande do Sul;
• Universidade do Estado da Flórida – Estados Unidos.
Além do uso de computadores, achamos importante salientar o uso de calculadoras no ensino da Matemática, Borba e Penteado (2001) relatam várias experiências em Educação Matemática como o uso de calculadoras gráficas para se trabalhar com Geometria, Cálculo e Estatística. Essas máquinas além de terem as funções de calculadora científica também podem traçar gráficos. Destacam também o uso de softwares como o Excel, FUN30 e Graphmatica, e citam que a calculadora gráfica pode desempenhar o papel dos três softwares mencionados. Inclusive Borba utilizou a calculadora em 1993, em cursos de Matemática para ensinar alunos de graduação em Biologia da UNESP (BORBA; PENTADO, 2001).
Esses autores também mostram trabalhos com o uso da calculadora em turmas de ensino fundamental em Rio Claro/SP, onde primeiramente utilizaram calculadoras simples para o estudo de radiciação e posteriormente calculadoras gráficas para trabalhos envolvendo funções lineares e quadráticas. Em seguida acoplaram um detector sônico de movimentos à calculadora gráfica que permite a medição da distância desse aparelho a um alvo determinado: “os dados são transmitidos para a calculadora que exibe um gráfico cartesiano de distância versus tempo” (BORBA; PENTEADO, 2001, p. 29). Esses autores destacam que o ensino de função é geralmente iniciado via álgebra, porém, com esse recurso tecnológico podemos iniciá-lo a partir da geometria.
Ao estudarem funções quadráticas, no computador, os alunos experimentam como em um laboratório, mudar os coeficientes e a partir daí verificam o novo comportamento do gráfico da referida função (BORBA; PENTEADO, 2001).
Há relatos por parte dos pesquisadores de experiências envolvendo modelagem na Biologia (BORBA; PENTADO, 2001) e enfatizam que sem o uso de softwares “dificilmente um grupo de alunos, não especialistas em cálculos algébricos, realizaria tal investigação e chegariam a tal modelo” (BORBA; PENTADO, 2001, p. 41).
Outros exemplos são o de Villarreal (1999) que estudou como os alunos pensam os conceitos do cálculo no programa Derive31, usado para o estudo de funções. E de Cancian32 que discute a mudança no pensamento e na prática de professores em um trabalho colaborativo sobre a utilização da informática na educação matemática (BORBA; PENTADO, 2001).
Pesquisas no Brasil, sobre softwares educacionais voltados para a Matemática, também são relatadas em vários trabalhos, dentre elas relacionamos, no apêndice G, os artigos das duas mais importantes revistas sobre Educação Matemática no Brasil: Educação Matemática em Revista (2004) - periódico da Sociedade Brasileira de Educação Matemática - SBEM e a Revista do Professor de Matemática (2005), da Sociedade Brasileira de Matemática. Ambas vêm trazendo vários artigos sobre o uso das novas tecnologias no ensino da Matemática, que merecem ser estudados nas licenciaturas.
Atualmente, também contamos com a rede INTERLK (2004), criada no GPIMEM- UNESP, Rio Claro, que visa promover a integração entre professores e pesquisadores no desenvolvimento de atividades escolares com o uso da informática, exploração de softwares para o ensino da Matemática e atividades com os alunos com o método da reflexão na ação. O grupo dispõe também de lista de discussão via e-mail e homepage onde o trabalho é disseminado.
2.5 OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS - PCN E O USO DOS