Laura
Laura tem trinta e seis anos. Formou-se em Pedagogia pela Faculdade de Educação, em 2006. Sua primeira experiência como professora da Educação Básica foi no ano de 2007, no Centro Pedagógico da UFMG. Nesse ano, ela lecionou para uma turma do primeiro ano do primeiro ciclo, ou seja, para crianças de seis anos de idade, do qual ainda é professora (agora no segundo ano).
Laura iniciou sua escolarização em uma escola pública municipal, multisseriada e rural. Na quinta série, passou a estudar em uma escola pública estadual urbana. Nesse período, descobriu a biblioteca municipal da cidade e freqüentava esse espaço cotidianamente. Sua escola, apesar de não incentivar a prática da leitura, permitiu que ela apresentasse suas leituras e recitasse poesias no pátio. Laura veio para Belo Horizonte para cursar o ensino médio na Escola Municipal IMACO. Nesse período, conheceu a Biblioteca Estadual Luiz de Bessa, situada na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Foi também nesse período que decidiu ser professora e prestou vestibular para Pedagogia.
Durante o curso de graduação, Laura tinha certeza que queria ser professora da Educação Básica. Estagiou no Centro Pedagógico, mas teve dificuldade em estabelecer ligações entre as disciplinas do curso e suas experiências no estágio. Segundo Laura, uma possível explicação para esse fato seria que a professora da disciplina de Estágio, da Faculdade de Educação, não tinha experiência em sala de aula dos anos iniciais.
A professora relata que seu primeiro ano de profissão foi muito árduo e que, em função disso, sentiu necessidade de estudar e retomar seus textos da graduação, encontrando novos sentidos nessas leituras e podendo relacioná-las com sua prática pedagógica. Já no segundo ano de exercício docente, Laura sente-se menos ansiosa, principalmente quando percebe que seus alunos estão se desenvolvendo.
Lúcia6
Lúcia tem trinta anos. Sua trajetória escolar foi realizada em escolas públicas do município de Belo Horizonte. Ela mesma define essa trajetória como de sucesso, pois gosta de estudar, teve bons relacionamentos com professores e colegas e sempre teve o apoio emocional de sua família.
Lúcia decidiu ingressar na profissão docente inspirada na prática pedagógica de uma professora de Ciências de quinta à oitava série. Ela cursou o Magistério durante o ensino médio e apaixonou-se pela carreira. Alguns fatos que nortearam sua experiência, durante o Magistério, foram a realização de estágios nas escolas e discussões com uma professora que a apresentou ao construtivismo. Essa mesma professora a incentivou a tentar o vestibular para Pedagogia na UEMG. Ela assim o fez e, em 2000, formou-se em Pedagogia. A professora Lúcia é especializada em Educação Tecnológica pelo CEFET/MG e defendeu sua dissertação de Mestrado, em 2007.
Desde que graduou, Lúcia sempre atuou em escolas com crianças de seis a dez anos. Ela diz que faz questão de mudar de ano escolar e não ficar presa a um mesmo ano. Essa experiência a ajudou quando assumiu o cargo de supervisão do Ensino Fundamental. Ela trabalhou seis anos como regente de sala de aula, mas há doze anos trabalha com Educação, principalmente, em escolas públicas.
Lúcia considera que seus estudos a influenciam de maneira subjetiva, pois a ajudam a se desenvolver enquanto profissional e também enquanto pessoa. Os estudos a auxiliam a definir suas opções com mais clareza na prática pedagógica e ainda explicar o porquê de suas decisões. A professora Lúcia ainda afirma que sua formação acadêmica a ajuda nas conversas com pais, alunos, colegas e supervisoras. Ela não confirma a idéia na qual é possível aplicar a teoria na prática, mas sim confrontar a teoria com a prática.
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No momento da coleta de dados a professora Lucia já estava trabalhando em outra instituição de ensino, mas participou das reuniões de discussão das situações-problema.
Cecília
Cecília tem vinte e seis anos. Formou-se em Pedagogia pela UFMG, em 2005. Atua como professora do primeiro ano, primeiro ciclo do Centro Pedagógico. Teve experiências desde a graduação como auxiliar pedagógica em escolas e em cursos à distância, mas teve, em 2008, a primeira experiência como professora.
Sua trajetória escolar transcorreu em escolas públicas municipais, cursando o segundo e terceiro ano do Ensino Médio em escolas particulares. Sua primeira escolha de graduação era Psicologia, mas foi aprovada em Pedagogia e identificou-se rapidamente com o curso e não quis trocar. Cecília afirma que não consegue relacionar seu processo de escolarização com sua profissão atual, pois tentou Pedagogia como segunda opção e identificou-se com o curso após o seu início.
Cecília admite ser difícil conciliar a formação teórica que teve na graduação com a prática da sala de aula, porém, ela cita que recorre ao material do Centro de Alfabetização e Leitura (Ceale) da FaE/UFMG para estudar. Cecília sente-se insegura em sua prática enquanto professora e afirma que as reuniões de formação do primeiro ciclo, Núcleo Básico e os encontros destinados à coleta de dados foram fundamentais para ela, sendo as de maior proveito as últimas citadas. Cecília pensava que suas dúvidas eram relacionadas à sua pouca experiência docente, mas com as trocas ocorridas entre as professoras durante as reuniões de pesquisa, percebeu que todas estavam aprendendo alguma coisa.
Para amenizar sua ansiedade, Cecília costuma mostrar uma atividade ou conversar sobre o comportamento de crianças com outras professoras, seja no corredor, nos intervalos de aula ou na sala do Núcleo. Para ela o maior desafio é trabalhar com a diversidade em sala de aula. Não a diversidade de classe social, mas de maturidade e níveis de aprendizagem. Ela disse que aproveitou quase todas as estratégias trocadas nas reuniões de coleta de dados, relacionadas à indisciplina, formação de filas, como chamar e manter a atenção das crianças e afirma que realmente precisa de estratégias diferentes porque “cada dia é um dia, cada momento é um momento”.
Fabiana
Fabiana tem quarenta e quatro anos e estudou em escolas públicas de Belo Horizonte. Realizou o ensino médio em uma escola particular e optou por estudar Pedagogia no ensino superior. Graduou-se em 1987 na Faculdade de Educação da UFMG, mas não se sentiu realizada pelo curso, pois percebeu que esse era muito distante da prática. Assim que Fabiana completou a graduação ela começou a trabalhar em uma escola infantil onde considera que foi a base de sua formação profissional, pois essa escola tinha um grupo de quatro formadoras e um grupo de discussão muito sólido na época.
Seu percurso profissional foi em escolas particulares de Educação Infantil. Em uma dessas escolas, trabalhou como supervisora. Fabiana completou o Mestrado em 2006 e é professora substituta do Centro Pedagógico desde 2007. Apesar de constituir sua primeira experiência no Ensino Fundamental, trabalha a dezesseis anos na Educação Básica, principalmente como professora da Educação Infantil.
Fabiana considera como os principais desafios de trabalhar nos anos iniciais o desenvolvimento de estratégias próprias para essa idade escolar, a pressão de alfabetizar e a fragmentação das disciplinas. Fabiana também trabalha como formadora de professoras pelo Centro de Alfabetização e Leitura (Ceale-FaE/UFMG).