Até 1' 29% De 1'59'' até 2'59'' 64% De 3' até 4'59'' 7% TEMPO DE EXIBIÇÃO Nacional 25% Internacional 75% ÂMBITO
XLVII No telejornalismo, não é apenas o formato ou o modelo produtivo que importa, mas sobretudo o conteúdo, baseado nos acontecimentos da vida cotidiana que definem todo o potencial e direcionamento de seu fazer-ser. Para Zunczik (2002), e como visto anteriormente, a seleção de notícias equivale a restringir o volume de informações, ou seja, é a escolha dos assuntos que merecem ser publicados.
Os profissionais de comunicação têm a função de decidir quais os acontecimentos, fatos e informações que serão noticiados no dia, contribuindo, desta forma para moldar a imagem que o receptor tem de sua sociedade e de seu mundo, através do que foi exibido pela televisão (Emerin & Homrich, 2014: 5).
O telejornalismo enfrenta diariamente o desafio de adequar-se ao horário permitido para expor cada assunto. O tempo que a notícia fica no ar reflete diretamente na mensagem em que a mesma levará ao telespectador, já que quanto menos tempo for exibida, mais superficial será o seu entendimento. E para uma notícia com maior tempo de exposição, mais aprofundado o assunto será. Por isso, verificou-se na amostragem a duração de cada notícia transmitida em minutos e segundos, de forma a aferir o grau de atenção concedido a um determinado tema. O tempo relativo das matérias veiculadas é de cerca de um a três minutos, com 39 peças, seguindo de 18 peças com até um minuto, e apenas quatro peças com um tempo de exposição maior, entre três a cinco minutos. Dentre essas últimas, duas eram referentes aos refugiados.
A apresentação das notícias televisivas compreende cinco formas: nota simples (notícia), nota coberta (pequena reportagem), stand-up (falso vivo), ao vivo e reportagem (grande reportagem). Ambas foram utilizadas como variáveis para auxiliar na mensuração da importância de cada exibição.
A nota simples acontece quando o apresentador lê no estúdio o texto da matéria. Esta notícia é desprovida de imagens, repórter ou entrevistas. Trata-se somente do texto lido pelo âncora do jornal. Neste caso a nota simples cumpre o papel, nas reportagens completas, da cabeça17 da matéria. Em contrapartida, a nota coberta se configura quando
a matéria possui imagens com off18, que pode ser do repórter ou do apresentador, coberta
por imagens.
17 A cabeça é considerada a chamada feita pelo apresentador, ou seja, a leitura e contextualização do que
será a notícia a seguir.
XLVIII O stand-up é caracterizado por possuir imagens, narração, entrevista com uma fonte ou um ponto de vista e a aparição19 do repórter. Também pode se caracterizar
apenas pela passagem do repórter e/ou uma entrevista com uma fonte.
Já a reportagem completa traz a cabeça do apresentador no estúdio e é composta de imagens, off, passagem do repórter e entrevista com uma ou mais fontes. E o vivo, trata-se da apresentação dos fatos e ou entrevistado em tempo real.
11.2 Sobre o conteúdo
A força da televisão está no religamento dos níveis da experiência individual e da coletiva. Ela é a única atividade a fazer a ligação igualitária entre ricos e pobres, jovens e velhos, rurais e urbanos, entre os cultos e menos cultos. Todo mundo assiste à televisão e fala sobre ela. Qual outra atividade é, hoje, tão transversal? Se a televisão não existisse, muita gente sonharia em inventar um instrumento capaz de reunir todos os públicos. Isso é o que é a unidade teórica da televisão (Wolton, 1996: 16).
A televisão é um meio em que as pessoas acessam de forma individual; contudo, cria-se a noção de participação social, do indivíduo como cidadão coletivo, que Wolton (1996) classificou como laço de sociabilidade com o público. As temáticas difundidas pela televisão, em especial pelo telejornalismo, relatam a realidade de um país, sendo um
19 Aparição também é nomeada de “passagem” nos termos jornalísticos, e consiste em que o jornalista
apareça falando na reportagem.
Nota simples 6% Nota coberta 31% Ao vivo 2% Reportagem 46% Stand up 15% TIPO DE NOTÍCIA
XLIX importante meio de influência na formação da opinião pública, em relação à diversos assuntos (Wolton, 1996).
Sobre as temáticas abordadas nessas 61 peças, houve pouca diversidade de assuntos. Alguns deles foram divididos em subtemas, como é o caso da imigração, desdobrado em: imigração: 1) com foco na crise mundial que ocorria no período analisado; 2) com foco no combate à imigração, principalmente de países que não queriam a entrada dos estrangeiros em território nacional; 3) referente a questões culturais que envolviam os imigrantes e 4) referente a outras questões da imigração. Outros tópicos temáticos foram auscultados tais como violência, tráfico, divido em pessoas, drogas e, por fim, refugiados.
Considerando a crise imigratória que afetou o mundo no ano de 2015, principalmente os países europeus, verificou-se um total de 23 matérias relacionadas ao tema. A primeira matéria foi ao ar no dia 5 de maio, e falava sobre a chegada de imigrantes à Europa pelo Mar Mediterrâneo. Após seguiu-se com uma série de reportagens que abordavam os planos da União Europeia para estabelecer cotas aos países que estavam recebendo estrangeiros, assim como a cobertura do desembarque em vários países, como os 800 imigrantes de Myanmar Bangladesh que estavam em barcos à deriva nas águas do sudeste asiático e chegaram na Indonésia (15 de maio), ou os mais de 1.600 imigrantes que atracaram na região da Calábria e na cidade portuária de Catania, na Itália, em 6 de junho. Outra notícia referente à crise deu-se por conta dos milhares de imigrantes clandestinos que invadiram o túnel que ligava a França à Inglaterra, onde um sudanês veio a falecer. Desde junho era a nona morte entre as pessoas que se arriscaram nessa travessia (29 de julho).
Notícias relativas a mortes de imigrantes também foram veiculadas com frequência, como um barco superlotado de imigrantes que afundou no Mar Mediterrâneo em 5 de agosto, e vinte e cinco mortes foram confirmadas até a noite anterior a essa data. Também na Europa, aumentava a tensão com a crise dos imigrantes e o dia 12 de agosto havia sido marcado por resgates de emergência, desaparecidos no mar e confrontos. Na ilha grega de Kos, famílias que aguardavam papéis da imigração enfrentaram a polícia. Na Turquia, a guarda costeira havia resgatado cerca de 110 imigrantes que estavam à deriva no mar. Já a Marinha Italiana tinha encontrado 52 pessoas, das mais de 100, que viajavam em um bote inflável no Mar Mediterrâneo.
L Quando o assunto da crise imigratória era noticiado juntamente com questões de conflito, as matérias foram alocadas dentro da categoria “combate”, em que haviam notícias como a do Primeiro Ministro Britânico, que provocou surpresa ao se envolver pessoalmente no combate à imigração no Reino Unido. David Cameron queria reduzir em 70% o número de pessoas que se mudavam para lá. Também houve grande repercussão quando o pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou a região da fronteira do Texas com o México e reafirmou que se fosse eleito iria construir uma barreira para evitar a entrada de imigrantes mexicanos (23 de julho). Já no dia 29 de julho foi ao ar uma matéria que mostrava que a França iria enviar mais de 120 policiais para a região do túnel que ligava o país à Inglaterra, e que o governo britânico destinou o equivalente a 37 milhões de reais para aumentar a segurança. A última notícia relatava que o governo da Hungria havia adotado novas medidas para impedir a entrada de imigrantes do Oriente Médio no país.
Dentro das questões culturais, tem-se duas notícias. A primeira, em 23 de maio, comentava que há 140 anos o Brasil recebia os primeiros imigrantes italianos. No Rio Grande do Sul, estado brasileiro, os italianos, na chegada, encontraram morros cobertos de florestas e nenhuma infraestrutura. Mesmo assim, transformaram a região em uma das mais ricas do país. E a segunda matéria, que foi ao ar em 5 de junho, afirmava que pesquisadores americanos e sul-africanos anunciaram a descoberta dos destroços de um navio negreiro português. A embarcação afundou quando navegava de Moçambique para o Brasil, no fim do século XVIII.
Nos dias 21 e 22 de maio, no Jornal Nacional foram exibidas duas matérias referentes ao tema empregabilidade. A primeira dizia que o Governo Federal iria aumentar a quantidade de vistos de trabalho provisórios para os haitianos que, na época, eram concedidos apenas 100 por mês. Já a segunda, abordava que mais de 7 mil haitianos entravam pelo estado do Acre só em 2015. Nos últimos nove dias, contados da matéria, quase 500 haitianos haviam sido levados de ônibus para São Paulo.
A única matéria com um caráter mais ameno fazia referência a um alemão que vivia há mais de 30 anos no Brasil e trabalhava como massagista, em uma região chamada Chapada da Diamantina.
LI Na subcategoria violência encontraram-se 11 matérias, em que cinco delas eram referentes ao desdobramento de um caso ocorrido no Rio de Janeiro. Tratava-se do alemão Marcos Muller, morador do apartamento em que houve uma explosão fortíssima na capital carioca. Ele chegou ao hospital muito queimado, cheio de cortes pelo corpo e disse que foi torturado por um ladrão. Porém, outra notícia diz que Marcos estava internado em estado grave e era o principal suspeito de provocar a explosão. Por fim, peritos concluíram que a explosão no prédio, que ficava no bairro de São Conrado, havia sido causada pela má instalação no equipamento de gás.
Outra matéria, de âmbito internacional comentava a situação em que imigrantes e policiais se enfrentavam na Itália. Já em 3 de julho, houve uma notícia em que, no Rio de Janeiro, uma mulher foi presa acusada de matar o marido italiano para receber o seguro de vida. O crime foi no começo de junho. Ela havia confessado o assassinato e iria responder por homicídio e ocultação de cadáver. Entre as últimas notícias, uma era sobre a prisão de integrantes de uma quadrilha especializada em assaltar casas de famílias chinesas. O grupo agia em três estados brasileiros e uma das vítimas chegou a perder R$ 5 milhões. Também houve a prisão de uma quadrilha de estrangeiros, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O chefe do grupo, um chileno de 65 anos, furtava malas de passageiros no mundo todo. E por fim, a notícia de que a Polícia Federal havia prendido um estrangeiro procurado pela justiça de Israel.
O tópico tráfico foi separado em duas vertentes: humano e de drogas. Ambas as temáticas com duas notícias cada. Em relação a pessoas, a primeira matéria diz que na Itália a polícia prendeu duas pessoas envolvidas no tráfico de imigrantes ilegais. Os suspeitos de origem tunisiana foram detidos no sul do país. Eles estavam junto com um grupo de imigrantes resgatados pela Marinha Italiana no fim de semana e segundo testemunhas, organizavam as viagens clandestinas. Mais de 35 mil imigrantes ilegais já haviam chego na Itália em 2015. Seguiu-se de outra notícia em que a União Europeia aprovou um plano militar para combater gangues que faziam tráfico de pessoas da Líbia para países da Europa.
Já em relação ao tráfico de drogas, em 4 de junho foi ao ar uma matéria que em São Paulo, um boliviano de 29 anos, passou mal antes de embarcar no Aeroporto de Guarulhos. O estrangeiro levava no estômago 21 preservativos cheios de droga. A partir da data da matéria ficaria preso no Brasil por tráfico internacional. Outra notícia abordava
LII que uma venezuelana também passou mal no Aeroporto de Guarulhos e, no hospital, os médicos descobriram que ela carregava mais de 100 cápsulas de cocaína no corpo.
11.3 Sobre gênero e nacionalidade
Em relação ao gênero dos imigrantes que são mostrados nas notícias tem-se majoritariamente ambos os sexos, tanto masculino, quanto feminino, predominando essa característica em 44 peças. Do sexo masculino, aparecem 14 notícias, e somente do sexo feminino, uma notícia. Em outras duas notícias não se notou a presença de imigrantes.
Crise Migratória 39% Combate à Imigração 12% Cultura 3% Empregabilidade 3% Refugiados 13% Violência 18% Outros 5% Tráfico 7%