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Introduction

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Ambos 72% Feminino 2% Masculino 23% Sem imigrantes 3% GÊNERO

LIII Observou-se ainda, que as principais nacionalidades abordadas eram Síria, com 12 peças; seguida da região que foi agrupada no sentido continental de África, pois nem todas as matérias falavam de forma clara a nacionalidade, e utilizavam apenas a conotação “africana”, com 11 peças; e a Alemanha com sete. Com uma quantidade de quatro menções apurou-se a Líbia, com três menções o Haiti, e com duas menções a Itália. Afeganistão, Brasil, Bolívia, Chile, China, Colômbia, Israel, Marrocos, México, Bangladesh, Sudão e Venezuela foram mencionados uma única vez. Dentro do escopo de análise, em dez peças não foi possível verificar a nacionalidade existente.

11.4 Sobre os tipos de fontes

No jornalismo as fontes têm um envolvimento direto ou indireto com o fato, e sendo assim, elas podem ser consideradas como primárias ou secundárias. A fonte primária fornece informações privilegiadas, tais como dados, números e versões, porque está próxima a origem do acontecimento. Já a fonte secundária contextualiza, interpreta, analisa ou comenta a notícia (Schmitz, 2011).

As informações provindas de fontes partem do pressuposto que a pessoa que fala é reconhecida pela notoriedade, pela especialização, por ter presenciado o ocorrido ou por representar algum órgão. Com base nisso, as fontes da base de dados foram divididas em categorias. Na primeira categoria tem-se a fonte especialista, que tem notório saber específico, podendo ser perito, intelectual, ou profissional que atua na área em que a

Afeganistão 2% Africa 2% Alemanha 14% Bangladesh 2% Bolívia 2% Brasil 2%Chile 2% China 2% Colômbia 2% Haiti 6% Indefinido 16% Israel 2% Italia 4% Líbano 8% Marrocos 2% México 2% Síria 24% Sudão 2% Tunísia 4% Venezuela2% NACIONALIDADE

LIV matéria está inserida. O especialista detém um conhecimento específico e a capacidade de analisar as consequências e repercussões de determinadas notícias. No período analisado foram encontradas apenas duas peças e que, inclusive, utilizava a mesma fonte, sendo ele Luiz Alexandre Essinger, Diretor do Hospital Municipal Miguel Couto.

Depois, com três peças, encontram-se as fontes cidadãs ou populares. Trata-se de uma pessoa comum, que não fala por uma organização ou grupo social. Nesse quesito encontram-se testemunhas, vítimas ou pessoa comum que opina ou reivindica algo. Essa fonte também é usada para contextualizar informações da vida cotidiana.

Dentre 61 notícias contabilizadas, em apenas oito delas os imigrantes foram ouvidos, sendo eles a temática da matéria, há uma grande disparidade.

A seguir, as fontes oficiais ocupam nove matérias. Tais interlocutores caracterizam-se por serem pessoas públicas, que falam em nome de uma organização ou órgão mantido pelo Estado, incluindo os poderes como executivo, legislativo e judiciário. Normalmente são os mais procurados pelos media, uma vez que emitem informações de interesse público.

Já nas 39 peças restantes não havia menção de nenhum tipo de fonte.

Especialista 3% Cidadã 5% Imigrante 13% Oficial 15% TIPOS DE FONTE

LV 11.5 Sobre refugiados

Foram 131 dias visualizados na íntegra, durante maio, junho, julho, agosto e setembro; dentro desse período, sobressairam-se 61 peças que abordavam de alguma forma a temática “imigração”, incluindo as que tratavam sobre os refugiados. Afunilando um pouco mais os dados recolhidos, obtiveram-se nove peças que falavam diretamente de refúgio, e ainda assim, com algumas ressalvas de que nem sempre o imigrante e o refugiado eram diferenciados ou expostos de forma clara, mostrando o porquê de tais nomenclaturas serem diferentes.

Seguindo ainda essa linha de raciocínio, o número de matérias sobre refugiados é relativamente pequeno se comparado ao de imigrantes, sendo 15% contra 85%, mas há ainda maior disparidade em relação ao veículo de comunicação, uma vez que o Jornal da Record teve apenas uma matéria veiculada em cinco meses de telejornal. Já o Jornal Nacional, da Rede Globo, reproduziu oito matérias.

Em relação ao volume, houve um grande vácuo no período estudado. Em maio, junho e agosto apareceram apenas uma matéria; em julho não foram encontradas reportagens; e em setembro uma quantidade mais elevada de seis matérias, ou seja, o dobro dos meses anteriores. Ambas tiveram quase uma semana de intervalo, sendo publicadas nos dias 7, 14, 16 e 17, e posteriormente, duas no dia 29.

Total de notícias analisadas…

Recorte das peças sobre imigração 46% Imigrantes 85% Refugiados 15% MATÉRIAS VEICULADAS

LVI O tempo de exibição de uma notícia, como já visto antes, é um indicador bastante afirmativo para verificar a importância que a mesma apresenta perante a comunidade. Quanto maior for o tempo de duração, mais aprofundado tende o assunto a ser tratado. Caso seja o contrário, ele será apresentado ao telespectador de forma mais superficial. Das nove peças assistidas, a maior parte das notícias (5), teve um tempo de exposição de 1’01’’ a 2’59’’, ficando entre a média de tempo tida como aceitável para abordar de forma objetiva um assunto. Duas delas obtiveram um tempo de exposição menor do que um minuto, e ambas eram notas simples; ou seja, o apresentador do telejornal fez apenas um comentário sobre o assunto, não aprofundando a notícia. Em contrapartida, também duas delas obtiveram um tempo de exposição de 3’a 4’59’’, mostrando de forma mais aprofundada o que estava em pauta, ou seja, a primeira referente a repressão da polícia da Hungria a refugiados que tentavam entrar no país pela fronteira com a Sérvia e a segunda sobre refugiados que queriam morar no Brasil.

Em relação as fontes que são utilizadas para compor as matérias, existe um equilíbrio; em cinco delas, são utilizadas fontes cidadãs e oficiais; quatro delas não apresentaram nenhum personagem falando sobre a temática. Porém, é relevante ressaltar que em relação aos personagens que apareceram apenas de forma ilustrativa, houve um descuido ao não comentar de forma clara e concisa a nacionalidade. Isso foi observado principalmente em relação à pessoas de origem africana, em que não havia menção do país de origem ou qualquer descrição mais detalhada, como se viu, por exemplo, com nacionalidades europeias.

LVII De forma unânime, todas as matérias veiculadas nos telejornais eram de âmbito internacional, mesmo com a quantidade de refugiados que chegaram ao Brasil no último ano. Em relação à categoria “imigração”, encontramos 45 peças de interesse internacional e somente 16 que tratavam de problemas encontrados dentro da nação. No capítulo seguinte as nove peças recortadas serão submetidas a uma Análise de Discurso textual, de forma a verificar quais as possíveis variações e interpretações possíveis.

11.6 A Análise de Discurso das notícias sobre os refugiados e a influência na recepção dos mesmos pela população

A partir da aproximação da mediação tecnológica, o conceito de usos sociais pode ser associado à compreensão das diferentes percepções entendidas pelos sujeitos em relação ao que é veiculado na mídia. Desta forma, busca-se compreender de que modo as representações telejornalísticas incidem na recepção dos telespectadores, através dos usos sociais das mídias, de forma a participar na construção de imaginários sobre os refugiados e se de alguma forma essas representações influenciam na recepção dos mesmos por parte da população de acolhimento. Pretende-se, portanto, fazer uma ligação entre a hipótese do Agenda–Setting e a Análise de Discurso para observar, por meio da notícia, o que é possível que os telespectadores interpretem e como podem se posicionar acerca da mesma. Faz-se aqui um parêntese importante – essas análises foram baseadas nas

Até 1' 22% De 1'01'' até 2'59'' 56% De 3' asté 4'59'' 22%

TEMPO DE EXIBIÇÃO

LVIII hipóteses levantadas ao início do trabalho, uma vez que não foi viável realizar entrevistas em profundidade com os espectadores. É importante salientar que não será desprendido muito tempo desse capítulo para conceitualizar a Análise de Discurso, uma vez que ela é utilizada como uma metodologia secundária, então será contextualizada com as informações que são fundamentais para o entendimento da mesma.

Muitos trabalhos, geralmente notáveis, dedicam-se a estudar sejam as representações sejam os comportamentos de uma sociedade. Graças ao conhecimento desses objetos sociais, parece possível e necessário balizar o uso que deles fazem os grupos ou os indivíduos. Por exemplo, a análise das imagens difundidas pela televisão (representações) e dos tempos passados diante do aparelho (comportamento) deve ser completada pelo estudo daquilo que o consumidor cultural “fabrica” durante essas horas e com essas imagens (Certeau, 1994: 39).

Para Gómez (1991), a relação entre os receptores e a televisão é necessariamente mediada, pois a mesma nunca é direta e unilateral como costuma ser abordada. Ela é uma relação multilateral e multidimensional e que se realiza através de múltiplas mediações. A recepção pode ser entendida como um processo que antecede e procede o ato de assistir à televisão, pela bagagem e pelo contexto que o telespectador traz consigo. Sendo assim, o mesmo entrará em contato com outros “cenários” que, não necessariamente, está acostumado a participar. Gómez diz ainda que “por um lado, isto significa que o processo de comunicação não se conclui com a sua transmissão, senão que propriamente aí se inicia. Por outro lado, isto não implica a ausência de uma intencionalidade global política e econômica concreta que se inscreve no discurso social hegemônico”.

A dificuldade em analisar tais peças, mesmo realizando uma Análise de Conteúdo, consta em entender que não se pode homogeneizar padrões de consumo, em termos universais, uma vez que cada ator social constrói sua própria interpretação de tais fatos difusos via televisão, segundo a experiência vivenciada por ele. Veron afirma que “existem muito menos coisas hoje em comum que possamos medir e das quais possamos formular uma teoria (...) as lógicas do vínculo social já não estão donde havíamos acostumados a ir buscá-la”. (1980: 276).

Scherer Warren (2006) e Castells (1999) afirmam que nesse cenário, as temporalidades sociais são redefinidas. A comunicação de massa impulsiona e torna mais rápido o processo de experiências com os produtos tecnológicos, ao mesmo tempo em que participa dos redesenhos em relação a construção de culturas de memória e de produção de esquecimentos.

LIX Dessa forma, ancorados em um referencial teórico que privilegia o conceito de mediação, entendemos que os usos sociais das mídias são definidos por um conjunto de entornos que interage na construção dos significados atribuídos aos meios de comunicação e no modo como sujeito e tecnologia se relacionam. A diversidade de modos de usar as mídias, mesmo que limitada por imposições de ordem tecnológica e pelas questões de desigualdade econômica e social, e marcada também pela capacidade de produção de sentido de cada indivíduo, garantida através de suas identificações, competências e também de sua relação com as identidades, história, valores, hábitos e tradições (1999: 20) Sendo assim, percebe-se que as mensagens são meios simbólicos que podem ser utilizadas para a construção de representações sociais e identidade de terceiros. As autoras Escosteguy e Jacks (2005), numa concepção proposta por Jesus Martin-Barbero, abordam os usos sociais dos meios como uma forma de buscar o entendimento da relação entre receptores e meios, observando a inserção da população em um processo que implica no aparecimento de identidade e novos sujeitos, confeccionados de forma fictícia, em especial, pelas tecnologias da comunicação. Martin-Barbero reconhece os meios de comunicação como espaços chave de “condensação e intersecção de múltiplas redes de poder e de produção cultural” e, ao mesmo tempo, alerta contra “o pensamento único que legitima a ideia de que a tecnologia é hoje ‘o grande mediador’ entre as pessoas e o mundo” (2001: 20).

Portanto, o que se propõe fazer, por meio do recorte das peças abaixo, referente aos refugiados, através de um estudo de recepção midiática com base na Análise de Discurso, é pensar o processo de comunicação, observando como os telespectadores recebem as notícias e o que eles pensam sobre tais, levando em consideração as hipóteses sugeridas anteriormente, assim como o proposto pelo Agenda-Setting. Nesta compreensão, nos aproximamos do conceito de usos sociais das mídias como apropriações, ressignificações, construções operadas na recepção a partir dos modos de fazer plurais com os meios de comunicação, em contextos cotidianos concretos (Martín – Barbero, 2001).

Papéis (...) são definidos por normas estruturadas pelas instituições e organizações da sociedade. A importância relativa desses papéis no ato de influenciar o comportamento das pessoas depende de negociações e acordos entre indivíduos e essas instituições e organizações. Identidades, por sua vez, constituem fontes de significado para os próprios atores, por eles originadas, e construídas por meio de um processo de individuação. Em termos mais genéricos, pode-se dizer que

LX identidades organizam significados, enquanto papéis organizam funções (Castells, 1999: 22-23).

Sendo assim, por meio da Análise de Discurso, pretende-se verificar quais são as possibilidades de interpretação da imagem do refugiado, via análise textual, impactando na sua identidade, e consequentemente na representação que o mesmo tem perante a sociedade acolhedora. O processo de análise discursiva tem a pretensão de interrogar os sentidos estabelecidos em diversas formas de produção, que podem ser verbais e não verbais, bastando que sua materialidade produza sentidos para interpretação; podem ser entrecruzadas com séries textuais (orais ou escritas) ou imagens (fotografias) ou linguagem corporal (dança).

Para esse estudo optou-se por utilizar as séries textuais, uma vez que a língua, por exemplo, é considerada heterogênea, portanto ela não é transparente e homogênea como em alguns casos se mostra. Consequentemente, isso faz com que possam ocorrer “equívocos, falhas, deslizes” (Melo, 2005: 192), gerando assim uma ideia contraria do enunciado, permitindo leituras múltiplas. “O sentido não está “colado” na palavra, é um elemento simbólico, não é fechado nem exato, portanto sempre incompleto” (Mutti, Caregnato, 2006: 680).

Neste sentido, Willig (1999) afirma que a Análise de Discurso se preocupa com o modo como a linguagem constrói os objectos, os sujeitos, a subjectividade e o self. Trata- se de um conjunto de métodos e de teorias que buscam investigar tanto o uso quotidiano da linguagem, quanto a própria linguagem nos contextos sociais, estudando os significados e o que está implícito e explícito nos diálogos que constituem a ação social. É importante ressaltar que nesta metodologia os pesquisadores não pretendem nem proclamam a “descoberta” da verdade acerca da realidade, mas oferecem apenas uma interpretação ou versão que é inevitavelmente parcial, uma vez que o estudo é baseado em hipóteses (Burr, 1995; Parker, 1992; Potter & Wetherell, 1987; Taylor, 2001; Willig, 1999).

Existem tantos factores implicados nas situações, que as relações estabelecidas no passado não são necessariamente aquelas que poderão acontecer no futuro (seja ele mais ou menos próximo). Como resultado desta premissa, os objectivos dos pesquisadores são essencialmente investigar significados mais do que predizer ou controlar (Burr, 1995). A segunda premissa respeita a ideia que nenhuma verdade única e neutra pode ser possível nas ciências sociais, porque este domínio envolve o estudo de outras pessoas que têm as suas próprias visões. Qualquer descrição ou justificação de um fenómeno social ou de uma

LXI situação reflecte inevitavelmente o entendimento do observador/pesquisador e dos seus interesses especiais (Morrow, 1994). A terceira premissa corresponde à ideia (complexa) de que não é possível atingir a verdade porque a realidade não é simples nem regular: existem múltiplas realidades e por isso múltiplas verdades (Flax, 1990; Fraser & Nicholson, 1990). (Nogueira, 2001: 17)

A Análise de Discurso desafia as pesquisas tradicionais uma vez que fornece uma metodologia para a interpretação dos textos sociais e tem os seus fundamentos na filosofia, na sociologia e na teoria da literatura (Llombart, 1993; Potter & Wetherell, 1987); ela baseia-se, contudo, em textos escritos, tais como, documentos, cartas, entrevistas, artigos de jornais, etc. (Willig, 1999).Os sentidos das palavras têm relações com as formações discursivas em que estão inseridas. “A formação discursiva se define como aquilo que numa formação ideológica dada - ou seja, a partir de uma posição dada em uma conjuntura sócio-histórica dada - determina o que pode e deve ser dito” (Orlandi, 2001: 43).

Dentro da Análise de Discurso existem algumas variações de metodologia, para conceituar as peças abaixo optou-se por utilizar uma abordagem em que “os analistas procuram padrões na linguagem associados a determinado tópico ou actividade; isto é, procuram famílias de termos específicos e significados com eles relacionados”, (Nogueira, 2001: 25), ou seja, via análise textual das palavras empregadas em cada discurso.

Segundo afirma Orlandi (1999), a Análise de Discurso começa por um recorte, que consiste na identificação de fragmentos de corpus dotados de sentido (associações semânticas), portanto, optou-se por analisar uma peça de cada mês em que foram encontradas reportagens sobre os refugiados, visando assim aprofundar o conteúdo. Como os meses de maio, junho e agosto tiveram apenas uma peça, foram essas as escolhidas. Já no mês de setembro, optou-se por analisar a peça veiculada no Jornal da Record, uma vez que essa foi a única matéria exibida pelo telejornal. Sendo assim, foram analisadas, com base na AD, um total de quatro notícias. A seguir, seguem as peças analisadas.

LXII Peça 1 – 14 de maio de 2015

A matéria de âmbito internacional, veiculada no Jornal Nacional, tem como título “Tailândia e Malásia se recusam a receber barcos superlotados de refugiados”, com duração de 1’ a 2’59’’ e sendo uma reportagem completa (off20 + passagem21 + sonora22).

- CABEÇA (Âncora Renata Vasconcellos): “Desde o começo do ano, o Jornal Nacional tem mostrado a situação dramática dos imigrantes clandestinos que partem da África para Europa e tentam atravessar o Mar Mediterrâneo. Mas esse é um problema também na Ásia - onde Tailândia e Malásia se recusam a receber barcos superlotados de refugiados”.

- OFF (Repórter Márcio Gomes): “A espera na fila por um prato de comida é um alívio para as pessoas que estavam no mar há dias. Na Indonésia, encontraram um abrigo”.

- SONORA (Imigrante não identificado): “Não podemos voltar para o nosso país, não nos permitem entrar em outro lugar. E nós só queremos viver”.

- OFF (Repórter Márcio Gomes): “Só nos três primeiros meses deste ano, 25 mil se arriscaram nas águas do sul da Ásia. Fogem da perseguição religiosa e da pobreza em Myanmar e Bangladesh. O destino: qualquer país que os aceite. Na Tailândia, foram barrados. A vizinha Malásia chegou a receber mil pessoas, mas depois passou a rebocar os barcos para fora das suas águas territoriais. Segundo as Nações Unidas, milhares de refugiados estão neste momento à deriva, sem conseguir socorro apesar de tantos países por perto. A situação já dura meses e se transformou em mais uma tragédia humanitária. Na foto, pescadores lançam mantimentos para 300 pessoas em uma embarcação na costa tailandesa. A tripulação abandonou o barco há uma semana. Dez pessoas morreram e foram jogadas ao mar. Mas a marinha da Tailândia não levou os passageiros para terra. Alega que cumpriu a obrigação humanitária ao dar água e comida. A polícia da Tailândia diz que aceitar os barcos seria estimular o tráfico de seres humanos. Para o representante da Organização Internacional de Migração (que não tem o nome divulgado na reportagem), "É necessário combater o tráfico, mas há pessoas em risco de vida”.

Desta forma, pelas palavras destacadas, é possível observar na reportagem que as três vozes existentes convergem para um mesmo ponto – o tom de drama proposto pelo telejornal.

20 Off: texto lido pelo repórter;

21 Passagem: aparição do repórter na notícia; 22 Sonora: fala do entrevistado/fonte/personagem;

LXIII São expressões fortes e que podem causar ao telespectador uma percepção de desespero, tristeza e gravidade. Apesar de a matéria mostrar, aparentemente, apenas o lado trágico e de resistência na recepção de alguns países, ao final dela, na fala do representante da OIM, eles iniciam uma outra percepção bastante pertinente e que deveria ser continuada - que mesmo sendo necessário o combate ao tráfico, as pessoas têm, sobretudo, direito à vida e necessitam de ajuda -, ou seja, eles lançam uma ideia importante, mas não dão vasão para a mesma. É possível notar que a Tailândia, mesmo recusando os refugiados, diz-se satisfeita por ter prestado socorro, o que é o mínimo que um governo deve fazer. Ressalta-se aqui o que diz o autor Coulthard (1977), em que a linguagem parece dirigir as percepções dos indivíduos e “faz coisas” acontecerem, construindo e criando as interacções sociais e os diversos mundos sociais. É notável também que, tanto na fala da âncora, quanto na fala do repórter, as palavras destacadas como “dramática”, “problema”, “recusam”, “barrados”, “à deriva” e “tragédia” aparecem com um tom mais forte na voz de ambos, dando maior ênfase e

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