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Chapter 3 - Related research

3.2. Summary and proposed conceptual framework

Como exposto no Capítulo 5 – Apresentando as Bandas Investigadas –, as bandas participantes da pesquisa possuem vida ativa nas comunidades, apresentando-se em diversos locais e ocasiões. As apresentações realizadas pelas bandas, segundo alguns maestros entrevistados, configuram-se como um elemento incentivador para que os integrantes desses grupos se dediquem às atividades musicais e estudem mais seu instrumento.

Na verdade, se não tivessem apresentações, também não teria porque a gente estar dando aula. A importância é que eles [os músicos] mostrem o trabalho através de apresentações. Porque só no ensaio se torna repetitivo (...) então eles acabam desestimulados. Então a apresentação é boa para isso, para incentivo mesmo. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010).

(...) se você só ensaia, ensaia e não tem objetivo, não tem no que tocar, então por mais simples que seja o evento, tem aquela preparação, aquele incentivo pra que você ensaie, (...) se você não tem objetivo, a gente desanima e o aluno também. (MAESTRO PEDRO. ENTREVISTA em 19/04/2010).

56 Tal informação não está presente na entrevista realizada com o Maestro Lucas. Como mencionei na introdução

deste trabalho, minha formação musical inicial ocorreu em uma das bandas da região investigada, ou seja, na Banda 16. Dessa forma, o relato sobre o início da participação feminina na banda e sobre a visão dos músicos sobre essa participação, tem como base o fato de eu ter sido uma das primeiras mulheres a fazer parte do referido grupo.

(...) é bom porque o pessoal vai se sentir valorizado, motivado. Com isso eles vão estudar mais (...) vão ficar mais contentes, felizes. E daí eles não vão ficar só naquela rotina. Então é muito importante para eles, pelo fato de se apresentarem e se sentirem mais motivados. (MAESTRO TIAGO. ENTREVISTA em 01/06/2010).

No caso da Banda 11, o Maestro Mateus relata que o fato dos integrantes tocarem em um local diferente, fora da igreja onde atuam, serve também como estímulo para estudar as músicas e se dedicar ao instrumento.

(...) sair incentiva os músicos. (...) só fechado, tocando num lugar só (...) eles vão desanimando com o tempo. “Ah, a gente nunca sai, nunca faz apresentação”. Então se tocar na praça, nossa, os garotos acham o máximo. (...) é um incentivo para (...) eles estudarem e aprenderem (...). (MAESTRO MATEUS. ENTREVISTA em 05/07/2010).

Além de estimular o estudo musical, as apresentações também promovem a valorização pessoal dos músicos e aumentam sua autoestima, como expõe o Maestro Otávio, titular da Banda 15 e também o Maestro Augusto, quando ser refere às bandas 1, 2, 3 e 6:

De nada adiantaria, por exemplo, um músico, ele aprender a música e ficar dentro do quarto tocando sozinho, sem ninguém ver, sem ninguém dizer se está feio ou se está bonito, se está bem tocado ou não está, se precisa melhorar ou não. (...) ele chega ao bem estar dele mesmo, a autoestima dele é realizada através daquilo que ele está fazendo. (...) quando a gente toca alguma coisa, alguma música que às vezes acaba mexendo com a nossa emoção, então tudo isso acaba incentivando, acaba sendo um alicerce, uma base pra gente continuar sendo músico. (MAESTRO OTÁVIO. ENTREVISTA em 04/06/2010).

Em cidade pequena você chega na escola e todo mundo sabe que você estava tocando no evento. (...) eles se sentem incentivados. Se tocam na banda, (...) eles já parecem alguém um pouquinho (...) importante. (...) eles sabem que se destacam, na escola, na comunidade e na família. (MAESTRO AUGUSTO. ENTREVISTA em 28/04/2010).

Da mesma forma cita Costa (2008), evidenciando a função que as apresentações assumem para a banda e seus integrantes:

A performance é um momento ímpar para o músico, onde ele expõe o seu papel de instrumentista para a sociedade. As apresentações da Banda (...) criam vínculos com a comunidade (...). Interpretando músicas, desfilando e expondo o ritual das apresentações nos eventos da cidade a banda se fortalece como grupo e como fenômeno cultural. (COSTA, 2008, p. 74).

O bem-estar dos músicos e a motivação para continuar se dedicando à prática musical, segundo o Maestro Marcelo, titular da Banda 8, são consequências dos elogios recebidos pelos integrantes da banda, após as apresentações do grupo.

A pessoa se sente bem em estar tocando e os outros ouvindo eles tocar. (...) Sem plateia não tem sentido você tocar (...). Por exemplo, lá na igreja, a igreja grande, sempre cheia, o pessoal está olhando a gente. Além de ser primeiro lugar para Deus, mas a gente se sente feliz, a gente vê, tem pessoas que param de cantar e ficam olhando, extasiados. Assim é fora, num evento. A (...) plateia (...) vem dar os parabéns para os alunos (...), aquilo dá uma motivação incrível em se tratando de música. (MAESTRO MARCELO. ENTREVISTA em 28/05/2010).

De forma análoga, o relato do Maestro Felipe evidencia que a importância das apresentações realizadas pela Banda 9 está ligada principalmente ao bem-estar de seus músicos: “o sabor que tem por fazer isso, tocar, se apresentar bastante em eventos. É uma alegria para eles, para mim e para igreja, para o pastor também, ter uma banda de música”. (MAESTRO FELIPE. ENTREVISTA em 07/07/2010). Para o Maestro Paulo, responsável pela Banda 7, as apresentações realizadas pelo grupo, possibilitam, além do aprendizado, que os integrantes tenham contato com uma realidade diferente daquela vivida por eles: “(...) viagens, (...) excursões, eles se animam bastante. (...) uma coisa é o aprendizado e outra é o motivo deles poderem sair daquela vida que eles levam lá na região deles (...)”. (MAESTRO PAULO. ENTREVISTA em 29/04/2010).

As apresentações da banda também são uma forma de divulgar o trabalho que é realizado dentro do grupo, como expõe o Maestro André, referindo-se à Banda 12 e à Banda 13: “é uma forma de divulgar a cultura, de divulgar o município, de até mesmo divulgar o trabalho da igreja, (...) porque a gente vai para cidades fora também. É muito importante porque o pessoal vem a conhecer o trabalho”. (MAESTRO ANDRÉ. ENTREVISTA em 06/07/2010).

A presença da Banda 14 tocando nas celebrações da IAD do município de Erval Velho é apontada pelo Maestro Henrique como um fator positivo, por dar segurança aos fiéis durante os cantos: “(...) a banda dá bastante segurança na música. (...) quando não tinha banda, o pessoal cantava meio „atropelando‟ as músicas e parecia que não tinha o mesmo efeito. E com a banda eles se sentem mais seguros, cantam certo, no tempo certo”. (MAESTRO HENRIQUE. ENTREVISTA em 24/07/2010).

Os relatos do Maestro Luís, do Maestro Augusto, responsáveis por seis das bandas investigadas57, e do Maestro Lucas, titular da Banda 16 e da Banda 17, deixam claro que a presença desses grupos nos eventos realizados nas comunidades onde atuam, é apreciada e valorizada pela população: “Eles [a comunidade] gostam muito da banda. (...) todos os eventos que a banda vai, o pessoal pede pra gente voltar”. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA

em 28/04/2010). “Tem um evento em que (...) a banda não vai, o pessoal já pergunta „E a banda?‟ (...) são acostumados com a banda. Qualquer coisa que tem, alguma solenidade, a banda vai”. (MAESTRO AUGUSTO. ENTREVISTA em 28/04/2010).

A comunidade se sente privilegiada em poder ter a banda. E isso a gente viu com pequenas demonstrações assim da comunidade. (...) E a gente nota isso no sepultamento, por exemplo. Quantas famílias fazem questão absoluta que a banda toque no sepultamento do ente... da pessoa querida (...). Tem um evento, um aniversário, bodas de prata, bodas de outro, o pessoal convida a banda. Quer dizer, é uma prova de que a banda faz parte da vida deles. (MAESTRO LUCAS. ENTREVISTA em 21/04/2010).

Para o Maestro Otávio,

(...) as bandas de igreja têm sido um (...) órgão de resgate de pessoas que às vezes, estariam lá jogadas, (...) estariam trazendo prejuízos pra sociedade. A gente vê muitas pessoas que estão dentro da igreja, (...) começaram a frequentar aulas de música, se formaram na música, são componentes hoje de uma banda, que eram pessoas que a sociedade muitas vezes não dava valor algum, (...) e vieram pra igreja e se tornaram pessoas importantes, tanto pra igreja, como para a sociedade, mostrando que a música, ela é um grande incentivador do quê? Das coisas boas, dos bons costumes. (MAESTRO OTÁVIO. ENTREVISTA em 04/06/2010).

A constatação do Maestro Otávio em relação à banda e às atividades musicais nela desenvolvidas serem um meio de resgate social, é também citada por Penna (1990):

Interligando-se de uma forma ou de outra, aos processos sociais (...) de difusão da cultura, a musicalização não se exaure em si mesma, articulando-se à inserção do indivíduo em seu meio sociocultural, devendo contribuir para tornar sua relação com o ambiente mais significativa e participante. (PENNA, 1990, p. 33).

As participações das bandas existentes no meio oeste catarinense em eventos realizados em diferentes municípios apresentam vários benefícios tanto para os componentes destes grupos, quanto para a população que os prestigia. As apresentações servem de estímulo para que os componentes das bandas continuem se dedicando à prática musical; promovem a valorização dos músicos, aumentando sua autoestima e gerando bem-estar e satisfação por fazer parte do grupo. Quando as bandas tocam em eventos realizados em outros municípios, a atuação desses grupos divulga o trabalho que é realizado pelo grupo na cidade de origem e também possibilita que os músicos, em sua maioria adolescentes e jovens, tenham contato com outras realidades culturais e sociais.

Não só na região investigada, as bandas marcam presença em eventos diversos, mas também em outras regiões do país essa presença é notada. Cardôso (2005) ao investigar

bandas do Estado do Rio Grande do Norte, faz referência aos eventos dos quais os grupos deste Estado participam:

As filarmônicas, como também são denominadas algumas Bandas de Música, participam diretamente no quotidiano da cidade, seja em cerimônias de cunho sacro, em novenas, missas e outros ritos católicos; ou em eventos profanos, em bailes, comemorações de datas cívicas, etc. (CARDÔSO, 2005, p. 27).