• No results found

Chapter 3 - Related research

3.1. Architecture and architecting

3.1.3. Architecture and evolution

A Banda 4 e a Banda 5 são mantidas poder público municipal. A Banda 4, anteriormente denominada Banda Municipal Sol-Lá-Si, está em atividade, desde 1983. A iniciativa de fundar a banda partiu do poder público do município de Videira, o qual contratou um maestro para a formação do grupo. A Banda 5 mantém suas atividades de forma conjunta com a Banda 4, e configura-se como uma banda escola, onde seus integrantes realizam a prática instrumental em grupo e são preparados para fazerem parte da Banda 4: “na verdade a gente usa a Banda Jovem como laboratório para a Banda Sinfônica”. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010). O Maestro Luís e o Maestro Augusto, os quais atuam nas duas bandas, se referem aos dois grupos como sendo um só. Somente na fase de admissão de novos integrantes é que há diferenças entre as duas bandas. Essas diferenças serão especificadas adiante. Com exceção do processo de admissão de novos integrantes, a Banda 4 e a Banda 5serão aqui tratadas como um só grupo.

Ao contrário das outras bandas onde trabalham26, o Maestro Luís e o Maestro Augusto assumem neste grupo, funções diferentes: “(...) eu, por exemplo, sou mais da parte de ensaios e apresentações, concertos. E o [Maestro Augusto] é mais na parte de conserto, manutenção de instrumentos. Ele rege a banda também”. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010). “A regência e arranjo, que ele [Maestro Luís] sabe fazer também. Ele pegou mais essa parte”. (MAESTRO AUGUSTO. ENTREVISTA em 28/04/2010). Além dessas funções, os dois profissionais também ministram as aulas teóricas e instrumentais para os integrantes da banda.

As apresentações do grupo ocorrem em diversos eventos realizados no município de Videira e municípios da região. A banda se apresenta em festivais e concursos de bandas e fanfarras, solenidades cívicas e também realiza dois concertos durante o ano.

A gente tem (...) o Concerto Sinfônico e o Concerto de Natal. Então são dois concertos assim fixos. (...) fora isso, a gente tem apresentações, convites de outras cidades, concursos. (...) a gente atende às necessidades aqui da prefeitura também. Inaugurações, Sete de Setembro que a gente todo ano toca. (...) inauguração de escola, creche. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010).

Dependendo da apresentação, a Banda 4 e a Banda 5 tem sua formação instrumental modificada, configurando-se em uma banda musical. Essa mudança ocorre a fim de participar de desfiles cívicos, ou realizar apresentações consideradas pelos maestros como mais simples, se comparadas aos concertos organizados pelo grupo.

A Banda Sinfônica ela se transforma, se precisa. Ela pode virar banda musical, pode desfilar. A gente faz desfile em Sete de Setembro, faz banda musical, faz desfile, faz apresentação. Pode fazer uma apresentação simples numa inauguração, só com bumbo e caixa, instrumento de banda musical, sem tímpano (...). (MAESTRO AUGUSTO. ENTREVISTA em 28/04/2010).

O repertório executado pela Banda 4 e pela Banda 5 é bastante eclético:

[o repertório] envolve músicas natalinas, (...) música sinfônica brasileira, estrangeira também. (...) a gente tem todos os tipos de repertório. (...) a gente toca os hinos [cívicos], (...) baião também, (...) tem dobrado, que é um outro tipo de marcha; (...) flamenco, jazz, blues. Temos [música] folclórica”, (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010).

“(...) tem músicas alemãs (...) e italianas também. (...) música tradicionalista [gaúcha] nós temos também”. (MAESTRO AUGUSTO. ENTREVISTA em 28/04/2010). A diferença entre

as duas bandas, no que diz respeito ao repertório, é o nível de dificuldade das músicas. Por ser uma banda escola, a Banda 5 executa um repertório com um nível técnico mais fácil, se comparado ao repertório executado pela Banda 4.

A razão por manter o repertório envolvendo os mais variados estilos de música é uma forma encontrada pelos maestros de cativar tanto os músicos da banda como o público que assiste suas apresentações:

a gente não segue sempre a mesma linha, só sinfônico ou só popular. A gente mistura. (...) a população não está acostumada com o repertório totalmente sinfônico. (...) a gente procura mesclar. Ter um pouco de [repertório] sinfônico, um pouco de popular, até um pouco de folclore. (...) tem temas de filmes. (...) Porque o povo mesmo, a música sinfônica, eles estão começando a acostumar. (...) a gente fez uns testes assim, se você seguir só uma linha, o pessoal já não acha muito interessante. Então a gente procura dar prioridade por essa mistura. (...) a gente pensa no pessoal. (...) vamos fazer um repertório que agrade a gregos e troianos. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010).

A tática adotada pelo Maestro Luís na formação do repertório da Banda 4 e da Banda 5 vem ao encontro com a ideia defendida por Penna (2010) de que através da musicalização seja permitido a todos o acesso à música erudita. Como expõe a autora

o projeto de musicalização deve apontar, como meta ideal, para a apropriação da música erudita como um bem simbólico, no sentido de deselitizar o seu acesso. (...) Assim, a música erudita, historicamente reservada às elites, deixa de ser o inalcançável padrão a venerar, rompendo-se a distância reverencial do sagrado. (PENNA, 2010, p. 47).

Incluindo músicas eruditas, as quais o Maestro Luís chama de sinfônicas, este está agindo no sentido de promover a compreensão e a manipulação desse tipo de música “permitindo que seja apreendida, apropriada, redirecionada ou mesmo recriada”. (PENNA, 2010, p. 47), tanto pelos integrantes das bandas, quanto pelo público que prestigia as apresentações.

O repertório da Banda 4 é principalmente recebido da Suíça. Conforme informações dos maestros Luís e Augusto, isso ocorre, pois o poder público do município possui um convênio com este país, para recebimento de partituras, instrumentos musicais e bolsas de estudo para instrumentistas que se destacam dentro da banda e em outros projetos envolvendo ensino musical dentro do município de Videira.

A admissão de novos integrantes para participarem na Banda 5 ocorre todo ano, “(...) se inscreve quem quiser, (...) não tem uma seleção. (...) não temos restrições, qualquer pessoa que tiver tempo. Claro, que dentro dos nossos horários”. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010). Apesar de declarar que não há seleção para ingresso na banda, o Maestro

Luís comenta que, assim como acontece nas outras bandas onde atua, prefere iniciar o ensino musical com alunos que possuam entre nove e quinze anos de idade. Cerca de 30 novas vagas são disponibilizadas no início do ano na Banda 5, para quem quiser aprender a tocar um instrumento de sopro ou percussão.

Se na Banda 5 não há seleção para novos integrantes, para ser instrumentista da Banda 4, os integrantes da Banda 5 precisam se submeter a três testes. As vagas na Banda 4 são abertas somente quando um de seus integrantes deixa o grupo.

(...) a gente usa a Banda Jovem como laboratório para a Banda Sinfônica. Daí quando uma pessoa da Banda Sinfônica tem que sair da banda por algum motivo, então a gente abre testes para o pessoal da Banda Jovem poder entrar. (...) são três testes: de prática de instrumento, de solfejo e teste escrito. (...) quem tirar a melhor nota tem direito de entrar. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010).

A seleção para fazer parte da Banda 4 acontece, pois “quem toca na [Banda] Sinfônica recebe uma bolsa de estudos”. (MAESTRO AUGUSTO. ENTREVISTA em 28/04/2010), “é meio salário mínimo por mês, cada músico efetivo da banda”. (MAESTRO LUÍS. ENTREVISTA em 28/04/2010). Os maestros comentam que essa medida foi tomada pelo poder público para evitar que os integrantes da banda precisassem deixar o grupo para trabalhar, a fim de contribuir financeiramente com suas famílias. Através da concessão da bolsa de estudos, os instrumentistas têm a possibilidade de continuar tocando na banda e, ao mesmo tempo, ajudar financeiramente suas famílias.

Assim como nas outras bandas citadas anteriormente neste capítulo, “os instrumentos todos, a banda disponibiliza. Material também, palheta, óleo, tudo. Os alunos não gastam nada”. (MAESTRO AUGUSTO. ENTREVISTA em 28/04/2010). Conforme o Maestro Luís, a maioria dos instrumentos que compõem a banda foi doada pelo governo da Suíça e alguns foram adquiridos pelo poder público.