Observou-se que o perfil dos participantes do estudo quanto ao género, que 70,9% são homens com idade entre 41 e 60 anos e com qualificação entre ensino secundário (36,8%) e licenciatura (38,4%). Verificou-se ainda que 67% tem mais de 10 anos de experiência no atual cargo de gestão, o que vai de encontro à experiência anterior em cargos de gestão (61,6% não possui experiência anterior em cargos de gestão). Quanto ao perfil dos respondentes, verifica-se ainda que 55% começou a trabalhar na empresa por iniciativa própria ou por iniciativa dos pais (22%). Estes resultados são semelhantes a o de outros estudos, principalmente no que tange a idade e a qualificação dos proprietários/gestores das empresas familiares (Sitthipongpanich, & Polsiri, 2015).
Quanto o perfil das empresas familiares portuguesas observou-se que a maior parte (77,1%) têm mais de dezasseis anos de atividade, sendo na maior parte de pequena dimensão (91,5%), com um quadro de até 50 empregados. Foram revelados por meio dos dados que 42,6% das empresas possuem filiais, sendo que dessas, 5,4% possuem filiais também no exterior, o que demonstra um certo nível de internacionalização. Quanto ao setor de atividade, apurou-se que a amostra é bastante heterogénea, contando com empresas da indústria (38,8%), comércio (32,2%) e serviços (20,9%). Relativamente a forma jurídica, observou-se que 71,3% são Sociedades por Quotas, com 51% ou mais do capital pertencente a membros familiares, contando com 100% dos sócios familiares trabalhando no negócio
e 37% com a participação de sócios não familiares no trabalho. Quanto ao controlo familiar sobre a empresa, verifica-se que 56,2% é controlada por uma pessoa da família, caracterizado por proprietário controlador (Gersick et al., 1999) e, foi fundada pela própria pessoa que respondeu o questionário, ou seja, o proprietário/gestor atual (42,6%), pelos pais (38%) ou por outros familiares (19,4%).
5.2 Ajustamento do modelo de mensuração
A análise descritiva das variáveis do estudo foi feita com base nas médias e desvios-padrão dos itens das respostas ao questionário desenvolvido para a recolha de dados. A análise fatorial foi feita por meio da observação das cargas fatoriais (Loadings). Visando um modelo mais parcimonioso, foram avaliados ainda a confiabilidade interna (Alpha de Cornbach), a confiabilidade composta (CC) e a validade convergente (VC - AVE) (Hair et al., 2014). Esses valores podem ser observados na Tabela 1. Relativamente ao constructo de valores pessoais, observa-se que o mesmo é composto por 4 dimensões ou valores de ordem superior (VOS) que englobam inicialmente os 21 itens do questionário PVQ-21 (Schwartz et al., 2001), mas que, entretanto, por alguns itens apresentarem AVEs inferiores a 0,50, tiveram de ser retirados um a um, até que se conseguisse um ajustamento aceitável do modelo. Neste sentido foram retirados do constructo de valores pessoais os itens de número 1, 11, 15 referente ao valor de ordem superior (VOS) Abertura à Mudança (OC); consequentemente os itens 7 e 9 referentes ao VOS Conservação (CO) e por fim retirou-se o item número 3, concernente ao VOS Autotranscendência (ST), totalizando a retirada de 6 itens, ficando o constructo final constituído por 15 itens.
Após este ajustamento do constructo de valores pessoais, pode-se verificar na Tabela 1 os valores finais para as análises descritivas. Assim, percebe-se que as respostas em uma escala de 5 pontos ficaram mais em torno de “Parece-se um bocadinho comigo” e “Se parece muito comigo”, indicando o perfil de valores pessoais dos pesquisados. Outro ponto a ser observado refere-se ao desvio padrão, onde os resultados apontam para a pouca variabilidade das respostas, retratando a coerência dos resultados. Quanto às cargas fatoriais dos itens (Loadigns), identifica-se que, apesar das mesmas se encontrarem na maioria dos casos, com valores menores do que as do constructo de sucessão, aquelas estão de acordo com a teoria. As cargas fatoriais acima de 0,30 têm sido consideradas aceitáveis nos estudos em administração, sendo as acima de 0,50 consideradas moderadamente importantes e as acima de 0,70 muito importantes (Hair et al., 2006). O constructo de Valores pessoais, após os ajustes, apresentou confiabilidade interna (Alpha de Cronbach > 0,60), confiabilidade composta (CC > 0,70) e, por fim, validade convergente (valores dos AVEs > 0,50) (Hair, et al., 2014).
Ressalta-se ainda que ao comparar os alphas de cronbach com outros estudos de valores pessoais (Sagiv & Schwartz, 1995; Gouveia et al., 2001), encontrou-se neste uma maior consistência interna. Relativamente ao constructo de sucessão, observa-se que o mesmo é composto por 6 dimensões que compreende os 35 itens do questionário. Ao se analisar o constructo de sucessão (Tabela 1), percebe-
se que em todas as dimensões, as respostas obtidas se encontram com média entre concordo em parte e concordo plenamente na escala de 5 pontos. Assim, tem-se que se todas as respostas das variáveis fossem iguais, essas estariam em concordância com as afirmativas de cada questão. Deste modo, é possível inferir ainda que houve pouca variabilidade de respostas relacionadas à média e, neste sentido os respondentes foram coerentes ao responderem as questões, demonstrando que as 6 dimensões são importantes para compor o constructo da sucessão na empresa familiar.
Relativamente às cargas fatoriais dos itens que compõe as dimensões do constructo de sucessão, percebe-se através dos loadings que as mesmas apresentaram alta significância estatística. Quanto à verificação do modelo da existência de confiabilidade interna, constata-se por meio do Alpha de
Cronbach, que todos os 35 itens apresentaram valores aceitáveis, ou seja, maiores que 0,60. A
confiabilidade composta também foi constatada, pois todos os valores de CR ficaram acima de 0,70 e por fim, contatou-se a validade convergente, com valores dos AVEs ficarem acima de 0,50 (Hair, et al., 2014).
Tabela 1 – Estatísticas descritivas, análise fatorial, confiabilidade composta e validade convergente
Dimensões ou variáveis
Latentes (VLs)
VO (itens) M SD Loadings (O) Cronbach's CC AVE
CO Val05 3.597 0.996 0,656* 0,690 0,800 0,501 Val14 3.531 1.018 0,620* Val16 3.398 0.908 0,764* Val20 3.527 0.873 0,826* OC Val06 3.407 0.918 0,620* 0,604 0,792 0,563 Val10 3.650 0.866 0,764* Val21 3.358 0.892 0,826* SE Val02 2.217 0.946 0,577* 0,679 0,803 0,561 Val04 3.199 0.982 0,747* Val13 3.487 0.894 0,656* Val17 3.558 0.819 0,620* ST Val08 3.925 0.746 0,764* 0,727 0,829 0,548 Val12 4.004 0.795 0,826* Val18 4.071 0.767 0,696* Val19 3.894 0.786 0,857* FPSUC Suce1.1 4.088 0.776 0,890* 0,844 0,898 0,691 Suce1.2 4.133 0.781 0,894* Suce1.3 4.080 0.838 0,890* Suce1.4 3.664 0.879 0,617* FPGEST Suce1.5 2.885 1.058 0,699* 0,799 0,851 0,536 Suce1.6 3.606 0.982 0,811* Suce1.7 3.726 0.919 0,793* Suce1.8 2.956 1.025 0,767* Suce1.9 2.973 1.004 0,564*
Tabela 1 – Estatísticas descritivas, análise fatorial, confiabilidade composta e validade convergente (continuação) Dimensões ou variáveis Latentes (VLs)
VO (itens) M SD Loadings (O) Cronbach's CC AVE
FREL