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James Robertson nasceu em 1911 e faleceu em 1988, tendo sido um assistente social e psicanalista na Tavistock Clinic de 1948 até 1976. Ele revolucionou o modo como as crianças eram tratadas nos hospitais e em outras instituições devido aos seus filmes onde mostrava as

consequências da separação que as crianças sofriam. Resta lembrar que na época, as visitas às crianças eram proibidas nos hospitais para prevenir que as mães e visitantes transportassem infecções para o hospital, e também existia a crença de que as visitas apenas perturbavam as crianças em virtude das suas reações após a saída dos seus pais (Van der Horst, 2011).

Durante a guerra, Robertson ajudou famílias que tinham sido bombardeadas e

participou de evacuações de crianças para locais seguros, o que o perturbou, uma vez que elas estavam estressadas e perturbadas com as perdas e separações de seus pais. Em 1941,

Robertson começou a trabalhar com Anna Freud no seu centro de enfermagem onde conheceu a sua futura esposa. Este centro de enfermagem visava amenizar e cuidar de crianças que tinham perdido seus pais devido aos bombardeamentos ou outras situações, ou que, de alguma maneira, não podiam ser cuidadas por suas famílias (Van der Horst, 2011).

Anna Freud exigia que todos os funcionários registrassem as suas observações acerca do comportamento das crianças em cartões, os quais seriam mais tarde usados nas discussões semanais de grupo. Esta prática ajudou Robertson a obter um treino fundamental de

observação sobre as crianças e seus comportamentos (Van der Horst, 2011).

James and Joyce Robertson conheceram-se no centro de enfermagem que Anna Freud tinha criado para dar apoio às crianças que da alguma forma eram vítimas da guerra. A guerra tinha criado situações de carência em muitas famílias e criado muitos órfãos que necessitavam de apoio. Neste centro buscava-se dar apoio às crianças tentando colmatar as falhas e

separações existentes no apego, uma vez que Anna Freud acreditava que as perdas e separações tinham grande impacto no desenvolvimento das crianças. Joyce Robertson,

trabalhou com Anna Freud nos seus centros de cuidados de crianças de 1956 até 1963, quando se juntou ao seu marido na Tavistock Clinic no programa “As crianças jovens e as Separações Breves” (Robertson Films, 2016; Concord Media, 2016).

James Robertson qualificou-se como assistente social em psiquiatria em 1947 e fez o seu treino como psicanalista com Anna Freud, tendo entrado para a Tavistock Clinic em 1948, onde Bowlby o encarregou de observar as crianças que estavam hospitalizadas,

institucionalizadas ou de alguma maneira separadas de seus pais, tendo sido o início da pesquisa sobre a separação e as suas consequências. Este trabalho de observação, de que foi incumbido, deveu-se ao fato de que ele era um observador minucioso e com bastante experiência. Para além de ter sido treinado na observação de crianças por Anna Freud, Robertson também tinha um grande background como psicanalista e acerca das teorias psicanalíticas. As observações de Robertson no hospital e o filme de Spitz, Grief: A peril in

infancy, influenciaram e deram um grande contributo para o relatório que Bowlby escreveu

para a Organização Mundial de Saúde em 1951 (Van der Horst, 2011).

James Robertson fez o filme A Two-Year-Old Goes to Hospital em 1952, com Laura sendo a protagonista, a qual foi separada da mãe por nove dias para ser operada a uma hérnia umbilical. Este filme teve um grande impacto na comunidade da época, porque nele

Robertson mostrava o impacto que a solidão e separação teve numa menina de dois anos. As observações de crianças por Robertson no hospital também confirmaram as ideias de Bowlby acerca da influência que a separação tinha sobre a saúde física e mental das crianças (Van der Horst, 2011).

Este filme foi primeiramente mostrado na secção de pediatria da Royal Society of

Medicine em 28 de novembro de 1952, perante uma grande audiência de médicos e

enfermeiras. O chefe desta secção, Winnicott, também ele relatou que via mudanças

irreversíveis nas crianças que eram separadas de suas mães e que se deveria ter cuidado acerca das consequências psiquiátricas quando as crianças vão para o hospital. Também os editores das revistas científicas mencionaram este acontecimento e salientaram o fato de que não se

poderia continuar a negligenciar este assunto de separação. No entanto, este filme resultou em inúmeras críticas e hostilidades levando a que Bowlby e Robertson tenham decidido mantê-lo longe do público em geral e apenas mostrá-lo para profissionais, desde que acompanhado por Bowlby ou por Robertson (Van der Horst, 2011).

Com base nas suas observações de crianças, Robertson encontrou três fases pelas quais as crianças passavam quando da separação, sendo elas: o protesto, o desespero e a negação. Este trabalho foi publicado em 1952 com Bowlby, e com o título: A two-year-old

goes to hospital e publicado em Proceedings of the Royal Society of Medicine, 46, 425–427.

(Van der Horst, 2011).

Segundo Van der Horst (2011), Robertson ficou chocado pelas suas observações de crianças que eram separadas e tinham de ficar no hospital ou no sanatório, uma vez que ele viu o quanto elas ficavam estressadas com essa separação, mas aparentemente os médicos e enfermeiras recusavam-se a ver o quanto essa situação deteriorava o estado emocional das crianças. Ele ficou chocado com o fato de que os gritos e espernear eram interpretados como situações atípicas até que as crianças acalmassem e não conseguia compreender porque os médicos e enfermeiras não conseguiam ver esta situação.

Na fase de protesto, a primeira assim que acontece a separação, a criança fica extremamente ansiosa, tentando ir para a mãe ou agarrando-se a ela, ou procurando-a com todas as suas forças ou mesmo gritando e chorando bastante na esperança de que ela volte. A criança fica confusa e amedrontada com o ambiente que não lhe é familiar e procura voltar para a sua mãe com todas as suas forças. A esta fase segue-se a fase do desespero, que é caracterizada por ser uma fase de sem esperança. Nesta fase, a criança já não procura a sua mãe e o seu choro e gritos passam a ser monótonos e intermitentes. Esta seria uma fase que erradamente seria interpretada como uma diminuição do estresse pelos médicos e enfermeiras.

Na terceira fase, ou fase da negação, a criança volta a mostrar interesse pelo ambiente onde se encontra, o que é visto por médicos e enfermeiras como um sinal de recuperação, mas que segundo Bowlby e Robertson, seria apenas uma maneira da criança se adaptar à nova realidade. Uma vez que a mãe não se encontra mais presente, há a necessidade da criança se adaptar à nova situação uma vez que ela não aguentaria os sentimentos de estresse que ela experienciou (Van der Horst, 2011).

Toda esta situação chocou Robertson, e apesar dos seus colegas na Tavistock Clinic partilharem as mesmas ideias e sentimentos, ele sentiu que era apenas ele que se importava com a situação, uma vez que era ele que vivia diariamente com a separação das crianças e com o seu desespero de serem abandonadas. Ele era diariamente confrontado com a desumanidade da situação pediátrica, o que lhe criou a urgência de precisar humanizar a pediatria (Van der Horst, 2011).

Em 1958, Robertson fez o filme Going to Hospital with Mother. Desta vez, o filme foi com a criança Sally de 20 meses de idade, que foi para o Amersham General Hospital para ser operada devido a uma hérnia umbilical, mas ela foi com a sua mãe. Com este filme,

Robertson pretendeu mostrar a simplicidade que era trazer e manter as mães no hospital junto com seus filhos. Com a presença de suas mães, as crianças sentiam-se seguras e tinham um espírito alegre, assim como as mães também cuidavam de seus filhos. Na verdade, o filme mostrava como a Sally lidava com o hospital e com a cirurgia sem grande ansiedade,

mostrando que era a presença da mãe que a acalmava, contrariamente às crianças que estavam separadas de suas mães (Van der Horst, 2011).

Mais tarde, Robertson fez outros filmes, mas com crianças que estavam em casas de acolhimento, e desta maneira, tinham alguém que cuidava delas, não estando portanto sujeitas ao estresse dos hospitais. No seu novo projeto, Young children in brief separation, ele queria

estudar crianças separadas de suas mães, mas sem estarem debaixo do estresse do hospital, tendo algum cuidador presente com elas. Assim em 1964, Robertson filmou cinco crianças entre os 17 e os 29 meses de idade, cujas mães precisaram deixá-los em casas de acolhimento enquanto estavam no hospital para terem novos filhos. Quatro dessas crianças ficaram com Joyce Robertson, a esposa de Robertson, e uma outra foi para um centro de enfermagem para ser cuidada. Os resultados evidenciaram que as crianças que tiveram a casa de acolhimento mostraram ter muito menos estresse do que aquela que ficou num centro de enfermagem. E dessa forma, Robertson demostrou que as crianças em casas de acolhimento têm menos estresse e mostram-se menos irritadas e mais seguras do que aquelas que ficam em instituições para serem cuidadas (Van der Horst, 2011).

Resta salientar que Robertson e Bowlby, apesar de partilharem as mesmas ideias de fundo, acabaram por se separar devido a divergências que nunca foram divulgadas por nenhuma das partes. No entanto, uma das razões que se apontam é o fato de Bowlby ser teórico e querer saber o que estaria por detrás do apego, enquanto Robertson estaria mais interessado na aplicação desses conhecimentos para melhorar as condições mentais e emocionais das crianças, evitando que elas sofressem (Van der Horst, 2011).