4. Does MBCT Facilitate Self-Compassion?
4.3. Theme 3: Self-compassion attributed to mindfulness meditation
4.3.1. Subtheme A: Self-compassion mediates and interacts with decentering
Através do “Auto de entrega do extinto Convento de Sacavem”271
Então o acesso ao quartel fazia-se por um portal de cantaria aberto no adro da igreja a que se seguia uma parada com mais de 28 metros de comprimento e 11 de largura; na parede fronteira ao portal havia uma porta que dava para uma parte da cerca que estava arrendada, apesar de servir de entrada para a cavalariça. No topo norte da parada existia (e existe ainda hoje) uma escada de cantaria com dois lanços, “conduzindo ao mesmo
patim de uma pequena galeria com arcadas sobre colunas de pedra; o pavimento d’esta é de betonilha, e na parede oposta às arcadas abrem-se duas portas”
, de 15 de Dezembro de 1902, que descreve todo o aquartelamento e anexos, e de uma série de plantas do quartel datadas de 18 de Fevereiro (Figs. 1,2,3) do mesmo ano, ficamos a conhecer, o estado e nova organização do antigo convento.
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, que davam acesso à casa da guarda (que tinha um “forro de azulejo com 1,5m de altura na divisão
da frente”) e ao interior do aquartelamento, entrada esta principal, ainda existente e que
na altura era assim descrita: “A porta da esquerda dá entrada para o interior do
aquartellamento por um corredor com 14,5m × 3,2m, parte em rampa de betonilha, e parte em degraus de cantaria, terminando por um portal, a que se segue um patim horisontal com 4,8m × 3,2m; as paredes são forradas de azulejo até ao tecto, na parte da rampa, e até 0,6m de altura, no patim, e neste, d’ahi para cima são rebocadas e caiadas; o tecto é primeiro de azulejo, em seguida de madeira pintada, e por cima do patim está à vista o madeiramento do telhado. Este corredor é fechado em baixo por uma porta de batente, com postigo, e em cima abre por uma portada, no pavimento inferior do claustro.”273
O claustro e os serviços que o “rodeavam” são mencionados, fornecendo-nos elementos importantes. O claustro, descrito no referido Auto, e tal como hoje o conhecemos (fora o piso de primeiro andar que deixou de ser de madeira) “é rectangular, com 21,7m ×
17,8m, na direcção sensivelmente norte-sul, ajardinado, com um tanque de pedra ao centro; arcadas com collunas de pedra servem de apoio ao telhado; as galerias que assim circundam o claustro teem, a do andar térreo pavimento de ladrilho e as paredes revestidas de azulejo; no primeiro andar pavimento de madeira, e paredes rebocadas e
Actualmente, a porta é já outra e o tecto está diferente…
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SPatr/DIE Auto de entrega do extinto Convento de Sacavém, 15/12/1902
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Idem, p.1
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caiadas a branco”274. Nestas galerias, tal como é mencionado e descrito, e como se pode ver nas plantas (Figs.1,2,3), abriam-se portas de comunicação para as várias dependências do quartel; pelo andar térreo do claustro tinham acesso: a) à “Aula” (corresponde a b na planta), b) a “um pequeno corredor contiguo, e do lado ocidental
da casa da aula; comunica o claustro com a cerca, para que se abrem em cada um dos seus topos dois vãos com portas de madeira”, c) a meio da parede deste “corredor”
uma porta que dava acesso a “duas casas comunicando-se por uma porta aberta ao
meio da parede mestre que as separa” (corresponde a c, refeitório de soldados), d)
“arrecadação de generos” (a primeira casa no lado ocidental do claustro), e) o “refeitório dos sargentos” (contígua à arrecadação e igualmente composta por duas casas interligadas entre si por uma porta), f) a “casa de banhos” (também contígua à antecedente), g) a “cosinha” (contígua à casa de banhos, designada na planta como
cozinha geral), h) uma “casa (…) cuja porta é a primeira que se abre na parede sul do claustro” que servia de entrada para a caserna de mobília e para uma galeria sobre
arcadas (designada na legenda da planta simplesmente como caserna de mobília), i) a “galeria sobre arcadas”: “a fachada sul do convento é, na altura do primeiro andar,
ocupada por uma galeria sobre arcadas, em dois torreões normaes nos extremos, e um terceiro, formando corpo distinto, no topo occidental; é dividido por um tabique transversal em dois compartimentos, e no sentido do seu comprimento na extensão de 6m a contar do topo occidental em dois corredores…”, aproveitada, segundo a planta,
para camarata dos sargentos, j) “sentinas” (“ocupam as dos sargentos o torreão e o
topo occidental da galeria, e as dos soldados o corpo que se destina junto do dito extremo” e correspondem na planta ao j e ao k, designadas como latrinas do sargentos
e latrinas dos soldados, respectivamente), k) e à “habitação do 1º sargento”, que tinha porta na parede sul do claustro e a ela fazia “seguimento imediatamente uma escada”, ficava sobre a casa descrita na alínea h, e tinha “o pavimento intermédio ao do andar
terreo e primeiro andar do claustro, sendo dividida em quatro compartimentos”275
No descrito piso térreo do claustro, a que o auto alude com mais minúcia, referindo medidas e outros pormenores relacionados, nomeadamente com a forma como as paredes, chãos e tectos se encontravam (pintados, rebocadas, caiadas…), destaca-se a casa mencionada como “Aula”, certamente a antiga “sala do capítulo”. Em 1902 a divisão era assim descrita: “ ocupa o lado norte do claustro; tem 11,5 × 7,5m, e 4,6 m
. 274 Idem, p.2 275 Idem, pp.2 - 5
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de altura, cubagem 396,750m3; tem para o claustro uma porta grande, com bandeira semi-circular de vidraça, e aos lados duas mais pequenas, com portas de madeira e caixilhos de vidraça; e na parede fronteira uma janela com caixilhos de vidraça basculantes; é circundada de bancos de cantaria forrados de madeira, excepto em parte do seu lado oriental, e no sitio das portas; o pavimento é de ladrilho, com um pequeno estrado alto de madeira; o tecto é de madeira pintada de branco; e as paredes revestidas com azulejo até 1,7m de altura, e d’ahi para cima rebocadas e caiadas.”276
Pelo primeiro andar do claustro, zona onde anos atrás, certamente, as freiras tinham as suas celas, organizavam-se então outra série de salas que constituíam o que de essencial um quartel necessitava então de ter (Fig.2): a) a “caserna” (situada por cima da casa da “aula” e do corredor, correspondente na planta a i), b) a “casa da lavagem” (contígua à caserna, próxima da extremidade da fachada norte, na planta designada como casa de
limpeza com lavatórios, letra j), c) a “arrecadação geral” (junta à anterior e ao sul da
caserna, por cima da arrecadação de géneros, na planta arrecadação da bateria, letra
h), d) a “estação telegráfica” (contígua à arrecadação geral, por cima do refeitório dos
sargentos, letra g), e) a “secretaria” (contígua à casa antecedente, superior à casa de banhos, na planta letra f), f) a “retrete de oficiais” (com porta na parede sul do claustro, superior à habitação do 1º sargento, correspondente Latrina d’officiaes, c) e, finalmente uma “sala de reunião de oficiais” (g), com duas portas de acesso na parede sul do claustro277
Ainda com ligação ao edifício do antigo convento, como aliás se pode verificar nsa plantas em apêndice (Figs.2,3) encontravam-se as “moradias de sargentos” (para além da já referida “moradia do 1º sargento”), identificadas como “casas de sargentos”, letras k e l numa planta que mostra a “distribuição do aquartelamento no pavimento
superior do convento”, e as “moradias de oficiais”, estas, segundo planta (Fig.3)
ocupando uma parte que tinha sido uma antiga enfermaria; as primeiras ficavam
situadas em “um corpo destacado que nasce no vertice nordeste do edificio, e que com ele se comunica por uma escada de pedra que se insere no terceiro patim da escada principal do quartel; o pavimento fica ao nível do primeiro andar do claustro”. Eram
duas as moradias dos sargentos, habitações que divididas em três compartimentos, um dos quais cozinha, permitiam uma vida algo “independente” em relação ao restante
, designada por a na planta correspondente.
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Idem, p.2
277
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quartel e respectivos militares, algo que também sucedia com as designadas “moradias
de oficiais”.278
As “moradias de oficiais” ficavam situadas “principalmente por cima das dos
sargentos, comunicando-se com o edifício do convento por um lanço de escada de pedra que se insere no 5º e último patim da escada principal”. As moradias tinham
ainda outra serventia, no lado norte, através de um lanço de escada que conduzia até ao nível da cerca, onde se abria um corredor que dava acesso a todas as moradias. No total estas moradias estavam destinadas a três oficiais, mas como salientam “como as
diferentes casas se acham em comunicação, por portas, poderá a sua distribuição variar até certo ponto, segundo as necessidades reconhecidas na ocasião”; ao todo
tinham quinze divisões, onde se incluíam as três cozinhas e demais divisões indispensáveis numa casa de habitação.279
Para além das referidas divisões que constituíam o antigo edifício e/ ou que a ele se encontravam juntas, são igualmente referidas neste auto as “Outras dependências do
quartel que não teem entrada directamente pelo claustro”. Essencialmente tratavam-se
da cavalariça, “situada inferiormente a uma das casernas de mobília, fazendo-se o
acesso pela cerca do convento que está arrendada”, e de três casas na cerca,
logradouro do quartel, que se encontravam colocadas uma “no ângulo noroeste”, outra a meio do muro norte da cerca, e a última “por baixo da escada de pedra de serventia
das moradias de oficiais”280. É igualmente referido que a água que alimentava então o quartel tinha nascente em Camarate.281
278 Idem, pp.6-7 279 Idem, pp.7-8 280 Idem, p.8 281 Idem, p.8
Constatamos, portanto, que nesta altura, em 1902, menos de trinta anos depois da sua ocupação militar, o quartel tinha uma organização bastante considerável. De facto, tendo em atenção a descrição do seu estado aquando da sua entrega, vemos que um grande trabalho foi realizado de modo a permitir a sua reutilização por parte do exército, reutilização que sem dúvida, dadas as circunstâncias, acabou por salvá-lo da ruína. Cremos que nesta altura ainda poucas alterações estruturais terão sido realizadas e que, a terem sido retirados elementos decorativos, terão sido relativamente reduzidos os danos, uma vez que pelas descrições de 1877 e de 1902, que apesar de não serem muito minuciosas, falam-nos, por exemplo, dos revestimentos, não existindo, à partida diferenças significativas.
117 No caso de Sacavém constata-se, então, que num primeiro momento, as adaptações feitas no edifício do convento foram, relativamente, reduzidas; o convento e as suas dependências facilmente foram adaptados às novas necessidades militares. O edifício do convento acolhe uma série de serviços indispensáveis à instituição que então o passava a ocupar.