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Subjects and methods

Tem sido uma questão central da educação em ciências, a promoção da cultura científica dos cidadãos, orientada para uma formação relevante quer em termos pessoais quer em termos de participação na vida social, com a finalidade de formar cidadãos capazes de interagir com os problemas que assolam a sociedade atual. É desta forma, ―que surge o conceito de literacia científica adotado no recente estudo internacional Programme for International Students Assessement (PISA 2000)‖ (Sá, 2002: 33).

De acordo com o terceiro relatório nacional sobre o PISA 2000 (GAVE, 2003), a literacia científica foi definida como ―a capacidade de usar conhecimentos científicos, de reconhecer questões científicas e retirar conclusões baseadas em evidência, de forma a compreender e a apoiar a tomada de decisões acerca do mundo natural e das mudanças nele efectuadas através da actividade humana‖ (p. 2).

Resultados de estudos internacionais como o PISA revelaram que os alunos portugueses têm, em média, um desempenho na área da literacia científica significativamente inferior ao da média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Estes vieram fortalecer a ideia de que é necessário mais e melhor educação em ciências logo desde os primeiros anos de escolaridade.

O programa PISA foi lançado em 1997 pela OCDE com o intuito de monitorizar, de forma regular, os resultados dos sistemas educativos em termos de desempenho dos alunos na literacia em Leitura, Matemática e Ciências, numa perspetiva comparativa. ―O aspecto essencial do PISA é o de assentar numa avaliação incidindo nas competências que evidenciem o que os jovens de 15 anos sabem, valorizam e são capazes de fazer em contextos pessoais, sociais e globais‖ (Relatório Nacional PISA 2006)1

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Relativamente à literacia científica, o PISA 2006 (terceiro ciclo), deu conta, do baixo desempenho dos alunos portugueses. Neste estudo, que contou com a participação de cerca de 60 países, foi dada preponderância à literacia científica. Ainda segundo o relatório, mais de metade dos estudantes portugueses (53,3%) só demonstraram conhecimentos básicos neste domínio, não indo além do nível dois em seis níveis de complexidade de desempenho.

O PISA 2009 contou com a participação de 65 países e, segundo os resultados, Portugal registou melhorias significativas. Em ciências, foi o segundo país que mais progrediu entre os ciclos de 2006 e 2009, passando a pontuação em 474 para 493. Relativamente à literacia científica, a percentagem de alunos com níveis de desempenho médios a excelentes aumentou 7,9 pontos.2 Estes resultados permitiram evidenciar o esforço e empenhamento que tem havido no sentido de melhorar a literacia científica nos nossos alunos, com o intuito de nos situarmos ao nível de outros países.

Até aos anos 60 os currículos de ciências em geral, e em todo o mundo, tinham como única preocupação a transmissão de conhecimentos, promovendo-se uma imagem da ciência como um conjunto de ―verdades feitas‖ (Sá, 2002). O aluno era o recetor dos conhecimentos do professor e atendia-se apenas à dimensão do conteúdo. Segundo Paul de Hart Hurd, (citado por Sá 2002, p. 52), ―o lançamento do primeiro Sputnick no espaço pela União Soviética, em 1957, marcou o início de uma grande reforma curricular no ensino das ciências nos Estados Unidos e um pouco por todo o mundo.‖

Durante a década de 60 surgiram projetos que, baseando-se numa avaliação muito negativa relativa ao ensino das ciências, e pretendendo efetuar uma rutura com os métodos tradicionais de transmissão de conhecimentos, ―preconizam um ensino das ciências à imagem de como o cientista faz a ciência‖ (Sá, 2002, p. 52). É nessa altura que se evidenciam esforços para a introdução do ensino das ciências na antiga ―escola primária‖.

Com o desenvolvimento das Ciências da Educação, e o reconhecimento da importância das atitudes no processo educativo, têm vindo a ser introduzidos nos currículos de ciências enunciados no âmbito do desenvolvimento de atitudes científicas nos alunos e de atitudes positivas face à ciência (Sá, 2002).

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No documento ―Currículo Nacional do Ensino Básico‖ (ME, 2004), a educação em ciências no 1.º Ciclo do Ensino Básico, no sistema educativo Português, pressupunha a criação ―de experiências de aprendizagem que promovam o desenvolvimento de competências específicas no âmbito da área disciplinar de Estudo do Meio‖ (ME, 2004: 75). Desta forma, a designação de competência, estava diretamente relacionada com o processo de promover o desenvolvimento integrado de capacidades e atitudes que viabilizam a utilização de conhecimentos em situações diversas (ME, 2004).

O programa atual (ME, 2004) sugere fazer da ciência uma atividade prática e não algo de que se ouve apenas falar, sendo que o princípio orientador da área curricular de Estudo do Meio se centra na importância do conhecimento do meio, partindo da pesquisa e da experimentação.

As metas de aprendizagem propostas pelo Ministério da Educação reforçam esta ideia anterior de colocar o aluno como participante e construtor do seu conhecimento, desenvolvendo a sua literacia científica, sendo no 1º Ciclo do Ensino Básico ―que se estruturam as bases do conhecimento científico, tecnológico e cultural, isto é, as bases fundamentais para a compreensão do mundo, a inserção na sociedade e a entrada na comunidade do saber‖3

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Esta ideia fortalece a necessidade do contacto direto com o meio envolvente, da realização de investigações e experiências reais na escola e na comunidade.

Na atualidade, o ensino das ciências evidencia a promoção da literacia científica nos alunos, com a finalidade da tomada de consciência dos problemas mundiais e a possibilidade de atuação face aos mesmos.

―É neste quadro que se coloca a importância da formação pessoal e social dos indivíduos, onde a componente científico-tecnológica se inclui e sem a qual aquela não será conseguida. Por isso se defende que cada indivíduo deve dispor de um conjunto de saberes do domínio científico-tecnológico que lhe permita compreender alguns fenómenos importantes do mundo em que vive e tomar decisões democráticas de modo informado, numa perspectiva de responsabilidade social partilhada‖ (Martins et al., 2007b, p. 16).

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Em resumo, considera-se portanto que a finalidade do ensino das ciências atualmente, designadamente no ensino básico, é a promoção da literacia científica no âmbito de uma educação para a cidadania de modo a formar indivíduos mais críticos, conscientes, responsáveis e comprometidos com o mundo e os seus problemas.

O ensino das ciências, tem sido alterado consoante a importância que a sociedade lhe dá num dado momento.

2.2. Importância das ciências no 1.º ciclo do ensino básico