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Subjective and objective definitions of national identity – possible to find a

2.1 Rethinking the distinction between nation and state in Chinese politics

2.1.3 Subjective and objective definitions of national identity – possible to find a

Fotografia 12 - Funcionários do CPHFRGS (1985)

19 Na nossa análise o CPHFRGS será considerado museu, pois o termo “tanto pode designar a instituição quanto

o estabelecimento, ou o lugar geralmente concebido para realizar a seleção, o estudo e a apresentação de testemunhos materiais e imateriais do Homem e do seu meio”. (Desvallées; Mairesse, 2013, p.64).

Fonte: Museu do Trem de São Leopoldo ([1874-1990]).

Legenda: Funcionários do CPHFRGS (grupo administrativo e agentes especiais de segurança) em frente ao prédio da reconstruída estação ferroviária de São Leopoldo/RS (maio / 1985).

Carrazzoni durante a sua trajetória profissional sempre demonstrou o interesse em formar uma equipe multidisciplinar como no MNBA, conseguindo formar um quadro com diversos profissionais, no qual trabalhavam museólogos, professores, artistas plásticos, arquitetos, além de todo o pessoal de apoio. (CARRAZZONI, 2001). Após, a criação do Preserve, Carrazzoni lutou para que no quadro do MT fossem incluídas museólogas, o que se concretizou na década de 1980 com a inserção dos profissionais de Museologia nos quadros da RFFSA e na CBTU. (CARRAZZONI, 2001). Considerava importante ter museólogos para executar os trabalhos de rotina do museu que para ela, resumia-se na pesquisa constante do acervo, no tombamento, na organização dos fichários e na conservação das obras (CARRAZZONI, 2001). No que compete às funções de cada profissional, Carrazzoni acreditava que o museólogo e o historiador, mais do que outros profissionais, tinham o dever e o compromisso com a verdade. O primeiro para ela preserva e divulga os testemunhos da História; enquanto o segundo é narrador e intérprete dos fatos que aqueles testemunhos corroboram. (CARRAZZONI, 2001). No entanto, atualmente sabemos que o estudo da cultura material não está vinculado à valorização do passado, mas às referências patrimoniais que são

produzidas “[...] e se encontram inseridas em uma temporalidade que transcorrerá durante toda a existência do objeto no museu, criando novos sentidos e significados”. (CÂNDIDO, 2012, p. 58). Com relação à equipe do CPHFRGS, podemos dizer que procurou seguir as normas do Preserve/fe, mesmo não tendo todos os profissionais com qualificação para exercer as tarefas em uma instituição museológica. De acordo com a entrevista publicada no jornal VS, Maria Thereza Kahl Fonseca comenta que o trabalho em um museu não se restringe somente à restauração de um prédio. Para ela, o principal objetivo era a restauração das memórias da ferrovia do Estado e com esse intuito a equipe do CPHFRGS foi organizada para trabalhar na manutenção e pesquisa do acervo que estava sendo transferido para São Leopoldo. (RESTAURAÇÃO, 1985, p.6). De acordo com o documento administrativo, o organograma da equipe do CPHFRGS em 1985 era dividido da seguinte forma:

-1 museóloga: responsável pela administração do Museu.

-5 agentes de administração: um dos agentes é responsável por toda a parte burocrática. Os outros agentes são responsáveis pela parte técnica no que diz respeito a museologia e à museografia sob a orientação e supervisão da museóloga.

-3 auxiliares de serviços gerais: são responsáveis pela limpeza e reparos no espaço físico do Museu. Também são responsáveis no transporte e limpeza do acervo seguindo a orientação da museóloga.

- 5 agentes especiais de segurança: responsáveis pela segurança.” (RFFSA, 1985a).

Como podemos notar, não havia historiadores na equipe e por esse motivo o estudo da cultura material vinculou-se mais com o universo tangível, o que trouxe prejuízos no estudo pela perspectiva histórica. Outro dado importante a destacar é a formação dos profissionais que atuavam no CPHFRGS. Conforme as fontes documentais, os agentes administrativos ficaram encarregados de executar tarefas no campo da museologia e da museografia sob a supervisão de uma museóloga, executando tarefas como separação, limpeza superficial e tombamento do acervo documental, tridimensional e fotográfico, além de desenvolverem atividades de recepção ao público. Essas informações evidenciam a falta de recursos humanos qualificados no Brasil para trabalhar nos espaços museológicos na década de oitenta. A partir desse quadro institucional, o CPHFRGS formou um determinado acervo, procedendo à seleção do que deveria ser considerado peça de museu. Desse modo, podemos entender que o produto das escolhas realizadas pelos atores sociais envolvidos está diretamente relacionado às significações que estes atribuem aos objetos, ao próprio museu e ao que ele deveria conter, ou seja, que história este deveria contar. (POSSAMAI, 2001).

Aqui também é importante destacar não somente os agentes autorizados que participaram dos projetos do Preserve/fe, mas também aqueles que não constam na

documentação. No processo de patrimonialização do acervo pelo Preserve/fe não encontramos nenhuma documentação sobre a atuação do SPHAN/IPHAN no programa preservacionista do Ministério dos Transportes, mas sabemos que devido à solicitação da Secretaria Executiva do programa preservacionista foi tombado pelo SPHAN o complexo Ferroviário de São João Del Rey, no dia 29/12/1986. Como já citado, o IPHAN passou a ser responsável pelos bens históricos da RFFSA a partir de 2007 e, portanto, leva-nos à conjectura de que todo o trabalho do governo federal de conservação dos materiais históricos da ferrovia estava centrado no Preserve/fe até a sua extinção. Sendo assim, reconhecendo o principal agente do processo de patrimonialização do acervo ferroviário na década de oitenta nos leva a identificar e entender os valores percebidos/envolvidos que definem seus objetivos e motivam suas ações, mas também nos faz perceber que o Preserve/fe não foi o único agente de preservação.

Essas representações estão presentes entre os atores fora do campo, naquelas significações individuais atribuídas aos objetos e, por conseguinte, ao museu e também no interior do campo, entre aqueles profissionais e funcionários encarregados das tarefas práticas e simbólicas [...]. (POSSAMAI, 2001, p.89).

Com relação às significações aplicadas ao acervo, temos que considerar que os agentes do Preserve/fe tiveram a contribuição de ferroviários que também atribuíram valor histórico aos objetos selecionados, porém, estavam apoiados na evocação do coletivo que se faz presente em muitas de suas lembranças. Dar um novo significado para os vestígios da estrada de ferro no CPHFRGS significou para os trabalhadores da ferrovia uma confiança maior na exatidão dessa rememoração, “[...] como se uma mesma experiência fosse recomeçada, não somente pela mesma pessoa, mas por várias”. (HALBWACHS, 1990, p. 25). Dessa forma, muitos ferroviários contribuíram na constituição do acervo no CPHFRGS a partir da seleção, do deslocamento e da preservação do material histórico, como podemos notar em vários trechos do depoimento de HBS:

“Essa foi uma coisa que a gente botou que eu carreguei daqui pra lá muito material como sino, quase todo aquele material que tá lá a gente carregou daqui [Antiga Estação de Augusto Pestana] prá lá mais com o auxílio do pessoal da via permanente, nesta altura eu já não tava mais na via permanente. Eu já tava mais ligado ao... departamento de comunicação social. A minha trajetória foi essa [...] no Museu do Trem.

A gente ajudou muito ela [museóloga do CPHFRGS]. [...] ela não tinha muito conhecimento do que era o material que era e aí a gente pode e ela pode organizar também da maneira que mais ela achava melhor para a apresentação lá dentro do Museu. Isso aí contribuiu muito. [...].

[...] nessa parte da classificação quem fazia era a... Clarissa que discutia muito com a gente o que era mais importante de ser cuidado de que sei então, a gente

contava a história da alguma coisa que tem lá. Referente ao andamento da Maria Fumaça foi isso, que mais aproximou a discussão entre a gente com essa parte.” 20 (HBS).

Notadamente, houve uma condução na construção de sentidos por parte dos agentes do Preserve/fe mesmo havendo a colaboração de ferroviários no processo de patrimonialização. Isso fica mais evidente na entrevista de HBS quando relatou sobre as conversas com a museóloga do CPHFRGS, nas quais explicava aos trabalhadores que a ferrovia já tinha feito o seu papel e que a função dos bens da ferrovia, naquele momento, era transformar em discussão o progresso do Brasil; ou seja, podemos supor que a obsolescência do acervo ferroviário e o avanço tecnológico do nosso país resultaram na patrimonialização dos materiais histórico da estrada de ferro o que demonstra que “[...] muitas vezes escondem os verdadeiros motivos que levam ‘escolhas expressas em projetos políticos historicamente constituídos’, nos quais determina os bens e aqueles condenados ao esquecimento”. (FUNARI; PELEGRINI, 2006, p. 57).