De modo a poder avaliar a minha intervenção pedagógica recorri a diferentes métodos de recolha de dados: (i) questionários; (ii) observação; e (iii) análise documental (planificações de aulas, produções dos alunos, questões colocadas no final da aula).
Questionários. É uma técnica de recolha de dados que, além de evitar a influência no momento da recolha, permite também obter informação de modo mais rápido e eficaz (Tuckman, 2000). Neste estudo utilizei dois questionários como instrumentos de recolha de informação em que o público-alvo foram os alunos da turma, um no início e outro no final da minha prática pedagógica. Com o questionário inicial (Anexo 3), realizado no início da prática pedagógica, procurei recolher informação que me permitisse perceber a ênfase que tem sido dada à escrita matemática, de modo a caracterizar as práticas dos alunos. Foram colocadas questões abertas de modo a ter opinião dos alunos relativamente à disciplina de Matemática, à utilização da calculadora gráfica e à escrita matemática. Com o questionário realizado no final da minha prática pedagógica (Anexo 4), pretendi recolher informação que me ajudasse perceber quais as perceções dos alunos sobre a contribuição da escrita matemática com recurso à calculadora gráfica na sua aprendizagem de modelos contínuos não lineares. Este questionário era constituído por dois grupos: o primeiro grupo com 19 questões de resposta fechada e o segundo grupo com quatro questões de resposta aberta. Relativamente ao primeiro grupo, os alunos em cada questão teriam de escolher uma das cinco opções, com base na tipologia da escala de Likert: DT – Discordo totalmente, D – Discordo, I – Indiferente, C – Concordo e CT – Concordo Totalmente. No segundo grupo, pedia-se aos alunos que justificassem as suas opiniões.
Observação: Durante as aulas que lecionei utilizei dois métodos de observação: grelha de observação (Anexo 6) e gravações de aulas em vídeo. Usei a grelha de observação em todas as aulas para registar algumas anotações acerca das atividades dos alunos, nomeadamente no que respeita às estratégias de utilização da calculadora gráfica, a informação e o raciocínio; e ainda um campo onde indicava algumas vantagens e desvantagens da calculadora gráfica na promoção da escrita matemática, que ia observando enquanto circulava pela sala. Esta grelha foi baseada numa tabela de orientações que Ball e Stacey elaboraram para alunos e professores
(Ball & Stacey, 2003). Na utilização desta grelha e de modo a facilitar a minha movimentação e trabalho na sala de aula, escolhi os símbolos “+” e “–“ que representavam o resultados de terem atingido ou não as diferentes fases de resolução da tarefa estipuladas na grelha.
Quanto às gravações, as aulas referentes à realização do meu projeto foram gravadas em vídeo, tendo efetuado, no início do ano letivo, um pedido de autorização ao Diretor da Escola (Anexo 1) e aos Encarregados de Educação dos alunos (Anexo 2). Estas gravações permitiram- me, em momentos pós-aula, visualizar as atividades realizadas nas mesmas, pude ver-me no lado oposto e avaliando-me a mim própria, em termos de postura e comunicação com os alunos, sendo possível rever as interações aluno-aluno e aluno-professor. Serviu também para recolher mais dados e para transcrever diálogos relevantes.
Análise documental: Os documentos analisados foram: os planos de aula; as produções dos alunos e questões colocadas no final da aula. Os planos de aula eram constituídos por tópico a lecionar; objetivo da aula, formato de ensino a usar, tarefas e as respetivas explorações, a forma como eu queria explorar as tarefas consoante o momento da aula e os recursos a usar. As planificações serviram-me para inserir as tarefas que as estruturam na análise das produções dos alunos à sua resolução.
Relativamente às produções dos alunos, no final de cada aula lecionada, os pares de alunos (designado na sua análise por P#, em que # significa o número atribuído a cada par) entregavam-me a resolução das tarefas. Isto permitiu-me, tal como nas gravações, ter um segundo momento de avaliação, em que pude de uma forma mais distanciada analisar as suas resoluções. É de salientar que foram estipuladas as regras de que os alunos tinham de escrever a caneta e sem rasurar.
As questões colocadas no final da aula (Anexo 5), com ênfase neste trabalho, foram colocadas aos alunos para responderem a um conjunto de questões, indicando vantagens e desvantagens da utilização da calculadora gráfica na realização das tarefas da aula em questão e indicando dificuldades que tivessem sentido a transcrever a informação da calculadora para o caderno. Isto ajudou-me a fazer um levantamento da opinião dos alunos relativamente ao tema deste trabalho e ainda pude ver a evolução das suas respostas, se tinham sempre as mesmas opiniões e as mesmas dificuldades ou se isso era ultrapassado de aula para aula.
CAPÍTULO 3
INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA
Este capítulo está dividido em quatro secções: a primeira trata da análise das perceções dos alunos, antes da intervenção pedagógica, sobre a escrita matemática com base na calculadora gráfica; a segunda secção apresenta sucintamente os conteúdos, as tarefas e as atividades desenvolvidos durante a intervenção pedagógica; a terceira secção trata do envolvimento dos alunos nos diferentes momentos das aulas; e a secção final corresponde à avaliação dos alunos das estratégias delineadas na intervenção pedagógica.