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Styrke relasjonskompetansen for å finne balansen

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5. DISKUSJON

5.1 Styrke relasjonskompetansen for å finne balansen

Apesar dos relatos das mulheres de que o comércio de drogas possibilita uma série de benefícios a elas, este é um espaço que envolve violência. É consenso de que é uma atividade que envolve perigo, apesar do discurso vulgarmente divulgado de que traz ganhos fáceis. O comércio de drogas está inserido em meio a um contexto de outras ilegalidades, e muitas vezes, desde adolescentes, elas estiveram envolvidas em situações não apenas diretamente relacionadas ao comércio de drogas, mas também com outros "crimes". As mulheres que ingressaram no contexto ilegal afirmam já terem participado de outros tipos de ações criminalizadas, principalmente furtos e roubos.  

A maioria das mulheres colaboradoras da pesquisa afirmaram que iniciaram as atividades de comércio de drogas por conta de amizades e relacionamentos amorosos, pois estavam envolvidas com pessoas e faziam parte de grupos que realizavam furtos, roubos e comércio de drogas. Era uma forma de interagir com os outros e criar laços sociais durante a adolescência.  

Quando já inseridas, também necessitavam manter certas atitudes violentas quando “necessário”, mesmo afirmando não querer: “Já dei facada e tiro. O menino entrou na minha bocada pra matar o outro, eles estavam em guerra, não sei porque. Avisei ele que ele não entraria na minha bocada assim, senão iam me chamar de buceta98. Tive de matar ele. Ou você mata ou você morre” (J.).  

Por um lado, o comércio de drogas traz segurança do ponto de vista financeiro e pessoal, mas por outro todas afirmam que é muito violento, inclusive chegam a se perguntar como se envolveram em algumas situações que hoje recusariam participar, pois tem a consciência que eram situações de grande perigo. A violência é percebida pelas mulheres nos espaços que frequentam e como um fenômeno que tem aumentado entre comerciantes de drogas, usuários e praticantes de outros “crimes”: “O tráfico é violento. O que não pode fazer é dar banho, roubar de traficante, pegar droga e não pagar, eles matam mesmo. Sua palavra não pode fazer curva” (J.). As regras são do conhecimento de todas, que relatam diversos conflitos e mortes por não respeito as mesmas.  

Como o Distrito Federal é formado por diversas cidades em suas várias conformações sociais, há também dinâmicas diferenciadas de cada cidade ou bairro. J., relata a experiência que conhece de outro território, onde ela não atua: “Acho que lá é mais violento, eles matam por nada. E não é só a pessoa que tem o acerto de contas, mas os familiares também, acho que isso não é certo”. Este tipo de situação violenta crescente faz com que J., mesmo envolvida desde adolescente com este tipo de atividade, sinta medo diante da violência, que outrora convivia com mais naturalidade: “A violência tá muito grande. Tô fora de voltar pra essa vida, hoje tenho medo”.  

Os conflitos relatados pelas mulheres se passam no interior das cidades-satélite e também entre as cidades. São conflitos históricos, geralmente originados por questões consideradas pouco importantes por elas, mas que seguem como uma guerra pelo derramamento de sangue do “inimigo” como forma de garantir a “honra”, como afirma N.: “Tem uma briga de gangues por conta de coisas que já aconteceram há muito tempo, é uma vingança eterna”.  

Além dos conflitos internos, há os mais amplos, entre cidades, exemplo é o caso vivenciado por N.: “Tem conflito entre as cidades, tem lugar que não podemos ir, porque tem

                                                                                                               

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Esta narrativa de J. sobre como as mulheres e homens são chamados de “buceta” quando o objetivo é insultar alguém que não está realizando algo que deveria, chama a atenção, pois a vagina (um dos símbolos da mulher) é referência de uma atitude considerada pouco “corajosa”. Este tipo de insulto pode ser um apontamento de como as mulheres são consideradas como inferiores neste meio do comércio de drogas.  

guerra. Já perdi meu irmão e meu sobrinho. Sobrou um pra contar a história, essa guerra não acabou. Esse sangue derramado é questão de honra”99.  

O. entende que não precisa necessariamente agir com violência neste meio, entretanto, quando acontecem desavenças ela relata que seu filho a protege, inclusive sendo violento. É uma esfera que tem regras, criadas em meio à ilegalidade, e por isso muitas vezes fluidas: “O tráfico é perigoso em termos de inveja, a pessoa vai querer ter o que você tem e não consegue criar seu próprio espaço. O perigo é só de prender. Nunca fiz guerra, desavença, não gosto de violência” (O.). A possibilidade de haver violência é alta neste contexto, sendo em alguns casos difícil evitá-la.  

Sob a forma como se organizam os espaços nos quais se dá o comércio de drogas, as mulheres relatam que nas cidades que elas moram há os “patrões” de cada uma, que organizam e têm o controle de como se articulam as atividades criminosas: “São os mais velhos que controlam, são alguns que vendem, se alguém quiser bater de frente já era” (J., 30 anos). Ou seja, apesar de ser um mercado inserido na ilegalidade, tem uma organização hierárquica, com regras estabelecidas. Não foi objetivo desta pesquisa compreender de que forma se articula o comércio de drogas no DF, que em cada cidade satélite há suas próprias conformações.  

Ainda com relação à dinâmica do comércio de drogas e à segregação espacial, já discutida anteriormente, há uma distância entre o Plano Piloto e as cidades-satélite, que tem suas próprias formas de articulação. Quando questionadas sobre a diferença entre o comércio de drogas em suas cidades e na região central, elas afirmam a maior dificuldade de comercializar drogas no Plano Piloto, pois há mais controle: “No plano tem muita câmera, polícia, é só chegar lá e rodar” (N.). A possibilidade de trabalhar em seu local de moradia soma-se à sensação real de perigo no Plano Piloto, onde facilmente são abordadas e detidas: “Eu trabalho onde eu conheço, no meu lugar. No plano é perigoso, vou cair de gaiata” (O.).  

O Plano é um ponto central de venda de drogas, e acaba por ser um lugar comum, como afirma L.: “No plano todos tem um lugar ao sol, é onde juntam todos os traficantes de todas as quebradas”. É também o local onde há maior possibilidade de ganhar dinheiro: “No

                                                                                                               

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A respeito da “guerra”, o livro Gangues, gênero e juventudes: donas de rocha e sujeitos cabulosos (2010) é o resultado de uma pesquisa realizada com jovens que participam de gangues no DF: “A guerra é um conceito usado por eles para referirem-se aos marcos de conflito que participam de uma dialética bastante fluida, exigindo ação constante dos membros de gangue. Assim, na guerra de gangues não há vencedores, como nas guerras tradicionais, mas jogadores em contínua vivência de contradições. Como veremos mais adiante, um membro de gangue não sabe por que luta contra o outro grupo, mas sabe que faz isso unido a várias outras pessoas. Isso fortalece os laços de solidariedade, proteção e caracterização comum de um determinado grupo. A guerra, desta forma, tem a função primordial de delimitação da identidade grupal da gangue”. (ABRAMOVAY, 2010, p. 139)  

Plano tem mais dinheiro e mais boy, gostava de vender em Taguatinga e no Plano, vendia pros caras da rua, dava muita grana, e também pras bocas” (J.).  

É considerado mais arriscado vender drogas no Plano, pois é mais policiado e a presença de pessoas não aceitas, como elas, à dinâmica da cidade, é facilmente detectada, mas há também a possibilidade de maiores ganhos. Também há maior chance de ser pega em flagrante no Plano: a comerciante de drogas está exposta a uma situação mais vulnerável, pois a atividade ocorre na rua e em um lugar menos conhecido por ela.  

 

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