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4.1 Sammenhengene i balansert målstyring

4.2.3 Styringsparameterne

A sexualidade se instaura no campo do sujeito por uma via que é a da falta. (LACAN, 1964, p. 194)

Sigmund Freud dedicou a vida a entender e a descrever o grande impasse do ser humano: os modos como, preferencialmente, relaciona-se com a sua sexualidade. Já em um dos seus primeiros textos, escrito em 1895, o psicanalista esboçou uma teoria acerca do pensamento e do comportamento humano em termos de estrutura do sistema nervoso. Nessa época, muito influenciado por seus estudos de neurologia, física e biologia, Freud buscava formular um método quantitativo de análise dos fenômenos psíquicos e aproximar a psicopatologia da psicologia normal.

Freud era um cientista extremamente curioso. Analisou meticulosamente como o psiquismo humano reagia aos estímulos do meio, de acordo com a variação da energia despendida em cada um desses estímulos. Especificamente, estudou os primeiros comportamentos e reações do bebê ao ser amamentado por sua mãe, discorrendo a respeito do que se passava no cérebro humano frente às sensações de prazer e desprazer causadas pelo contato com o corpo do outro, com o alimento oferecido pelo outro etc.

Como consequência de seus estudos, passou a distinguir a realidade empírica (os fatos reais que aconteceram na vida de alguém) da realidade psíquica (a interpretação que a pessoa fez dos acontecimentos reais de sua vida). Para Freud, a primeira

experiência de satisfação do bebê – quando pela primeira vez suga o leite materno e é alimentado – marca também o nascimento do desejo: momento em que a criança lida com a satisfação de suas necessidades básicas, mas que ao mesmo tempo suporta um quantum de excitação cuja natureza pode já ser tomada como sexual. Essa experiência proporciona não somente os rudimentos da sexualidade na criança, mas também constitui seu primeiro encontro com uma excitação que estará na base de todo seu desejar.

Inicialmente, é a mãe, ou alguém que se propõe a fazer esse papel, quem se dedica ao cuidado do recém-nascido. É ela quem precisa introjetar, na boca do bebê, o seio para que ele se alimente e continue vivo. Se ninguém se dedicar a alimentar o recém-nascido, ele morrerá. Por isso que, em psicanálise, dá-se tanta importância à relação inicial entre o bebê e o outro. Nesse sentido, é o desejo do outro que introduz no bebê a necessidade e o desejo de viver. Mais tarde, o bebê vai querer mamar não somente por necessidade, mas para obter aquela satisfação inicial da primeira vez que teve contato com o seio.

Nasce aí o impulso de sentir novamente o gozo obtido por aquela ação primeira de mamar. Freud desenvolveu a ideia de que não se trata, na amamentação, apenas de saciar fisicamente a fome com o leite, mas, especialmente, da estimulação de mucosas, da criação de um prazer secundário, muito além da pura necessidade fisiológica. Quem já teve oportunidade de ver um bebê muito pequeno pode lembrar que muitas vezes ele alucina o objeto desejado (seio da mãe), fazendo movimentos com a boca como se estivesse sugando o seio.

Assim sendo, diferentemente dos animais cuja regra é o desenvolvimento biológico, a sexualidade humana vem por acréscimo. Outro modo de dizer isso é que não temos um corpo biológico, mas pulsional.

Dando consequência à diferenciação entre corpo biológico e pulsional, Freud (1915) postulou a existência de uma instância sexual que não se relaciona com os órgãos genitais e, tampouco, com procriação, mas com a obtenção de uma satisfação. O psicanalista chamou a atenção para o fato de que, ao longo da vida, à medida que entra na linguagem, o ser humano busca encontrar soluções para dar conta dos seus desencontros com a sexualidade. Beijar alguém querido, tomar um bom vinho, um bom suco, por exemplo, são ações que podem funcionar como um substituto precário para o impulso de sugar o seio da mãe.

Tanto Freud quanto Lacan dedicaram a vida para solucionar a inequação central do ser humano. Diferentemente da equação, que é sempre representada por um sinal de igualdade, a inequação é caracterizada pelo sinal de desigualdade, sendo o seu resultado sempre colocado em termos de “maior ou menor”. Ela é formada por: corpo biológico, corpo pulsional, psiquismo e a relação com a sociedade. A conta nunca fecha.

No clássico texto de 1905, “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”, Freud postula que a sexualidade humana: 1) age a serviço próprio; 2) não possui objeto fixo, e 3) seu objetivo é o prazer, não a procriação. Assim, na inequação do ser humano com sua sexualidade, não podemos falar em justa medida ou em formas estanques que valeriam para toda a humanidade. Se não existe um objeto de satisfação fixo e único, não existe um único padrão que satisfaça a todas as pessoas. Dependendo da variável, por exemplo, o tipo de sociedade e da época em que a pessoa vive, a forma como teve seu corpo investido libidinalmente, o modo como interpretou o que lhe foi dito, as soluções que deu para o que não entendeu etc., encontraremos traços que caracterizam mais ou menos a maneira de alguém se relacionar com sua sexualidade.

Como, nesta tese, nossa preocupação central são os efeitos das ações formativas do outro para alguém se tornar um pesquisador, seguimos a lição de Freud (1908), no texto “Moral sexual civilizada e doença nervosa”, segundo a qual o comportamento sexual do ser humano constantemente constitui o protótipo de suas demais reações ante a vida.

Por essa razão, podemos dizer que o modo como alguém lida com sua sexualidade, interfere em todas as ações que faz na vida: andar, correr, comer, estudar, aprender, escrever, bem como na forma como se relaciona com as pessoas ao seu redor, por exemplo, com o orientador, e com o saber.

Dado o investimento de energia que a escrita de um trabalho como uma dissertação de mestrado exige, não levar em conta as variáveis da sexualidade ao pensar em como alguém se forma é quase como vê-lo como uma máquina, que responde a comandos de maneira irrefletida. No caso da formação de pesquisadores na universidade, seria pensar que esses responderiam a estímulos, cumpririam os combinados feitos com o orientador, sempre escreveriam textos brilhantes, entenderiam os textos indicados etc.

Se, por um lado, o desencontro com a sexualidade faz o ser humano se sentir perdido em seu corpo e no mundo em que vive, é esse mesmo desencontro que o torna singular. São os modos como lida com os aspectos mais íntimos de sua existência e com

as situações empíricas de sua vida, que dependem do talento e da coragem individual, os permissores da criação e que dão origem a um estilo único.

Foi essa lição que tiramos de Jacques Lacan, na epígrafe escolhida para abrir esta seção. É pela via da falta, do desarranjo, que a sexualidade se instaura em cada um de nós. Compreendendo que a sexualidade é vinculada com os modos mais gerais de alguém viver, entendemos que ela se relaciona, também, com as maneiras de aprender. Esse é o princípio base da nossa discussão: a inexistência e correspondência biunívoca entre ensino e aprendizagem.

Por esse motivo, quanto mais o orientador compreende o princípio aqui apresentado, mais tranquilidade terá para lidar tanto com as “esquisitices” do mestrando quanto com, muitas vezes, problemas que ocorrem durante o percurso de formação acadêmica, como a evasão, o silêncio, ou, ainda o excesso de atenção que o orientando requer. Por outro lado, quanto mais rápido entender que não sabe tudo, que existe uma parte de si que nunca entenderá, mais facilmente poderá planejar e conseguir os meios para integrar essa parte de si nas suas atividades.