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7. Priser og styringsform
7.2 Styringsform i driftsfasen
Procuramos que nos planos de análise e no sistema de dimensões de análise adoptados, ecoassem as propostas que tiveram uma importância seminal na fundamentação teórica do nosso projecto: Palo Alto (o discurso, simultaneamente como comunicação de informação e construção de relação), Goffman (o discurso como espaço de interação orientado para a preservação do equilíbrio interacional mediante o trabalho de facework), Bakhtin (o discurso como realização dialógica).
O nosso sistema de análise inspira-se ainda em investigações de autores que adoptaram, muitas vezes de forma ecléctica, os pressupostos das propostas referidas anteriormente, para nós com influência seminal, com destaque especial para Roulet e Kerbrat-Orecchioni, e a linha de investigação da Faculdade de Psicologia de Salamanca.
Demos também alguma atenção particular a Vygotsky (o discurso como mediação ao serviço de uma dinâmica interpsicológica entre os interlocutores), a Van Dijk e Kintsch (o discurso e a sua representação semântica multidimensional) e a outros que vinculamos, de algum modo, à importância dos efeitos do reconhecimento social, emergente das interacções verbais.
A nossa análise, em duas vertentes, procura, como dissemos, ser coerente com a definição de discurso que adoptamos: conteúdo informativo e relação. A nossa análise desenvolve-se por consequência em duas vertentes: a vertente do conteúdo informativo e a vertente da inter- relação (Vide Anexo 1).
Em cada uma das vertentes operamos com duas dimensões, que correspondem a outros tantos eixos de análise. Algumas das dimensões estão estratificadas em sub-dimensões e estas últimas em níveis.
Levamos ainda em linha de conta que, na maior parte das propostas actuais de análise do discurso, e de forma particular a de Roulet, as unidades discursivo-textuais constitutivas de uma interação verbal são de dois tipos e mantêm entre si uma relação hierárquica: as mais amplas correspondem a unidades dialogais (os “intercâmbios” que se combinam em “sequencias”). As mais elementares são as unidades monologais (os “actos discursivos”) que integram as “intervenções” constitutivas de intercâmbios, e que podemos representar proposicionalmente.
Importa ainda referir o que pode ser considerado como uma limitação das categorias que decidimos utilizar. Em todas as categorias é-nos impossível apresentar taxonomias fechadas de todas as estratégias discursivo-textuais que cabem nas categorias.
No Anexo 1, apresentámos um quadro resumo das dimensões, sub-dimensões, níveis e categorias de análise.
5.4.1 Plano do texto informativo
Ao situarmos a nossa análise no plano informativo, procurámos enquadramentos teórico- metodológicos que consideramos coerentes com as propostas seminais que inspiram globalmente o nosso projecto.
Na organização textual das intervenções do locutor, rastreamos alguns mecanismos discursivo- textuais que promovem a “completude monológica”11 dessas mesmas intervenções. Esta
completude monológica (Roulet 1986) designa o esforço de composição do locutor para que o
receptor a integre cognitivamente. O destinatário deve considerar a intervenção do locutor suficientemente construída, para aceder à sua compreensão.
Esta perspectiva de Roulet está em linha com as nossas referências fundacionais, mas também com outro quadro teórico-metodológico em que nos inspiramos: a perspectiva textual- interactiva da linguagem como manifestação de uma competência comunicativa assim perspectivada: (Jubran, citado por Barbosa-Paiva, 2011): “ […] capacidade de manter a interação social, mediante a produção e entendimento de textos que funcionam comunicativamente” (p.775).
Esta definição converge bem com a definição de discurso de Palo Alto, estruturante para o nosso trabalho, já que consente que, seguindo ainda Jubran (ibidem): “Os factores interacionais são constitutivos do texto, sendo assim inerentes à expressão linguística” (p. 775) e que (ibidem), “ [...] as condições comunicativas que sustentam a acção verbal inscrevem-se na superfície textual, de modo que se observam marcas do processamento formulativo-interacional na materialidade linguística do texto” (p. 776).
As dimensões e categorias que seleccionamos para operar no plano da construção do texto recolhem, de forma muito particular, este último pressuposto.
5.4.1.1 Dimensão 1: A construção do texto
A construção do texto é indissociável do que podemos designar presunção de completude monológica (Roulet, 1985). Tal significa que o locutor vai construindo o seu enunciado meta- representado de forma permanente o seu destinatário. Assim, sempre que progride na construção do texto (oral ou escrito), o locutor deve avaliar se o seu enunciado está dotado das condições suficientes, para que o destinatário construa sobre ele a compreensão desejada. Em suma, o locutor, deve meta-representar ou antecipar permanentemente, ao longo da construção do seu discurso, o comportamento responsivo (Bakhtin) do seu(s) destinatário(s). Esta focalização no comportamento responsivo deve incidir sobre os processos locais da construção do texto base, sobre os processos globais, sobre os processos interacionais e até emocionais. Todos estão ligados à preservação do desenvolvimento harmonioso da interação. Este desenvolvimento harmonioso exige a preservação das “faces” dos interlocutores e a construção duma relação adequada. Esta “completude monológica”, depois de ser provisoriamente presumida suficiente pelo locutor, apenas se torna definitivamente válida quando o alocutário assim o reconhecer. Este reconhecimento ocorre através da selagem da “completude dialógica”, que se realiza através de um intercâmbio entre locutor e alocutário, com a seguinte forma, no nosso discurso, produzido na Faculdade de Psicologia:
Locutor/professor: De acordo?
Alocutário/ aluno: Silencio aprobatório.
Locutor/ professor: Marcador de acordo + Iniciação de uma nova intervenção com
transição temática
O importante é considerarmos que o destinatário está sempre meta-representado no enunciado do locutor. Por isso se considera que, até do pondo de vista da construção textual, o emissor inscreve o comportamento responsivo do destinatário no seu enunciado, daí que possamos falar em co-construção do texto.
É nesta perspectiva que os processos textuais são considerados por alguns (Ibarra, 2009; Britton, 1994; Givón 1992; De Vega 2005; Gernsbacher, 1990) como instruções que guiam a actividade de processamento cognitivo do receptor, no seu labor de construção da compreensão. Os processos textuais integram aquilo que estes autores chamam manual (“Hanbook”) para a compreensão. Constituem assim “ajudas frias” (Printich & al., 1993; Xiste & Sánchez, 2012) à disposição dos receptores. Assim, por exemplo, a utilização dos conectores lógicos nos processos de coesão, constituem parte do “Handbook” referido anteriormente.