4. Analyse og drøfting av datamaterialet
4.6 Styrets betydning – mer komplekst enn det man skulle tro?
Em relação à história da formação do livro de Isaías, deparamo-nos com uma outra longa discussão acerca da difícil tarefa diante de tamanha complexidade e do longo processo temporal de formação de toda obra, conforme nos alerta H. Wildberger, apud (José Luis Sicre, Profetismo em
Limitaremos-nos a apresentar apenas duas hipóteses a respeito da formação do livro de Isaías por adotarem princípios metodológicos diferentes acerca de importantes questões sobre o processo de formação da obra: a de Vermeylen26 que privilegia os temas teológicos independentemente de eventos históricos cronologicamente ocorridos, e a de Wildberger27 que privilegia acontecimentos cronologicamente ocorridos, dos quais provêm novos temas e visões de mundo alteradas dentro do pensamento simbólico-teológico.
Vermeylen formula o processo de formação de toda obra em sete etapas a partir de temas principais. Para ele os referidos temas estão presentes em toda a obra de maneira fragmentária como resultado de sucessivas etapas de releituras, conforme segue:
1ª refere-se à pregação do profeta e à formação das cinco primeiras coleções, com os seguintes temas:
• sobre a guerra siro-efraimita;
• sobre a humilhação dos orgulhosos e exaltação de Yahweh; • sobre o orgulho e a injustiça social dos poderosos de
Jerusalém;
• uma coleção sobre a falta de confiança em Yahweh na política exterior de Judá.
2ª Corresponderia ao período que vai desde o reinado de Manasses até o exílio. Estrutura-se da seguinte forma:
• o enriquecimento das coleções anteriores; • as primeiras fusões das coleções;
26 José Luis Sicre Diaz, Profetism o em I srael, o profet a, os profet as, a m ensagem , p. 185- 186.
• a primeira releitura que expressa a idéia da inviolabilidade de Jerusalém;
• a segunda releitura (reforma), ligada ao reinado de Josias. 3ª Seria reflexo da releitura da época do exílio. Nessa etapa teríamos os textos célebres como a denúncia de Jerusalém (1,21-26) e a canção da vinha (5,1-7).
4ª A releitura escatológica da primeira metade do 5º século que se reflete em novos textos. Essa releitura acaba por estruturar toda a obra em três partes que correspondem às grandes etapas do drama escatológico:
• castigo de Israel (1-11); • castigo dos pagãos (13-26);
• triunfo de Israel (28-33) com a conclusão em 33,17-24a.
5ª Temática da conversão dos infiéis. Nela aparece uma comunidade centrada em Sião, que se identifica como o verdadeiro Israel. Comunidade pouco numerosa, formada por resgatados e animada por grande esperança.
6ª Introduz uma perspectiva diferente com ênfase na compreensão a partir da dualidade (justo X ímpio), na qual se entende a esperança não mais na conversão, mas na destruição da realidade. Destruição que implica a salvação do justo.
7ª Seria a dos últimos retoques a toda a obra. Destaca-se nessa etapa as seguintes questões:
• preocupação missionária com o tema da conversão dos pagãos;
• a polêmica anti-samaritana;
• o drama apocalíptico.
Esse seria então o esforço de Vermeylen na tentativa de visualizar as etapas de formação da obra isaiana a partir dos temas.
Wildberger, em concordância com Vermeylen apenas em relação ao longo e complexo processo de formação, formula sua hipótese da seguinte forma:
1º Ainda durante o período de vida do profeta Isaías teriam se formado duas coleções organizadas sob o critério cronológico:
• a primeira composta por capítulos 2,6 – 11,9, que recolhem a atividade do profeta desde seus primeiros anos até a guerra siro-efraimita e alguns outros textos procedentes dos anos 717 a 711;
• a segunda refere-se à época da rebelião de Ezequias que se encontra atualmente nos capítulos 28-31.
2º Os desdobramentos em torno do núcleo acima citado que crescem em diversas etapas:
• desde fins da monarquia até finais do exílio vai-se formando uma coleção de oráculos contra países estrangeiros, centrada na queda da Babilônia, e que originariamente não continha nenhum texto isaiano; mais tarde, o redator incluiria alguns oráculos de Isaías para legitimar a referida coleção com a autoridade do grande profeta, ou com vistas a ampliar as tradições isaianas já conhecidas.
• Antes do exílio, o material isaiano sofre certos retoques, mas não são de grande monta (não admite uma redação da época de Josias como Vermeylen). É possível que o capítulo 23 seja pré-exílico, mas isto não significa que na época fizesse parte do livro de Isaías.
• A época exílica e os primeiros anos do pós-exílio supõem uma grande releitura do material anterior. Distingue dois nascimentos: 1º da perspectiva condenatória (notada nos capítulos 13-23); 2º da perspectiva salvífica durante os primeiros anos do pós-exílio sob a influência de Ezequiel e do Dêutero-Isaías.
• Ampliações pós-exílicas; a maioria em torno da salvação de Israel, não como livramento de problemas circunstanciais, mas na perspectiva escatológica, com o fim da realidade vigente e o início de um novo tempo. As passagens são bem diferentes em sua temática, linguagem, vocabulário e importância, deixando perceptível a precária situação da comunidade, como: ameaçada pelos infiéis internos, pelo domínio estrangeiro (externo), pela escassez de bens materiais e pelo abuso de tiranos sem escrúpulos.
• Redação final por volta do ano 400 a.C., com o acréscimo dos capítulos 11,11 – 12,6; os 33-35; 19,16-25; o “apocalipse de Isaías” capítulos 24-27 - com um novo horizonte aos oráculos contra as nações dos capítulos 13- 23.
Por volta do ano 400 a.C. esse seria o livro de Isaías, já bem parecido à forma atual. Logo após, inserem-se os relatos sobre Ezequias e Isaías, capítulos 36-39 e 40-66, chegando ao período do 3º século.28
Embora sejam diferentes entre si as referidas hipóteses (uma privilegia temas independentemente da cronologia de eventos históricos ocorridos; e a outro privilegia acontecimentos cronologicamente ocorridos, dos quais provêm novos temas e visões de mundo), ambas reconhecem um longo e complexo processo de formação que se estende até o 3º
28 José Luis Sicre Diaz, Profet ism o em I srael, o profeta, os profetas, a m ensagem , p. 189.
século, contando com uma série de releituras, retoques e acréscimos posteriores, que chegam a tomar a forma de novos oráculos. Para ambos, o desenvolvimento se dá no decorrer da história, pois é nela que ocorrem fatos que suscitam novos temas e ou re-leituras de antigos temas.
Essa compreensão nos possibilita perceber que a mensagem profética está intimamente ligada à dinâmica histórica, e por isso, necessita de explicações e complementações ao longo do tempo.
Tais questões acerca da obra e seu processo de formação surpreendem e provocam divergências entre os leitores do livro de Isaías. É a partir dessa realidade do livro, que somos convidados a desenvolver um senso crítico que possibilite captar sua mensagem a partir de sua complexidade literária imersa na dinâmica histórico-social.
Dispostos a captar a mensagem de Isaías 24,1-6 nessa perspectiva, mergulharemos no universo da pesquisa crítica acerca do bloco literário capítulos 24-27 de Isaías.